Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : pais e filhos

Não basta ser pai, tem que investir no relacionamento
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Jairo Bouer

Vários estudos já mostraram que o vínculo entre pais e filhas pode interferir no comportamento sexual dessas garotas. Um estudo da Universidade de Utah, porém, ressalta que a qualidade da relação é mais importante que a presença desses pais em casa. Os dados foram publicados no periódico Developmental Psychology.

Os pesquisadores acompanharam 101 pares de irmãs, de 18 a 36 anos, que passaram quantidades de tempo variadas com seus pais. Ao acompanhar as famílias com pais divorciados, por exemplo, havia diferenças entre a convivência com a filha mais velha e a mais nova, algo que não foi observado nas famílias intactas, que formavam o grupo de controle.

O estudo descobriu que as irmãs mais velhas, que conviveram por mais tempo com seus pais, foram fortemente influenciadas pela qualidade do relacionamento. Quanto melhor era o vínculo, menor era o risco de as garotas adotarem comportamentos sexuais de risco. O resultado foi o oposto, porém, entre as jovens que sempre moraram com os pais, mas tinham um vínculo de má qualidade.

Os dados mostram que não basta ter um pai presente, é preciso que o vínculo com a filha seja de qualidade quando se trata da prevenção de comportamentos de risco, como usar álcool ou drogas e fazer sexo desprotegido. Isso significa que eventuais prejuízos causados pela separação dos pais pode ser compensado por um relacionamento de qualidade.


Jovens que mentem para os pais tendem a beber mais cedo, segundo pesquisa
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Jairo Bouer

Em geral, os adolescentes que bebem costumam mentir para os pais . Mas um estudo mostra que a tendência a mentir, por si só, também aumenta o risco de o jovem iniciar o consumo de álcool precocemente. As conclusões são de pesquisadores das universidades de Nova York, nos Estados Unidos, e da Higher School of Economics, na Rússia.

Os resultados, publicados no Journal of Adolescence, foram obtidos a partir de uma amostra de mais de 4.000 norte-americanos de 12 e 13 anos de idade, ouvidos com garantia de confidencialidade, e suas respectivas mães, também entrevistadas.

A equipe encontrou uma associação forte entre omitir o que se faz para os pais e iniciar o uso de álcool cedo demais. Mesmo nessa idade, os jovens sabem como evitar serem descobertos. O estudo ainda mostrou que, quando os colegas bebem, os adolescentes também tendem a mentir mais em casa.

Os adolescentes que têm um relacionamento afetuoso e de confiança com os pais apresentaram menor tendência a beber e também a mentir – saber que podem contar com o apoio do pai ou da mãe faz com que eles tenham liberdade para falar sobre esses assuntos. Já com os pais que ficam o tempo todo tentando vigiar os filhos foi o oposto.

Para os autores, pais superprotetores acabam agravando o problema do consumo precoce de álcool, em vez de evitá-lo. Eles sugerem que os pais estabeleçam uma relação de confiança e honestidade com os filhos, para que eles se sintam mais à vontade para contar o que acontece fora de casa.


Seu smartphone pode ser o culpado pela birra do seu filho, segundo estudo
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Jairo Bouer

O uso exagerado de dispositivos móveis pelas crianças tem deixado muitos pais de cabelo em pé. Mas será que a forma como os adultos utilizam a tecnologia também não tem gerado problemas para os pequenos? Segundo uma pesquisa, crises de choro, birra e hiperatividade são mais frequentes em crianças cujos pais estão sempre no smartphone.

Especialistas das universidades de Michigan e de Illiois, nos Estados Unidos, avaliaram 170 famílias para chegar à conclusão, publicada na edição on-line do periódico Child Development. Pais e mães responderam a perguntas sobre o uso de tecnologia e fizeram uma estimativa sobre quantas vezes costumavam interromper o tempo gasto com os filhos para checar ou responder a alguma mensagem, inclusive nas refeições ou durante atividades rotineiras em que as crianças estavam por perto.

Cerca de metade dos entrevistados (48%) relatou que, num dia típico, param três ou mais vezes de fazer o que estão fazendo com os filhos para checar o smartphone, o computador ou ambos. Para 24%, a média era de duas interrupções, e, para 17%, uma ao dia. Só 11% disseram que nunca paravam para usar algum dispositivo.  O estudo também constatou que as mães foram mais propensas que os pais a achar essa situação problemática.

Mesmo poucas e pequenas interrupções  foram associadas a problemas de comportamento entre as crianças, como hipersensibilidade, irritação, hiperatividade e tendência a choramingar com frequência. Isso se manteve mesmo quando os pesquisadores isolaram fatores como depressão ou nível baixo de escolaridade.

