Blog do Doutor Jairo Bouer

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Escrever antes de eventos importantes pode aliviar o estresse
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Jairo Bouer

Você costuma ficar nervoso ou nervosa demais antes de eventos importantes, como provas, entrevistas ou apresentações? Experimente sentar para escrever sobre seus sentimentos antes de enfrentar a situação. Uma pesquisa feita por psicólogos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostra que a estratégia ajuda pessoas ansiosas a executar tarefas estressantes com mais eficiência.

O medo e a tensão costumam drenar a nossa capacidade cognitiva, ou seja, de usar o cérebro para fazer o que precisa ser feito. Quem é preocupado demais está sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo: tentando se acalmar e realizar a tarefa em si. A técnica chamada de escrita expressiva tem sido proposta há algum tempo, e o atual estudo mostrou que ela traz benefícios.

Os pesquisadores recrutaram estudantes de faculdade diagnosticados como ansiosos crônicos para passar por um teste no computador que demanda capacidade de processar informações precisas em pouco tempo – tipo da coisa que gera tensão. Antes da tarefa, metade do grupo escreveu sobre os sentimentos associados ao teste durante cerca de oito minutos. A outra parte foi orientada a escrever sobre o que tinha sido feito no dia anterior.

Todos os participantes foram submetidos a exames de eletroencefalografia durante o experimento. Os resultados comprovaram que os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos foram mais eficientes, ou seja, utilizaram menos recursos cerebrais para executar o teste com rapidez e precisão. Em outras palavras, os dois grupos tiveram resultados parecidos, mas o da escrita expressiva “gastou menos combustível para chegar lá”, fazendo uma analogia aos automóveis.

O trabalho, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, foi publicado na revista Psychophysiology.


Quem resiste em aceitar as próprias emoções pode sofrer mais com elas
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Jairo Bouer

A pressão imposta pelos outros e por você mesmo para ficar bem quando, na verdade, está mal, pode te deixar pior ainda. É o que afirma um grupo de psicólogos das universidades da Califórnia, nos Estados Unidos, e de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que quem aceita as próprias emoções negativas costuma sofrer menos com elas. A mania de julgar os próprios sentimentos só aumentaria o estresse psicológico e, como consequência, a frustração e a tristeza.

O trabalho, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, contou com mais de 1.300 adultos norte-americanos, que tiveram sua personalidade analisada online ou em laboratório. Ao todo, foram conduzidos três experimentos separados, e fatores como status socioeconômico foram isolados para não interferir nos resultados.

Num dos testes, mais de 150 pessoas foram convidadas a fazer um discurso de três minutos em vídeo para um jurado, em que tinham que pedir emprego de uma forma sutil, promovendo suas habilidades e qualificações. Depois, cada um tinha que relatar o que havia sentido ao realizar a tarefa. Aqueles que costumam brigar contra os próprios sentimentos foram os que ficaram mais angustiados ao gravar o vídeo. Em outro experimento parecido, com mais de 200 pessoas, os participantes tiveram que falar sobre suas contas e impostos. E o resultado foi semelhante.

Os pesquisadores perceberam que as pessoas que resistem a suas emoções mais sombrias, e se julgam com dureza pelo que estão sentindo, são as que mais sofrem de maneira geral. Já quem aceita melhor seu “lado obscuro” tende a relatar menos sintomas depressivos, mesmo seis meses depois de uma fase ruim. Talvez o caminho para se incomodar menos com as chatices da vida seja exigir um pouco menos de si mesmo.


Cultivar emoções positivas pode ter impacto na saúde de soropositivos
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Jairo Bouer

Um estudo mostra que ensinar técnicas para ajudar indivíduos recém-diagnosticados com o HIV a experimentar mais emoções positivas faz com que a carga viral deles diminua, bem como a necessidade de usar antidepressivos.

Segundo os pesquisadores do centro de medicina integrativa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a conclusão pode ser ampliada para outras pessoas que lidam com doenças crônicas graves, como cuidadores de indivíduos com Alzheimer e pacientes com câncer de mama metastásico.

O trabalho, publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology, contou com 80 soropositivos (principalmente homens), que tiveram cinco sessões semanais para aprender como experimentar emoções positivas. Outros 79 indivíduos do grupo controle não passaram pela intervenção.

