Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : álcool

Jovens que mentem para os pais tendem a beber mais cedo, segundo pesquisa
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Jairo Bouer

Em geral, os adolescentes que bebem costumam mentir para os pais . Mas um estudo mostra que a tendência a mentir, por si só, também aumenta o risco de o jovem iniciar o consumo de álcool precocemente. As conclusões são de pesquisadores das universidades de Nova York, nos Estados Unidos, e da Higher School of Economics, na Rússia.

Os resultados, publicados no Journal of Adolescence, foram obtidos a partir de uma amostra de mais de 4.000 norte-americanos de 12 e 13 anos de idade, ouvidos com garantia de confidencialidade, e suas respectivas mães, também entrevistadas.

A equipe encontrou uma associação forte entre omitir o que se faz para os pais e iniciar o uso de álcool cedo demais. Mesmo nessa idade, os jovens sabem como evitar serem descobertos. O estudo ainda mostrou que, quando os colegas bebem, os adolescentes também tendem a mentir mais em casa.

Os adolescentes que têm um relacionamento afetuoso e de confiança com os pais apresentaram menor tendência a beber e também a mentir – saber que podem contar com o apoio do pai ou da mãe faz com que eles tenham liberdade para falar sobre esses assuntos. Já com os pais que ficam o tempo todo tentando vigiar os filhos foi o oposto.

Para os autores, pais superprotetores acabam agravando o problema do consumo precoce de álcool, em vez de evitá-lo. Eles sugerem que os pais estabeleçam uma relação de confiança e honestidade com os filhos, para que eles se sintam mais à vontade para contar o que acontece fora de casa.


Será que beber um pouco é mesmo melhor do que não beber?
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Jairo Bouer

Muitos estudos já mostraram que pessoas que consomem pequenas quantidades de álcool todos os dias têm menos risco de doenças do coração quando comparadas às que não bebem nada. Mas, segundo uma revisão de 45 trabalhos sobre o tema, isso não acontece porque a bebida alcoólica tem algum efeito terapêutico.

Os pesquisadores da Universidade de Victoria, no Canadá, responsáveis pela análise, chegaram à conclusão que indivíduos que bebem uma taça de vinho todos os dias muitas vezes mantêm esse hábito conforme envelhecem porque são saudáveis. Mas não são mais saudáveis porque bebem.

Da mesma forma, muitos abstêmios mantêm a condição porque algum problema de saúde ou remédio impede que consumam álcool. O que é bem diferente de achar que não beber pode fazer mal. As conclusões foram descritas no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Uma outra revisão publicada esta semana revela que uma única taça de vinho por dia é capaz de elevar o risco de uma mulher ter câncer de mama antes da menopausa em 5% e, depois da última menstruação, em 9%. O trabalho envolveu 119 estudos, com um total de 12 milhões de mulheres, e foi financiado pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer.

Entender os efeitos isolados do álcool sobre a saúde não é fácil, pois quem é moderado na bebida também costuma ser moderado em outros aspectos da vida que impactam no risco de doenças. De qualquer forma, essas duas grandes revisões mostram que é preciso ser um pouco cético ao ouvir que beber um pouco é melhor do que não beber nada.


Personalidade muda ao beber, mas nem sempre os outros percebem
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Jairo Bouer

Quando você exagera na bebida, seu comportamento muda, e até alguns traços de personalidade podem se alterar. Mas, para os seus amigos, pode não ser tão fácil assim saber quando você está bêbado ou sóbrio, segundo psicólogos.

Pesquisadores do Instituto de Saúde Mental da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, fizeram um experimento e constataram que existe uma discrepância entre o que uma pessoa acha que muda em si mesma quando bebe e o que os outros percebem.

O trabalho foi baseado no modelo dos “cinco fatores”, bastante usado em psicologia para analisar traços de personalidade. A análise envolve cinco principais aspectos: neuroticismo (se a pessoa é mais ou menos instável emocionalmente), extroversão, amabilidade, abertura a novas experiências e conscienciosidade (que pode ser interpretado como cautela ou disciplina).

