Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : comportamento e tecnologia

Ideal é que TV e videogame fiquem fora do quarto (e o tablet também)
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Jairo Bouer

Um estudo norte-americano mostra que crianças que têm TV ou videogame no quarto dedicam menos tempo à leitura e a outras atividades, além de dormir menos. Como consequência, elas apresentam um desempenho pior na escola, maior risco de obesidade e dependência de jogos eletrônicos, de acordo com o trabalho.

Psicólogos da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos, acompanharam os efeitos desses aparelhos na vida de três grupos de crianças de diferentes idades e regiões, acompanhadas por períodos que variaram de seis meses a dois anos. Eles também descobriram que, quando o videogame fica no quarto, a propensão a assistir a programas e videogames violentos é maior, já que os pais não estão por perto.

Os resultados foram  publicados na revista Developmental Psychology. Naquele país, os jovens passam cerca de 60 horas por semana na frente das telas, o que não deve ser diferente do que ocorre no Brasil. Lá, mais de 40% das crianças de 4 a 6 anos têm uma TV no quarto, e a maioria daqueles de 8 anos ou mais têm ainda um videogame.

Tirar essas mídias do quarto pode ser uma batalha, portanto o melhor é evitar que elas entrem, em primeiro lugar. Seu filho pode pedir e reclamar, mas se você conseguir manter a decisão, ele poderá colher os benefícios a longo prazo. Com os tablets e smartphones esse tipo de controle ficou ainda mais difícil e, nesse caso, a dica é que os aparelhos fiquem carregando, desligados, fora do quarto durante a noite.

 


Pesquisa associa exposição a pornografia e início sexual precoce
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Jovens que são expostos muito cedo a conteúdo pornográfico explícito são mais propensos a se envolver em comportamentos sexuais de risco precocemente. A conclusão é de um estudo apresentado esta semana na conferência anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

Um total de 73 adultos com idades entre 18 e 25 anos participaram do estudo, sendo 42 homens e 31 mulheres. Eles responderam a questionários online sobre hábitos de consumo de pornografia e comportamento sexual. Com a internet e as tecnologias móveis, hoje ficou muito mais fácil para um adolescente acessar vídeos de sexo explícito.

A análise mostrou que os jovens expostos cedo a conteúdo pornográfico foram mais propensos a adotar comportamentos sexuais de risco mais cedo, o que significa transar sem camisinha e sem adotar outros métodos contraceptivos.

Os integrantes da pesquisa relataram ter sido expostos a material explícito já aos 12 anos de idade, em média, sendo que os comportamentos sexuais tiveram início em torno de um ano depois. A exposição contínua a esse tipo de conteúdo também indicou uma tendência maior, entre as garotas, a ter mais parceiros sexuais.

Os autores do trabalho, da Universidade de Buckingham, lembram que jovens de 15 a 24 anos estão entre a parcela da população mais exposta a infecções sexualmente transmissíveis no Reino Unido atualmente, uma realidade semelhante à brasileira.


Robôs ainda têm domínio limitado sobre as leis da atração, mostra estudo
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Dá para prever se uma pessoa vai sentir atração por outra apenas pelos traços de personalidade e preferências que ambas têm em comum? Esse é o princípio da maioria dos aplicativos de encontro, por isso um grupo de pesquisadores decidiu testar até que ponto a tecnologia pode revelar uma alma gêmea.esquisadores das universidades de Utah, da Califórnia e de Northwestern, utilizaram dados de dois grupos de candidatos a encontros rápidos, de quatro minutos, que tinham preenchido questionários que detalhavam mais de 100 características e preferências de cada um deles.

A equipe contou com um algoritmo de aprendizado de máquinas sofisticado para testar quem se interessaria por quem antes dos encontros ocorrerem.

Após cada encontro, os integrantes tinham que indicar o nível de interesse e de atração sexual em relação a cada candidato. Os pesquisadores perceberam que é possível antecipar, de modo geral, quem tende a despertar mais atenção de quem, mas não se duas pessoas, em particular, vão se interessar uma pela outra. Nesse último aspecto, o acerto foi zero.

De acordo com os autores, pelo menos com as ferramentas disponíveis hoje em dia, ainda não é possível pular a tarefa de encontrar um monte de gente até encontrar sua alma gêmea. Claro que os aplicativos dão uma ajuda boa para filtrar os candidatos. Mas, pelo menos por enquanto, robôs estão longe de decifrar os mistérios da atração. Os resultados serão apresentados no TEDxSaltLakeCity, no dia 9 de setembro.

