Blog do Doutor Jairo Bouer

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Conflito trabalho-família também causa sofrimento aos homens
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Jairo Bouer

Entre mulheres que trabalham, é comum a angústia por não poder se doar mais para a família, nem para a carreira. E ainda ter de fazer o possível para separar uma coisa da outra. Mas se engana quem acha que esse sofrimento é exclusivo delas. De acordo com uma pesquisa publicada na revista da Associação Americana de Psicologia, os homens têm conflitos semelhantes, só não costumam se manifestar sobre o assunto.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, que levaram anos para analisar mais de 350 estudos realizados nas últimas três décadas, envolvendo mais de 250 mil pessoas. Eles perceberam que, embora as pessoas, em geral, entendam que é tranquilo para os homens se dedicar mais ao trabalho que para a família, a equipe descobriu que ambos têm nível muito parecido de sofrimento.

Alguns dos trabalhos indicaram que os homens não se sentem à vontade para discutir esses conflitos, a não ser de forma confidencial. Isso acontece porque eles têm medo de que isso seja interpretado como um sinal de fragilidade, ou que tenha uma repercussão negativa na carreira. Afinal, alguns empregadores podem achar que um funcionário muito “família” não tem condições de assumir um cargo com mais responsabilidades e viagens, por exemplo – algo que acontece com muitas mulheres.

De algumas décadas para cá, tem aumentado o número de pais que assumem o cuidado dos filhos e as tarefas domésticas, embora as mulheres ainda acumulem a maior parte do trabalho. Reconhecer que os homens também são penalizados pode abrir caminho para que, no futuro, eles tenham direito a licenças-paternidade ou horários mais flexíveis, o que, no final das contas, vai beneficiar também as mulheres e as crianças.


Separação dos pais afeta a saúde da criança, principalmente das meninas
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Jairo Bouer

separacaopais300Enfrentar uma ruptura familiar, como a separação dos pais, pode ter consequências negativas a longo prazo para as crianças, como uma tendência maior a fumar, ter problemas de saúde e depressão. Mas, segundo um estudo, esse impacto é ainda maior para as meninas.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, analisaram dados de adolescentes em fases diferentes da vida. De um total de 7.607 garotos e garotas com idade entre 15 e 18, dos quais 4.757 permaneceram na lista quando tinham de 27 a 32 anos. Todos esses jovens tinham pais separados.

Segundo o estudo, as meninas são mais sensíveis a questões ligadas à estrutura familiar. E por isso teriam uma tendência maior a sofrer as consequências de uma separação dos pais e eventual convivência com um padrastro.

Problemas de saúde foram mais frequentes naquelas em que os pais saíram de casa quando elas tinham até 5 anos. Para as que tinham de 6 a 10 anos quando isso ocorreu, houve um risco maior, também, de tabagismo e depressão.

Ainda segundo o trabalho, publicado no periódico Review of Economics of the Household, o resultado é ainda pior quando a mãe se casa novamente ou passa a morar com outro homem.


Homem sofre alteração hormonal antes de virar pai, diz estudo
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PAIS300Um estudo mostra que homens apresentam alterações hormonais pouco antes de ter filhos. Eles têm seus níveis de testosterona e estradiol reduzidos enquanto suas parceiras estão grávidas, de acordo com trabalho da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Outros estudos já haviam indicado que os homens apresentam mudanças hormonais assim que seus filhos nascem. A pesquisa atual é a primeira a mostrar que isso acontece um pouco antes, como se houvesse uma transição para a paternidade.

Segundo o principal autor do estudo, o professor de psicologia Robin Edelstein, essas alterações hormonais podem ter implicações importantes para o comportamento dos homens, assim como ocorre com as mulheres grávidas.

Para chegar à conclusão, Edelstein e sua equipe examinaram os hormônios de 29 homens e mulheres prestes a ter o primeiro filho. Os participantes tinham de 18 a 45 anos, e as amostras foram colhidas quatro vezes durante o pré-natal.

Enquanto os homens apenas apresentaram redução nos níveis de dois hormônios, as mulheres apresentaram aumentos significativos na testosterona (ligado à agressividade), no estradiol (associado a cuidado e união), na progesterona ( associado à proximidade social e ao comportamento materno) e também no cortisol (o hormônio do estresse).

Os pesquisadores advertem, no entanto, que são necessárias mais pesquisas para checar se as alterações hormonais verificadas nos homens foram resultado de fatores como o envelhecimento ou se realmente têm a ver com a paternidade. Se for a segunda opção, os futuros papais vão ter reais motivos para dizer que, de certa forma, também ficam “grávidos”.


Brigou com seu pai? Procure alguém para desabafar
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Jairo Bouer

paiefilho300Quando um adolescente briga com o pai e pede ajuda a outras pessoas para resolver o conflito, o tipo de resposta que ele recebe pode ser fundamental para o seu bem-estar e para o relacionamento familiar. É o que mostra um estudo realizado nos EUA.

O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade Estadual de San Francisco. O titular da disciplina de psicologia, Jeff Cookston, e sua equipe entrevistaram 293 famílias sobre conflitos entre adolescentes e seus pais ou padrastos.

Os jovens que procuram a mãe, o amigo ou qualquer outra pessoa para ouvir conselhos e recebem alguma justificativa para o comportamento do pai tiveram um risco menor de desenvolver problemas de depressão ao longo da adolescência.

Os pesquisadores já sabiam que falar com outras pessoas sobre conflitos com o pai é algo positivo para o bem-estar dos adolescentes. Com o trabalho, porém, eles puderam ir mais além e ver o que acontece na prática.

Eles descobriram que a mãe costuma ser a figura mais procurada para essas questões. Em seguida, um amigo ou outra pessoa que não é da família. O que mais importou não foi quantas vezes o adolescente buscou alguém para desabafar sobre o pai, mas a qualidade dos argumentos que ouviu.

Quando os garotos ouviam explicações plausíveis para o que havia acontecido, eles se sentiam melhor em relação a si mesmos. Os resultados foram similares para pais biológicos e padrastos, assim como para famílias de ascendência europeia ou mexicana.

O autor do estudo ressalta que a adolescência é um período de alterações fisiológicas importantes no cérebro. Na opinião dele, ajudá-los a compreender melhor os relacionamentos é tão importante quanto ensinar geometria e álgebra.

O estudo, publicado no Journal of Research on Adolescence, também mostra como o relacionamento entre pai e filho tem um impacto significativo na tendência dos adolescentes a depressão ou problemas de comportamento.


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