O experimento foi feito em laboratório, com 156 pessoas, que responderam a questionários sobre consumo de bebida, características de personalidade e percepções sobre o que muda ao exagerar na bebida. Depois vieram com os amigos, em grupos de 3 ou 4 pessoas, e passaram por uma simulação de encontro num bar.

Todos foram servidos com bebidas, mas uma parte consumia refrigerante de limão, enquanto outra tomava vodca. A ideia era que os amigos não soubessem se o integrante da pesquisa tinha consumido álcool ou não.

Depois de mais ou menos 15 minutos, os grupos eram submetidos a uma série de atividades que tinham o objetivo de fazer transparecer diferentes traços de personalidade e comportamentos. Os participantes, então, fizeram uma nova autoavaliação, e os observadores foram convidados a avaliar o que havia mudado no amigo.

Os participantes que ingeriram álcool relataram diferenças em cada um dos cinco fatores, mas os outros só perceberam de forma consistente as mudanças na extroversão, que é o aspecto de personalidade mais fácil de identificar em alguém. Os resultados foram publicados na revista Clinical Psychological Science.

Os psicólogos admitem que o ideal seria fazer um experimento como esse fora do laboratório para ter um resultado mais fiel. Mas eles acreditam que estudos científicos bem controlados sobre personalidade e álcool podem resultar em intervenções mais bem-sucedidas para evitar o impacto negativo do abuso da substância na vida das pessoas.  Em geral, indivíduos que têm problemas com a bebida tendem a apresentar mudanças claras de comportamento, e  o ideal seria intervir antes disso acontecer.


Estudo identifica jovens mais propensos a usar maconha sintética
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Jairo Bouer

Jovens com sintomas depressivos, que usam álcool e maconha natural são os mais propensos a experimentar a maconha sintética, também chamada de Spice ou K2, um tipo de droga que tem causado problemas sérios em diversos países.

A conclusão é de um estudo publicado no periódico Pediatrics, um dos primeiros a analisar os comportamentos de risco que levam os jovens a experimentar a maconha sintética, segundo os autores, da Universidade do Texas.

O trabalho contou com 964 alunos do ensino médio de escolas norte-americanas, que responderam a questionários em duas ocasiões, com  um ano de intervalo entre elas. Na segunda abordagem foi possível identificar adolescentes que experimentaram a maconha sintética e avaliar características em comum entre eles no ano anterior.

Os canabinoides sintéticos são substâncias similares quimicamente ao THC, o componente ativo da maconha. Eles são produzidos em laboratórios de fundo de quintal e aplicados em plantas parecidas com a cannabis. Um produto nunca é igual ao outro,  por isso não dá para prever direito os efeitos que cada lote pode causar.

A maconha sintética pode ser de 40 a 600 vezes mais potente que o THC, chegando, algumas vezes, a ser letal. A opção atrai os jovens pelo efeito turbinado, mas também pela associação com a maconha de verdade, vista como segura (e, em algumas partes dos Estados Unidos, até legal). Além disso, a droga é barata e tem a vantagem de não ser detectada em exames de urina.


Falta de concentração e o risco de se tornar dependente de drogas
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Jairo Bouer

Muita gente usa álcool e drogas na adolescência, mas só uma parte continua a abusar dessas substâncias na vida adulta. Segundo pesquisadores, uma combinação de dois fatores o que determina a propensão a se tornar dependente:  problemas de memória e de impulso.

Uma equipe da Universidade do Oregon e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avalisou 387 jovens de 18 a 20 anos que participavam de um estudo de longo prazo iniciado em 2004, quando eles tinham de 10 a 12 anos.

Eles perceberam que, além de dificuldades para controlar seus impulsos, os adolescentes que continuavam usando álcool, cigarro e maconha aos 20 anos também apresentavam problemas com a chamada memória de trabalho, ou seja, eles se distraíam com muita facilidade. Os resultados foram publicados na revista Addiction.

Para os pesquisadores, os programas de prevenção ao uso de drogas também deveriam incluir intervenções para melhorar a memória, o aprendizado e o controle do impulso.


Beber pesado de vez em quando pode danificar o fígado em pouco tempo
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Jairo Bouer

beber615

Beber muito apenas três vezes por semana afeta o fígado de uma forma que o consumo moderado diário não é capaz de afetar. É o que mostra um estudo feito com ratos: nesses animais, apenas 21 episódios de bebedeira, nessa frequência, foram suficientes para causar um estágio inicial de doença hepática.