 


Impulsividade não é único fator envolvido ao postar conteúdo impróprio
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Por que alguns jovens adultos publicam conteúdos pouco inapropriados na internet, como ofensas, informações pessoais, sexuais ou sobre uso de álcool e drogas? Para muita gente, inclusive pesquisadores, o motivo disso é a impulsividade ou a inconsequência. Mas um novo estudo mostra que não é só isso. Pessoas com altos níveis de autocontrole são propensas a fazer isso também.

Segundo pesquisadores da Universidade de Plymouth, muitos dos jovens que adotam esse comportamento de risco na internet são providos do que eles chamam de automonitoramento – eles se adaptam de acordo com as normas sociais. Ou seja: eles postam conteúdo impróprio deliberadamente, por acreditar que essa é a coisa certa a ser feita.

A equipe, do departamento de psicologia, criou uma escala de exposição a risco para avaliar uma série de imagens e textos considerados inapropriados, como relativos a álcool, sexo e drogas, material ofensivo e informações pessoais. Eles também analisaram o nível de automonitoramento e de impulsividade dos participantes – 178 britânicos e 90 italianos de ambos os sexos, com idades entre 20 e 22 anos.

Eles perceberam que os britânicos foram mais propensos a publicar conteúdo relacionado a álcool e drogas, enquanto os italianos apresentaram tendência maior a expor conteúdo ofensivo e informações pessoais. Para os pesquisadores, um indício de que aspectos culturais desempenham um papel importante no tipo de assunto compartilhado. Tanto os indivíduos com altos níveis de impulsividade quanto aqueles que se automonitoram mais foram os que mais adotaram o comportamento de risco.

Nessa faixa etária, muitos jovens ainda estão na faculdade e não prestam atenção no quanto postar conteúdo impróprio pode vir a prejudicar a carreira deles no futuro. Por descuido ou mesmo por uma decisão deliberada, eles podem acabar se envolvendo em situações indesejadas e se arrepender amargamente depois.


Por que é tão difícil romper com as mídias sociais?
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Algumas pessoas até tentam dar um tempo para Twitter, Facebook e Instagram, mas acabam voltando. Pesquisadores holandeses e norte-americanos decidiram investigar por que isso acontece, e confirmaram o que muita gente já sabia: mídia social dá prazer. E ficar sem ela causa fissura.

Cientistas das universidades do Michigan, de Vrije e Radboud Nijmegen fizeram dois experimentos diferentes com usuários assíduos e menos frequentes do Facebook. Eles descobriram que até uma rápida exposição a qualquer imagem relacionada à rede, como o logotipo ou uma captura de tela, foi capaz de gerar uma resposta prazerosa, como uma recompensa, nos usuários mais frequentes.

Depois da imagem que remetia à rede, os participantes eram expostos a um símbolo chinês. Mais tarde, eles tinham que avaliar o símbolo, e a maioria afirmou que a imagem chinesa trazia uma sensação agradável também. Para a equipe, é uma espécie de condicionamento, difícil de ser desaprendido.

No segundo experimento, eles convidaram os participantes a medir sua fissura por Facebook. Eles detectaram que muitos usuários sofriam uma espécie de culpa pela “tentação” de ficar o tempo todo na rede. Tentavam se afastar e, daí, falhavam, o que gerava uma sensação ruim constante.

Para essas pessoas, os autores recomendam tirar o atalho da tela inicial do celular, por exemplo. Isso poderia aliviar a fissura e, por consequência, a culpa por não conseguir se controlar diante da rede. Os dados foram publicados na revista Cyberpsychology, Behavior and Social Networking.


Selfie de mulheres no Tinder tende a ser de cima para baixo, diz estudo
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Homens são mais propensos a tirar selfies de baixo para cima para parecerem mais altos, poderosos e, assim, capazes de proteger uma mulher. Já as mulheres fazem exatamente o contrário – tiram a foto de cima para baixo para destacar o rosto e o decote, e ainda disfarçar qualquer imperfeição no corpo. As conclusões são de um estudo que analisou 900 homens e mulheres do aplicativo de encontros Tinder.