A equipe utilizou algumas técnicas baseadas em evidências, como fazer um diário para agradecer pelas coisas boas que se tem, reconhecer um evento positivo que tenha acontecido a cada dia e escrever sobre ele, listar uma demonstração de força interior, definir uma pequena meta e anotar os progressos, praticar um pequeno ato de bondade a cada dia e pelo menos 10 minutos de meditação diariamente, com foco na respiração.

Quinze meses após a intervenção, 91% dos participantes tiveram a carga viral zerada, sendo que no grupo controle apenas 76% alcançaram o mesmo resultado. Os pesquisadores acreditam que o trabalho com as emoções tenha ajudado os pacientes a aderir melhor ao tratamento, o que beneficiou o sistema imunológico dos pacientes. Quem trabalha com saúde pública sabe que essa diferença também tem impacto na prevenção do HIV.

As técnicas ainda resultaram em melhora na saúde mental. No grupo da intervenção, apenas 17% usavam antidepressivos no fim do estudo, enquanto no grupo controle a proporção era de 35%. E os indivíduos que exercitaram as emoções positivas também relataram ter menos pensamentos repetitivos sobre o HIV ao longo do dia.


Ouvir a natureza ajuda mesmo a relaxar, comprova experimento
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Jairo Bouer

A semana mal começou e você já está cansado e ansioso? Experimente passar o próximo fim de semana em contato com a natureza. Um estudo confirmou que o som de um riacho ou do vento batendo entre as árvores realmente ajuda a relaxar o corpo e a mente em fases de estresse.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Brighton e Sussex, no Reino Unido, conseguiram descobrir como isso acontece, com ajuda de artistas que prepararam audiovisuais com sons da natureza e de ambientes artificiais. Diversas pessoas foram submetidas a exames enquanto eram expostos às simulações.

Com testes para medir alterações na frequência cardíaca e o exame de ressonância magnética, os pesquisadores descobriram que os ruídos afetavam áreas do cérebro que costumam ser ativadas enquanto descansamos de formas diferentes.

Ao ouvir sons naturais, a conectividade cerebral refletia um foco de atenção dirigido para fora. Com sons artificiais, o foco de atenção era dirigido para dentro, assim como acontece em estados de ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Os testes também mostraram que o relaxamento corporal era bem maior na simulação de ambientes naturais.

O curioso é que o estado dos participantes interferiu nos resultados. Aqueles que apresentaram maiores níveis de estresse antes de o experimento começar foram os que mais demonstraram relaxamento corporal ao ouvir sons da natureza. Entre os que já estavam relaxados, houve um ligeiro aumento no estresse. Os resultados foram publicados no periódico Nature Scientific Reports.


Dormir bem é tão bom quanto ganhar na loteria, diz pesquisa
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Jairo Bouer

Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, afirmam que dormir bem é tão benefíco para o bem-estar quanto ganhar na loteria,

A equipe analisou os padrões de sono de mais de 30.500 britânicos ao longo de quatro anos. Eles chegaram à conclusão que ter um sono de qualidade produz um efeito para a saúde física e mental comparável a ganhar cerca de R$ 800 mil.

Privação e sono de má qualidade, além de uso mais frequente de medicamentos para dormir, foram associados a piores condições de saúde.

Participantes do estudo que participaram de um programa de meditação que durou oito semanas apresentaram uma melhora significativa na qualidade de sono, que trouxe níveis de bem-estar semelhantes ao de pessoas que tinham ganhado na loteria.

Para os pesquisadores, incentivar as pessoas a dormir melhor é uma estratégia eficaz e barata para melhorar a saúde das pessoas.


Bem-estar psicológico melhora com a idade, diz estudo
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Jairo Bouer

tempo615

Muita gente acredita que envelhecer é ruim, mas um estudo mostra que, na verdade, as pessoas tendem a ser mais felizes conforme ficam mais velhas. De acordo com pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, a sensação de bem-estar psicológico tende a aumentar de década para década.

