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Blog do Jairo Bouer

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Mudança hormonal após o parto pode indicar se pai será dedicado

Jairo Bouer

03/10/2018 19h52

Crédito: Fotolia

As alterações hormonais que as mulheres enfrentam durante a gravidez e após o parto já são algo bem estabelecido na medicina. Mas, de uns anos para cá, com o aumento da participação masculina no cuidado com os filhos, cientistas passaram a pesquisar o que acontece com os homens também, e os resultados são interessantes.

Uma equipe de médicos, psicólogos e antropólogos da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, sugere que mudanças nos níveis de certos hormônios podem indicar se homens que acabaram de ter filhos serão pais amorosos e dedicados nos meses após o nascimento. Além disso, o trabalho reforça a importância dos pais estarem presentes no parto e nos momentos seguintes.

Um total de 1.600 amostras de saliva de quase 300 papais foi coletado pelos pesquisadores no Hospital Memorial de South Bend, em Indiana, nos primeiros dois dias de vida dos recém-nascidos. O objetivo foi analisar oscilações em dois hormônios: a testosterona, associada a características como agressividade, e o cortisol, liberado em situações de estresse.

A análise revela que homens cujos níveis de cortisol se elevaram ao segurar os bebês no dia do parto são mais propensos a se mostrarem envolvidos no cuidado com a criança nos primeiros meses de vida.

Os níveis de testosterona logo após o nascimento não parecem ter importância nos resultados. Mas uma queda nesse hormônio no segundo dia de vida do bebê também coincide com um envolvimento maior com o filho mais tarde. Trabalhos anteriores já tinham mostrado esse recuo no hormônio masculino depois que a criança nasce. É mais ou menos como se os homens deixassem o escudo e as armas de lado, por um tempo, para cuidar do filho.

Mas e o cortisol? Para os pesquisadores, não é surpreendente que esse hormônio aumente após o nascimento da criança e isso é até útil, desde que não permaneça cronicamente elevado. Apesar de a gente encarar o hormônio do estresse como algo ruim, ele é importante nessa fase em que é preciso estar atento a sinais de fome ou doença. Outros estudos mostram que isso também acontece com as mães.

Os dados, publicados na revista Hormones and Behavior, justificam a tendência crescente, em muitas maternidades, de se estimular o envolvimento dos pais com os recém-nascidos e até o contato pele a pele entre eles logo após o parto. Todos ganham com esses laços fortalecidos.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.