Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : comportamento

Xingar é feio, mas é sinal de sinceridade, segundo estudo
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Jairo Bouer

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Atire a primeira pedra quem não usa um palavrão de vez em quando para xingar alguém ou alguma coisa. Mas tem gente que exagera. Essas pessoas muitas vezes são consideradas grossas e desagradáveis, mas, segundo um estudo recém-publicado, elas tendem a ser mais sinceras.

Em geral, o xingamento está relacionado a emoções como raiva ou frustração, mas também pode ser uma estratégia para chamar atenção dos outros.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em parceria com estudiosos da Holanda, dos Estados Unidos e de Hong Kong, decidiu testar a hipótese com dois experimentos.

Primeiro, a equipe convidou 276 pessoas para listar as palavras que mais gostavam de usar e explicar o motivo. Em seguida, eles passaram por um detector de mentiras, que indicou quem estava sendo verdadeiro ou apenas tentava ser socialmente aceitável. Aqueles que listaram mais palavrões foram os menos propensos a mentir.

O segundo experimento envolveu a coleta de dados de 75 mil usuários do Facebook. Os pesquisadores concluíram que quem xinga mais também tende a usar mais padrões de linguagem que, segundo estudos anteriores, são mais relacionados a honestidade.

Os resultados, publicados na revista Social Psychological and Personality Science, também sugerem que a tendência a xingar mais ou menos em público tende a variar dependendo da região em que a pessoa vive.

Claro que a reação a esse tipo de vocabulário também vai mudando com o tempo. Os autores lembram que, em 1939, os produtores do filme “E o vento levou” chegaram a ser multados porque o personagem de Clark Gable disse: “Francamente, minha querida, eu não dou a mínima”.

 


Terapia muda o cérebro de pacientes com psicose, mostra estudo
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Jairo Bouer

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Pesquisadores descobriram que a terapia cognitivo-comportamental fortalece certas conexões entre os neurônios de pessoas que sofrem de psicose. Essas mudanças no cérebro são duradouras e ajudam os pacientes a superarem o quadro por um longo período.

Sintomas psicóticos, como a sensação de estar sendo perseguido, são frequentes em pacientes que sofrem de esquizofrenia e diversos outros transtornos mentais. Pesquisadores do King`s College e do hospital Maudsley, de Londres, no Reino Unido, avaliaram os efeitos da terapia em 22 pacientes, que tiveram sua atividade cerebral registrada antes e depois de seis meses de trabalho terapêutico.

A terapia cognitivo-comportamental é baseada na fala, e ajuda as pessoas a modificar certas crenças e reações diante de experiências do dia a dia. Também auxilia no desenvolvimento de estratégias para reduzir o estresse e obter mais bem-estar.

A equipe já tinha observado que o tratamento ajuda a fortalecer conexões no cérebro envolvidas no processamento de ameaças sociais. Agora, eles conseguiram comprovar que essas alterações continuam a ter impacto anos depois e levam a uma melhora de longo prazo – os pacientes foram reavaliados oito anos depois de terem feito terapia.

Os resultados, publicados no periódico Translational Psychiatry, mostram que a terapia pode ser uma parte importante do tratamento contra a psicose. Segundo os autores, a maioria dos pacientes com a condição recebe somente medicamentos.

 


20% dos jovens acessam mídias sociais no meio da noite, diz estudo
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Jairo Bouer

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Um em cada cinco jovens acorda com frequência no meio da noite para checar ou enviar mensagens pelas mídias sociais, mostra uma pesquisa publicada no periódico Journal of Youth Studies. Essa atividade notura faz com que os adolescentes tenham uma propensão três vezes maior a sentir cansaço na escola, e ainda pode ser um empecilho para o bem-estar.

O levantamento foi feito com mais de 900 alunos de 12 a 15 anos, que foram entrevistados sobre hábitos da internet e sobre a satisfação com diversos aspectos da vida, como estudos, aparência e amizades.

As meninas foram bem mais propensas a acessar mídias sociais durante a noite que os meninos. Os resultados também mostraram que os alunos que relataram estar sempre cansados na escola eram significativamente menos felizes que os jovens mais dispostos.

Para os pesquisadores do Instituto de Pesquisa Social e Econômica do País de Gales, no Reino Unido, o número é pequeno, mas significativo, e dá uma dimensão de o quanto as mídias sociais podem levar à privação de sono e atrapalhar a vida dos jovens.

 


Exigência diminui com a idade em sites de encontros, diz estudo
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Quem usa a internet para buscar parceiros costuma dar preferência a homens ou mulheres com o mesmo nível de educação. Mas um estudo mostra que essa exigência vai minguando à medida que as pessoas envelhecem.

O título do trabalho, publicado no periódico Personality and Individual Differences, já é bem sugestivo: “As coisas mudam com a idade”.  Ele contou com mais 41 mil australianos de 18 a 80 anos inscritos em um site de encontros– trata-se de uma das maiores análises comportamentais de namoro on-line naquele país.

