Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : memória

HIV pode alterar memória e aprendizado de pacientes sem tratamento
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Jairo Bouer

Um estudo indica que pessoas infectadas com o HIV que não recebem tratamento adequado apresentam alterações cerebrais que podem diminuir o desempenho cognitivo, ou seja, a memória e o aprendizado.

A descoberta foi feita por pesquisadores das universidades de Missouri, Washington, Califórnia do Sul e Brown, nos Estados Unidos, e também da Universidade Cape Town, na África do Sul. Os dados foram publicados no periódico Brain Connectivity.

Com ajuda de exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos, a equipe analisou diferenças entre as conexões cerebrais de 29 jovens adultos soropositivos que nunca tinham sido tratados, ou que tiveram acesso limitado ao tratamento, e de 16 indivíduos sem o HIV, todos sul-africanos.

O trabalho, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, reitera a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dos infectados pelo vírus da Aids. Sem contar que a medida também é fundamental para evitar novas infecções.


Filhos de usuários de cocaína podem ter problemas de memória
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Jairo Bouer

Todo mundo sabe que o consumo de drogas durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento da criança. Mas um estudo feito com animais sugere que homens usuários de cocaína podem ter filhos com risco grave de problemas de memória.

Os dados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, foram obtidos por pesquisadores da Faculdade de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia. A equipe descobriu que filhotes de machos que receberam cocaína perto do momento em que fecundaram as fêmeas tinham muita dificuldade em formar novas memórias. Mas o problema ocorreu apenas nos filhotes do mesmo sexo.

Os ratos afetados não conseguiam se lembrar de itens deixados ao seu lado, e apresentavam alterações na comunicação entre os neurônios em uma região do cérebro que, para roedores e humanos, é essencial para o aprendizado e a localização espacial. Os pesquisadores afirmam que o uso de cocaína alterou a expressão dos genes dos filhotes, que não tiveram qualquer contato com a droga.

Seriam necessários estudos em humanos para saber se o efeito seria o mesmo. De qualquer forma, os resultados reforçam a noção cada vez mais clara, no meio científico, de que os pais também podem prejudicar seus descendentes ao abusar de álcool e drogas.


Falta de concentração e o risco de se tornar dependente de drogas
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Jairo Bouer

Muita gente usa álcool e drogas na adolescência, mas só uma parte continua a abusar dessas substâncias na vida adulta. Segundo pesquisadores, uma combinação de dois fatores o que determina a propensão a se tornar dependente:  problemas de memória e de impulso.

Uma equipe da Universidade do Oregon e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avalisou 387 jovens de 18 a 20 anos que participavam de um estudo de longo prazo iniciado em 2004, quando eles tinham de 10 a 12 anos.

Eles perceberam que, além de dificuldades para controlar seus impulsos, os adolescentes que continuavam usando álcool, cigarro e maconha aos 20 anos também apresentavam problemas com a chamada memória de trabalho, ou seja, eles se distraíam com muita facilidade. Os resultados foram publicados na revista Addiction.

Para os pesquisadores, os programas de prevenção ao uso de drogas também deveriam incluir intervenções para melhorar a memória, o aprendizado e o controle do impulso.


Emoções fortes geram uma espécie de ressaca que interfere na memória
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CEREBRO615

Uma experiência emocional intensa pode induzir estados no cérebro que persistem por algum tempo após o ocorrido. É o que descobriram cientistas da Universidade de Nova York. Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, o processo pode ser comparado à ressaca depois de uma bebedeira, e infuencia a forma como lembramos de experiências futuras.

Os neurocientistas envolvidos no trabalho explicam que a maneira como nos lembramos de eventos depende fortemente dos estados internos gerados pelos fatos, e não pelos fatos em si. São essas sensações duradouras que colorem as experiências que ocorrem logo em seguida, de acordo com os autores.

Explicando melhor: todo mundo sabe que experiências que geram emoções ficam mais tempo na memória. O que os pesquisadores descobriram é que as experiências neutras que se seguem às emocionais também são lembradas com mais facilidade.

Para chegar à conclusão, eles convidaram voluntários para visualizar uma série de imagens que continham conteúdo emocional. Cerca de 20 minutos depois, um dos grupos também visualizou uma série de imagens comuns. Já um outro grupo viu as cenas neutras e, em seguida, as que geravam emoções. Todos tiveram a excitação medida com eletrodos na pele e a atividade cerebral mensurada com ressonância magnética.

Seis horas mais tarde, os participantes foram submetidos a um teste de memória para averiguar quais as imagens ficaram na memória. Aqueles expostos ao conteúdo emocional se lembraram melhor das imagens neutras que vieram em seguida em comparação com o grupo que primeiro visualizou o conteúdo neutro.

