Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : TDAH

Quais os riscos de se usar remédio para TDAH sem ter o transtorno?
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Jairo Bouer

Um estudo da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, alerta para os potenciais efeitos adversos do uso do metilfenidato em indivíduos que não sofrem de TDAH, o transtorno de deficit de atenção e hiperatividade.

Experimentos com animais indicaram que indivíduos saudáveis que utilizam o estimulante podem ter problemas de sono, além de alterações cerebrais associadas a comportamentos de risco. E isso pode ser particularmente perigoso na adolescência, quando o cérebro ainda está em formação.

Conhecido popularmente como ritalina, o metilfenidato tem sido usado por muitos estudantes na tentativa de melhorar a concentração e o desempenho nas provas. O remédio é adquirido no mercado negro ou com os usuários que têm prescrição.

Pacientes com TDAH têm uma espécie de efeito paradoxal com a droga – apesar de se tratar de um estimulante, eles ficam mais tranquilos e focados. Apesar dos benefícios para esses pacientes serem bem estabelecidos, há poucos trabalhos científicos voltados para o uso ilícito desse medicamento.

A pesquisa foi feita em ratos com idade equivalente à adolescência em humanos. Os animais apresentaram mudanças químicas no cérebro que afetaram as áreas ligadas ao sistema de recompensa e à atividade locomotora. Isso resultou em distúrbios de sono, perda excessiva de peso, atividade aumentada e tendência a atitudes de risco.

Em artigo publicado no Journal of Neural Transmission, os autores observam que compreender melhor os efeitos do metilfenidato é importante para que se conheçam os riscos da substância para jovens que a utilizam ocasionalmente.


TDAH deixa garotas mais suscetíveis a uma série de problemas
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Jairo Bouer

tdahmeninatriste615

Garotas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apresentam risco maior, em relação às que não sofrem com o problema, de desenvolver outros transtornos mentais que com frequência levam a situações como gravidez na adolescência, abuso, baixo desempenho acadêmico e uso de drogas.

Psicólogos da Universidade da Califórnia em Los Angeles, nos Estados Unidos, avaliaram 18 estudos que envolviam, ao todo, quase 2.000 meninas de 8 a 13 anos, das quais 40% tinham recebido o diagnóstico de TDAH.

Quase 38% das garotas com o transtorno também preenchiam os critérios para ansiedade, em comparação com apenas 14% das participantes sem TDAH. Em relação ã depressão, as proporções encontradas foram de 10,3%, contra 3% entre as meninas sem o transtorno.

Entre as pacientes com TDAH, 42% apresentavam o chamado transtorno desafiador opositivo, caracterizado por raiva, hostilidade e recusa em obedecer regras. Já dentre as que não tinham o diagnóstico de déficit de atenção, apenas 5% tinham esse perfil. Desvios de conduta ou atos de violência também foram identificados em 13% das garotas com o diagnóstico, e em menos de 1% das outras.

Os dados foram publicados na revista Pediatrics. Para os autores, os resultados mostram o quanto é importante diagnosticar corretamente o TDAH, algo que não é tão fácil entre as meninas, que costumam apresentar mais sintomas de desatenção do que hiperatividade.

Os pesquisadores também recomendam que pais de crianças com TDAH procurem valorizar sempre e recompensar as atitudes positivas dos filhos, pois isso seria uma forma de evitar comportamentos negativos no futuro, segundo os dados analisados no estudo.


Workaholics tendem a ter outros transtornos também, diz estudo
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estresse615

Você é do tipo de pessoa que fica nervosa quando não pode trabalhar? E sua família e amigos vivem repetindo que você deveria pegar mais leve? Então saiba que, além de ser workaholic, você pode ter algum outro transtorno psiquiátrico associado. A conclusão é de um grande estudo feito na Noruega.

Depois de avaliar dados de 16.426 profissionais, pesquisadores concluíram que os viciados em trabalho têm uma tendência maior a ser diagnosticados com outros problemas de saúde mental em comparação com os não viciados.

O principal transtorno identificado em workaholics foi a ansiedade – 33,8% deles apresentavam os critérios  diagnósticos, contra 12,7% do grupo de controle, dos não viciados. Em segundo lugar apareceu o TDAH (deficit de atenção e hiperatividade) – 32,7% deles tinham todos os sintomas, contra 12,7% dos não workaholics.

O terceiro e o quarto problemas mais comuns no grupo dos viciados em trabalho foram o TOC (transtorno obsessivo compulsivo), com 25,6%, e a depressão, com 8,9% (contra 8,7% e 2,6% no controle, respectivamente). Os resultados foram publicados na revista PLOS One.

