Blog do Doutor Jairo Bouer

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Sensação boa depois do sexo dura 48 horas e ajuda a unir casais, diz estudo
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Jairo Bouer

Um estudo realizado na Universidade do Estado da Flórida mostra que a sensação agradável que as pessoas costumam ter depois do sexo dura até dois dias. E, segundo os pesquisadores, quem tem um maior nível de satisfação nesse período tende a relatar níveis mais elevados de satisfação com o relacionamentos vários meses depois.

Os pesquisadores partiram do princípio de que, se o sexo é tão bom, por que a maioria dos parceiros não transa todos os dias? A resposta, segundo eles, é que o “brilho” de uma relação satisfatória dura mais do que um dia.

Para testar a hipótese, a equipe analisou dados de dois estudos independentes – um com 96 casais e outro com 118 casais. Todos tinham acabado de se casar, e aceitaram completar um diário sobre frequência e satisfação não só com o sexo, mas com o relacionamento como um todo, por alguns dias seguidos. Eles tinham que dar notas de 1 a 7 para cada item. Em um período que variou de quatro a seis meses depois, os casais passaram pelo processo novamente.

A frequência sexual variou muito entre os casais, mas, em média, os participantes tiveram relações em quatro dos 14 dias de diário, e o “fogo” apagou um pouco depois de alguns meses. Mesmo assim, foi possível observar que a satisfação, depois de uma relação sexual, durava até 48 horas, e a intensidade dessa sensação foi associada a um casamento mais feliz no fim do estudo. O mesmo padrão foi observado nos dois trabalhos independentes, o que confirou a hipótese da equipe.

O trabalho foi publicado na Psychological Science, a revista da Associação de Ciências Psicológicas, nos Estados Unidos. Ele reforça a ideia, já apontada em outras pesquisas recentes, de que o prazer sexual não é importante só para a reprodução, mas também para manter os parceiros unidos. Tudo indica que os relacionamentos também ajudaram o ser humano a sobreviver como espécie.


Mesmo em países igualitários, mulheres curtem menos sexo casual
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Jairo Bouer

arrependimentotristeza615

O mundo mudou e, hoje, uma garota pode ficar com um cara só por uma noite sem sofrer preconceito. Os dados variam, mas, em alguns países, sete em cada dez pessoas já fizeram sexo casual.

A forma como homens e mulheres se sentem na manhã seguinte, porém, continua a ser bem diferente, segundo um estudo feito por psicólogos da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos.

Vários estudos já mostraram que as mulheres são mais propensas a sentir arrependimento, no dia seguinte, que os homens. Mas a equipe quis saber se a hipótese também seria confirmada na Noruega, um dos países mais famosos por cultivar a igualdade entre os sexos.

Para surpresa dos pesquisadores, o padrão encontrado na Noruega foi semelhante  ao dos Estados Unidos.  Cerca de 35% das mulheres e somente 20% dos homens entrevistados lamentaram a última vez que tinham feito sexo casual. Elas também demonstraram menor satisfação com a experiência.

Apenas 30% das norueguesas disseram ter ficado feliz com o sexo casual mais recente, enquanto metade dos homens afirmou o mesmo.

Quase 80% das mulheres também afirmaram estar contentes por terem dito “não” para uma oportunidade de transar só por uma noite. Entre os homens, a proporção foi de apenas 43%. E mais: quase 30% deles lamentaram não ter feito sexo casual, enquanto poucas mulheres se arrependeram de uma negativa.

Em geral, a mulher se preocupa mais com a questão da gravidez, infecções sexualmente transmissíveis e mesmo em ter uma reputação ruim. Mas será que isso explica a diferença?

Outra explicação possível é que os homens foram mais propensos a ter orgasmos nessas relações casuais do que as mulheres. Mas elas demonstraram valorizar menos essa questão do que eles, na pesquisa.

Para os autores, a resposta está no fato de que homens e mulheres foram moldados, ao longo da evolução, para priorizar coisas diferentes numa relação. Enquanto eles ficariam mais atentos a oportunidades sexuais para garantir que terão descendentes, elas teriam uma preocupação maior com a qualidade da relação – e o parceiro ideal, para elas, é aquele que está presente e ajuda a criar os seus filhos. Pelo jeito, serão necessárias muitas e muitas gerações para modificar os instintos masculino e feminino. Os dados da pesquisa foram publicados no periódico Evolutionary Psychology.