A atividade cerebral dos voluntários indicou que os estados induzidos por experiências emocionais duraram de 20 a 30 minutos, o que influenciou a forma como eles processaram e registraram na memória as imagens neutras apresentadas em seguida. A descoberta pode resultar em estratégias para melhorar o aprendizado.

 


Forma como mulher responde a problemas depende do ciclo menstrual
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hormonio615

Um estudo sugere que a forma como o cérebro de uma mulher reage diante de um problema depende da fase em que ela se encontra do ciclo menstrual.

Vários experimentos já mostraram que os hormônios predominantes nas mulheres  – estrogênio e progesterona – têm efeitos específicos sobre o cérebro.

Por isso, pesquisadores da Universidade Concordia, em Montreal, no Canadá, decidiram investigar se isso teria influência sobre a memória e a capacidade de resolver problemas. E a resposta foi positiva.

Os resultados, publicados no periódico Psychoneuroendocrinology, envolveram a análise de 45 mulheres com ciclos menstruais regulares, submetidas a diferentes tipos de tarefas.

De acordo com o estudo, nos dias em que o estrogênio está mais alto, o cérebro da mulher acessa um sistema de memória que envolve uma área conhecida como hipocampo na hora de solucionar os quebra-cabeças do dia a dia. Já quando esse hormônio está mais baixo, o que ocorre no final do ciclo, o mecanismo envolve uma outra área, o estriado.

Segundo os pesquisadores, uma das estratégias não é necessariamente melhor ou pior que a outra. Apenas são usados mecanismos diferentes diante de um mesmo tipo de estímulo.

Apesar disso, eles perceberam que, durante a ovulação, quando o estrogênio está no pico, as mulheres se saíram melhor em tarefas de memorização, como decorar palavras, por exemplo. Já no fim do ciclo, tiveram resultados melhores em jogos de navegação. As informações são do site Medical News Today.


Exercício aeróbico protege cérebro de esquizofrênicos, diz estudo
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corrida615

Um estudo britânico mostra que exercícios aeróbicos podem ajudar bastante quem sofre de esquizofrenia. O trabalho, feito na Universidade de Manchester, avaliou dados de dez estudos clínicos, com um total de 385 pacientes.

Os pesquisadores, coordenados por Joseph Firth, descobriram que cerca de 12 semanas de treinamento físico aeróbico podem melhorar significativamente o funcionamento do cérebro dos indivíduos com o transtorno. Os dados foram publicados no periódico Esquizofrenia Bulletin.

As fases agudas da esquizofrenia são marcadas por alucinações e delírios, geralmente tratáveis com medicação. No entanto, muitos pacientes se preocupam com déficits cognitivos associados à doença, como falta de memória, processamento alterado das informações e perda de concentração.

Exercícios como corrida, caminhadas e uso da bicicleta ergométrica podem, junto com os remédios, a manter o cérebro afiado, segundo os pesquisadores. Vale lembrar que indivíduos saudáveis também têm o mesmo benefício com a atividade física.


Sujeira e tédio no trabalho: dois inimigos para o seu cérebro
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CEREBRO615

Um realizado na Universidade do Estado da Flórida mostra que um ambiente de trabalho poluído e uma atividade tediosa podem ter, a longo prazo, um efeito prejudicial na memória e na capacidade de aprendizado das pessoas.

Os dados incluíram 4.963 adultos com idades entre 32 a 84 anos de 48 Estados. Do total da amostra, 47% eram do sexo masculino e 53%, mulheres.

Além de avaliar os locais de trabalho e as atividades desses indivíduos, foram analisados aspectos como a capacidade de reter e manter informações após o aprendizado, bem como capacidade para executar tarefas, gerenciar tempo e prestar atenção.

A equipe confirmou que o excesso de sujeira, mofo e barulho foram associados a um maior declínio cognitivo. Mas os pesquisadores também perceberam que a falta de estímulos suficientes no trabalho pode fazer mal da mesma forma.

Os dados foram publicados no Journal of Occupational and Environmental Medicine.


Recompensa e sono: duas estratégias para turbinar a memória
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SONOTEEN300Um estudo sugere que associar o aprendizado a algum tipo de recompensa ajuda a fazer a informação ficar guardada na memória por mais tempo, especialmente se isso for seguido de uma soneca.

Segundo pesquisadores da Universidade de Genebra, mesmo uma pequena soneca após absorver uma nova informação faz bem à memória de longo prazo.

A conclusão foi tirada após um experimento com 31 voluntários saudáveis, que passaram por exames de ressonância cerebral enquanto faziam testes para se lembrar de uma série de figuras, sendo que algumas envolviam uma recompensa maior do que outras. Uma parte dos participantes tinha que ficar acordada após a tarefa, enquanto outra podia tirar um cochilo.