O trabalho contou com mais de 1.500 participantes de diferentes idades, selecionados aleatoriamente e submetidos a testes de saúde física e mental. A análise mostrou que, apesar do declínio na memória e no aprendizado, natural do envelhecimento, os mais velhos apresentam níveis de saúde mental significativamente mais altos que os mais jovens.

Já indivíduos com 20 e 30 anos foram os que apresentaram os maiores níveis de estresse, ansiedade e depressão, apesar de muita gente achar que essas são as melhores fases da vida. Aparentemente, a maturidade faz com que as pessoas aprendam a regular melhor suas emoções e a tomar decisões com mais tranquilidade.

Os resultados, publicados no Journal of Clinical Psychiatry, contrariam a noção de que o envelhecimento do cérebro estaria atrelado a uma piora na saúde mental. Eles também servem de alento para quem acha que as coisas só pioram com o tempo.


Insatisfação no trabalho antes dos 30 anos interfere na saúde aos 40
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Jairo Bouer

trabalho615

A satisfação (ou a falta dela) com o trabalho entre os 20 e 30 anos de idade pode ter impacto direto na saúde de uma pessoa aos 40, revela um estudo feito nos Estados Unidos.

Segundo pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, embora o impacto também inclua aspectos físicos, é na saúde mental que a coisa pega mais. Quanto mais infeliz com o emprego e a carreira um adulto está por volta dos 28 anos, maior a probabilidade de vir a apresentar sintomas depressivos, preocupação excessiva e dificuldades para dormir dez ou doze anos depois.

Os autores, que apresentaram os dados no encontro anual da Associação Americana de Sociologia, afirmam que os efeitos do trabalho sobre o bem-estar físico e psicológico é cumulativo. Ou seja: quanto mais tempo de insatisfação a pessoa experimenta, maiores serão as consequências. E quanto mais cedo o indivíduo for capaz de melhorar suas condições, maiores as chances de atravessar os 40 com boa saúde mental.

O estudo contou com informações de mais de 6.400 norte-americanos de uma pesquisa nacional que teve início em 1979, quando os participantes tinham de 14 a 22 anos. Eles tinham que dar notas de 1 a 4 ao dizer o quanto estavam satisfeitos com o trabalho, e também dizer se os níveis foram sempre baixos, sempre altos, ou mudaram ao longo do tempo.

Cerca de 45% dos participantes apresentaram notas baixas consistentemente, enquanto só 15% deram notas altas ao longo da carreira. Além de reportar mais depressão e problemas de sono, os insatisfeitos também foram mais propensos a reclamar de problemas como dores nas costas e dores de cabeça. Já as taxas de diabetes e câncer foram mais ou menos semelhantes nos dois grupos.

Os participantes foram reavaliados somente aos 40 anos. Os autores observam que a depressão e o sono ruim também podem deflagrar doenças físicas, com o passar do tempo. Por isso, quem planeja ter uma velhice saudável deve refletir sobre a carreira e fazer algo por ela o quanto antes.


Quem não se sente valorizado pelo parceiro tem sono ruim, diz estudo
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Você acha que o seu parceiro ou parceira de cama não te compreende direito, ou não dá muita bola para os seus sentimentos e necessidades? Então é provável que você não esteja dormindo muito bem. Segundo pesquisadores, a qualidade do relacionamento do casal interfere de forma importante no sono das pessoas.

O trabalho contou com a análise de um grande banco de dados de saúde e bem-estar com centenas de norte-americanos de meia-idade. Participaram do estudo equipes das universidades Middle East e Bilkent, na Turquia, e das universidades Cornell, Wayne State e Penn State, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores encontraram uma associação clara entre a certeza de ter o suporte do parceiro e um sono de boa qualidade. Segundo eles, isso acontece porque a sensação gera conforto, o que alivia a ansiedade e, como consequência, faz a pessoa dormir melhor.

Muitas pesquisas já provaram que um sono ruim pode aumentar o risco de condições como diabetes e hipertensão. Os resultados, publicados no periódico Social Personality and Psychological Science, reforçam a tese de que bons relacionamentos fazem bem à saúde. Por outro lado, uma relação ruim pode te deixar doente.


