Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : psicologia

Violência na mídia aumenta agressividade, confirma estudo multicultural
Comentários Comente

Jairo Bouer

Uma nova pesquisa traz evidências de que a violência na mídia afeta o comportamento, podendo deixar um jovem mais agressivo. Ela envolveu pesquisadores de sete países diferentes, que confirmaram que o impacto independe da cultura.

O trabalho foi coordenado por Craig Anderson, professor de psicologia da Universidade do Estado de Iowa, nos Estados Unidos e contou com 2.154 adolescentes e adultos jovens daquele país e dos seguintes: Austrália, China, Croácia, Alemanha, Japão e Romênia. A idade média era de 21 anos e 38% dos participantes eram do sexo masculino.

Os jovens foram convidados a listar os programas de TV, filmes e videogames preferidos e avaliar o nível de violência em cada um deles. Entrevistas também foram feitas para medir agressividade e empatia em cada um.

Os resultados, publicados na revista Personality and Social Psychology Bulletin, indicam que o consumo de violência por meio da mídia aumentou o risco de um jovem ter comportamento mais agressivo, pensamentos agressivos e nível de empatia mais baixo, em todos os países estudados.

Os pesquisadores também analisaram outros fatores que aumentam esses riscos, como viver em bairro violento, praticar bullying, ter sofrido abuso por questões de gênero ou por parte dos pais e delinquência entre pares. Apenas este último apresentou uma influência mais forte do que a mídia no comportamento agressivo.

Para os autores, as conclusões reforçam a de estudos que têm sido feitos há anos com o mesmo tema. Eles comparam o esforço da indústria em negar esse tipo de associação ao que foi feito pela indústria do tabaco durante décadas, para tentar negar a influência do produto sobre o câncer.


Solitário sofre mais quando fica resfriado, segundo pesquisa
Comentários Comente

Jairo Bouer

Ficar doente é muito chato, mas se você estiver se sentindo só, é provável que vá sofrer mais ainda, segundo uma pesquisa feita na Universidade Rice e financiada pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos.

Vários estudos já mostraram que a solidão pode aumentar o risco de doenças e de morte prematura. Mas os psicólogos da universidade decidiram pesquisar qual seria o impacto em uma condição aguda, temporária e extremamente comum, o resfriado.

Eles selecionaram 159 pessoas de 18 a 55 anos, sendo que 60% eram homens. Os participantes responderam a diversos questionários e passaram cinco dias em quarentena em quartos de hotel, recebendo gotas nasais para induzi um resfriado. Um grupo usado como controle recebeu só placebo.

A sensação de isolamento social não interferiu na probabilidade de pegar a doença – nem todos ficaram resfriados, apesar da exposição ao vírus. No entanto, aqueles que ficaram doentes e se sentiam solitários relataram uma gravidade maior nos sintomas.

Os pesquisadores esclarecem que o tamanho da rede social também não interferiu nos resultados. O que importa, segundo eles, não é quantos amigos uma pessoa tem, mas a qualidade dos relacionamentos. Uma pessoa pode até namorar, ter uma vida social ativa e mesmo assim se sentir só.

O estudo foi publicado no periódico Health Psychology. Para os autores, ele revela o quanto é importante as pessas investirem nas relações sociais, e o quanto os sentimentos podem interferir na qualidade de vida e até na produtividade das empresas.


Seus parceiros têm algo em comum, sugere estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

Você já parou para se perguntar o que seus ex têm em comum? Pesquisadores da Universidade da Califórnia afirmam que os parceiros românticos de uma pessoa tendem a ter algumas semelhanças entre si.

O trabalho, coornenado pelo professor de psicologia Paul Eastwick, confirma a ideia de que as pessoas têm uim “tipo”, uma preferência por parceiros com determinadas qualidades. Mas, de acordo com os resultados, essas características têm mais a ver com o meio em que elas vivem do que com a busca por determinado perfil.

Explico melhor: é mais provável que seus ex-namorados ou namoradas sejam todos educados, ou então religiosos, por exemplo. Mas isso não acontece só porque você busca pessoas educadas ou religiosas, respectivamente, mas porque muita gente a seu redor têm essas características. Em outras palavras, a disponibilidade importa mais do que sua capacidade de selecionar.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram o perfil dos envolvidos em mais de 1.000 relacionamentos heterossexuais passados e presentes. Em uma parte do estudo, foi constatado que os parceiros anteriores tendem a ter até características físicas em comum. E isso incluía não só namorados, como também parceiros casuais.

