Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : comportamento

Filhos de usuários de cocaína podem ter problemas de memória
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Jairo Bouer

Todo mundo sabe que o consumo de drogas durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento da criança. Mas um estudo feito com animais sugere que homens usuários de cocaína podem ter filhos com risco grave de problemas de memória.

Os dados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, foram obtidos por pesquisadores da Faculdade de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia. A equipe descobriu que filhotes de machos que receberam cocaína perto do momento em que fecundaram as fêmeas tinham muita dificuldade em formar novas memórias. Mas o problema ocorreu apenas nos filhotes do mesmo sexo.

Os ratos afetados não conseguiam se lembrar de itens deixados ao seu lado, e apresentavam alterações na comunicação entre os neurônios em uma região do cérebro que, para roedores e humanos, é essencial para o aprendizado e a localização espacial. Os pesquisadores afirmam que o uso de cocaína alterou a expressão dos genes dos filhotes, que não tiveram qualquer contato com a droga.

Seriam necessários estudos em humanos para saber se o efeito seria o mesmo. De qualquer forma, os resultados reforçam a noção cada vez mais clara, no meio científico, de que os pais também podem prejudicar seus descendentes ao abusar de álcool e drogas.


Maioria das pessoas prefere não conhecer o próprio futuro
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Jairo Bouer

Se houvesse um jeito de prever o futuro com 100% de certeza, você gostaria de saber sobre o seu? Um trabalho publicado pela Associação Americana de Psicologia diz que a maioria das pessoas diria “não”, e uma parte considerável resistiria ao “spoiler” mesmo se pudesse ter acesso apenas à parte boa.

Dois estudos nacionalmente representativos, envolvendo mais de 2.000 adultos, na Alemanha e na Espanha, mostraram que 85 a 90% da população escolheria não ter acesso ao futuro. Uma proporção menor, de 40 a 70%, acharia melhor não saber nem os eventos positivos. Apenas 1% afirmou de forma consistente que gostaria de conhecer seu próprio destino.

Nas pesquisas, os participantes tinham que responder a uma série de questões, envolvendo aspectos específicos sobre o futuro. Os principais motivos apontados por quem preferia a ignorância foram o medo de sofrer por antecipação ou de perder o prazer da surpresa, no caso dos eventos positivos. A única exceção foi para saber se teriam um filho do sexo feminino ou masculino: apenas 37% não gostariam de ter a informação antecipada.

O medo de descobrir o que vai acontecer também dependeu da distância de tempo do evento imaginado. Por exemplo: pessoas mais velhas foram menos propensas que as mais jovens a querer saber quando o parceiro iria morrer e por qual motivo.

Os pesquisadores, do Instituto Max Planck, também descobriram que quem prefere a ignorância é mais avesso a riscos e mais propenso a comprar apólices de seguro. Os resultados, publicados na revista Psychological Review, sugerem que tarólogos e videntes seriam menos procurados se fossem 100% confiáveis.


Lista de desejos tem pouca utilidade em sites de encontros, mostra estudo
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Jairo Bouer

Ao se inscrever em um site de encontros, as pessoas costumam elencar as qualidades buscadas em um eventual parceiro. Mas no final das contas, a maioria acaba fazendo contato com gente que tem características bem diferentes da sua lista de desejos, segundo um grande estudo australiano sobre paquera on-line.

Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Queensland analisaram as preferências e o histórico de contatos de mais de 41 mil australianos de 18 a 80 anos cadastrados em um site de encontros popular na Austrália.

Eles chegaram à conclusão de que a lista de preferências, ou seja, as características do “parceiro ideal”, acabam ficando de lado, na prática. Os resultados foram publicados na revista Cyberpsychology Behaviour and Social Networking.

Talvez por falta de tempo de pesquisar candidatos que se enquadrem no perfil ideal, ou simplesmente pela variedade enorme de pessoas cadastradas nesses sites, os usuários acabam aproveitando as oportunidades que aparecem, mais ou menos como acontece na vida real.