Sair do armário traz bem-estar? A resposta pode envolver questões culturais
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Jairo Bouer

gays615

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que dizer “Eu sou gay” para a família e os amigos não tem a mesma consequência, em termos de bem-estar, para todo mundo. Pesquisadores perceberam que questões culturais, associadas a diferentes etnias, podem interferir bastante no sentimento de cada um.

O trabalho, feito por psicólogos das universidades da Califórnia e do Kansas, analisou especificamente as diferenças entre um grupo de 41 gays latinos e 42 brancos, residentes em Nova York, praticamente todos cidadãos norte-americanos. Eles responderam a questionários para avaliar o quanto se identificavam como gays, como isso era demonstrado para a sociedade e como essas questões interferiam em seu bem-estar.

Adrian Villicana, Kevin Delucio e Monica Biernat descobriram que, se para os brancos a proclamação verbal da identidade gay trouxe um aumento significativo do bem-estar, a mesma atitude não foi tão benéfica para os latinos. Os resultados foram publicados no periódico Self and Identity.

Existe uma noção generalizada de que, uma vez que uma pessoa se identifica como gay e não tem qualquer dúvida ou conflito em relação a isso, o natural é que ela anuncie em alto e bom tom a sua orientação sexual. Alguns estudos até indicam que “sair do armário”, como dizem por aí, é algo que contribui para o bem-estar e a saúde.

Os avanços conquistados pelos movimentos LGBT ajudaram muita gente, nesse sentido. Existe até o Dia Nacional de Sair do Armário, celebrado em 11 de outubro em muitos países. Os autores do estudo observam que, hoje em dia, não se declarar abertamente como gay é até encarado como negativo, algo como negar a própria identidade.

Mas os pesquisadores lembram que muitos desses movimentos foram iniciados por brancos, e que ainda hoje, nos Estados Unidos, gays de outras etnias ainda sofrem por não se encaixar nessa identificação cultural. Estudos citados por eles indicam que muitos negros se sentem isolados, porque, ao se associar ao movimento gay, são rejeitados por indivíduos da própria etnia, que encaram a atitude como uma tentativa de abdicar de suas origens negras.

Com a pesquisa, os autores perceberam que latinos gays preferem anunciar sua orientação sexual de maneira mais implícita, como, por exemplo, levar o companheiro para uma festa de família. Se para os mais distantes isso pode parecer apenas uma amizade de longa data, quem convive mais de perto com a pessoa sabe que se trata de um relacionamento amoroso.

Dessa forma, dizem os pesquisadores, gays latinos evitam conflitos familiares e preservam o convívio harmonioso com pessoas da própria etnia, uma vez que, para essa cultura, fazer propaganda excessiva sobre ser gay ou lésbica é algo visto, segundo o estudo, como “falta de respeito” aos pais, que vem de outra geração.

Como eu já comentei aqui em outro post, nem tudo o que é bom para a maioria é bom para todo mundo. A decisão de contar para a família sobre a orientação sexual é individual e cada um deve escolher quando e qual a melhor forma de fazê-lo.


Estudo que envolve 17 países identifica genes ligados à felicidade
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Jairo Bouer

GENES615

O bem-estar de uma pessoa é algo que envolve diversos fatores, entre eles os genes. Um trabalho realizado por mais de 190 pesquisadores de 17 países conseguiu encontrar variantes genéticas associadas não apenas à depressão e à neurose, como também ao bem-estar subjetivo – a sensação que uma pessoa tem em relação à própria vida e que pode ser traduzida como felicidade.

Ao analisar dados do genoma de 300 mil pessoas, eles conseguiram identificar três variantes ligadas ao bem-estar, dois genes que abrigam variantes envolvidas em sintomas depressivos e onze genes com variações associadas ao neuroticismo, um traço psicológico que pode contribuir para emoções negativas. Os resultados foram publicados na revista Nature Genetics.

Os pesquisadores esclarecem, no entanto, que essas variantes genéticas não são determinantes – elas são apenas um dos fatores envolvidos no perfil de uma pessoa.

O ambiente, segundo eles, é tão importante quanto os genes, e interage com os efeitos produzidos por eles. Isso não significa que estudar os componentes genéticos envolvidos no bem-estar não seja importante, já que o conhecimento pode resultar, no futuro, em tratamentos mais eficazes contra a depressão.