O estudo é pequeno e os próprios pesquisadores advertem que o objetivo deles não foi ligar causa e efeito. Ou seja: ainda é preciso investigar bastante o tema antes de confirmar a hipótese. Os autores observam, por exemplo, que muitos pais podem acabar usando a tecnologia como fuga porque as crianças dão muito trabalho, e isso pode ter interferido nos resultados.

Mas a gente sabe que a atenção que se dá à criança muda ao interagir com a internet. Será que isso também não causa uma certa irritação nos filhos, da mesma forma que um marido ou uma namorada podem ficar chateados quando o parceiro pega o smartphone durante um jantar romântico? A dica dos pesquisadores é reservar alguns horários ao dia para ficar longe da tecnologia. Será que dá?


Oferecer comida para animar uma criança pode ser má ideia
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Jairo Bouer

Comer para lidar com a frustração é algo que faz muita gente ganhar peso e ficar mais frustrado ainda. Segundo um estudo recente, divulgado no jornal britânico Daily Mail, esse hábito pode ser aprendido bem mais cedo que se imagina, por culpa dos pais.

Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia analisaram os hábitos alimentares e emoções de 801 crianças de 4 anos, que tiveram questionários respondidos pelos pais. Os participantes foram reavaliados aos 6, 8 e 10 anos.

A equipe concluiu que cerca de 65% das crianças apresentaram o hábito de comer para tentar aliviar emoções negativas. E isso teve como origem o fato de pais ou cuidadores às vezes oferecerem comida para tentar confortá-los.

Claro que servir algo gostoso para o filho num momento de frustração é uma manifestação de carinho, feita com a melhor das intenções. O problema é que, em geral, os alimentos confortantes são ricos em calorias. E o comer emocional pode acabar gerando problemas mais tarde, como compulsão, transtornos alimentares e obesidade, que são difíceis de ser tratados.


Filhos de usuários de cocaína podem ter problemas de memória
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Jairo Bouer

Todo mundo sabe que o consumo de drogas durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento da criança. Mas um estudo feito com animais sugere que homens usuários de cocaína podem ter filhos com risco grave de problemas de memória.

Os dados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, foram obtidos por pesquisadores da Faculdade de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia. A equipe descobriu que filhotes de machos que receberam cocaína perto do momento em que fecundaram as fêmeas tinham muita dificuldade em formar novas memórias. Mas o problema ocorreu apenas nos filhotes do mesmo sexo.

Os ratos afetados não conseguiam se lembrar de itens deixados ao seu lado, e apresentavam alterações na comunicação entre os neurônios em uma região do cérebro que, para roedores e humanos, é essencial para o aprendizado e a localização espacial. Os pesquisadores afirmam que o uso de cocaína alterou a expressão dos genes dos filhotes, que não tiveram qualquer contato com a droga.

Seriam necessários estudos em humanos para saber se o efeito seria o mesmo. De qualquer forma, os resultados reforçam a noção cada vez mais clara, no meio científico, de que os pais também podem prejudicar seus descendentes ao abusar de álcool e drogas.


Certos homens também sofrem de depressão pré-natal ou pós-parto
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Jairo Bouer

Homens estressados ou com a saúde debilitada podem ficar deprimidos quando as parceiras ficam grávidas, e os sintomas também podem surgir depois do nascimento do filho. É o que mostra um estudo feito na Nova Zelândia, e publicado no periódico Jama Psychiatry.

Hoje, sabe-se que alguns homens também podem ser vítimas da depressão pré-natal ou pós-parto, condições já bem estudadas nas mulheres.  O objetivo do trabalho atual foi identificar os principais fatores de risco para a depressão paterna.

Pesquisadores da Universidade de Auckland analisaram os sintomas de 3.523 homens na faixa dos 33 anos, que foram entrevistados quando suas parceiras estavam no terceiro trimestre de gravidez e nove meses após a chegada do filho.

Os resultados mostraram que 2,3% dos participantes, ou seja, 82 homens, apresentaram sintomas fortes de depressão durante a gravidez das parceiras, e 4,3% (153) relataram os sintomas depois do nascimento da criança.

Os pesquisadores notaram que o problema foi mais frequente nos homens mais estressados e com saúde mais frágil, de um modo geral. No caso da depressão após o nascimento, os sintomas também foram mais presentes nos pais que estavam desempregados, separados da mãe da criança e que já tinham histórico do transtorno.

Os autores observam que o pai exerce uma influência vital para o desenvolvimento da criança, por isso a depressão também pode ter efeitos diretos ou indiretos nos filhos. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda o quanto antes pode evitar que isso aconteça.


