Blog do Doutor Jairo Bouer

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Um em nove homens tem HPV transmitido por sexo oral, diz estudo
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Jairo Bouer

Um em nove homens americanos tem a infecção oral por papilomavírus humano, o HPV, segundo uma pesquisa conduzida nos Estados Unidos. Esse tipo de cepa, que se instala na boca ou na garganta, é transmitida pelo sexo oral e pode evoluir para câncer. O vírus foi identificado em 11,5 milhões de homens e 3,2 milhões de mulheres, segundo estudiosos da Universidade da Flórida.

A equipe descobriu que o HPV 16, uma das cepas responsáveis pela maior parte dos cânceres de boca e garganta, é sete vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres. Quase 2 milhões de norte-americanos do sexo masculino têm esse tipo de vírus, e a prevalência é maior entre os 50 e 69 anos.

Os dados, publicados no periódico Annals of Internal Medicine, mostram que os homens com múltiplos parceiros sexuais são os mais propensos a contrair o HPV oral.

Os pesquisadores ainda encontraram uma associação forte entre essa forma de infecção e o HPV genital. Homens que tiveram mais de 16 parceiros de sexo oral foram dez vezes mais propensos a ter uma dupla infecção. E os homens com histórico de outras infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia, foram três vezes mais propensos a ter infecção oral e genital.

Cerca de 38 mil casos de câncer por HPV são diagnosticados todos os anos, nos EUA, sendo 59% em mulheres. Mas os homens são mais propensos a desenvolver um tipo de câncer de cabeça ou pescoço conhecido como carcinoma de células escamosas orofaríngeas, segundo os pesquisadores. Nos últimos 40 anos, as taxas de incidência aumentaram mais de 300%.

Enquanto os exames de papanicolau têm ajudado a reduzir a incidência do câncer cervical, especialistas do mundo inteiro têm se preocupado com o visível aumento de casos de câncer de boca e garganta, mais difíceis de serem diagnosticados precocemente. A melhor ferramenta de prevenção do HPV é a vacina, que protege contra as principais tipos de vírus causadores de câncer e verrugas genitais.


Mulheres com doença de pele são mais infelizes que os homens no Brasil
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Relatório sobre psoríase e felicidade mostra que o impacto é maior para as mulheres no Brasil (Reprodução/Happiness Research Institute/Leo Innovation Lab)

Conviver com uma doença crônica de pele, como a psoríase, é algo que interfere na autoestima e até nos relacionamentos. As manchas escamosas que aparecem com maior frequência em partes do corpo como mãos, cotovelos, joelhos e couro cabeludo são difíceis de serem escondidas num país como o nosso. Mas uma grande pesquisa mostra que o impacto dessa condição autoimune é ainda maior para o bem-estar das mulheres, no Brasil: 50% delas são menos felizes do que os homens afetados, segundo o Relatório Mundial sobre Psoríase e Felicidade, divulgado nesta segunda-feira (16).

O levantamento (primeiro desse tipo no mundo) foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa em Felicidade, uma organização  sediada na Dinamarca, em parceria com a empresa LEO Pharma. Eles contaram com a participação de 121.800 pessoas que vivem com psoríase, de 184 países. Do Brasil, participaram mais de 10 mil pessoas, sendo que 50% eram mulheres. Os resultados mostram que 29% delas sentem falta de uma companhia, enquanto apenas 14% deles dizem o mesmo. Na análise, os pesquisadores observam que as brasileiras têm mais que o dobro de propensão a altos níveis de estresse, uma discrepância que é mais comum na América Latina do que em outras regiões, segundo eles.

Quase 70% dos brasileiros afetados, de ambos os sexos, acham que falta conscientização sobre a psoríase. A consequência dessa falta de conhecimento os pacientes conhecem bem: as pessoas olham torto, temem que o problema seja contagioso (o que não é verdade) e isso só gera estigma e sofrimento. “Alguns estudos mostram que o nível de impacto psicossocial da psoríase é comparável ao de doenças como asma e câncer”, conta o dermatologista Marcelo Arnone, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele acrescenta que a depressão, que pode surgir pelo estresse e receio de se expor, só agrava os sintomas da psoríase, num círculo vicioso.