A análise foi feita por pesquisadores da Universidade de Saskatchewan, no Canadá. Segundo eles, usuários de ambos os sexos são propensos a manipular suas fotos para gerar uma boa primeira impressão para os potenciais candidatos.

Cerca de metade dos homens e mulheres faz selfies de frente. Mas, na hora de fazer uma foto vertical, 40% dos homens posicionam o celular na altura da cintura, contra apenas 16% das mulheres. E 25% delas apontam o aparelho de cima para baixo, contra apenas 16% deles.

Para os autores, as razões por trás dessa forma de tirar as fotos têm a ver com a evolução. Homens querem ser vistos como mais altos e fortes porque isso é associado a fertilidade. Tirar a foto de baixo para cima ainda faz com que a mandíbula pareça maior, outro traço ligado à capacidade reprodutiva. Já as mulheres tendem a evitar parecer dominadoras, por isso querem parecer menores e dignas de proteção, segundo os pesquisadores. Os resultados foram divulgados no site do jornal britânico Daily Mail


Até desligado smartphone drena atenção do usuário, diz estudo
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Um estudo revela que as pessoas têm dificuldade de executar tarefas simples que exigem concentração quando estão perto do smartphone, pois não conseguem se desligar dele, mesmo sem se dar conta disso. Segundo pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, o aparelho drena a capacidade cerebral das pessoas mesmo quando está desligado.

A equipe, liderada pelo pesquisador Adrian Ward, conduziu experimentos com cerca de 800 usuários de smartphone para medir o impacto que a simples proximidade com o aparelho causa. Os resultados foram divulgados no jornal britânico Daily Mail.

Em um deles, os participantes realizaram uma série de testes no computador que demandavam concentração. Antes de começar, todos foram orientados a deixar o aparelho silencioso. Uma parte tinha que deixar o celular virado para baixo, na mesa; outra parcela, no bolso ou na mochila; e o último grupo mantinha o aparelho em outra sala. Quem deixou o smartphone em outro ambiente se saiu bem melhor nas tarefas.

Em outro experimento parecido, os participantes responderam a um questionário para avaliar o grau de dependência do smartphone no dia a dia. Depois, tinham que fazer as tarefas no computador com o celular virado para baixo, na bolsa, em outro ambiente, ou desligado sobre a mesa.  De novo, os participantes que deixaram o aparelho em outra sala se saíram melhor nos testes. Ou seja: mesmo desligado, mas ao alcance da vista, o celular foi capaz de prejudicar o desempenho dos usuários.

 


“Trocados” pelo smartphone vão atrás de aceitação nas redes sociais
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Sabe quando uma pessoa que está jantando com outra e pega o celular e simplesmente ignora a companhia para usar o smartphone? Esse tipo de atitude, cada vez mais fácil de ser observado, ganhou até um apelido, em inglês: “phubbing”, uma mistura de phone (telefone) e “snubbing” (esnobar).

Pois um estudo mostra que as vítimas dessa falta de atenção acabam se voltando para seus próprios smartphones e usam as mídias sociais para buscar aceitação.

Essa não é a primeira vez que os  pesquisadores, da Baylor University, nos Estados Unidos, analisam os efeitos do “snubbing”. Em trabalhos anteriores, eles concluíram que o comportamento prejudica relacionamentos e pode até aumentar o risco de depressão.

Agora, eles perceberam que as vítimas de “snubbing” tentam compensar a frustração de serem ignoradas por alguém que costuma trocá-las pelas redes sociais apelando para as próprias plataformas em busca de inclusão social. Os resultados foram publicados no Journal of the Association for Consumer Research.

O curioso é que, no final das contas, as vítimas desse comportamento acabam correndo o risco de perpetuá-lo, fazendo o mesmo com outras pessoas. E então vira um ciclo vicioso.

A equipe entrevistou mais de 330 pessoas em dois diferentes experimentos. Eles observaram que metado dos que já foram “trocados pelo smartphone” reportou gastar mais de 1,5 hora usando o aparelho por dia. Um quarto relatou gastar mais de 90 minutos apenas em redes sociais. E mais de um terço admitiu que usava a plataforma para tentar interagir com gente nova e se sentir mais aceito.

Embora o propósito declarado das redes sociais seja conectar as pessoas, parece que a ferramenta também acaba exercendo o papel contrário.