O estudo foi publicado on-line este mês no Journal of Personality and Social Psychology, da Associação Americana de Psicologia.


Casais têm mais traços de personalidade em comum do que se imaginava
Comentários Comente

Jairo Bouer

facebook615

Em geral, amigos e namorados tendem a ter muitas características em comum, como idade, nível de educação, valores e até gosto musical. Mas com ajuda do Facebook, psicólogos conseguiram descobrir que traços de personalidade também podem ser  algo em comum entre casais e amigos próximos, o que até então era algo controverso.

Em um estudo publicado na revista da Associação para Ciência da Psicologia, pesquisadores das universidades de Cambridge e Northwestern contam que até hoje os trabalhos voltados para esse tema tinham uma enorme limitação, que eles chamam de “efeito referência do grupo”. Ao responder um questionário, as pessoas tendem a se comparar com os outros na hora de se descrever, em vez de usar critérios subjetivos. Por exemplo: se seu namorado é bagunceiro, você pode se achar a rainha da arrumação. Já se seu parceiro é mais organizado, você pode até achar que é um pouco negligente nessa área. Assim, os estudos desse tipo costumavam concluir que as pessoas buscam parceiros com personalidades diferentes das suas.

Para tentar reduzir essa subjetividade, a equipe decidiu analisar o comportamento digital dos participantes, e é aí que entra o Facebook. Eles avaliaram questionários e também os “likes” de 295 mil pessoas. Para determinar características de personalidade, eles observaram os interesses dos participantes. Se alguém costuma curtir posts sobre Salvador Dali ou meditação, por exemplo, é  classificado como aberto a novas experiências. Já quem vive postando fotos de festas e eventos é mais extrovertido e assim por diante.

Com essas referências em mãos, os pesquisadores dizem que foi bem mais fácil encontrar semelhanças de personalidade entre amigos e casais do que com ajuda dos questionários. O que não dá pra saber é se essas similaridades já existiam antes dos relacionamentos, ou se foram se desenvolvendo ao longo da convivência.


O lado bom da depressão: desistir logo quando é preciso
Comentários Comente

Jairo Bouer

depressao615

“Você tem que tentar, tentar, até conseguir”. Isso é o que a gente aprende desde pequeno, quando tem dificuldade de amarrar o tênis ou andar de bicicleta. Mas, conforme os objetivos ficam mais difíceis, muitas vezes até impossíveis, essa crença, em vez de motivar, pode resultar apenas em raiva e frustração.

Psicólogos alemães decidiram estudar essa espécie de armadilha mental que faz com que muita gente não vá pra frente na vida. E eles descobriram algo curioso: pessoas com depressão tendem a ser mais bem-sucedidas em abandonar metas inalcançáveis do que indivíduos sem o transtorno.

Eles chegaram à conclusão após convidar voluntários com e sem depressão ( 78, ao todo) para resolver anagramas, ou seja, eles recebiam palavras com as letras embaralhadas e tinham que colocá-las na ordem certa dentro de um tempo específico. Os participantes não sabiam, mas alguns dos anagramas não tinham solução.

O resultado foi que os indivíduos deprimidos desistiram mais rápido dos problemas insolúveis, utilizando melhor seu tempo para resolver os outros anagramas.

Para a equipe, da Universidade de Jena, a capacidade de desistir pode ser uma função adaptativa da depressão, já que faz essas pessoas se desapegarem de ambições inalcançáveis para buscar objetivos mais condizentes com sua capacidade. Os resultados foram publicados no Journal of Behavior Therapy.

Claro que a depressão também pode fazer o indivíduo ter uma noção distorcida de sua capacidade, por isso os pesquisadores admitem que é preciso pesquisar melhor o tema. Mas eles também acham que o transtorno poderia ser encarado como uma oportunidade para o desenvolvimento, em vez de apenas um fardo que deve ser removido. É algo pra se pensar.


Mesmo em países igualitários, mulheres curtem menos sexo casual
Comentários Comente

Jairo Bouer

arrependimentotristeza615

O mundo mudou e, hoje, uma garota pode ficar com um cara só por uma noite sem sofrer preconceito. Os dados variam, mas, em alguns países, sete em cada dez pessoas já fizeram sexo casual.

