Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : cortisol

Estudo mostra como crimes afetam desempenho de jovens na escola
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Jairo Bouer

Diversos estudos têm mostrado como viver em bairros com altos níveis de criminalidade pode interferir no desempenho das crianças na escola. Um novo trabalho sugere que a elevação do cortisol, o hormônio do estresse, bem como alterações de sono provocadas por incidentes violentos podem explicar essa associação.

Pesquisadores das universidades de Northwestern, Nova York e DePaul, nos Estados Unidos, descobriram que ocorrências violentas alteram os padrões de sono das crianças que vivem nos bairros afetados. Isso tem como consequência o aumento dos níveis de cortisol, hormônio que já demonstrou, em diversas pesquisas anteriores, ser prejudicial à performance acadêmica. Essa seria a explicação biológica para esse fenômeno social observado em cidades com alta incidência de crimes.

Para chegar às conclusões, eles acompanharam 82 jovens de 11 a 18 anos que frequentavam escolas públicas com uma realidade socioeconômica e étnica diversa. Os adolescentes preencheram diários, utilizaram aparelhos para medição dos padrões de sono e tiveram amostras de saliva coletadas três vezes ao dia para aferição do cortisol. Os pesquisadores também foram atrás das ocorrências policiais nos bairros em que os estudantes viviam.

A equipe conseguiu comparar a qualidade do sono dos jovens nas noites após o registro de um crime violento e naquelas em que nenhuma ocorrência era registrada. Após um episódio violento, o total de horas dormidas diminuiu bastante, e os níveis de cortisol aumentaram logo em seguida. O impacto foi alto após casos de homicídio, moderado em episódios de estupro ou ataque e inexistente em casos de roubo.

O estudo, que vai sair no periódico Child Development, faz pensar nos milhares de jovens de bairros violentos no Brasil, em perdem aulas quase todos os dias por causa do conflito entre policiais e traficantes. Sem a chance de se sair bem nos estudos, terão ainda menos oportunidades para deixar o ambiente em que vivem.


Hormônios podem levar você a enganar os outros, mostra pesquisa
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Jairo Bouer

INFIDELIDADE-300Os hormônios desempenham um papel importante para a tendência a enganar os outros ou adotar comportamentos antiéticos, de acordo com uma pesquisa norte-americana.

Pesquisadores das universidades de Harvard e do Texas, em Austin, decidiram investigar o papel da testosterona, o hormônio masculino, e o cortisol, ligado ao estresse. Nos últimos anos, vários estudos têm revelado como o sistema endócrino, que rege a produção hormonal, têm influência sobre o comportamento humano.

A equipe, coordenada pelo professor de psicologia Robert Josephs, pediu a 117 pessoas que completassem um teste de matemática, checassem os resultados e informassem quantas questões haviam acertado. Quanto mais respostas corretas, mais dinheiro eles ganhariam.

A partir das análises de saliva coletada antes e depois do teste, os pesquisadores perceberam que os indivíduos com níveis elevados de testosterona e cortisol eram mais propensos a exagerar no número de acertos relatados.

Níveis altos de testosterona têm sido associados a um comportamento mais agressivo e ousado, inclusive para investir no mercado financeiro. No contexto da ética, os autores explicam que o hormônio elevado pode diminuir o medo da punição, ao mesmo tempo em que aumenta a sensibilidade à recompensa.

Já o cortisol elevado está associado a um estado de estresse crônico, e por isso funcionaria como uma espécie de reforço para o comportamento antiético. Ou seja, enquanto a testosterona alta aumenta a coragem para enganar os outros, o cortisol elevado dá um motivo a mais para fazer isso: obter alívio contra o estresse.

Os pesquisadores também contam que, após terem mentido sobre o número de respostas corretas, o cortisol dos participantes diminuiu, mostrando que o comportamento gerou uma espécie de alívio do estresse. Os autores explicam que isso está ligado à sensação de recompensa ligada ao ganho de dinheiro.

Como isso poderia ser corrigido? Pesquisas anteriores já mostraram que valorizar as recompensas coletivas, em vez das individuais, pode ser útil para prevenir comportamentos antiéticos. Já os níveis de cortisol podem ser reduzidos com práticas como ioga, meditação e exercícios físicos. Esses recursos, segundo os autores, podem ser bem mais eficientes do que a ameaça de punição.


Estresse em lares de baixa renda pode prejudicar o aprendizado das crianças
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Jairo Bouer

APRENDIZADO300Crianças que vivem em lares de baixa renda com instabilidade familiar e que são  cuidadas por pessoas emocionalmente distantes podem ter dificuldades de aprendizado e memória. É o que mostra uma pesquisa feita na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

O estudo contou com 201 pares de mães e filhos de baixa renda. As crianças tiveram os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, medidos aos 2, 3 e 4 anos. Tanto níveis elevados quanto mais baixos foram associados a uma redução na capacidade cognitiva aos 4 anos.

Os resultados, publicados na revista Child Development, indicam que ambientes domésticos estressantes alteram os níveis de hormônio do estresse nas crianças, o que, com o passar do tempo, pode prejudicar a estrutura e a função do cérebro.

Os pesquisadores, que são da área de psicologia, dizem que a ligação entre cortisol e desempenho cognitivo ainda é pouco compreendida. Mas a hipótese é que o excesso de hormônio tenha efeito tóxico para certas partes do cérebro, enquanto os baixos níveis prejudicariam a capacidade de deflagrar os recursos biológicos necessários para o desenvolvimento da capacidade cognitiva.

A equipe, liderada por Jennifer Suor, diz que o estudo serve de alerta, já que foram encontradas diferenças realmente significativas na habilidades cerebral das crianças avaliadas aos 4 anos. E é bem possível que a condição seja irrecuperável, segundo os pesquisadores.


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