Os pesquisadores, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, derrubaram o mito de que são necessários anos de consumo pesado para desenvolver uma doença no fígado. Eles viram que algumas bebedeiras foram suficientes para causar inflamação (fígado gorduroso) e aumentar os níveis de enzimas metabolizadoras de álcool, cuja atividade pode levar a dano oxidativo e outros tipos de prejuízos ao órgão.

O beber pesado episódico, ou em binge, é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebida em apenas duas horas, para os homens, e de quatro ou mais, para as mulheres. Cada dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho (150 ml) ou um “shot” de destilado (50 ml).

No estudo, publicado no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, os triglicérides no fígado foram quase 50% mais elevados nos animais que ingeriam álcool dessa forma, e, no sangue, 75% mais altos, em relação às cobaias que consumiam a substância de forma moderada todos os dias.

Segundo os autores, o beber em binge causa, nos ratos, níveis de álcool no sangue muito parecidos com o dos humanos. Mesmo assim, são necessários mais estudos para comprovar a hipótese em humanos, bem como para descobrir até que ponto esses danos ao fígado podem ser revertidos.

Segundo o Instituto Nacional para Abuso do Álcool e Alcoolismo, nos Estados Unidos, entidade do governo que financiou a pesquisa, cerca de um em cada 14 adultos tem problemas com a bebida, mas somente um em cada dez busca tratamento.  Para muita gente, “beber todas” antes de sair, nos fins de semana, não é nenhum problema, quando na verdade é.


Autoimagem distorcida leva garotas a beber pesado, diz estudo
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Jairo Bouer

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Garotas do ensino médio que têm uma percepção distorcida do próprio corpo são mais propensas a ter episódios de beber pesado em relação a colegas que não têm o problema. A conclusão é de um estudo que será publicado em janeiro no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, avaliaram 6,579 garotas com idades entre 14 e 18 anos para descobrir se uma autoimagem negativa pode interferir em comportamentos de risco. E a relação foi confirmada.

É comum que algumas adolescentes tenham uma visão distorcida do corpo – em geral sentem-se gordas, quando, na verdade, as medidas estão dentro do normal. Segundo os autores do estudo, comportamentos para perder peso – como fazer jejuns ou dietas malucas – têm sido associados ao abuso de substâncias.

Entre as garotas pesquisadas, 37,5% tinham comportamentos associados à percepção distorcida da imagem corporal; 67,7% já haviam consumido álcool pelo menos uma vez na vida; e 17,8% haviam relatado episódios de beber pesado nos 30 dias anteriores às entrevistas.

Segundo os resultados, a probabilidade de uso abusivo de álcool foi 1,2 vez maior entre as meninas com distorção de autoimagem. E quanto mais velha a garota, maior a propensão a abusar da bebida. Hispânicas e latinas também apresentaram tendência maior que brancas. E ter tido relações sexuais antes dos 13 anos, bem como fumar, também aumentaram a probabilidade.

O trabalho não investigou as causas do uso abusivo de álcool entre essas garotas, mas a hipótese é que elas façam isso para se sentir mais aceitas socialmente e confortáveis com elas mesmas. Ou, ainda, a bebida pode ser utilizada para mascarar a fome.

 


Álcool com energético pode alterar cérebro de jovens como cocaína
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Jairo Bouer

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O consumo de bebidas alcoólicas misturadas com energéticos, que contêm níveis altos de cafeína, pode desencadear mudanças no cérebro dos adolescentes comparáveis às produzidas pelo uso de cocaína, de acordo com um estudo feito em ratos.

Segundo pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, essas alterações envolvem o sistema de recompensa do cérebro e podem se estender até a idade adulta.

Bebidas energéticas costumam contar com uma dose de cafeína dez vezes maior que a de refrigerantes. Como são doces, costumam ser usadas pelos jovens para deixar a bebida com sabor mais agradável e também para ter mais pique durante a balada.