A forma como homens e mulheres se sentem na manhã seguinte, porém, continua a ser bem diferente, segundo um estudo feito por psicólogos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Vários estudos já mostraram que as mulheres são mais propensas a sentir arrependimento, no dia seguinte, que os homens. Mas a equipe quis saber se a hipótese também seria confirmada na Noruega, um dos países mais famosos por cultivar a igualdade entre os sexos.

Para surpresa dos pesquisadores, o padrão encontrado na Noruega foi semelhante  ao dos Estados Unidos.  Cerca de 35% das mulheres e somente 20% dos homens entrevistados lamentaram a última vez que tinham feito sexo casual. Elas também demonstraram menor satisfação com a experiência.

Apenas 30% das norueguesas disseram ter ficado feliz com o sexo casual mais recente, enquanto metade dos homens afirmou o mesmo.

Quase 80% das mulheres também afirmaram estar contentes por terem dito “não” para uma oportunidade de transar só por uma noite. Entre os homens, a proporção foi de apenas 43%. E mais: quase 30% deles lamentaram não ter feito sexo casual, enquanto poucas mulheres se arrependeram de uma negativa.

Em geral, a mulher se preocupa mais com a questão da gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e mesmo em ter uma reputação ruim. Mas será que isso explica a diferença?

Outra explicação possível é que os homens foram mais propensos a ter orgasmos nessas relações casuais do que as mulheres. Mas elas demonstraram valorizar menos essa questão do que eles, na pesquisa.

Para os autores, a resposta está no fato de que homens e mulheres foram moldados, ao longo da evolução, para priorizar coisas diferentes numa relação. Enquanto eles ficariam mais atentos a oportunidades sexuais para garantir que terão descendentes, elas teriam uma preocupação maior com a qualidade da relação – e o parceiro ideal, para elas, é aquele que está presente e ajuda a criar os seus filhos. Pelo jeito, serão necessárias muitas e muitas gerações para modificar os instintos masculino e feminino. Os dados da pesquisa foram publicados no periódico Evolutionary Psychology.


Vida sexual satisfatória exige esforço, comprova estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

casalsexo615

O segredo para uma vida sexual satisfatória em relacionamentos longos é acreditar que é preciso esforço e dedicação, em vez de esperar que a vontade de transar apareça automaticamente, como no início do namoro.

Esse conselho típico dos especialistas em sexualidade foi comprovado em um estudo canadense que contou com 1.900 participantes, e foi publicado no Journal of Personality and Social Psychology.

Após analisar as crenças de centenas de casais homo e heterossexuais, pesquisadores da Universidade de Toronto concluíram que elas são tão poderosas que podem sustentar ou até, pelo contrário, prejudicar um relacionamento longo.

Segundo os autores, coordenados pela psicóloga Jessica Maxwell, quem acredita em “destino sexual”, ou seja, acha que o desejo vem de forma automática quando “almas gêmeas” estão juntas, tende a usar a vida sexual como barômetro da relação. E aí acredita que uma frequência muito baixa de sexo é sinônimo de que o casamento está mal, o que pode acabar comprometendo, de verdade, a relação.

Já quando o casal acredita que a vida sexual deve ser cultivada com algum esforço, a tendência é que esse tema afete menos a satisfação com o relacionamento.

Os autores viram que, embora as mulheres sejam mais chegadas em histórias românticas, elas são mais propensas que os homens a acreditar que a vida sexual também dá certo trabalho para se manter de pé nos relacionamentos de longo prazo.

Os pesquisadores também perceberam que nem todo mundo tem uma crença 100% de um jeito ou de outro. Algumas pessoas, por exemplo, até acham que o sexo precisa ser cultivado, contanto que acreditem estar com sua alma gêmea.

O mais importante, ressalta o estudo, é que as pessoas tenham consciência de que a vida a dois é bem diferente daquela mostrada nos filmes de Hollywood. E que, depois de dois ou três anos de “lua de mel”, é preciso se mexer pra não deixar o sexo minguar. Sabe aquele papo de regar o jardim?


Quem não se sente valorizado pelo parceiro tem sono ruim, diz estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

casal615

Você acha que o seu parceiro ou parceira de cama não te compreende direito, ou não dá muita bola para os seus sentimentos e necessidades? Então é provável que você não esteja dormindo muito bem. Segundo pesquisadores, a qualidade do relacionamento do casal interfere de forma importante no sono das pessoas.

