Blog do Doutor Jairo Bouer

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Escrever antes de eventos importantes pode aliviar o estresse
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Jairo Bouer

Você costuma ficar nervoso ou nervosa demais antes de eventos importantes, como provas, entrevistas ou apresentações? Experimente sentar para escrever sobre seus sentimentos antes de enfrentar a situação. Uma pesquisa feita por psicólogos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostra que a estratégia ajuda pessoas ansiosas a executar tarefas estressantes com mais eficiência.

O medo e a tensão costumam drenar a nossa capacidade cognitiva, ou seja, de usar o cérebro para fazer o que precisa ser feito. Quem é preocupado demais está sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo: tentando se acalmar e realizar a tarefa em si. A técnica chamada de escrita expressiva tem sido proposta há algum tempo, e o atual estudo mostrou que ela traz benefícios.

Os pesquisadores recrutaram estudantes de faculdade diagnosticados como ansiosos crônicos para passar por um teste no computador que demanda capacidade de processar informações precisas em pouco tempo – tipo da coisa que gera tensão. Antes da tarefa, metade do grupo escreveu sobre os sentimentos associados ao teste durante cerca de oito minutos. A outra parte foi orientada a escrever sobre o que tinha sido feito no dia anterior.

Todos os participantes foram submetidos a exames de eletroencefalografia durante o experimento. Os resultados comprovaram que os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos foram mais eficientes, ou seja, utilizaram menos recursos cerebrais para executar o teste com rapidez e precisão. Em outras palavras, os dois grupos tiveram resultados parecidos, mas o da escrita expressiva “gastou menos combustível para chegar lá”, fazendo uma analogia aos automóveis.

O trabalho, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, foi publicado na revista Psychophysiology.


Guarda compartilhada é a melhor opção para a criança, confirma estudo
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Muitos casais que se divorciam têm optado pela guarda compartilhada dos filhos por achar que essa é a opção menos traumática para as crianças. E um estudo recém-publicado confirma que essa é a melhor solução.

Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, acompanharam 3.656 crianças com idades entre 3 e 5 anos. Desse total, 3.369 viviam em famílias tradicionais; 136 tinham guarda compartilhada; 79 ficavam principalmente com um dos pais; e 72 conviviam exclusivamente com o pai ou a mãe.

Problemas comportamentais, de relacionamento e outros sintomas psicológicos foram avaliados a partir de questionários respondidos pelos pais e também por professores das crianças.

Os resultados revelaram que as crianças que vivem a maior parte do tempo ou exclusivamente com o pai ou com a mãe apresentam mais problemas psicológicos ou comportamentais do que aquelas que vivem em famílias tradicionais ou com guarda compartilhada.

Para os autores, quem tem contato diário com o pai e a mãe tem relacionamentos de melhor qualidade com ambos, e isso é o mais importante para a criança. Os dados da pesquisa, divulgados pelo jornal britânico Daily Mail, serão publicados no periódico Acta Pædiatrica.


Quem resiste em aceitar as próprias emoções pode sofrer mais com elas
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A pressão imposta pelos outros e por você mesmo para ficar bem quando, na verdade, está mal, pode te deixar pior ainda. É o que afirma um grupo de psicólogos das universidades da Califórnia, nos Estados Unidos, e de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que quem aceita as próprias emoções negativas costuma sofrer menos com elas. A mania de julgar os próprios sentimentos só aumentaria o estresse psicológico e, como consequência, a frustração e a tristeza.

O trabalho, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, contou com mais de 1.300 adultos norte-americanos, que tiveram sua personalidade analisada online ou em laboratório. Ao todo, foram conduzidos três experimentos separados, e fatores como status socioeconômico foram isolados para não interferir nos resultados.

Num dos testes, mais de 150 pessoas foram convidadas a fazer um discurso de três minutos em vídeo para um jurado, em que tinham que pedir emprego de uma forma sutil, promovendo suas habilidades e qualificações. Depois, cada um tinha que relatar o que havia sentido ao realizar a tarefa. Aqueles que costumam brigar contra os próprios sentimentos foram os que ficaram mais angustiados ao gravar o vídeo. Em outro experimento parecido, com mais de 200 pessoas, os participantes tiveram que falar sobre suas contas e impostos. E o resultado foi semelhante.