A equipe contou com pesquisadores da Universidade de Bergen e também de Nottingham, na Inglaterra, e de Yale, nos Estados Unidos. Segundo eles, não foi possível avaliar quem veio primeiro – se o ovo ou a galinha, ou seja, o transtorno ou o vício por trabalho.

Sete critérios foram utilizados para distinguir os dependentes dos não dependentes. Os participantes tinham que dizer se no ano anterior à pesquisa:

1. Pensaram em formas de arranjar mais tempo para trabalhar

2. Passaram mais tempo trabalhando que o previsto inicialmente

3. Trabalharam com o objetivo de aliviar alguma sensação de culpa, ansiedade, falta de apoio ou depressão

4. Ouviram de outras pessoas que deveriam trabalhar menos

5. Ficaram estressados (as) caso ao ser impedidos de trabalhar por algum motivo

6. Abriram mão de algum hobby, atividade de lazer ou exercício por causa do trabalho

7. Trabalharam tanto que tiveram repercussões na saúde

Os participantes tinham que dar notas de 1 (nunca) a 5 (sempre) para cada afirmação. Aqueles que responderam 4 (com frequência) ou 5 para quatro ou mais critérios foram diagnosticados como workaholics. Dentre a população estudada, 7,8% receberam essa classificação, um resultado que confere com o de outros estudos sobre prevalência do vício por trabalho.


Crianças com TDAH dormem menos e pior, segundo estudo
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SONOCRIANCA615

Um estudo mostra o que muitos pais de crianças com déficit de atenção e hiperatividade TDAH já percebem no dia a dia: que elas têm mais dificuldade em adormecer e têm um sono de pior qualidade em comparação com as que não apresentam o transtorno.

O trabalho, feito por pesquisadores das universidades de Aarhus e de Copenhague, na Dinamarca, contou com 76 crianças com TDAH com 9,5 anos de idade, em média, e um grupo-controle com 25 crianças sem o transtorno.Todas foram submetidas a exames de polissonografia, para medir a qualidade do sono, e também de latência, para avaliar quanto tempo demoravam para adormecer.

Além de confirmar que as crianças diagnosticadas com TDAH levaram mais tempo para conseguir dormir, os pesquisadores constataram que elas dormiram, em média, 45 minutos a menos em relação às outras, além de ter um sono mais agitado, ou seja, menos profundo.

É importante ressaltar que os exames de polissonografia foram feitos na casa dos participantes, e não em ambiente hospitalar, para evitar uma interferência maior no sono das crianças.

Como duas em cada três crianças com TDAH têm outros diagnósticos psiquiátricos em paralelo, que por sua vez também podem afetar o sono, os pesquisadores tomaram o cuidado de isolar esse fator ao olhar para os resultados.

A equipe também estudou os padrões de sono dos participantes durante sonecas à tarde. E, por incrível que pareça, as crianças com TDAH, nesse caso, dormiram mais rápido do que as outras. Para os autores, isso pode sugerir que a hiperatividade pode ser um mecanismo compensatório por não poder cochilar durante o dia.

O estudo, publicado no Journal of Sleep Research, pode resultar em tratamentos ou abordagens mais eficazes, no futuro, para as crianças que sofrem com o transtorno.


Estudo associa vício em videogame a transtornos como o TDAH
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Jairo Bouer

viciointernet

A tendência a se viciar em videogames pode estar associada ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e à depressão. É o que aponta um estudo publicado na revista Psychology of Addictive Behaviors, da Associação Americana de Psicologia.

A pesquisa também mostrou que esse tipo de dependência é mais prevalente em homens jovens e que não estão em um relacionamento atual. Para o sexo feminino, mostram os dados, a tendência maior é a compulsão se voltar para redes sociais e compras online.

Os pesquisadores, coordenados pela doutora em psicologia Cecilie Schou Andreassen, da Universidade de Bergen, analisaram mais de 20 mil questionários para chegar às conclusões.

Para a equipe, o envolvimento excessivo com jogos pode funcionar como um mecanismo de fuga para lidar com sensações desagradáveis associadas ao TOC ou à depressão, ou acalmar a inquietação comum a quem sofre de TDAH.

O estudo utilizou as seguintes perguntas para identificar o vício em videogames entre os participantes:

– Você pensa em jogar o dia todo?

– Você tem passado cada vez mais tempo jogando?

– Você joga para esquecer sobre sua vida real?

– Outros têm tentado reduzir seu tempo de jogo, sem sucesso?