Para quem se acha muito exigente, a notícia traz uma luz no fim do túnel – mostra que também é possível se interessar por alguém diferente do que estava buscando. E um encontro pode dar certo mesmo que a outra pessoa não seja um príncipe encantado ou uma donzela perfeita.


Legalização do casamento gay fez suicídio entre jovens cair nos EUA
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Jairo Bouer

A legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, nos Estados Unidos, foi associada a uma redução significativa nas taxas de suicídio entre alunos do ensino médio, e a diminuição foi ainda mais intensa entre jovens homo e bissexuais. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina Johns Hopkins e publicado no periódico Jama Pediatrics.

A equipe analisou dados dos Estados que já tinham aprovado leis até 2015, quando uma decisão da Suprema Corte americana tornou legal a união civil de pessoas do mesmo sexo em todo o país. As taxas de suicídio entre jovens, nesses locais, foram comparadas às taxas registradas nos Estados que ainda resistiam à legalização. O levantamento inclui informações a partir de 1999, cinco anos antes de a primeira lei estadual sobre o tema ser aprovada no país.

O número é impressionante: houve 134 mil tentativas de suicídio a menos por ano nas regiões onde o casamento gay já havia sido legalizado. As taxas de suicídio entre alunos do ensino médio, em geral, foram 7% mais baixas nesses Estados. Já entre gays, lésbicas e bissexuais, a redução foi de 14%. Nos Estados em que a lei não tinha sido promulgada não houve nenhuma diminuição.

Para os pesquisadores, os resultados mostram o quanto políticas públicas podem interferir no comportamento da população. Ainda que a maioria dos adolescentes ainda não pense em casamento, o fato de gays e lésbicas terem os mesmos direitos que os heterossexuais ajuda a diminuir o estigma e faz com que os jovens se sintam mais esperançosos em relação ao futuro. Vários estudos já mostraram que o risco de suicídio é mais alto entre jovens homo ou bissexuais.


Casados têm níveis mais baixos do hormônio do estresse, diz pesquisa
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Jairo Bouer

Um estudo mostra que pessoas casadas apresentam níveis mais baixos de cortisol, o hormônio do estresse, em relação às solteiras, divorciadas ou viúvas. Isso resulta em um risco menor de doenças, já que o cortisol interfere nos níveis de açúcar do sangue, bem como na imunidade e em processos inflamatórios.

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, chegaram a essa conclusão depois de avaliar o nível de hormônio em amostras de saliva de 500 adultos de 21 a 55 anos, coletadas ao longo de três dias. Os dados foram divulgados no jornal britânico Daily Mail.

O ritmo de liberação do cortisol também foi analisado: em geral as pessoas acordam com níveis mais altos, que vão diminuindo ao longo do dia. E, novamente, os casados sairam ganhando, pois apresentaram um declínio mais acentuado, algo que já foi associado a menor risco cardiovascular e maior sobrevivência ao câncer.

Para os autores, dois fatores podem explicar esses resultados. O primeiro é o fato de que casais costumam ter uma sensação de segurança maior – em tese, um pode contar com o outro numa crise. Outro ponto é que ter alguém por perto pode servir de estímulo para cuidar um pouco mais da alimentação e se exercitar. Mas é bom lembrar que a qualidade do relacionamento também interfere no estresse.


Casais têm mais traços de personalidade em comum do que se imaginava
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Em geral, amigos e namorados tendem a ter muitas características em comum, como idade, nível de educação, valores e até gosto musical. Mas com ajuda do Facebook, psicólogos conseguiram descobrir que traços de personalidade também podem ser  algo em comum entre casais e amigos próximos, o que até então era algo controverso.