Os pesquisadores perceberam que as pessoas que resistem a suas emoções mais sombrias, e se julgam com dureza pelo que estão sentindo, são as que mais sofrem de maneira geral. Já quem aceita melhor seu “lado obscuro” tende a relatar menos sintomas depressivos, mesmo seis meses depois de uma fase ruim. Talvez o caminho para se incomodar menos com as chatices da vida seja exigir um pouco menos de si mesmo.


Mulheres com transtorno alimentar podem ter mais estresse ao fazer sexo
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Um estudo sugere que mulheres com transtornos alimentares são mais propensas a ter episódios de “dissociação” ao transar com os parceiros. É como se elas deixassem de ser elas mesmas, ou se desligassem emocionalmente da situação – uma reação de defesa que costuma estar ligada a situações traumáticas ou a transtornos de personalidade.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Florença, na Itália, e de Vermont, nos Estados Unidos, quem sofre de anorexia, bulimia e transtorno do comer compulsivo tem problemas com a autoimagem, de tal forma que o sexo pode se tornar uma fonte de estresse.

A equipe avaliou 60 mulheres heterossexuais de 25 a 35 anos, entrevistadas sobre seus hábitos alimentares, sua relação com a própria imagem corporal e as sensações que tinham ao ter relações sexuais. As participantes também tiveram seus níveis de cortisol – o hormônio do estresse – medidos antes, durante e depois de serem expostas a estímulos sexuais explícitos num laboratório.

As mulheres que tinham sintomas de transtorno alimentar apresentaram níveis mais altos do hormônio em relação às que não tinham. Os resultados foram publicados no Journal of Sexual Medicine, e divulgados no jornal britânico Daily Mail.  Os autores afirmam que mais estudos devem ser feitos para confirmar a hipótese.


Hormônio “do amor” aumenta quando relação está em crise, diz pesquisa
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Você já ouviu falar na oxitocina, o “hormônio do amor”? Essa substância, liberada pelo cérebro durante o orgasmo e também durante a amamentação, é associada ao vínculo afetivo entre duas pessoas. Agora, um grupo de pesquisadores sugere que ela também pode ser chamada de “hormônio da crise”.

Uma equipe de psicólogos das universidades de Ciência e Tecnologia da Noruega e do Novo México, nos Estados Unidos, descobriu que, toda vez que uma pessoa percebe que seu parceiro está demonstrando menos interesse no relacionamento do que ela, seus níveis de oxitocina aumentam na tentativa de reforçar os laços.

Os pesquisadores avaliaram 75 casais norte-americanos e 148 indivíduos noruegueses em relacionamento estável. Durante os experimentos, os participantes foram estimulados a pensar sobre o parceiro e escrever como era a relação e o quanto gostariam que o outro estivesse envolvido nela. Os níveis de oxitocina foram medidos antes e depois da tarefa.

Em ambos os grupos, os níveis de hormônio foram altos quando os participantes tinham um vínculo forte, como esperado. Mas, ao analisar as duas partes do casal, os pesquisadores perceberam que a quantidade de oxcitocina era mais alta na pessoa que acreditava se doar mais para o relacionamento do que o parceiro. Mas eles também viram que parece haver um limite nessa estratégia, pois, quando o participante que investia mais na relação achava que já não tinha mais jeito, os níveis do hormônio também eram mais baixos.

Os resultados foram semelhantes nos Estados Unidos e na Noruega, o que mostra que a questão transcende a cultura. Para os autores, é possível que o hormônio tenha a função de incentivar as pessoas a cuidar mais da relação quando percebem que o parceiro está menos interessado que eles. Mas ainda são necessários mais estudos para confirmar esse novo papel da oxitocina.


Personalidade muda ao beber, mas nem sempre os outros percebem
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Quando você exagera na bebida, seu comportamento muda, e até alguns traços de personalidade podem se alterar. Mas, para os seus amigos, pode não ser tão fácil assim saber quando você está bêbado ou sóbrio, segundo psicólogos.

Pesquisadores do Instituto de Saúde Mental da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, fizeram um experimento e constataram que existe uma discrepância entre o que uma pessoa acha que muda em si mesma quando bebe e o que os outros percebem.