– Você se sente mal quando não pode jogar?

– Você tem brigas com os outros (como família ou amigos) por causa do seu tempo gasto em jogos

– Você negligencia outras atividades importantes (como escola, trabalho ou esportes) para jogar?

Pelo menos quatro respostas positivas configuram um sinal de alerta para que se busque ajuda. Enquanto a maioria das pessoas têm uma relação saudável com os videogames, e jogam só de vem em quando, para relaxar, para outras a necessidade é tão forte que prejudica outros aspectos da vida.


Estudo liga prevalência do TDAH a mudanças na educação infantil
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crianca615

Um estudo realizado por médicos da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, identificou uma possível correlação entre a prevalência de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e a crescente demanda acadêmica a que as crianças vêm sendo submetidas.

Os pesquisadores analisaram as mudanças no padrão de ensino das escolas desde 1970 e cruzaram os dados com a expressiva elevação dos casos de TDAH nos últimos 40 anos. Eles dizem ter ficado surpresos com o aumento do tempo gasto em estudo e dos programas pré-escolares nos EUA.

De 1981 a 1997, o tempo investido para se ensinar letras e números a crianças de 3 a 5 anos aumentou 30%. O número de crianças inscritas em período integral aumentou de 17%, em 1970, para 58%, no ano 2000. E o tempo gasto por crianças de 6 a 8 anos com lição de casa passou de menos de uma hora para mais de duas horas por semana.

Os autores dizem que o TDAH é uma condição neurobiológica influenciada por comportamentos e demandas do ambiente. Eles acreditam que, como as atividades acadêmicas aumentaram e tempo de lazer e esporte diminuiu, algumas crianças não acompanham a nova jornada e acabam sendo diagnosticadas com o transtorno.

O estudo não prova a relação entre causa e efeito, por isso seriam necessárias mais pesquisas para comprovar a tese. Mas os pesquisadores acreditam que crianças mais novas devem ter mais períodos de ócio, interação social e uso da imaginação.


Usuários de droga para déficit de atenção sofrem mais bullying, diz estudo
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Jairo Bouer

TDAH300Crianças e adolescentes que tomam medicamentos para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) são duas vezes mais propensos a sofrer bullying, segundo um estudo da  Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. E o problema é ainda  mais frequente entre os jovens que costumam vender ou compartilhar as pílulas com os colegas – eles são quatro vezes mais propensos a sofrer intimidação.

Os resultados, publicados no Journal of Pediatric Psychology, foram similares para meninos e meninas.  Ao todo, foram entrevistados cerca de 5.000 estudantes, sendo que 15% deles tinham sido diagnosticados com o transtorno.

Os pesquisadores já sabiam que jovens que sofrem de TDAH têm mais dificuldade em fazer amigos, mas o estudo é um dos primeiros a avaliar como o uso do medicamento pode interferir nas relações sociais dos usuários.

Infelizmente, é comum que os jovens queiram experimentar os estimulantes indicados para o transtorno, por acreditarem que isso pode melhorar o desempenho deles nas provas. Na pesquisa, 20% dos usuários de medicamentos como a ritalina relataram ter sido abordados para que vendessem ou compartilhassem a droga. Cerca de metade admitiu ter aceitado.

Para os autores do trabalho, isso não deve desencorajar o tratamento. Embora exista muita discussão sobre a prescrição exagerada de medicamentos para TDAH, as drogas podem ajudar muito quem sofre do transtorno. Talvez seja o caso, apenas, de ser mais discreto em relação ao uso.


Estudo associa trauma na cabeça e TDAH em adultos
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CONCUSSION300Um estudo canadense encontrou relação entre a ocorrência de lesões traumáticas na cabeça e a incidência de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em adultos. A pesquisa foi feita com 4.000 moradores da província de Ontário com mais de 18 anos.

Os resultados, publicados no Journal of Psychiatric Research, reforçam uma associação semelhante encontrada em estudos feitos com crianças.

Os pesquisadores consideraram como lesão cerebral traumática qualquer trauma na cabeça que tenha resultado em perda de consciência de pelo menos cinco minutos ou hospitalização. Entre os adultos com esse histórico, quase 6% afirmaram ter sido diagnosticados com TDAH, e 6,6% apresentaram resultado positivo para o transtorno na entrevista feita por telefone.

Os autores dizem que os resultados não chegam a surpreender, uma vez que os sintomas do transtorno muitas vezes são observados em pacientes que sofreram lesões cerebrais. Eles incluem prejuízos na atenção e na memória, comportamento impulsivo e dificuldades com planejamento e organização.