O trabalho contou com a análise de um grande banco de dados de saúde e bem-estar com centenas de norte-americanos de meia-idade. Participaram do estudo equipes das universidades Middle East e Bilkent, na Turquia, e das universidades Cornell, Wayne State e Penn State, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores encontraram uma associação clara entre a certeza de ter o suporte do parceiro e um sono de boa qualidade. Segundo eles, isso acontece porque a sensação gera conforto, o que alivia a ansiedade e, como consequência, faz a pessoa dormir melhor.

Muitas pesquisas já provaram que um sono ruim pode aumentar o risco de condições como diabetes e hipertensão. Os resultados, publicados no periódico Social Personality and Psychological Science, reforçam a tese de que bons relacionamentos fazem bem à saúde. Por outro lado, uma relação ruim pode te deixar doente.


Se beber, case: estudo mostra que união protege contra abuso de álcool
Comentários Comente

Jairo Bouer

vinho615

Você acha que as pessoas tendem a beber mais ou menos depois de juntar os trapos? Bom, claro que depende do relacionamento, mas, em geral, indivíduos casados ou que vivem em união estável costumam beber menos – com menor frequência e em menor quantidade, que os solteiros, de acordo com um estudo.

Para pesquisadores da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, a vida a dois costuma gerar uma redução no consumo de álcool. Os resultados aparecem no periódico Psychology Journal of Family.

Estudos anteriores já tinham apresentado conclusões semelhantes, mas não era possível saber se a união é que teria um efeito protetor ou se, na verdade, pessoas que bebem menos seriam mais propensos a se casar ou juntar os trapos.

Para obter essa resposta,  os pesquisadores examinaram o comportamento de 2.425 pares de gêmeos do mesmo sexo para ver se a tendência era a mesma em pessoas que compartilham as mesmas origens genéticas ou familiares.

A equipe percebeu que os casados bebiam menos que seus irmãos gêmeos solteiros. Isso reforça a tese de que viver com alguém é mesmo um fator de proteção contra o abuso de álcool, provavelmente pela sensação de estar sendo monitorado pelo parceiro ou parceira.

Curiosamente, os pesquisadores descobriram que os participantes casados tendem a beber numa frequência ainda menor que a dos que vivem em união estável. E que, uma vez separado, ele tende a beber em quantidades maiores, mas não necessariamente com frequência maior.


Música faz cerveja ficar mais gostosa, mostra pesquisa
Comentários Comente

Jairo Bouer

cerveja615

Uma música pode interferir no gosto da cerveja, segundo estudo publicado no periódico Frontiers in Psychology. Pesquisadores descobriram que informações multissensoriais, como sons, formas e cores, podem influenciar a maneira como percebemos os sabores.

O trabalho teve como pano de fundo um projeto de cervejeiros belgas, que criou uma bebida a partir da identidade musical e visual da banda britânica The Editors, A partir disso, um grupo de pesquisadores da Universidade Vrije Bruxelas e da Universidade Católica Leuven, ambas na Blélgica, realizaram um experimento com 231 consumidores.

Os participantes foram divididos em três grupos. O primeiro, que servia de controle, experimentou a cerveja sem ver o rótulo e sem ouvir qualquer música. Já o segundo grupo visualizou apenas a embalagem enquanto experimentava o produto. E o terceiro viu o rótulo e ainda ouviu uma música da banda enquanto degustava a bebida. Todos escreveram sobre suas expectativas em relação à cerveja antes do teste, e, depois, relataram o quanto haviam gostado dela.

Conclusão? Os consumidores que contaram com as informações visuais e a música foram os que mais apreciaram a cerveja, e os que não viram nem o rótulo foram os que deram os depoimentos menos entusiasmados.

Os autores pretendem, no futuro, ir mais a fundo e tentar descobrir o quanto os sons podem interferir na percepção de diferentes sabores, como o amargo ou o doce. Eles também querem saber se a música pode fazer as pessoas fazerem escolhas mais saudáveis de bebida e comida, por exemplo.

A pesquisa é interessante para quem trabalha com marketing, mas também dá uma ideia do quanto uma festa regada com boa música e um rótulo atraente podem fazer você gostar mais de uma bebida alcoólica.