O trabalho foi baseado no modelo dos “cinco fatores”, bastante usado em psicologia para analisar traços de personalidade. A análise envolve cinco principais aspectos: neuroticismo (se a pessoa é mais ou menos instável emocionalmente), extroversão, amabilidade, abertura a novas experiências e conscienciosidade (que pode ser interpretado como cautela ou disciplina).

O experimento foi feito em laboratório, com 156 pessoas, que responderam a questionários sobre consumo de bebida, características de personalidade e percepções sobre o que muda ao exagerar na bebida. Depois vieram com os amigos, em grupos de 3 ou 4 pessoas, e passaram por uma simulação de encontro num bar.

Todos foram servidos com bebidas, mas uma parte consumia refrigerante de limão, enquanto outra tomava vodca. A ideia era que os amigos não soubessem se o integrante da pesquisa tinha consumido álcool ou não.

Depois de mais ou menos 15 minutos, os grupos eram submetidos a uma série de atividades que tinham o objetivo de fazer transparecer diferentes traços de personalidade e comportamentos. Os participantes, então, fizeram uma nova autoavaliação, e os observadores foram convidados a avaliar o que havia mudado no amigo.

Os participantes que ingeriram álcool relataram diferenças em cada um dos cinco fatores, mas os outros só perceberam de forma consistente as mudanças na extroversão, que é o aspecto de personalidade mais fácil de identificar em alguém. Os resultados foram publicados na revista Clinical Psychological Science.

Os psicólogos admitem que o ideal seria fazer um experimento como esse fora do laboratório para ter um resultado mais fiel. Mas eles acreditam que estudos científicos bem controlados sobre personalidade e álcool podem resultar em intervenções mais bem-sucedidas para evitar o impacto negativo do abuso da substância na vida das pessoas.  Em geral, indivíduos que têm problemas com a bebida tendem a apresentar mudanças claras de comportamento, e  o ideal seria intervir antes disso acontecer.


Xingar alto pode aumentar a força física, mostram experimentos
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Se você não consegue ficar sem falar palavrão, saiba que agora tem uma boa desculpa para manter seu mau hábito: uma pesquisa mostra que soltar o verbo em alto e bom som pode aumentar a força física.

Este não é o primeiro estudo a observar os benefícios dos xinagmentos para a saúde. Um deles sugeriu que gritar palavrões melhora a tolerância a dor, e outro, que aumentaria a capacidade de aguentar o frio. A teoria dos cientistas é que, ao soltar o verbo, as pessoas ativariam uma reação de “luta ou fuga”, e isso reduziria a sensação de dor.

Algumas doenças tornam as pessoas mais propensas a falar palavrões, como lesões cerebrais e depressão em idosos, bem como demência, encefalite e síndrome de Tourette (conhecida como “tique nervoso”). É por isso que o tema tem sido estudado há bastante tempo.

O pesquisadores da Universidade de Keele, no Reino Unido, fizeram um experimento duplo. Na primeira fase, 29 jovens adultos, de 21 anos de idade, em média, tinham que peladar numa bicicleta ergométrica em alta velocidade e por pouco tempo. Na primeira vez, tinham que repetir uma palavra neutra em voz alta. Na segunda, um palavrão.

Na segunda parte do experimento, 52 participantes com 19 anos de idade, em média, fizeram um teste similar em um aparelho que mede a força das mãos.

Os benefícios dos xingamentos ficaram claros para os pesquisadores. No exercício aeróbico, ajudou os participantes a pedalar com mais força – cerca de 24 watts a mais. E no teste de esforço para as mãos, houve um aumento de 2 kg, em média.

Os resultados foram apresentados na conferência anual da Sociedade Britânica de Psicologia  e divulgada no site Medical News Today. Outros estudos devem ser feitos, no futuro, para entender melhor o que está por trás desse benefício.


Violência na mídia aumenta agressividade, confirma estudo multicultural
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Uma nova pesquisa traz evidências de que a violência na mídia afeta o comportamento, podendo deixar um jovem mais agressivo. Ela envolveu pesquisadores de sete países diferentes, que confirmaram que o impacto independe da cultura.

