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"Sexting" ainda não é epidemia entre os mais jovens, defende estudo

Jairo Bouer

17/07/2019 20h12

Crédito: Fotolia

O "sexting" tornou-se algo comum para alguns adolescentes, mas não todos. Pelo menos por enquanto. Um estudo norte-americano mostra que a prática não atingiu níveis epidêmicos, como muita gente acredita, mas também não recuou nem um pouco nos últimos anos, apesar do esforço de prevenção por parte de pais, educadores e profissionais de saúde naquele país.

Embora a principal motivação para o envio de fotos ou vídeos de nudez ou sexo seja conquistar ou agradar um parceiro romântico que parece confiável, casos de imagens que vazam indevidamente têm vindo à tona com cada vez mais frequência. Histórias desse tipo muitas vezes se tornam uma tragédia na vida do adolescente ou de seus familiares.

Um estudo de pesquisadores das Universidades da Flórida e de Wisconsin traz novas taxas de prevalência do "sexting" em uma amostra nacionalmente representativa de 5.593 estudantes de 12 a 17 anos. Eles consideraram apenas imagens e vídeos sexualmente explícitos, que têm maior potencial de danos ao adolescente do que textos.

Os resultados, publicados na revista Archives of Sexual Behavior, mostram que 14% dos adolescentes já receberam esse tipo de material de um namorado ou namorada, enquanto 13,6% disseram ter recebido o conteúdo de alguém que não era um parceiro estável. Cerca de 11% dos estudantes relataram ter enviado um "sext" para um namorado ou namorada.

A maioria (64%) dos estudantes que receberam pedido para enviar esse tipo de conteúdo consentiu. Entre os jovens que foram solicitados a enviar um "sext" por alguém que não era um parceiro estável, apenas 43% concordaram em mandar.

Os garotos foram significativamente mais propensos a enviar e receber "sext" de um parceiro ou parceira estável. Mas eles e elas foram igualmente propensos a receber material explícito de não namorados (as). As garotas foram mais propensas a receberem pedidos de envio de parceiros que não eram estáveis, mas apenas 34% toparam.

Como esperado, os jovens mais velhos foram mais propensos a enviar e receber "sexts". Alunos que se identificam como não heterossexuais também apresentaram uma tendência um pouco maior a se envolver em "sexting" de alguma maneira.

Com relação à frequência, cerca de um terço dos alunos que enviaram ou receberam mensagens explícitas relataram ter feito isso apenas uma vez. A maioria respondeu "algumas vezes" e menos de 2% disseram ter enviado "sexts" diversas vezes na vida.

Cerca de 4% dos estudantes admitiram já ter compartilhado uma imagem explícita enviada a eles por outra pessoa sem a permissão dela. O mesmo número de entrevistados acreditava que uma imagem deles já tinha sido compartilhada sem permissão.

Os resultados são mais modestos que os de estudos anteriores, com amostras menores de jovens, o que pode ser considerado uma boa notícia. Os pesquisadores acreditam que mostrar aos adolescentes que a prática não é uma regra nessa fase da vida pode inibir a tendência de aderir ao "sexting" apenas porque "todo mundo faz". Se colocar em risco só para agradar os outros é uma grande roubada.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.

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