Seu smartphone pode ser o culpado pela birra do seu filho, segundo estudo
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Jairo Bouer

O uso exagerado de dispositivos móveis pelas crianças tem deixado muitos pais de cabelo em pé. Mas será que a forma como os adultos utilizam a tecnologia também não tem gerado problemas para os pequenos? Segundo uma pesquisa, crises de choro, birra e hiperatividade são mais frequentes em crianças cujos pais estão sempre no smartphone.

Especialistas das universidades de Michigan e de Illiois, nos Estados Unidos, avaliaram 170 famílias para chegar à conclusão, publicada na edição on-line do periódico Child Development. Pais e mães responderam a perguntas sobre o uso de tecnologia e fizeram uma estimativa sobre quantas vezes costumavam interromper o tempo gasto com os filhos para checar ou responder a alguma mensagem, inclusive nas refeições ou durante atividades rotineiras em que as crianças estavam por perto.

Cerca de metade dos entrevistados (48%) relatou que, num dia típico, param três ou mais vezes de fazer o que estão fazendo com os filhos para checar o smartphone, o computador ou ambos. Para 24%, a média era de duas interrupções, e, para 17%, uma ao dia. Só 11% disseram que nunca paravam para usar algum dispositivo.  O estudo também constatou que as mães foram mais propensas que os pais a achar essa situação problemática.

Mesmo poucas e pequenas interrupções  foram associadas a problemas de comportamento entre as crianças, como hipersensibilidade, irritação, hiperatividade e tendência a choramingar com frequência. Isso se manteve mesmo quando os pesquisadores isolaram fatores como depressão ou nível baixo de escolaridade.

O estudo é pequeno e os próprios pesquisadores advertem que o objetivo deles não foi ligar causa e efeito. Ou seja: ainda é preciso investigar bastante o tema antes de confirmar a hipótese. Os autores observam, por exemplo, que muitos pais podem acabar usando a tecnologia como fuga porque as crianças dão muito trabalho, e isso pode ter interferido nos resultados.

Mas a gente sabe que a atenção que se dá à criança muda ao interagir com a internet. Será que isso também não causa uma certa irritação nos filhos, da mesma forma que um marido ou uma namorada podem ficar chateados quando o parceiro pega o smartphone durante um jantar romântico? A dica dos pesquisadores é reservar alguns horários ao dia para ficar longe da tecnologia. Será que dá?


Cerca de 1 em 6 jovens costumam dar um tempo no uso de mídias sociais
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Jairo Bouer

Muitos pais de adolescentes adorariam ver os filhos se concentrarem tanto nas redes sociais e tão pouco nos estudos e em outras atividades. Esta pesquisa pode deixá-los um pouco mais tranquilos: cerca de 58% dos jovens norte-americanos têm feito pausas voluntárias para ficar um tempo longe das plataformas, porque eles próprios percebem que o excesso faz mal.

O levantamento foi feito pela agência de notícias Associated Press (AP) em parceria com o centro de pesquisas Norc, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. A conclusão foi baseada em entrevistas com 790 adolescentes de 13 a 17 anos.

Entre os jovens que fizeram essas pausas, 65% fizeram isso voluntariamente. Do total, 24% responderam que o motivo era o fato de estarem cansados de conflitos. Vinte por cento responderam que estavam cansados da obrigação de saber tudo o que está acontecendo. E 8% relataram que as mídias sociais estavam prejudicando seu desempenho na escola ou no trabalho.

Os garotos foram mais propensos a fazer pausas mais longas, sendo que 36% ficavam duas semanas ou mais sem acessar as mídias sociais, enquanto 22% das meninas ficaram esse mesmo tempo longe das plataformas.

O estudo também mostrou que os jovens de lares com menor rendimento são mais propensos a querer dar esses tempos, e suas pausas são mais longas que as de adolescentes de famílias de renda mais alta.

O principal motivo das pausas involuntárias foi a decisão dos pais de tirar os aparelhos dos filhos (38%). Em seguida aparecem as perdas e roubos (17%).

Quem deu um tempo por conta própria relatou ter se sentido melhor com a experiência. Já quem teve o perdido ou tirado dos pais afirmaram ter sentido muita ansiedade e a sensação de estar perdendo algum acontecimento importante.

Fazer essas pausas por conta própria é uma atitude saudável e mostra que esses jovens têm domínio sobre o hábito. Quem não consegue ficar nem um dia sem acessar as redes talvez esteja precisando de ajuda…