Em um estudo publicado na revista da Associação para Ciência da Psicologia, pesquisadores das universidades de Cambridge e Northwestern contam que até hoje os trabalhos voltados para esse tema tinham uma enorme limitação, que eles chamam de “efeito referência do grupo”. Ao responder um questionário, as pessoas tendem a se comparar com os outros na hora de se descrever, em vez de usar critérios subjetivos. Por exemplo: se seu namorado é bagunceiro, você pode se achar a rainha da arrumação. Já se seu parceiro é mais organizado, você pode até achar que é um pouco negligente nessa área. Assim, os estudos desse tipo costumavam concluir que as pessoas buscam parceiros com personalidades diferentes das suas.

Para tentar reduzir essa subjetividade, a equipe decidiu analisar o comportamento digital dos participantes, e é aí que entra o Facebook. Eles avaliaram questionários e também os “likes” de 295 mil pessoas. Para determinar características de personalidade, eles observaram os interesses dos participantes. Se alguém costuma curtir posts sobre Salvador Dali ou meditação, por exemplo, é  classificado como aberto a novas experiências. Já quem vive postando fotos de festas e eventos é mais extrovertido e assim por diante.

Com essas referências em mãos, os pesquisadores dizem que foi bem mais fácil encontrar semelhanças de personalidade entre amigos e casais do que com ajuda dos questionários. O que não dá pra saber é se essas similaridades já existiam antes dos relacionamentos, ou se foram se desenvolvendo ao longo da convivência.


Noção de tempo muda quando você está no Facebook, mostra experimento
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Jairo Bouer

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Você às vezes perde a noção do tempo quando está nas redes sociais? Acha que ficou só um pouco, mas, quando vai ver, os minutos voaram? Um experimento conduzido com psicólogos comprovou que isso realmente acontece, porque as distrações alteram nossa percepção do tempo.

Pesquisadores da Universidade de Kent, no Reino Unido, convidaram 44 pessoas para observar 20 imagens diferentes, por quantidades variáveis de tempo. Cinco delas eram associadas ao Facebook; outras cinco diziam respeito à internet de um modo geral; e as outras dez eram imagens neutras, para servir de controle.

Depois de visualizar cada imagem, os participantes tinham que dizer se ela tinha ficado na tela por muito tempo ou por pouco tempo.

Os resultados mostraram que os participantes subestimaram o tempo quando as imagens eram relacionadas ao Facebook ou à internet, o que não aconteceu com as imagens neutras. Mas o Facebook causou uma distorção bem maior, segundo os pesquisadores.

O estudo, publicado no Journal of Applied Social Psychology, mostra que as redes sociais podem ser uma ótima fonte de distração. Mas também podem ser uma armadilha para quem tem dificuldade de administrar o próprio tempo. Se você tem trabalho ou estudo para fazer, é melhor deixar o Facebook para outra hora.


O lado bom da depressão: desistir logo quando é preciso
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Jairo Bouer

depressao615

“Você tem que tentar, tentar, até conseguir”. Isso é o que a gente aprende desde pequeno, quando tem dificuldade de amarrar o tênis ou andar de bicicleta. Mas, conforme os objetivos ficam mais difíceis, muitas vezes até impossíveis, essa crença, em vez de motivar, pode resultar apenas em raiva e frustração.

Psicólogos alemães decidiram estudar essa espécie de armadilha mental que faz com que muita gente não vá pra frente na vida. E eles descobriram algo curioso: pessoas com depressão tendem a ser mais bem-sucedidas em abandonar metas inalcançáveis do que indivíduos sem o transtorno.

Eles chegaram à conclusão após convidar voluntários com e sem depressão ( 78, ao todo) para resolver anagramas, ou seja, eles recebiam palavras com as letras embaralhadas e tinham que colocá-las na ordem certa dentro de um tempo específico. Os participantes não sabiam, mas alguns dos anagramas não tinham solução.

O resultado foi que os indivíduos deprimidos desistiram mais rápido dos problemas insolúveis, utilizando melhor seu tempo para resolver os outros anagramas.