Quando os pais são sedentários, os filhos também são
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Jairo Bouer

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Crianças pequenas seguem os passos dos pais literalmente. É o que mostra um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, para verificar o nível de atividade física de crianças em idade pré-escolar.

Os pesquisadores do Instituto de Coração, Pulmão e Sangue avaliaram dados de mais de 1.000 crianças e seus respectivos pais. A maioria das famílias era de baixa renda, sendo 70% latinos e 10% afro-americanos. Cada par (pai e filho) utilizou um dispositivo para medir o nível de atividade física por uma média de 12 horas ao dia, ao longo de uma semana.

Os resultados mostram que quando os pais praticavam mais de 40 minutos de atividade moderada ou vigorosa por dia, os filhos também faziam o mesmo. E quando os pais eram sedentários, as crianças também eram. Os dados foram publicados no American Journal of Preventive Medicine.

A recomendação é que crianças de 2 a 5 anos pratiquem no mínimo uma hora por dia de atividade física moderada ou vigorosa. Assim, se você tem filhos pequenos, tem um motivo a mais para fazer exercícios.


Amor de pai pode interferir no desempenho acadêmico do filho
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 paiefilho615

O amor e a proximidade de um pai tem influência especial sobre os jovens,  e faz com que se sintam mais otimistas e determinados a lutar pelas coisas. Além disso, é capaz de fazer com que as meninas tenham melhores notas de matemática e os meninos, maior habilidade em português.

As conclusões acima foram obtidas em um estudo realizado na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Sexual Roles.

O trabalho teve como foco famílias de baixa renda e minorias étnicas no país, e contou com quatro escolas de ensino médio. Os pesquisadores avaliaram questionários de 183 alunos do sexto ano para avaliar fatores como motivação, notas, habilidades e relação com os pais.

Pais presentes, segundo os resultados, afetaram as crenças dos adolescentes em si mesmos e no seu futuro. A autoconfiança também teve efeitos sobre o desempenho acadêmico dos filhos, mas eles foram diferentes para  meninas e meninos.

Para os autores, é importante incentivar os pais a se comunicar melhor com os filhos, manifestando afeto e aceitação, já que esse cuidado pode ser determinante no futuro de um indivíduo, e até mesmo de uma comunidade.


Exposição a álcool e drogas em casa interfere no consumo futuro
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Jairo Bouer

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Adolescentes que têm fácil acesso a álcool e drogas em casa são mais propensos a beber e usar essas substâncias aos 20 anos. É o que mostra um estudo feito pela Universidade do Estado do Michigan, nos Estados Unidos.

O trabalho analisou dados de cerca de 15 mil pessoas de um estudo nacional sobre saúde do adolescente, que envolveu entrevistas aos 16, 22 e 29 anos.

Os resultados indicam que a disponibilidade de álcool e drogas em casa é determinante para os padrões de consumo dos jovens no futuro, o que serve de alerta para quem tem filhos.

Segundo os autores, os participantes do sexo masculino relataram, com maior frequência, a existência dessas substâncias em casa do que as mulheres e, portanto, apresentaram mais tendência a consumi-las na idade adulta.

A pesquisa também mostrou, no entanto, que os brancos foram significativamente mais propensos a usar drogas e álcool quando adultos do que negros, hispânicos e asiáticos, apesar de esses últimos serem mais propensos a ter convivido com as substâncias em casa.


Jovem quer casar logo quando a mãe se casou cedo e deu certo
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Jairo Bouer

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Filhas e filhos de mulheres que se casaram cedo tendem a querer casar cedo também, por volta dos 20 anos. Mas só quando as mães continuaram casadas até a idade deles. Os jovens que viram os pais se divorciarem tendem a ir mais devagar, na tentativa de não cometer os mesmos. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos.

O trabalho, publicado no Journal of Family Psychology, analisou dados de mais de 2.500 mulheres e seus 3.900 filhos. Cerca de 88% dos jovens entrevistados tinham de 13 a 24 anos em meados da década de 1980. E quase 40% das mães divorciadas tinham se casado por volta dos 20 anos.

Os pesquisadores perceberam que, nos casos em que as mães haviam se separado e, principalmente, arrumado um novo parceiro, os jovens passaram a ter expectativas reduzidas em relação ao casamento. Assim, esperaram mais para oficializar a união com namorados ou namoradas.

De acordo com os autores, liderados por Claire Kamp Dush, quem espera para se casar tende a ter um relacionamento conjugal mais maduro. Embora isso não seja garantia de que um casamento mais longevo, as chances são mais altas. Vale lembrar que presenciar a separação dos pais é sempre algo complicado para as crianças, e pode resultar até em problemas psicológicos ou psiquiátricos.