Quarto lugar no ranking

Apesar de todas as dificuldades, o relatório traz um dado positivo sobre o Brasil: ficamos em quarto lugar no Índice Mundial de Psoríase e Felicidade, elaborado com base nos dados da pesquisa. Uma colocação superior a de várias nações desenvolvidas que têm níveis gerais de felicidade mais altos que o nosso. Os três primeiros colocados foram México, Colombia e Espanha. Os temas centrais da pesquisa foram impacto da doença e do tratamento, gravidade dos sintomas, avaliação do sistema e dos profissionais de saúde, preocupações dos pacientes e questões de comportamento.

Uma explicação para os líderes do ranking é de caráter cultural: “Esses países podem ser categorizados como sociedades coletivistas, em que as pessoas se esforçam para desempenhar um papel dentro da família ou de uma organização para alcançar um senso de satisfação com a vida”, diz Meik Wiking, CEO do instituto dinamarquês. “Nossa suposição é que a psoríase tem um impacto emocional menos debilitante em culturas desse tipo, já que laços sociais e familiares contribuem de forma mais significativa para os níveis de felicidade.”

“O ranking condiz com nossa filosofia de que as redes de apoio são uma maneira inestimável de melhorar o bem-estar entre os que vivem com psoríase e artrite psoriática”, afirma a diretora-executiva da Federação Internacional de Associações de Pacientes com Psoríase. Para a entidade, aplicar a metodologia de pesquisa de felicidade é uma forma de chamar a anteção para o impacto que uma doença crônica pode ter na vida das pessoas, independente do país em que elas vivam. Esta, aliás, também é a missão do instituto dinamarquês: incluir a parte subjetiva do bem-estar no debate de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

De qualquer forma, a sensação de isolamento também é realidade para os brasileiros com psoríase: 37% se sentem como as únicas pessoas do mundo com a condição (a média global foi de 40%). E metade sente que suas famílias e amigos não compreendem o que é viver com psoríase. Por outro lado, 64% dos brasileiros consideram que seus médicos sabem qual o impacto da doença para o seu bem-estar mental, enquanto que a média foi de 51%.

Aproximadamente 1,3% da população brasileira tem a condição. Além de afetar a pele, alguns pacientes também ter outros problemas associados, como artrite, doenças cardiometabólicas, gastrointestinais e transtornos de humor. O tratamento varia de acordo com o tipo de psoríase e de sua gravidade, podendo incluir cremes e pomadas, fototerapia, comprimidos ou injeções. Como bem mostra o relatório, em países da América Latina é comum os pacientes interromperem o tratamento devido ao custo – infelizmente, nem todas as terapias consideradas mais eficazes pelos médicos estão disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde).


Quer saber o que alguém sente? Use o ouvido, sugerem pesquisadores
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A melhor maneira de saber o que alguém está sentindo é olhar nos olhos, certo? Embora esse seja um instinto comum, pesquisadores afirmam que fechar os olhos e prestar atenção na voz de uma pessoa é a melhor estratégia para reconhecer suas emoções reais.

Uma equipe estudiosos da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, executou cinco diferentes experimentos para chegar a essa conclusão, envolvendo um total de 1.800 participantes. Em cada um deles, cada integrante tinha que interagir com outra pessoa ou ouvir uma conversa. Algumas vezes, era possível apenas ouvir o outro, ou a conversa; em outras ocasiões, podia-se ver e ouvir; ou então só olhar.

Em todos os experimentos, os indivíduos conseguiram reconhecer as emoções com maior precisão quando usaram apenas o ouvido. A única exceção foi quando, em um dos testes, os participantes foram expostos a uma gravação computadorizada, tipo uma voz de robô, sem as tipicas diferenças de entonação da fala humana.

Em reportagem no jornal britânico Daily Mail, os autores do estudo comentam que o resultado contradiz uma tendência comum em pesquisas sobre emoções humanas, que é se basear muito nas expressões faciais.  Eles acreditam que a visão acaba tirando o foco de pistas mais consistentes, que estariam na voz. Ou talvez muita gente tenha aprendido a mascarar o que está sentindo.