Todo mundo lembrou mais das imagens associadas à recompensa maior, mas aqueles que dormiram depois do teste se saíram ainda melhor. Três meses depois um teste-surpresa foi realizado e, de novo, os participantes que haviam cochilado na primeira vez foram os que se lembraram de mais figuras.

O escaneamento cerebral revelou que o grupo que dormiu apresentou uma atividade maior no hipocampo, área associada à formação de memórias. Os dados foram publicados na revista eLife. Esse é só mais um de uma série de experimentos que comprovam que o sono é importante para o aprendizado.


Para aprender melhor, repita o trecho em voz alta para alguém
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Jairo Bouer

ESTUDAR300Se você quer se sair melhor na próxima prova ou aprender um novo idioma mais rápido, repita as frases que você quer guardar em voz alta depois de ler. Segundo um estudo, esse ato simples pode melhorar sua memória verbal, principalmente se você fizer isso dirigindo-se para outra pessoa.

Dois pesquisadores da Universidade de Montreal, do Canadá, decidiram comprovar se o hábito de repetir em voz alta realmente ajuda a memorizar frases e palavras – algo que muita gente faz até por instinto.

Victor Boucher e Alexis Lafleur pediram a 44 estudantes universitários para participar de uma série de tarefas. Primeiro, eles tinham que ler diversas palavras com a mesma raiz (por exemplo: cantar, cantor, cantora e cantoria) em uma tela de computador.

Depois, os participantes tinham que repetir as palavras de quatro maneiras diferentes: mentalmente, em silêncio e com movimento labial, em voz alta olhando para a tela e, ainda, em voz alta, mas dirigindo-se para outra pessoa. Eles fizeram tudo isso utilizando fones de ouvido que emitiam um “ruído branco”, que os impedia de ouvir a própria voz.

Depois das tarefas, eles faziam uma atividade para se distrair e, então, eram convidados a identificar as palavras na nova tela, sendo que algumas delas não tinham sido mostradas nos testes. Os pesquisadores descobriram que repetir os termos para outra pessoa foi o recurso que produziu a maior recuperação de memória verbal. Repetir mentalmente foi o que funcionou pior.

Em artigo publicado na revista Consciousness and Cognition, os autores dizem que o simples fato de articular as palavras sem cria um vínculo sensorial e motor que aumenta a capacidade de lembrar. Mas se isso for associado à necessidade de se expressar, a informação é melhor retida no cérebro.


Nicotina modifica o efeito da maconha no cérebro, diz pesquisa
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Jairo Bouer

MARIJUANA300Cientistas descobriram que os efeitos da maconha no cérebro são diferentes quando o usuário também fuma cigarro. Uma equipe do Centro para a Saúde do Cérebro da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, sugere que pesquisas científicas para avaliar as consequências da maconha para a memória e o aprendizado devem levar isso consideração.

Quatro grupos participaram do: não usuários, usuários exclusivos de maconha (que consomem a droga ao menos quatro vezes por semana), usuários exclusivos de tabaco (no mínimo dez cigarros por dia) e usuários de maconha e de tabaco.  A equipe utilizou exames de ressonância magnética para examinar o hipocampo dos participantes (estrutura cerebral envolvida na memória e no aprendizado). Todos também passaram por entrevistas e testes neuropsicológicos.

Em artigo publicado na revista Behavioural Brain Research, os cientistas explicam que, embora a maconha e o tabaco sejam capazes de fazer o hipocampo encolher, a relação entre o tamanho e a função dessa estrutura difere entre os usuários.

Em pessoas que não fumam nada, quanto menor o hipocampo, pior é sua função. Já nos indivíduos que usam maconha e tabaco a relação é inversa, de acordo com os pesquisadores: quanto menor o hipocampo, melhor a função. Além disso, a quantidade de cigarros consumida por dia entre usuários das duas substâncias também interfere em tudo isso. Quanto maior o número de cigarros fumados, menor o volume do hipocampo.

Já para usuários só de cigarro ou só de maconha, não há associação significativa entre o tamanho do hipocampo e o desempenho da memória. Ou seja: a coisa é mais complicada do que os cientistas achavam.

Segundo os autores do estudo, liderados por Francesca Filbey, 70% dos usuários de maconha também fumam cigarros. Mas os resultados de pesquisas que envolvem apenas os 30% podem não valer para a maioria. O estudo atual é um dos primeiros a distinguir os efeitos do uso combinado e do uso exclusivo das substâncias. É provável que, no futuro, outros neurocientistas também passem a fazer essa distinção, o que vai ajudar os usuários a saber exatamente quais os riscos envolvidos no consumo de maconha.