Outros trabalhos sugerem que traumas podem induzir alterações psiconeurológicas que facilitam a ocorrência de TDAH e, por outro lado, o TDAH também pode aumentar a propensão a quedas e acidentes que resultam em lesões cerebrais.

A mesma equipe, do Hospital St. Michael’s, já havia conduzido um estudo que associa traumas na cabeça a problemas de saúde mental e dependência.

Lesões cerebrais traumáticas são cada vez mais comuns em países desenvolvidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2020, essa será a terceira principal causa de incapacidade no mundo, atrás de doenças cardíacas e depressão.

Uma das principais fontes de lesões desse tipo na juventude são esportes como hóquei e futebol americano. Entre adultos, quedas e acidentes de carro são as principais causas.


Movimento pode ajudar crianças com TDAH a pensar, sugere pesquisa
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Jairo Bouer

TDAH300Crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) costumam se movimentar o tempo todo. E isso pode ser uma forma de melhorar sua concentração, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.

Pesquisadores do Instituto UC Davis Mind (Medical Investigation of Neurodevelopmental Disorders) avaliaram 26 pré-adolescentes e adolescentes diagnosticados com o transtorno, comparados com outros 18 jovens sem o diagnóstico.

Nos garotos com TDAH, a equipe encontrou uma correlação entre a intensidade e a frequência dos movimentos com a precisão em tarefas que exigiam boa atenção. Quem se deslocava mais exibiu melhor desempenho cognitivo nos testes.

Os resultados foram publicados no periódico Child Neuropsychology. Apesar de os experimentos terem contado com um número pequeno de participantes, os autores acreditam que seja uma boa ideia pais e professores deixarem as crianças hiperativas se movimentar, em vez de tentar mantê-las paradas para se concentrar melhor.


Tecnologia pode ajudar pais que perdem o controle com os filhos
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Jairo Bouer

Imagem de divulgação mostra como o aplicativo funciona

O aplicativo envia mensagens aos pais por tablet e celular em tempo real (Divulgação) 

Cientistas da Microsoft e da Universidade da Califórnia desenvolveram uma tecnologia para ajudar pais que costumam perder a cabeça em momentos de tensão com os filhos.

O sistema combina um aplicativo para celular e um sensor que identifica quando os pais estão estressados e oferece estratégias baseadas em estudos científicos para ajudá-los a lidar com as crianças nas horas difíceis. Tudo em tempo real.

Chamado ParentGuardian (ou Guardião dos Pais, em tradução livre), o sistema foi inicialmente testado em um pequeno grupo de pais de crianças com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade).

A invenção foi baseada nos treinamentos de terapia cognitivo-comportamental voltados para quem tem filhos com o transtorno, algo que tem se mostrado eficiente a longo prazo. Segundo estudos, a estratégia melhora a autoconsciência das crianças e reduz o estresse dos pais.

O difícil é aplicar o que foi aprendido na hora “H”, quando se perde o controle da situação. Daí a ideia de criar um sensor para identificar os momentos de estresse e lembrar o que precisa ser feito no calor do momento.

No teste, a tecnologia foi usada em um grupo com dez pais (a maioria mulheres), ao longo de três meses. Eles usaram os sensores todos os dias das 18h às 22h, horário em que as crianças estão em casa e é preciso colocá-las para jantar e, mais tarde, dormir.

Em uma escala de 0 a 7, os pais deram ao aplicativo uma nota média de 5,1, o que demonstra que a tecnologia foi útil.

O sistema conta com um sensor em forma de pulseira, que mede a atividade elétrica da pele do usuário. Em momentos de estresse, pequenas quantidades de suor invisíveis a olho nu são expelidas, o que é detectado pelo aparelho e transmitido ao celular.

As mensagens são enviadas não só para os smartphones dos pais, mas também para tablets espalhados pela casa. Algumas delas lembram os pais de respirar fundo e contar até cinco antes de responder, outras frisam que eles são o principal modelo para os filhos.

A cada 90 minutos, o aplicativo também envia dicas como a importância de agradecer à criança por ter feito aquilo que foi pedido, por exemplo.

A ideia pode até gerar críticas – afinal, será que é preciso depender de um aplicativo para lidar com crianças difíceis? Mas o objetivo é dar apenas um empurrão inicial, ajudando os pais a dominar seus impulsos e agir corretamente no futuro. Agora, é preciso testar o sistema em grupos maiores e analisar os efeitos a longo prazo para saber se a tecnologia realmente funciona.


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