Estudo mostra como testosterona pode causar bolhas no mercado de ações
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Bolsa de Nova York: hormônio masculino em alta eleva risco de colapso  (Wikimedia Commons)

Altos níveis de testosterona podem fazer com que operadores do mercado de ações superestimem os valores de ações futuras, causando bolhas no mercado e subsequentes colapsos. O alerta é de um novo estudo sobre a Bolsa de Wall Street, conduzido por pesquisadores das universidades Western, Oxford, Claremont e de Loma Linda, nos Estados Unidos.

O trabalho envolveu 140 jovens do sexo masculino, que receberam um gel tópico com testosterona ou placebo antes de participar de um mercado de ações experimental, em que podiam determinar valores de compra e venda, bem como comprar e vender ativos para ganhar dinheiro de verdade.

Os pesquisadores descobriram que, entre os grupos que receberam hormônio, formaram-se bolhas de preços maiores, elas duraram mais, e a percepção dos operadores em relação aos valores mudou, apesar de os números terem sido mostrados durante todo o experimento. Enquanto o grupo que recebeu placebo apresentou o comportamento de “comprar baixo para vender alto”, o da testosterona aderiram ao “comprar alto para vender mais alto”.

Para os autores, os resultados sugerem que é preciso considerer influências hormonais na tomada de decisões em ambientes profissionais, especialmente o mercado de ações, em que os homens dominam. Eles alertam que fatores biológicos podem exacerbar o risco de colapsos e, por isso, recomendam que implementar pausas no processo para controlar os ânimos.

Ainda segundo eles, a testosterona altera a forma como o cérebro calcula os valores das ações e os coloca de volta no mercado. Essa influência pode comprometer as decisões dos operadores de forma perigosa, a menos que haja sistemas para impedir que isso aconteça.


Divisão de tarefas em casa ainda é desigual, mostra experimento
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Quantos minutos por dia as mulheres passam cuidando da casa e do bebê? E os homens? Pesquisadores norte-americanos decidiram investigar a fundo a rotina de 52 casais jovens, logo após o nascimento do primeiro filho, para descobrir se a igualdade entre os sexos na divisão de tarefas domésticas é uma realidade. E, infelizmente, a conclusão não é animadora: em dias de folga, eles passam cerca de 101 minutos descansando, enquanto as mulheres, no máximo 49 minutos.

O trabalho foi feito por pesquisadores da faculdade de sociologia da Universidade da Carolina do Norte. Os autores do estudo alertam que se trata de uma amostra pequena, por isso não dá para generalizar os resultados. De qualquer forma, eles podem dar uma ideia do que acontece em muitos lares.

Os casais que participaram do experimento eram, na maioria, brancos, com nível elevado de educação, e tanto o homem quanto a mulher trabalhavam. Cada integrante preencheu um diário com detalhes e horários das atividades executadas nos dias de descanso e de trabalho. O monitoramento começou no terceiro trimestre da gravidez e terminou no terceiro mês após o parto.

Nos dias de folga, após o nascimento da criança, os homens descansaram durante 46% do período investido pelas parceiras no cuidado com o bebê. Já elas conseguiram relaxar apenas 16% do período em que eles assumiram a tarefa. Em relação ao cuidado com a casa, como lavar louça ou arrumar a bagunça, eles folgaram em 35% do tempo investido por elas na função. E elas, em apenas 19% do período gasto por eles.

Para os autores, está claro que homens e mulheres devem conversar para dividir melhor as tarefas, especialmente nessa fase tão delicada, que é a chegada do primeiro filho. Eles acreditam que os padrões que se estabelecem nessa fase acabam prevalecendo nos anos seguintes, embora isso não tenha sido investigado. Por outro lado, eles também observam que as mulheres devem dar mais espaço para que os maridos assumam certas tarefas, sem se preocupar tanto com o a qualidade do trabalho.


Homem já evitava união consanguínea há 34 mil anos, mostra estudo
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Ancestrais do homem que viveram há cerca de 34 mil anos já sabiam que a endogamia, ou seja, a união de pessoas da mesma família, era algo perigoso. Segundo um estudo publicado na prestigiada revista Science, humanos que viveram no Paleolítico Superior desenvolveram um esquema sofisticado de redes sociais para evitar o casamento consanguíneo.

Pesquisadores das universidades de Cambridge, no Reino Unido, e de Copenhague, na Dinamarca, sequenciaram os genomas de restos mortais encontrados em uma cova em Sunghir, um sítio arqueológico que fica na Rússia. Para surpresa dos cientistas, os indivíduos enterrados com as cabeças unidas não eram da mesma família. Eram no máximo primos de segundo grau.

