Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : aprendizado

HIV pode alterar memória e aprendizado de pacientes sem tratamento
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Jairo Bouer

Um estudo indica que pessoas infectadas com o HIV que não recebem tratamento adequado apresentam alterações cerebrais que podem diminuir o desempenho cognitivo, ou seja, a memória e o aprendizado.

A descoberta foi feita por pesquisadores das universidades de Missouri, Washington, Califórnia do Sul e Brown, nos Estados Unidos, e também da Universidade Cape Town, na África do Sul. Os dados foram publicados no periódico Brain Connectivity.

Com ajuda de exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos, a equipe analisou diferenças entre as conexões cerebrais de 29 jovens adultos soropositivos que nunca tinham sido tratados, ou que tiveram acesso limitado ao tratamento, e de 16 indivíduos sem o HIV, todos sul-africanos.

O trabalho, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, reitera a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dos infectados pelo vírus da Aids. Sem contar que a medida também é fundamental para evitar novas infecções.


Sujeira e tédio no trabalho: dois inimigos para o seu cérebro
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CEREBRO615

Um realizado na Universidade do Estado da Flórida mostra que um ambiente de trabalho poluído e uma atividade tediosa podem ter, a longo prazo, um efeito prejudicial na memória e na capacidade de aprendizado das pessoas.

Os dados incluíram 4.963 adultos com idades entre 32 a 84 anos de 48 Estados. Do total da amostra, 47% eram do sexo masculino e 53%, mulheres.

Além de avaliar os locais de trabalho e as atividades desses indivíduos, foram analisados aspectos como a capacidade de reter e manter informações após o aprendizado, bem como capacidade para executar tarefas, gerenciar tempo e prestar atenção.

A equipe confirmou que o excesso de sujeira, mofo e barulho foram associados a um maior declínio cognitivo. Mas os pesquisadores também perceberam que a falta de estímulos suficientes no trabalho pode fazer mal da mesma forma.

Os dados foram publicados no Journal of Occupational and Environmental Medicine.


Recompensa e sono: duas estratégias para turbinar a memória
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SONOTEEN300Um estudo sugere que associar o aprendizado a algum tipo de recompensa ajuda a fazer a informação ficar guardada na memória por mais tempo, especialmente se isso for seguido de uma soneca.

Segundo pesquisadores da Universidade de Genebra, mesmo uma pequena soneca após absorver uma nova informação faz bem à memória de longo prazo.

A conclusão foi tirada após um experimento com 31 voluntários saudáveis, que passaram por exames de ressonância cerebral enquanto faziam testes para se lembrar de uma série de figuras, sendo que algumas envolviam uma recompensa maior do que outras. Uma parte dos participantes tinha que ficar acordada após a tarefa, enquanto outra podia tirar um cochilo.

Todo mundo lembrou mais das imagens associadas à recompensa maior, mas aqueles que dormiram depois do teste se saíram ainda melhor. Três meses depois um teste-surpresa foi realizado e, de novo, os participantes que haviam cochilado na primeira vez foram os que se lembraram de mais figuras.

O escaneamento cerebral revelou que o grupo que dormiu apresentou uma atividade maior no hipocampo, área associada à formação de memórias. Os dados foram publicados na revista eLife. Esse é só mais um de uma série de experimentos que comprovam que o sono é importante para o aprendizado.


Para aprender melhor, repita o trecho em voz alta para alguém
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ESTUDAR300Se você quer se sair melhor na próxima prova ou aprender um novo idioma mais rápido, repita as frases que você quer guardar em voz alta depois de ler. Segundo um estudo, esse ato simples pode melhorar sua memória verbal, principalmente se você fizer isso dirigindo-se para outra pessoa.

Dois pesquisadores da Universidade de Montreal, do Canadá, decidiram comprovar se o hábito de repetir em voz alta realmente ajuda a memorizar frases e palavras – algo que muita gente faz até por instinto.

Victor Boucher e Alexis Lafleur pediram a 44 estudantes universitários para participar de uma série de tarefas. Primeiro, eles tinham que ler diversas palavras com a mesma raiz (por exemplo: cantar, cantor, cantora e cantoria) em uma tela de computador.

Depois, os participantes tinham que repetir as palavras de quatro maneiras diferentes: mentalmente, em silêncio e com movimento labial, em voz alta olhando para a tela e, ainda, em voz alta, mas dirigindo-se para outra pessoa. Eles fizeram tudo isso utilizando fones de ouvido que emitiam um “ruído branco”, que os impedia de ouvir a própria voz.

Depois das tarefas, eles faziam uma atividade para se distrair e, então, eram convidados a identificar as palavras na nova tela, sendo que algumas delas não tinham sido mostradas nos testes. Os pesquisadores descobriram que repetir os termos para outra pessoa foi o recurso que produziu a maior recuperação de memória verbal. Repetir mentalmente foi o que funcionou pior.