Os autores, da Universidade de Tecnologia de Queensland, observam que a internet mudou completamente a forma como as pessoas escolhem parceiros, já que oferece um leque maior de opções. Enquanto na vida real é mais comum as pessoas entrarem em contato com gente do mesmo meio, os aplicativos e sites permitem encontrar candidatos de diferentes culturas, níveis de educação e socioeconômico.

O estudo concluiu que usuários mais educados tendem a se preocupar menos em buscar parceiros com o mesmo nível intelectual à medida que envelhecem. A tendência é observada em ambos os sexos, mas principalmente entre mulheres mais velhas, segundo os pesquisadores.

Se essas diferenças podem, ou não, ter impacto nos relacionamentos a longo prazo, isso é algo que, para os autores, merece novos estudos.


O que está por trás das suas selfies?
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Jairo Bouer

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Para muita gente, inclusive alguns estudiosos, tirar selfies o tempo todo é sinal de narcisismo. Mas uma pesquisa mostra que nem todos os adeptos dessa mania têm obsessão pela própria imagem. As motivações por trás das fotos podem ser bem diversas.

Após analisar uma extensa amostra de perfis de redes sociais, uma equipe da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos, chegou à conclusão de que existem basicamente três categorias de “tiradores de selfies”:

O primeiro grupo é o dos comunicadores. Eles tirariam as fotos para interagir com os amigos e parentes, ou para iniciar uma conversa. Diferente dos narcisistas, a ferramenta, para eles, é uma via de mão dupla, e não apenas uma oportunidade para se exibir.

A segunda parcela, segundo os pesquisadores, é a dos autobiógrafos, que têm como objetivo preservar memórias que foram importantes para eles. Eles não estariam tão preocupados com a reação dos outros em relação às postagens, apesar de gostarem de curtidas, é claro.

O último grupo, e o menor deles, de acordo com o estudo, é o dos que buscam autopromoção – pessoas que tentam documentar tudo o que fazem para se mostrar de uma forma positiva para o mundo. Nessa categoria estariam personalidades como Taylor Swift, Katy Perry e os Kardashians.

Em artigo publicado no periódico Visual Communication Quarterly, os autores observam que entender a motivação por trás das selfies é valioso, já que a boa parte da história da sociedade atual vai ser contada dessa forma.


Quando os pais são sedentários, os filhos também são
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Crianças pequenas seguem os passos dos pais literalmente. É o que mostra um estudo financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, para verificar o nível de atividade física de crianças em idade pré-escolar.

Os pesquisadores do Instituto de Coração, Pulmão e Sangue avaliaram dados de mais de 1.000 crianças e seus respectivos pais. A maioria das famílias era de baixa renda, sendo 70% latinos e 10% afro-americanos. Cada par (pai e filho) utilizou um dispositivo para medir o nível de atividade física por uma média de 12 horas ao dia, ao longo de uma semana.

Os resultados mostram que quando os pais praticavam mais de 40 minutos de atividade moderada ou vigorosa por dia, os filhos também faziam o mesmo. E quando os pais eram sedentários, as crianças também eram. Os dados foram publicados no American Journal of Preventive Medicine.

A recomendação é que crianças de 2 a 5 anos pratiquem no mínimo uma hora por dia de atividade física moderada ou vigorosa. Assim, se você tem filhos pequenos, tem um motivo a mais para fazer exercícios.


Estresse na adolescência dificulta vida sexual, sugere estudo com ratos
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Jairo Bouer

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Será que cidades violentas podem interferir na capacidade reprodutiva de seus habitantes?  E será que um jovem que foi hostilizado pelos colegas na escola pode ser menos bem-sucedido na hora de buscar parceiras sexuais? Um grupo de pesquisadores descobriu que isso acontece, de uma certa forma, para os ratos – a preferência sexual das fêmeas é influenciada pelo histórico de estresse e pelo status social dos machos.

A equipe conta com psicólogos das universidades Binghamton e do Estado de Nova York, nos Estados Unidos, e da Universidade Brock, em Ontario, no Canadá. Eles dizem que ratos submetidos a estresse durante a adolescência exercem menor poder de atração nas fêmeas jovens, especialmente se assumirem uma posição de submissão em relação ao grupo depois do ocorrido.

Os pesquisadores chegaram às conclusões após uma série de experimentos com diferentes ratos agrupados, sendo que alguns dos machos tinham sido submetidos ao estresse quando jovens e tornaram-se mais submissos depois do ocorrido, ou reagiram melhor e assumiram uma postura dominante.

Segundo a equipe, as fêmeas são capazes de identificar os animais que passaram por estresse na adolescência, e escolhem aqueles que reagem melhor. Em outras palavras: o status dominante funciona como fator de proteção para animais que passaram por situações de tensão extrema. Isso já tinha sido comprovado em macacos, afirmam os autores em artigo publicado no periódico científico Hormones and Behavior.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho pode ajudar a compreender melhor os efeitos do estresse ambiental sobre a reprodução humana, e talvez até explicar alguns casos de infertilidade. O grupo, liderado por Nicole Cameron, agora pretende estudar a capacidade reprodutiva de animais que receberam pouco cuidado materno, bem como sua capacidade de aprendizado e memória.