O trabalho foi coordenado por Craig Anderson, professor de psicologia da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos e contou com 2.154 adolescentes e adultos jovens daquele país e dos seguintes: Austrália, China, Croácia, Alemanha, Japão e Romênia. A idade média era de 21 anos e 38% dos participantes eram do sexo masculino.

Os jovens foram convidados a listar os programas de TV, filmes e videogames preferidos e avaliar o nível de violência em cada um deles. Entrevistas também foram feitas para medir agressividade e empatia em cada um.

Os resultados, publicados na revista Personality and Social Psychology Bulletin, indicam que o consumo de violência por meio da mídia aumentou o risco de um jovem ter comportamento mais agressivo, pensamentos agressivos e nível de empatia mais baixo, em todos os países estudados.

Os pesquisadores também analisaram outros fatores que aumentam esses riscos, como viver em bairro violento, praticar bullying, ter sofrido abuso por questões de gênero ou por parte dos pais e delinquência entre pares. Apenas este último apresentou uma influência mais forte do que a mídia no comportamento agressivo.

Para os autores, as conclusões reforçam a de estudos que têm sido feitos há anos com o mesmo tema. Eles comparam o esforço da indústria em negar esse tipo de associação ao que foi feito pela indústria do tabaco durante décadas, para tentar negar a influência do produto sobre o câncer.


Solitário sofre mais quando fica resfriado, segundo pesquisa
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Ficar doente é muito chato, mas se você estiver se sentindo só, é provável que vá sofrer mais ainda, segundo uma pesquisa feita na Universidade Rice e financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos.

Vários estudos já mostraram que a solidão pode aumentar o risco de doenças e de morte prematura. Mas os psicólogos da universidade decidiram pesquisar qual seria o impacto em uma condição aguda, temporária e extremamente comum, o resfriado.

Eles selecionaram 159 pessoas de 18 a 55 anos, sendo que 60% eram homens. Os participantes responderam a diversos questionários e passaram cinco dias em quarentena em quartos de hotel, recebendo gotas nasais para induzi um resfriado. Um grupo usado como controle recebeu só placebo.

A sensação de isolamento social não interferiu na probabilidade de pegar a doença – nem todos ficaram resfriados, apesar da exposição ao vírus. No entanto, aqueles que ficaram doentes e se sentiam solitários relataram uma gravidade maior nos sintomas.

Os pesquisadores esclarecem que o tamanho da rede social também não interferiu nos resultados. O que importa, segundo eles, não é quantos amigos uma pessoa tem, mas a qualidade dos relacionamentos. Uma pessoa pode até namorar, ter uma vida social ativa e mesmo assim se sentir só.

O estudo foi publicado no periódico Health Psychology. Para os autores, ele revela o quanto é importante as pessas investirem nas relações sociais, e o quanto os sentimentos podem interferir na qualidade de vida e até na produtividade das empresas.


Seus parceiros têm algo em comum, sugere estudo
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Você já parou para se perguntar o que seus ex têm em comum? Pesquisadores da Universidade da Califórnia afirmam que os parceiros românticos de uma pessoa tendem a ter algumas semelhanças entre si.

O trabalho, coornenado pelo professor de psicologia Paul Eastwick, confirma a ideia de que as pessoas têm uim “tipo”, uma preferência por parceiros com determinadas qualidades. Mas, de acordo com os resultados, essas características têm mais a ver com o meio em que elas vivem do que com a busca por determinado perfil.

Explico melhor: é mais provável que seus ex-namorados ou namoradas sejam todos educados, ou então religiosos, por exemplo. Mas isso não acontece só porque você busca pessoas educadas ou religiosas, respectivamente, mas porque muita gente a seu redor têm essas características. Em outras palavras, a disponibilidade importa mais do que sua capacidade de selecionar.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram o perfil dos envolvidos em mais de 1.000 relacionamentos heterossexuais passados e presentes. Em uma parte do estudo, foi constatado que os parceiros anteriores tendem a ter até características físicas em comum. E isso incluía não só namorados, como também parceiros casuais.

O estudo foi publicado on-line este mês no Journal of Personality and Social Psychology, da Associação Americana de Psicologia.