Está se sentindo mal? A evolução manda você ficar em casa
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doente615

Quando você está com alguma infecção, febre ou nariz entupido, seu corpo lhe diz para não sair de casa. Um estudo sugere que essa sensação não deve ser encarada como frescura: é algo que ajudou o ser humano e os animais a sobreviverem ao longo da evolução.

De acordo com pesquisadores do departamento de imunologia do Instituto Weizmann, em Israel, todos os animais adotam um comportamento diferente quando estão doentes. Quem tem um bicho de estimação sabe disso. Insetos sociais como as abelhas, por exemplo, chegam a abandonar a colmeia para morrer em outro lugar. Tudo isso seria uma forma de proteger o grupo e

Em artigo publicado na revista PLoS Biology, os cientistas dão uma explicação para vários dos sintomas que as doenças provocam. A fraqueza seria uma forma de diminuir a mobilidade do indivíduo, impedindo que ele espalhe a infecção para os outros. A perda de interesse em contato social e sexual teria a mesma função. A perda de apetite seria uma forma de evitar a propagação de micro-organismos pela água ou a pela comida. Até a linguagem corporal de um doente pode ser traduzida como “não chegue perto, eu estou mal”.

A equipe, liderada por Guy Shakhar, observa que hoje em dia é comum as pessoas simplesmente se entupirem de remédios e sair para trabalhar quando estão com gripe ou diarreia.  Isso aumenta bastante a propagação de vírus e bactérias para outros indivíduos.

Os pesquisadores propõem algumas formas de testar essa hipótese mais a fundo, mas eles esperam que a análise ajude as pessoas a terem consciência de que é melhor ficar em casa quando se está doente. Se isso funcionou durante milhões de anos de evolução, é melhor não lutar contra o desejo de ficar na cama.


Beijo de língua não é unanimidade, mostra estudo com 168 culturas
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BEIJO300Beijos de língua sempre foram considerados um termômetro para os níveis de intimidade e paixão dos casais. Tanto que foram imortalizados pelo cinema e são vistos diariamente nas novelas. Mas uma pesquisa mostra que essa forma de romantismo não prevalece em todas as culturas. Em alguns países, ela é considerada até um pouco nojenta.

O pesquisador Justin Garcia e sua equipe do Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana (EUA), avaliou 168 diferentes culturas para compreender melhor como diferentes povos encaram o beijo de língua. Os resultados foram publicados na revista American Anthropologist.

O grupo descobriu que apenas 46% dos povos estudados costumam beijar seus parceiros românticos ou sexuais na boca. Para os pesquisadores, foi uma surpresa descobrir que nem metade das culturas avaliadas tem esse costume, o que serve de alerta contra o nosso etnocentrismo cultural, ou seja, a mania de achar que todo o mundo se comporta como nós, ocidentais.

O beijo romântico foi mais prevalente no Oriente Médio, sendo presente nas dez culturas estudadas pelo grupo. Na América do Sul, a prática foi considerada comum em apenas quatro das 21 culturas analisadas.

Na América do Norte, apenas 55% dos grupos culturais avaliados adotam o costume. Na Ásia, a proporção encontrada foi de 73% e na Europa, de 70% (note que o “beijo francês” também não agrada a todos os europeus).

O mais curioso é que os pesquisadores não encontraram evidências de beijo romântico na América Central, incluindo os povos da Amazônia, nem mesmo na África Subsaariana e na Nova Guiné.

A pesquisa também identificou uma relação entre complexidade social e beijos: quanto mais complexa e estratificada uma sociedade é, maior a frequência do beijo romântico.

Garcia comenta, no artigo, que outros trabalhos já apontaram uma prevalência do beijo romântico de até 90% das sociedades. Mas nenhum deles havia utilizado métodos de adaptação transcultural, como a equipe dele.

O autor também esclarece que a evolução do beijo ainda não é algo muito claro para os pesquisadores. Alguns animais adotam comportamentos semelhantes, como os chimpanzés, por exemplo. Alguns especialistas defendem que beijar com a língua é uma forma de aprender mais sobre o parceiro, sentir se existe “química” com o outro e até avaliar sua saúde por meio do paladar e do olfato.