Em artigo publicado na revista Consciousness and Cognition, os autores dizem que o simples fato de articular as palavras sem cria um vínculo sensorial e motor que aumenta a capacidade de lembrar. Mas se isso for associado à necessidade de se expressar, a informação é melhor retida no cérebro.


Nicotina modifica o efeito da maconha no cérebro, diz pesquisa
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MARIJUANA300Cientistas descobriram que os efeitos da maconha no cérebro são diferentes quando o usuário também fuma cigarro. Uma equipe do Centro para a Saúde do Cérebro da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, sugere que pesquisas científicas para avaliar as consequências da maconha para a memória e o aprendizado devem levar isso consideração.

Quatro grupos participaram do: não usuários, usuários exclusivos de maconha (que consomem a droga ao menos quatro vezes por semana), usuários exclusivos de tabaco (no mínimo dez cigarros por dia) e usuários de maconha e de tabaco.  A equipe utilizou exames de ressonância magnética para examinar o hipocampo dos participantes (estrutura cerebral envolvida na memória e no aprendizado). Todos também passaram por entrevistas e testes neuropsicológicos.

Em artigo publicado na revista Behavioural Brain Research, os cientistas explicam que, embora a maconha e o tabaco sejam capazes de fazer o hipocampo encolher, a relação entre o tamanho e a função dessa estrutura difere entre os usuários.

Em pessoas que não fumam nada, quanto menor o hipocampo, pior é sua função. Já nos indivíduos que usam maconha e tabaco a relação é inversa, de acordo com os pesquisadores: quanto menor o hipocampo, melhor a função. Além disso, a quantidade de cigarros consumida por dia entre usuários das duas substâncias também interfere em tudo isso. Quanto maior o número de cigarros fumados, menor o volume do hipocampo.

Já para usuários só de cigarro ou só de maconha, não há associação significativa entre o tamanho do hipocampo e o desempenho da memória. Ou seja: a coisa é mais complicada do que os cientistas achavam.

Segundo os autores do estudo, liderados por Francesca Filbey, 70% dos usuários de maconha também fumam cigarros. Mas os resultados de pesquisas que envolvem apenas os 30% podem não valer para a maioria. O estudo atual é um dos primeiros a distinguir os efeitos do uso combinado e do uso exclusivo das substâncias. É provável que, no futuro, outros neurocientistas também passem a fazer essa distinção, o que vai ajudar os usuários a saber exatamente quais os riscos envolvidos no consumo de maconha.


Estresse em lares de baixa renda pode prejudicar o aprendizado das crianças
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APRENDIZADO300Crianças que vivem em lares de baixa renda com instabilidade familiar e que são  cuidadas por pessoas emocionalmente distantes podem ter dificuldades de aprendizado e memória. É o que mostra uma pesquisa feita na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos.

O estudo contou com 201 pares de mães e filhos de baixa renda. As crianças tiveram os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, medidos aos 2, 3 e 4 anos. Tanto níveis elevados quanto mais baixos foram associados a uma redução na capacidade cognitiva aos 4 anos.

Os resultados, publicados na revista Child Development, indicam que ambientes domésticos estressantes alteram os níveis de hormônio do estresse nas crianças, o que, com o passar do tempo, pode prejudicar a estrutura e a função do cérebro.

Os pesquisadores, que são da área de psicologia, dizem que a ligação entre cortisol e desempenho cognitivo ainda é pouco compreendida. Mas a hipótese é que o excesso de hormônio tenha efeito tóxico para certas partes do cérebro, enquanto os baixos níveis prejudicariam a capacidade de deflagrar os recursos biológicos necessários para o desenvolvimento da capacidade cognitiva.

A equipe, liderada por Jennifer Suor, diz que o estudo serve de alerta, já que foram encontradas diferenças realmente significativas na habilidades cerebral das crianças avaliadas aos 4 anos. E é bem possível que a condição seja irrecuperável, segundo os pesquisadores.


Todo mundo acha que sabe mais quando está conectado, segundo pesquisa
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computador300Ficar on-line tem um efeito surpreendente sobre a mente das pessoas: elas se sentem muito mais inteligente do que realmente são, de acordo com um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology.

Em nove experimentos feitos com um total de 1.000 participantes, psicólogos da Universidade de Yale, nos EUA, descobriram que, depois de se informar com pesquisas na internet, as pessoas avaliam sua própria base de conhecimento como sendo muito maior do que ao assimilar informações por outros meios.

Segundo Mattheu Fisher, principal autor do estudo, o efeito foi muito expressivo. Para ele, as pessoas tendem a confundir o conhecimento que está acessível, na tela, com seu próprio conhecimento pessoal.

Em um dos experimentos, os participantes tinham que buscar em sites a resposta para a pergunta “como um zíper funciona”. O grupo controle recebia a mesma explicação obtida na internet, com a diferença que a resposta não era buscada pela pessoa na web. Os participantes do primeiro grupo, mais tarde, avaliaram muito melhor seu conhecimento sobre o tema que os outros.