Para a equipe, da Universidade de Jena, a capacidade de desistir pode ser uma função adaptativa da depressão, já que faz essas pessoas se desapegarem de ambições inalcançáveis para buscar objetivos mais condizentes com sua capacidade. Os resultados foram publicados no Journal of Behavior Therapy.

Claro que a depressão também pode fazer o indivíduo ter uma noção distorcida de sua capacidade, por isso os pesquisadores admitem que é preciso pesquisar melhor o tema. Mas eles também acham que o transtorno poderia ser encarado como uma oportunidade para o desenvolvimento, em vez de apenas um fardo que deve ser removido. É algo pra se pensar.


Você sabe quando um cachorro está “sorrindo”?
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Jairo Bouer

cao615

Um estudo revela que pessoas que têm empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos, interpretam mais intensamente as expressões faciais dos cães.

Pesquisadores das universidades de Helsinque e Aalto, na Finlândia, descobriu que essa característica pode influenciar até mais a avaliação das expressões caninas do que experiências anteriores com o animal. Isso porque o rosto é um estímulo biologicamente importante para os seres humanos.

Com base em estudos anteriores, a equipe sabia que pessoas mais empáticas avaliam as expressões dos outros com mais rapidez, precisão, frequência e intensidade. Por isso, eles decidiram checar se isso teria algum impacto na avaliação de fotos de diversos cães.

Os autores, coordenados por Miiamaaria Kujala, comentam, no trabalho, que a comunicação baseada em expressões faciais tem sido estudada em mamíferos sociais há muito tempo. Até Charles Darwin percebia semelhanças nas expressões de certos animais.

Um outro grupo de pesquisa finlandês, da Universidade de Helsinque, já havia demonstrado que os cães reconhecem claramente as expressões ameaçadoras de seres humanos e de outros cães. No trabalho atual, a equipe percebeu que isso também acontece com os humanos, com a diferença que as pessoas acham as expressões caninas até mais intensas, nesse caso.

Só para reconhecer a felicidade dos cães é que  experiência fez diferença. Os treinadores que participaram do estudo foram mais propensos a ver expressões felizes nos bichos do que as outras pessoas.

Os pesquisadores avisam, porém, que muitas dessas pessoas interpretam em excesso as expressões dos bichos. Isso significa que a avaliação não é confiável (lembrando que, no experimento, os participantes só podiam observar o rosto dos cachorros, e não sua expressão corporal). De qualquer forma,  se um conhecido seu achar que o cão da foto acima está sorrindo, você já pode concluir que ele deve ter empatia.

 


Medo de descobrir doença afasta muita gente do médico, mostra relatório
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Jairo Bouer

medico615

Um terço dos adultos que resiste de forma consciente a procurar o médico tem esse tipo de atitude pelo medo de descobrir que tem uma doença grave, como câncer. E esse fenômeno é mais comum entre fumantes, bebedores pesados e obesos, ou seja, pessoas que deveriam monitorar a saúde com frequência para detectar eventuais problemas precocemente.

As conclusões foram obtidas após a revisão de inúmeros estudos sobre o tema, realizada por uma farmacêutica em parceria com o grupo de reflexão 2020Health, no Reino Unido.

Outras barreiras importantes destacadas nas pesquisas foram a dificuldade para marcar uma consulta e o desconforto de ser examinado, ou tocado, por um médico. As justificativas ainda incluíram medo do ambiente médico ou hospitalar, de ser abandonado pelo parceiro (diante de uma doença), de ter a sexualidade afetada pelo tratamento e de que os resultados caiam em mãos erradas.

Os estudos analisados mostraram que entre 12 e 55% das pessoas que se submetem ao teste de HIV não voltam para pegar o resultado, um dado preocupante.

O relatório também confirmou algo que a gente já percebe faz tempo: os homens tendem a demorar mais para procurar ajuda médica que as mulheres, e relatam sentir mais constrangimento em consultas e exames do que elas.