Trocar saliva – e também bactérias – seria importante para o equilíbrio dos micro-organismos que habitam a boca, como já sugeriram alguns pesquisadores. Mas também pode ser perigoso em sociedades em que não há higiene oral, por exemplo. Por tudo isso, os pesquisadores acreditam que ainda há muito para ser pesquisado para entender por que alguns povos se beijam e outros não.


Precisa arrecadar fundos? Passe a tarefa para uma garota atraente
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DOACAO300Se você está pensando em arrecadar fundos para alguma causa pela internet, não perca o resultado deste estudo: homens encaram doações on-line como uma espécie de competição. Eles tendem a doar quatro vezes mais dinheiro se quem estiver angariando os recursos for uma garota atraente, e se outro homem tiver doado dinheiro antes.

A pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, foi publicada na revista Current Biology.

Nichola Raihani e Sarah Smith, autores do trabalho, contaram com a colaboração de uma grande plataforma de captação de recursos on-line para testar a hipótese. Nesse site, quem arrecada fundos publica sua foto e informações pessoais, além dos detalhes sobre o evento ou a instituição que irá receber os recursos.

Assim que as doações são feitas, há uma postagem na plataforma com o nome do doador e os valor (a não ser que a pessoa opte pelo anonimato). Segundo os pesquisadores, isso gera um potencial competitivo.

Em trabalhos anteriores, a dupla já tinha comprovado que os posts funcionam como estímulo para futuros doadores. Desta vez, eles decidiram avaliar se isso seria influenciado pelo gênero e pelo grau de atratividade do arrecadador de fundos. E, de fato, foi.

Outro detalhe importante descoberto pela dupla é que mulheres que sorriem conseguem mais recursos ainda.

Segundo os autores, as mulheres não agem dessa maneira. Mas ninguém deve achar que os homens não são generosos. Eles até acreditam que estão fazendo o bem, mas existe um estímulo competitivo por trás da atitude.

Os pesquisadores sugerem que as pessoas não vejam esse comportamento masculino com maus olhos, já que tudo isso é inconsciente. Para os estudiosos, essa tendência existe porque beneficiou os homens, de alguma forma, ao longo da evolução.


Esperar o parceiro perfeito não era boa ideia no tempo das cavernas
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EVOLUCAO300Quando um homem ou uma mulher dizem que ainda não encontraram um parceiro “bom para casar”, muita gente brinca que eles deveriam se contentar com alguém “OK”, em vez de esperar o candidato perfeito, para não correrem o risco de acabar sozinhos.

Pois a estratégia do “é melhor um pássaro na mão do que dois voando” aparentemente deu certo para os homens das cavernas, segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos.

De acordo com o professor de microbiologia e genética Chris Adami, um dos autores do estudo, os primeiros seres humanos também se deparavam com a dúvida de acasalar logo com o primeiro (a) que encontrassem pela frente ou esperar alguém com características mais interessantes para procriar.

Ele e sua equipe utilizaram um modelo computacional para rastrear comportamentos de risco através de milhares de gerações com organismos digitais. Eles concluíram que resolver cedo o impasse – escolhendo o parceiro que está disponível – trouxe uma vantagem evolutiva para os seres humanos que viviam em pequenos grupos.

Isso significa, segundo eles, que a aversão ao risco está associada ao tamanho da comunidade em que as pessoas foram criadas. Mas eles avisam que o que conta é a comunidade, e não a cidade onde a pessoa nasceu.

Eles avisam que existem exceções – alguns indivíduos são mais propensos a correr riscos do que outros. Mas quem diz que esperar o príncipe ou a princesa encantada pode levar à solidão tem seus motivos para acreditar nisso.


Homossexualidade foi essencial para a evolução humana, sugere estudo
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LESBIAN300Um estudo preliminar mostra que a atração por pessoas do mesmo sexo ajuda as pessoas a criarem laços entre si, algo que é importante para a sociedade. O trabalho, publicado no Archives of Sexual Behaviortambém indica que níveis mais altos de progesterona, tanto em homens quanto em mulheres, deixam as pessoas mais abertas à ideia de ter contato homossexual.

A pesquisadora Diana Fleischman, da Universidade de Portsmouth, e sua equipe investigaram a relação entre o hormônio progesterona e atitudes sexuais para explorar o papel que as relações homossexuais podem ter tido na geração de alianças ao longo da evolução humana.

