Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : álcool

Estudo identifica jovens mais propensos a usar maconha sintética
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Jairo Bouer

Jovens com sintomas depressivos, que usam álcool e maconha natural são os mais propensos a experimentar a maconha sintética, também chamada de Spice ou K2, um tipo de droga que tem causado problemas sérios em diversos países.

A conclusão é de um estudo publicado no periódico Pediatrics, um dos primeiros a analisar os comportamentos de risco que levam os jovens a experimentar a maconha sintética, segundo os autores, da Universidade do Texas.

O trabalho contou com 964 alunos do ensino médio de escolas norte-americanas, que responderam a questionários em duas ocasiões, com  um ano de intervalo entre elas. Na segunda abordagem foi possível identificar adolescentes que experimentaram a maconha sintética e avaliar características em comum entre eles no ano anterior.

Os canabinoides sintéticos são substâncias similares quimicamente ao THC, o componente ativo da maconha. Eles são produzidos em laboratórios de fundo de quintal e aplicados em plantas parecidas com a cannabis. Um produto nunca é igual ao outro,  por isso não dá para prever direito os efeitos que cada lote pode causar.

A maconha sintética pode ser de 40 a 600 vezes mais potente que o THC, chegando, algumas vezes, a ser letal. A opção atrai os jovens pelo efeito turbinado, mas também pela associação com a maconha de verdade, vista como segura (e, em algumas partes dos Estados Unidos, até legal). Além disso, a droga é barata e tem a vantagem de não ser detectada em exames de urina.


Falta de concentração e o risco de se tornar dependente de drogas
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Jairo Bouer

Muita gente usa álcool e drogas na adolescência, mas só uma parte continua a abusar dessas substâncias na vida adulta. Segundo pesquisadores, uma combinação de dois fatores o que determina a propensão a se tornar dependente:  problemas de memória e de impulso.

Uma equipe da Universidade do Oregon e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avalisou 387 jovens de 18 a 20 anos que participavam de um estudo de longo prazo iniciado em 2004, quando eles tinham de 10 a 12 anos.

Eles perceberam que, além de dificuldades para controlar seus impulsos, os adolescentes que continuavam usando álcool, cigarro e maconha aos 20 anos também apresentavam problemas com a chamada memória de trabalho, ou seja, eles se distraíam com muita facilidade. Os resultados foram publicados na revista Addiction.

Para os pesquisadores, os programas de prevenção ao uso de drogas também deveriam incluir intervenções para melhorar a memória, o aprendizado e o controle do impulso.


Beber pesado de vez em quando pode danificar o fígado em pouco tempo
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Jairo Bouer

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Beber muito apenas três vezes por semana afeta o fígado de uma forma que o consumo moderado diário não é capaz de afetar. É o que mostra um estudo feito com ratos: nesses animais, apenas 21 episódios de bebedeira, nessa frequência, foram suficientes para causar um estágio inicial de doença hepática.

Os pesquisadores, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, derrubaram o mito de que são necessários anos de consumo pesado para desenvolver uma doença no fígado. Eles viram que algumas bebedeiras foram suficientes para causar inflamação (fígado gorduroso) e aumentar os níveis de enzimas metabolizadoras de álcool, cuja atividade pode levar a dano oxidativo e outros tipos de prejuízos ao órgão.

O beber pesado episódico, ou em binge, é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebida em apenas duas horas, para os homens, e de quatro ou mais, para as mulheres. Cada dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho (150 ml) ou um “shot” de destilado (50 ml).

No estudo, publicado no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, os triglicérides no fígado foram quase 50% mais elevados nos animais que ingeriam álcool dessa forma, e, no sangue, 75% mais altos, em relação às cobaias que consumiam a substância de forma moderada todos os dias.

Segundo os autores, o beber em binge causa, nos ratos, níveis de álcool no sangue muito parecidos com o dos humanos. Mesmo assim, são necessários mais estudos para comprovar a hipótese em humanos, bem como para descobrir até que ponto esses danos ao fígado podem ser revertidos.

Segundo o Instituto Nacional para Abuso do Álcool e Alcoolismo, nos Estados Unidos, entidade do governo que financiou a pesquisa, cerca de um em cada 14 adultos tem problemas com a bebida, mas somente um em cada dez busca tratamento.  Para muita gente, “beber todas” antes de sair, nos fins de semana, não é nenhum problema, quando na verdade é.


Autoimagem distorcida leva garotas a beber pesado, diz estudo
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Jairo Bouer

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Garotas do ensino médio que têm uma percepção distorcida do próprio corpo são mais propensas a ter episódios de beber pesado em relação a colegas que não têm o problema. A conclusão é de um estudo que será publicado em janeiro no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, avaliaram 6,579 garotas com idades entre 14 e 18 anos para descobrir se uma autoimagem negativa pode interferir em comportamentos de risco. E a relação foi confirmada.