O “modo de busca” parece causar um efeito cognitivo tão poderoso nas pessoas, que elas se acham mais sabidas mesmo quando as pesquisas on-line não revelam nada, de acordo com os pesquisadores. Não é à toa que, na falta de bateria ou de uma rede que funcione, muita gente chega a se sentir burra.


Falta da atividade física prejudica desempenho na escola, diz estudo
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futebol300Ao longo dos últimos trinta anos, a prática de atividade física entre as crianças diminuiu acentuadamente. As implicações de saúde pública desse declínio incluem uma crescente prevalência de obesidade e doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Agora, os especialistas começam a questionar quais as consequências do sedentarismo para o cérebro das crianças.

Um artigo publicado por mais de 20 pesquisadores no periódico Monographs of the Society for Research in Child Development indica que, apesar de muitas escolas terem reduzido as aulas de educação física para dar mais ênfase no estudo, a iniciativa acabou tendo resultado oposto: o desempenho escolar das crianças caiu.

Instituições de saúde norte-americanas sugerem que as crianças tenham no mínimo 60 minutos de atividade física intermitente por dia. No entanto, em 2012, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, apenas 30% dos alunos tiveram educação física diariamente.

No entanto, estudos mostram que crianças fisicamente ativas tendem a superar seus pares sedentários na sala de aula e nas provas. Segundo as monografias, aqueles que se envolvem mais em atividades físicas têm um volume maior nos gânglios basais e no hipocampo, duas áreas do cérebro associadas ao controle cognitivo (controle do pensamento, tomada de decisão e ação) e à memória.

Crianças fisicamente ativas também têm mais atenção e concentração que as sedentárias. Isso vale inclusive para crianças com necessidades especiais, segundo os pesquisadores. Eles acrescentam que a atividade física é uma intervenção não medicamentosa importante para crianças com TDAH (Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade) e transtornos do espectro do autismo.

Um dos principais autores, o professor de cinesiologia e saúde comunitária Charles Hillman, da Universidade de Illinois, diz que os governos de as escolas devem considerar essas evidências e investir em mais atividade física.


Jogar bola pode melhorar o desempenho na escola, segundo estudo
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futebol300Praticar atividade física na infância e na adolescência beneficia a saúde física e mental de uma pessoa para o resto da vida. Mas novas evidências têm apontado para mais uma vantagem dos jovens que têm esse bom hábito: uma performance melhor nos estudos.

Em um estudo a ser publicado no Journal of Pediatrics, pesquisadores avaliaram o impacto de cada componente ativado pelos exercícios no cérebro – capacidade cardiorrespiratória, força muscular e coordenação motora.

O trabalho, feito por uma equipe da Universidade de Madri, contou com mais de 2 mil crianças e adolescentes de 6 a 18 anos. Após medir a forma física, a composição corporal e o desempenho escolar de cada um deles, ficou claro que os jovens com melhor capacidade respiratória e coordenação motora eram os que tinham as melhores notas. Já a força muscular, de forma independente, não foi associada a uma melhor performance nos estudos.

A principal autora do estudo, a pesquisadora Irene Esteban-Cornejo, sugere que investir na capacidade cardiorrespiratória e na habilidade motora pode reduzir a chance de alguns alunos irem mal na escola. Isso significa que estudar é essencial, mas participar das aulas de educação física, assim como jogar bola, também pode ter impacto positivo no boletim.


Usar o cérebro na adolescência pode fazer os neurônios viverem mais
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Jairo Bouer

aprender300Utilizar bastante o cérebro – especialmente durante a adolescência – pode ajudar as células cerebrais a sobreviver por mais tempo, segundo estudo feito com ratos e publicado no periódico Frontiers in Neuroscience.

O trabalho foi realizado por pesquisadores da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, nos EUA. Eles ensinaram cobaias a piscar o olho toda vez que ouviam determinado som. Quando os animais não aprendiam a tarefa, cerca de metade das células cerebrais recém-nascidas morria em apenas três semanas. Já quando o aprendizado era bem-sucedido, as mesmas células permaneciam vivas.

Segundo o neurocientista Tracey Shors, coautor do estudo, a proliferação em massa de células cerebrais serve para ajudar jovens a encarar os desafios da vida adulta sem a proteção intensa dos pais.

Os cientistas já sabiam que os neurônios de ratos adultos, em menor quantidade, podem ser salvos com aprendizado – não é à toa que os médicos sempre estimulam pessoas mais velhas a exercitar o cérebro. Mas eles não tinham certeza, até então, se isso ocorreria também em jovens, que produzem quatro vezes mais neurônios.

Como o processo de produção de novas células cerebrais dos ratos é similar a de humanos, o pesquisador diz que estimular ao máximo o aprendizado entre adolescentes é fundamental. O problema é saber qual o nível ótimo a ser ensinado, já que exagerar na dose pode fazer o jovem desistir.


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