A progesterona é conhecida por contribuir com as relações sociais, algo que trouxe benefícios para os humanos ao longo de sua existência. O hormônio é produzido principalmente pelos ovários, na mulher, e pelas glândulas adrenais, no homem.

O grupo descobriu que mulheres com altos níveis de progesterona são mais simpáticas à ideia de fazer sexo com outras mulheres. E percebeu, ainda, que quando homens heterossexuais são lembrados da importância de ter amigos e aliados do sexo masculino,  eles têm uma atitude mais positiva em relação ao contato homossexual – padrão que também foi associado a níveis mais altos do hormônio.

Para chegar à conclusão, a equipe usou dois diferentes métodos. Em primeiro lugar, os pesquisadores desenvolveram uma medida para a motivação homoerótica por meio de uma pesquisa on-line com 244 pessoas. O questionário envolvia perguntas do tipo: “a ideia de beijar uma pessoa do mesmo sexo te deixa excitado (a)?” ou “se alguém do mesmo sexo desse em cima de você, sua reação seria de nojo?”.

Em seguida, os pesquisadores mediram os níveis de progesterona de 92 mulheres e viram relação entre quantidades maiores do hormônio e abertura em relação à ideia de transar com outras mulheres.

No experimento seguinte, a equipe dividiu 59 homens aleatoriamente em três grupos para montarem quebra-cabeças. Um deles continha palavras ligadas a amizade, o outro, termos neutros, e o terceiro, palavras ligadas a sexo. Antes disso, eles mediram a progesterona dos participantes.

Os homens que montaram o quebra-cabeça sobre amizade apresentaram uma motivação homoerótica 26% maior que os participantes dos outros grupos. E aqueles com nível mais alto de hormônio tinham uma motivação homoerótica 41% maior.

Estudos com outros primatas também já indicaram que o comportamento homossexual às vezes é adotado pelos animais como forma de manter e fazer novas amizades.

Apesar de o comportamento sexual ser associado à reprodução, em termos evolutivos, várias espécies de animais, incluindo os seres humanos, também fazem sexo simplesmente porque isso traz prazer e intimidade. Homens e mulheres gostam de transar mesmo quando não há possibilidade alguma de ter filhos.

Fleischman também lembra que muita gente têm relações com pessoas do mesmo sexo sem se identificar como homossexuais. Ela diz que agora pretende pesquisar outros contextos e influências de hormônios que podem aumentar a motivação homoerótica em homens e mulheres.


Habilidade espacial ajudou homens a ter mais parceiras, sugere estudo
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Jairo Bouer

LOCALIZACAO300Vários estudos já demonstraram que os homens são melhores que as mulheres para se localizar espacialmente. Mas um novo trabalho sugere que essa capacidade foi aperfeiçoada, ao longo dos milênios, para suprir a necessidade masculina de encontrar novas companheiras. E, assim, gerar mais descendentes.

Antropólogos da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, avaliaram duas tribos africanas – Twe e Tjimba, no noroeste da Namíbia – para chegar à conclusão. Eles descobriram que os índios com maior habilidade espacial não apenas viajavam mais do que os outros, mas também tinham mais filhos.  Os resultados foram publicados na revista Evolution and Human Behavior.

As habilidades espaciais incluem a capacidade de visualizar distâncias e manipular a imagem na mente. Segundo os pesquisadores, essa característica é mais desenvolvida no sexo masculino em todas as culturas, e até nos machos de algumas outras espécies. Por isso, eles acreditam que isso trouxe vantagens para os homens ao longo da evolução.

As tribos foram escolhidas porque os índios dessas comunidades costumam andar cerca de 200 quilômetros por ano e têm uma cultura sexual mais aberta, que admite a poligamia.

Para testar a habilidade espacial dos índios, 68 homens e 52 mulheres foram submetidos a diferentes testes em um computador. Em todos, eles se saíram melhor do que elas. Eles também relataram as viagens realizadas no ano anterior à pesquisa, e ficou claro que eles viajavam mais que as mulheres.

Para os pesquisadores, homens com maior número de companheiras têm mais sucesso em termos reprodutivos. E viajar mais longe seria um modo de aumentar as chances de encontrar mais mulheres disponíveis para a reprodução.


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