É comum que algumas adolescentes tenham uma visão distorcida do corpo – em geral sentem-se gordas, quando, na verdade, as medidas estão dentro do normal. Segundo os autores do estudo, comportamentos para perder peso – como fazer jejuns ou dietas malucas – têm sido associados ao abuso de substâncias.

Entre as garotas pesquisadas, 37,5% tinham comportamentos associados à percepção distorcida da imagem corporal; 67,7% já haviam consumido álcool pelo menos uma vez na vida; e 17,8% haviam relatado episódios de beber pesado nos 30 dias anteriores às entrevistas.

Segundo os resultados, a probabilidade de uso abusivo de álcool foi 1,2 vez maior entre as meninas com distorção de autoimagem. E quanto mais velha a garota, maior a propensão a abusar da bebida. Hispânicas e latinas também apresentaram tendência maior que brancas. E ter tido relações sexuais antes dos 13 anos, bem como fumar, também aumentaram a probabilidade.

O trabalho não investigou as causas do uso abusivo de álcool entre essas garotas, mas a hipótese é que elas façam isso para se sentir mais aceitas socialmente e confortáveis com elas mesmas. Ou, ainda, a bebida pode ser utilizada para mascarar a fome.

 


Álcool com energético pode alterar cérebro de jovens como cocaína
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Jairo Bouer

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O consumo de bebidas alcoólicas misturadas com energéticos, que contêm níveis altos de cafeína, pode desencadear mudanças no cérebro dos adolescentes comparáveis às produzidas pelo uso de cocaína, de acordo com um estudo feito em ratos.

Segundo pesquisadores da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, essas alterações envolvem o sistema de recompensa do cérebro e podem se estender até a idade adulta.

Bebidas energéticas costumam contar com uma dose de cafeína dez vezes maior que a de refrigerantes. Como são doces, costumam ser usadas pelos jovens para deixar a bebida com sabor mais agradável e também para ter mais pique durante a balada.

Os pesquisadores testaram a mistura em ratos adolescentes e compararam os efeitos a animais que receberam placebo, ou seja, uma substância inerte. Nos que receberam álcool com energéticos, a equipe detectou sinais físicos e neuroquímicos similares aos observados em camundongos que receberam cocaína.

Os ratos que receberam álcool e cafeína, quando jovens, tornaram-se menos sensíveis aos efeitos  prazerosos da cocaína ao chegar na idade adulta. Isso significa que esses indivíduos teriam que consumir uma quantidade maior da droga para obter os mesmos efeitos. Esses mesmos animais apresentaram uma tendência maior a consumir açúcar mais tarde – vale lembrar que doces também ativam o sistema de recompensa do cérebro.

Os resultados foram publicados na revista científica PLoS ONE.


Por que afogar as mágoas no álcool é perigoso? Estudo ajuda a explicar
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Jairo Bouer

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Tomar um porre realmente ajuda a afogar as mágoas? Infelizmente sim, segundo um estudo. Para piorar, esse suposto efeito antidepressivo se inicia rápido e não demora para acabar, o que torna a bebida ainda mais atraente – e perigosa – para quem está triste ou deprimido.

Cientistas liderados por Kimberly Raab-Graham, professor de fisiologia e farmacologia da escola de medicina do Wake Forest Baptist Medical Center, nos Estados Unidos, dizem ter descoberto o caminho bioquímico que faz o álcool funcionar como uma espécie de antidepressivo.

As conclusões, publicadas na revista Nature Communications, explicam por que é tão comum que pessoas com depressão sejam dependentes de álcool e vice-versa.

Usando um modelo animal, eles observaram que uma dose alta de álcool é capaz de bloquear receptores de um tipo de proteína associada ao aprendizado e à memória. E, junto com uma outra proteína, chamada de FMRP, faz com que um neurotransmissor conhecido como GABA passe a estimular, em vez de inibir, a atividade dos neurônios.

Tudo isso pode parecer complicado, mas o que interessa é que esse caminho bioquímico é parecido com o que é provocado por certas substâncias antidepressivas de ação rápida que ainda estão em estudo. Os pesquisadores também descobriram que esse efeito do álcool dura ao menos 24 horas.

Os autores ressaltam que se automedicar com álcool é extremamente perigoso, pois, invariavelmente, esse hábito se transforma em vício. Mas o trabalho também faz lembrar que dar a devida atenção a sintomas depressivos é uma forma de evitar que o envolvimento com álcool – tão comum na nossa sociedade – acabe levando à dependência.


Quanto você acha que bebeu pode depender de quem está ao seu lado
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Quando você está bêbado e rodeado por pessoas que também beberam muito, sua autoconsciência se altera, de acordo com um estudo. Isso significa que você passa a se basear nos outros para julgar seu nível de bebedeira, em vez de se dar conta da quantidade de álcool que consumiu.

A conclusão, obtida por pesquisadores da Universidade Cardiff, no Reino Unido, foi divulgada na revista médica de acesso livre BMC Public Health.