Parte do peso que se ganha no Natal permanece, segundo estudo
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Você comeu demais no Natal? Então trate de começar já a controlar a dieta e fazer mais exercício. Um estudo norte-americano mostra que adultos tendem a ganhar pouco mais de meio quilo entre o dia 24 de dezembro e 3 de janeiro. E perde apenas metade disso nos meses seguintes, o que representa um acúmulo de vários quilos ao longo dos anos.

A pesquisa, feita por especialistas em comportamento alimentar da Universidade de Cornell, contou com 3.000 pessoas de três países diferentes. Os resultados foram publicados no periódico New England Journal of Medicine e divulgados no site Medical News Today. 

Segundo a Sociedade Real de Saúde Pública, no Reino Unido, as pessoas tendem a comer 6.000 calorias – três vezes o total recomendado para um dia – só na ceia de Natal. Mas é bom lembrar que no Hemisfério Norte cai no inverno, e o apetite por guloseimas no frio é maior. Para queimar esse excesso, seria preciso correr por 1 hora e 40 minutos, o que pouca gente consegue fazer.

 


Usar múltiplas plataformas de mídia social é ligado a ansiedade e depressão
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Alguns estudos têm chamado atenção para o impacto que as redes sociais podem ter na saúde de quem passa dia e noite mergulhado nelas. Mas parece que o tempo não é o único termômetro para detectar possíveis problemas – a forma de usar também importa. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos diz que quem costuma usar de sete a onze plataformas de mídia social tem um risco três vezes maior de sofrer de ansiedade e depressão do que usuários mais conservadores, que usam no máximo duas.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, e foi publicada no periódico Computers in Human Behavior. Eles afirmam que o risco é significativo a ponto de justificar que médicos e psicólogos orientem pacientes com esses transtornos a evitar o uso de múltiplas pataformas. Mas eles admitem que é difícil saber se é o comportamento que aumenta a ansiedade ou vice-versa.

A equipe avaliou uma amostra de 1.787 adultos norte-americanos de 19 a 32 anos, que passaram por testes para diagnosticar sintomas depressivos e descreveram a forma como usavam plataformas como Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, Google Plus, Pinterest e Linkedln. Os usuários ativos do maior número de sites foram 3,3 vezes mais propensos a apresentar níveis mais altos de ansiedade e depressão, mesmo quando outros fatores de risco foram isolados, como situação financeira e status de relacionamento.

Os autores têm algumas hipóteses para explicar a associação. Alguns estudos já associaram a tendência a fazer várias coisas ao mesmo tempo a prejuízos na memória e aprendizado, o que, segundo eles, poderia ter algum impacto na saúde mental. Outro ponto levantado é que as particularidades de cada plataforma tornam essa migração constante estressante, o que poderia prejudicar o humor. Por último, eles lembram que, quanto maior o número de perfis, maior a exposição caso ocorra alguma situação embaraçosa.


Raiva do parceiro pode interferir até na escolha do refrigerante
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Jairo Bouer

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O que as pessoas fazem quando estão chateadas com o parceiro amoroso, mas não querem abrir o jogo? Segundo um estudo, elas compram um produto que o parceiro jamais compraria.

Segundo pesquisadores da Universidade de New Hampshire, esse tipo de reação é inconsciente, e mais comum entre parceiros que sentem ter menos poder no relacionamento. Como não querem brigar com o outro para não arriscar a relação, acabam colocando a raiva para fora de outra maneira. E o consumo é a válvula de escape, de acordo com o estudo.

Um exemplo citado pelos autores do trabalho: a pessoa ficou brava com o parceiro porque ele saiu de manhã e deixou a louça suja na pia. Em vez de pedir para ele lavar, ela fica quieta para não criar atrito. Mais tarde, porém, ela vai sozinha a uma lanchonete e escolhe a marca de refrigerante que concorre com a que o parceiro mais gosta.

O padrão foi identificado em três experimentos diferentes. Em um deles, os participantes passavam por uma pesquisa para medir seu poder sobre o relacionamento. Depois, eram convidados a relatar as marcas preferidas dos parceiros em seis categorias de produtos diferentes. Em seguida, passavam por uma tarefa que evocava, de forma subliminar, uma frustração em relação ao outro. Por fim, tinham que descrever suas próprias marcas prediletas. Quanto maior a raiva e menor o poder sobre o relacionamento, maior a tendência a escolher as marcas que rivalizam com as preferidas do parceiro ou parceira.

Os resultados, publicados no Journal of Consumer Psychology, mostram como comprar envolve processos inconscientes. E que relacionamentos podem interferir até na tendência a escolher uma marca ou outra.