A riqueza e a complexidade das joias e dos objetos enterrados com os indivíduos sugerem que eles seguiam regras específicas e realizavam cerimônias e rituais para promover a união de integrantes de diferentes grupos.

A equipe acredita que a endogamia era comum nas pequenas tribos, mas, com o tempo, unidades familiares passaram a se conectar com outros grupos para promover o intercâmbio e evitar a endogamia. Um comportamento parecido com o que é observado em certas comunidades ainda hoje, como a dos aborígenes, na Austrália, e em algumas tribos de caçadores-coletores – eles vivem em grupos pequenos, mas têm conexão com comunidades maiores, e há regras para definir quem pode se casar com quem.

Os autores do estudo também sugerem que o desenvolvimento precoce dessas redes sociais pode explicar porque os seres humanos modernos tiveram sucesso como espécie, enquanto outras, como os neandertais, por exemplo, acabaram extintas. Mas claro que essa tese ainda precisa ser mais pesquisada.


Uma hora de exercício por semana já afasta o risco de depressão
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Um estudo realizado por pesquisadores de várias universidades comprova que fazer uma atividade física com regularidade diminui o risco de uma pessoa sofrer de depressão no futuro. Segundo o trabalho, publicado na Revista Americana de Psiquiatria, mesmo uma hora de exercício por semana já exerce um papel protetor, independente da intensidade, da idade e do gênero do indivíduo. Mas é preciso ter consistência – suar a camisa só de vez em quando não resolve.

A equipe contou com especialistas do Instituto Black Dog e da UNSW Sydney, na Austrália, do King’s College London, no Reino Unido, do Instituto Norueguês de Saúde Pública e das Universidade de Bergen, entre outras instituições da Noruega.

Os pesquisadores analisaram dados de 33.908 adultos noruegueses, que tiveram seus níveis de atividade física e sintomas de depressão e ansiedade monitorados ao longo de 11 anos.

A equipe concluiu que os cidadãos totalmente sedentários apresentaram uma probabilidade 44% maior de desenvolver depressão em comparação com quem se exercitava uma ou duas vezes por semana.

Mesmo descontados fatores como condição socioeconômica e uso de substâncias, os pesquisadores constataram que 12% dos casos do transtorno registrados no período poderiam ter sido evitados se os envolvidos praticassem pelo menos uma hora de atividade física por semana.

Para os autores, o incentivo ao exercício é uma forma simples e barata de evitar esse e vários outros problemas de saúde, como infarto e obesidade. No entanto, o sedentarismo tem se tornado regra em todo o mundo.

No Brasil, uma pesquisa apresentada pelo Ministério do Esporte no ano passado mostrou que 45,9% da população não pratica nenhuma atividade física. E, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 6% dos brasileiros sofrem de depressão e 9% tê, algum transtorno de ansiedade.


Sorrir torna as pessoas mais atraentes, dizem pesquisadores
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Você costuma fazer cara de sério ou de séria porque acha que assim parece mais sexy? Talvez seja bom você rever seus conceitos. Um estudo sugere que as pessoas parecem mais saudáveis e, por consequência, mais atraentes quando sorriem.

Pesquisadores do departamento de psicologia da Universidade de Swansea, na Austrália, pediram para voluntários avaliarem rostos com diferentes expressões e descobriram que indivíduos que sorriem de forma espontânea são os classificados como mais atraentes. O efeito de uma expressão radiante, segundo o experimento, equivale ao de estar com o peso ideal e usar uma boa dose de maquiagem, com base, blush e rímel. Os resultados foram divulgados no jornal britânico Daily Mail.

Segundo a equipe, os sorrisos genuínos fizeram mais sucesso que expressões neutras ou “descansadas” tanto para o público masculino quanto para o feminino. E a associação foi ainda mais positiva com o passar da idade: se um adulto mais jovem parece mais saudável ao sorrir, os mais velhos parecem ainda mais saudáveis com essa expressão.

Outras pesquisas já mostraram que quem está sempre sorrindo nas fotos postadas nas redes sociais têm uma vida social mais satisfatória. E a tendência a sorrir já foi associada até a longevidade, de acordo com outros estudos. Para os autores, nossa busca natural por qualidades positivas faz com que os sorrisos chamem mais atenção do que outras expressões. Portanto, se você quer fazer sucesso, invista em coisas que fazem você andar com um sorriso no rosto.