A pesquisa contou com 1.862 indivíduos, provenientes de diferentes grupos sociais e com idade média de 27 anos. Eles foram avaliados em bares ou festas, ou seja, em situações reais. Os pesquisadores aplicaram testes para medir a quantidade de álcool consumida entre 8 da noite e 3 da manhã. Cerca de um terço dos participantes também teve que responder a algumas perguntas, como “você bebe muito ou pouco?” e “se você bebesse essa mesma quantidade toda semana você acha que pode ter algum problema de saúde daqui a 15 anos?”.

A equipe percebeu que os amigos ou companheiros de bar têm um papel importante na visão que uma pessoa tem sobre seu próprio consumo de bebida. Quem bebe ao lado de alguém sóbrio tende a ter mais consciência sobre os riscos de exagerar do que quem anda em grupos mais homogêneos, em que todos bebem bastante.

Mesmo assim, a maioria dos bebedores enxergou seu nível de consumo e seus riscos como moderados, apesar de terem ultrapassado os limites.

Os autores sugerem que mais estudos sejam feitos para avaliar a influência do grupo na percepção individual de consumo de álcool. Mas se você está querendo evitar a ressaca, talvez seja bom se cercar de amigos sóbrios neste fim de semana.


Estudo associa sono ruim na adolescência a uso de álcool e drogas
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Jairo Bouer

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Um estudo norte-americano revela que existe uma conexão entre dormir mal no início da adolescência e ser mais propenso a abusar de álcool ou drogas mais tarde, no início da vida adulta.

Psicólogos e psiquiatras da Universidade de Pittsburgh avaliaram 186 garotos que tiveram seus hábitos de sono analisados aos 11 anos, por meio de questionários respondidos por suas mães. Aos 20 anos, os mesmos jovens foram entrevistados sobre o consumo de bebida alcoólica e maconha.

Os pesquisadores descobriram que os garotos que tinham uma qualidade de sono ruim ou dormiam menos do que o recomendado foram mais propensos a usar as substâncias precocemente, além de apresentar maior frequência de uso e mais episódios de abuso.

A associação foi observada mesmo depois de isolados fatores que poderiam interferir no risco, como problemas socioeconômicos. Os resultados foram publicados no periódico Drug and Alcohol Dependence.

Os dados reforçam a ideia de que prestar atenção no sono das crianças e do adolescentes é uma forma de evitar que eles tenham problemas com drogas ou bebida no futuro.


Abstinência funciona melhor que controle do álcool, sugere estudo
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Jairo Bouer

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Pessoas que buscam tratamento para a dependência do álcool e que têm o objetivo de parar completamente de beber são mais propensos a conseguir quando atendidos por um profissional que defende a abstinência total. Indivíduos que desejam aprender a beber com moderação têm menos probabilidade de sucesso, mesmo quando orientados por alguém que defende o consumo controlado.

Os resultados do estudo, realizado na Universidade de Gottemburgo, na Suécia, são relevantes para um debate que é comum naquele e em outros países, sobre a validade de tratamentos que pregam a redução do consumo em detrimento à abstinência, encarada por alguns como uma solução radical ou inviável.

A pesquisa acompanhou 201 adultos por 2,5 anos após o início dos tratamentos. De forma geral, os pacientes que optaram pela abstinência completa foram os mais bem sucedidos, especialmente quando essa também era a visão do profissional de saúde que os atendeu – nesse caso, a taxa de sucesso foi de 90%.

Já entre aqueles que tentaram apenas controlar o consumo, a proporção foi de apenas 50%, mesmo quando essa era a orientação do profissional. Os resultados foram publicados no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research.


Se beber, case: estudo mostra que união protege contra abuso de álcool
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Jairo Bouer

vinho615

Você acha que as pessoas tendem a beber mais ou menos depois de juntar os trapos? Bom, claro que depende do relacionamento, mas, em geral, indivíduos casados ou que vivem em união estável costumam beber menos – com menor frequência e em menor quantidade, que os solteiros, de acordo com um estudo.

Para pesquisadores da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, a vida a dois costuma gerar uma redução no consumo de álcool. Os resultados aparecem no periódico Psychology Journal of Family.

Estudos anteriores já tinham apresentado conclusões semelhantes, mas não era possível saber se a união é que teria um efeito protetor ou se, na verdade, pessoas que bebem menos seriam mais propensos a se casar ou juntar os trapos.

Para obter essa resposta,  os pesquisadores examinaram o comportamento de 2.425 pares de gêmeos do mesmo sexo para ver se a tendência era a mesma em pessoas que compartilham as mesmas origens genéticas ou familiares.

A equipe percebeu que os casados bebiam menos que seus irmãos gêmeos solteiros. Isso reforça a tese de que viver com alguém é mesmo um fator de proteção contra o abuso de álcool, provavelmente pela sensação de estar sendo monitorado pelo parceiro ou parceira.

Curiosamente, os pesquisadores descobriram que os participantes casados tendem a beber numa frequência ainda menor que a dos que vivem em união estável. E que, uma vez separado, ele tende a beber em quantidades maiores, mas não necessariamente com frequência maior.