Os pesquisadores testaram a mistura em ratos adolescentes e compararam os efeitos a animais que receberam placebo, ou seja, uma substância inerte. Nos que receberam álcool com energéticos, a equipe detectou sinais físicos e neuroquímicos similares aos observados em camundongos que receberam cocaína.

Os ratos que receberam álcool e cafeína, quando jovens, tornaram-se menos sensíveis aos efeitos  prazerosos da cocaína ao chegar na idade adulta. Isso significa que esses indivíduos teriam que consumir uma quantidade maior da droga para obter os mesmos efeitos. Esses mesmos animais apresentaram uma tendência maior a consumir açúcar mais tarde – vale lembrar que doces também ativam o sistema de recompensa do cérebro.

Os resultados foram publicados na revista científica PLoS ONE.


Por que afogar as mágoas no álcool é perigoso? Estudo ajuda a explicar
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Tomar um porre realmente ajuda a afogar as mágoas? Infelizmente sim, segundo um estudo. Para piorar, esse suposto efeito antidepressivo se inicia rápido e não demora para acabar, o que torna a bebida ainda mais atraente – e perigosa – para quem está triste ou deprimido.

Cientistas liderados por Kimberly Raab-Graham, professor de fisiologia e farmacologia da escola de medicina do Wake Forest Baptist Medical Center, nos Estados Unidos, dizem ter descoberto o caminho bioquímico que faz o álcool funcionar como uma espécie de antidepressivo.

As conclusões, publicadas na revista Nature Communications, explicam por que é tão comum que pessoas com depressão sejam dependentes de álcool e vice-versa.

Usando um modelo animal, eles observaram que uma dose alta de álcool é capaz de bloquear receptores de um tipo de proteína associada ao aprendizado e à memória. E, junto com uma outra proteína, chamada de FMRP, faz com que um neurotransmissor conhecido como GABA passe a estimular, em vez de inibir, a atividade dos neurônios.

Tudo isso pode parecer complicado, mas o que interessa é que esse caminho bioquímico é parecido com o que é provocado por certas substâncias antidepressivas de ação rápida que ainda estão em estudo. Os pesquisadores também descobriram que esse efeito do álcool dura ao menos 24 horas.

Os autores ressaltam que se automedicar com álcool é extremamente perigoso, pois, invariavelmente, esse hábito se transforma em vício. Mas o trabalho também faz lembrar que dar a devida atenção a sintomas depressivos é uma forma de evitar que o envolvimento com álcool – tão comum na nossa sociedade – acabe levando à dependência.


Quanto você acha que bebeu pode depender de quem está ao seu lado
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Jairo Bouer

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Quando você está bêbado e rodeado por pessoas que também beberam muito, sua autoconsciência se altera, de acordo com um estudo. Isso significa que você passa a se basear nos outros para julgar seu nível de bebedeira, em vez de se dar conta da quantidade de álcool que consumiu.

A conclusão, obtida por pesquisadores da Universidade Cardiff, no Reino Unido, foi divulgada na revista médica de acesso livre BMC Public Health.

A pesquisa contou com 1.862 indivíduos, provenientes de diferentes grupos sociais e com idade média de 27 anos. Eles foram avaliados em bares ou festas, ou seja, em situações reais. Os pesquisadores aplicaram testes para medir a quantidade de álcool consumida entre 8 da noite e 3 da manhã. Cerca de um terço dos participantes também teve que responder a algumas perguntas, como “você bebe muito ou pouco?” e “se você bebesse essa mesma quantidade toda semana você acha que pode ter algum problema de saúde daqui a 15 anos?”.

A equipe percebeu que os amigos ou companheiros de bar têm um papel importante na visão que uma pessoa tem sobre seu próprio consumo de bebida. Quem bebe ao lado de alguém sóbrio tende a ter mais consciência sobre os riscos de exagerar do que quem anda em grupos mais homogêneos, em que todos bebem bastante.

Mesmo assim, a maioria dos bebedores enxergou seu nível de consumo e seus riscos como moderados, apesar de terem ultrapassado os limites.

Os autores sugerem que mais estudos sejam feitos para avaliar a influência do grupo na percepção individual de consumo de álcool. Mas se você está querendo evitar a ressaca, talvez seja bom se cercar de amigos sóbrios neste fim de semana.