Um quarto das jovens de 14 anos tem sintomas depressivos, mostra pesquisa
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Pesquisadores britânicos descobriram que aproximadamente 24% das garotas e 9% dos garotos de 14 anos sofrem de depressão. A conclusão foi obtida após a análise dos dados de mais de 10 mil indivíduos nascidos no ano 2000.

O pais dos integrantes do estudo foram ouvidos sobre a saúde mental dos filhos quando estes tinham 3, 5, 7, 11 e 14 anos. Aos 14, os próprios adolescentes também foram entrevistados sobre sintomas depressivos.

Até os 11 anos, os problemas emocionais apontados para garotos e garotas eram praticamente os mesmos, mas, a partir dessa idade, as adolescentes passam a apresentar mais sintomas de ansiedade e depressão que os pares do sexo masculino. Para os garotos, são mais comuns, nessa fase, problemas de comportamento, como fingir, bater e agir de forma rebelde.

O trabalho, conduzido por uma equipe das universidades College London e Liverpool, também constatou que os sinais de depressão foram mais frequentes em jovens de famílias com pior renda.

Levantamentos desse tipo ajudam a chamar atenção para a saúde mental dos adolescentes, numa época em que as taxas de suicídio entre jovens têm crescido em vários países. O Ministério da Saúde divulgou, recentemente, que essa foi a quarta principal causa de morte de brasileiros entre 15 e 29 anos.


Epidemia descontrolada de infecções sexualmente transmissíveis
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Jairo Bouer

Os Estados Unidos divulgaram, esta semana, mais um aumento recorde no número de casos de clamídia, gonorreia e sífilis. O total de registros passou de 2 milhões em 2016, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). No ano passado, o mesmo relatório também havia chamado a atenção da mídia para o recorde histórico referente a 2015, de 1,8 milhão de casos.

As três doenças são de notificação compulsória nos EUA, ou seja, os médicos são obrigados a informar à autoridade de saúde quando o diagnóstico ocorre. O novo levantamento traz 1,6 milhão de casos de clamídia, 470 mil de gonorreia e quase 28 mil de sífilis. Somadas a outras infeccões, como as relativas a herpes e HIV, a estimativa é de que haja ao menos 20 milhões de novos casos por ano. Segundo o relatório, metade desse número refere-se a jovens de 15 a 24 anos, o que é preocupante.

No Brasil, o cenário não é muito diferente. Só o número de casos de sífilis adquirida (por relações sexuais desprotegidas, sem incluir a congênita) saltou 5.000% de 2010 para 2015. Clamídia e gonorreia não são doenças de notificação compulsória, mas tudo leva a crer que elas também estão mais frequentes – uma tendência que, aliás, é mundial.

Também aqui, segundo o Ministério da Saúde, é possível observar a vulnerabilidade dos mais jovens – o HIV, que é bem menos prevalente que a clamídia e a gonorreia, tem avançado nessa população. Na faixa de 15 a 19 anos, a taxa de detecção mais que dobrou em dez anos, passando de 2,8 casos a cada 100 mil habitantes para 5,8, em 2015. De todas as faixas etárias, essas também são as que menos aderem ao tratamento, o que facilita a transmissão do HIV. Apenas 29,2% dos 44 mil jovens identificados no Sistema Único de Saúde (SUS) seguem a terapia, segundo o Ministério.

A última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), realizada em escolas de todo o país, mostrou que 31,8% dos brasileiros de 16 e 17 anos não usaram preservativo na primeira relação sexual. E essa proporção sobre para mais de 40% entre os adolescentes de 13 a 15 anos.

Se falta prevenção, o diagnóstico também é difícil. Os jovens não sabem onde fazer os exames de graça, ou têm vergonha de ir atrás dos testes. Para piorar o cenário,  os sintomas muitas vezes demoram para surgir. É por isto que os especialistas têm dado preferência ao termo Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), em vez de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST): é possível ter e transmitir vírus e bactérias sem apresentar qualquer sinal suspeito. Incentivar as pessoas a realizarem exames de rotina, inclusive os adolescentes, é fundamental.