Blog do Doutor Jairo Bouer

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Dormir pouco aumenta busca por risco, mostra experimento
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Jairo Bouer

Jovens adultos demandam cerca de 9 horas de sono, enquanto os mais velhos podem dormir só 7,5 horas, em média. Mas a maioria das pessoas tem dormido menos do que precisa, segundo diversos estudos.

Em um pequeno estudo, cientistas da Universidade de Zurique, na Suíça, enumeram mais um possível problema associado à falta crônica de descanso adequado – a tendência a assumir mais riscos.

Os pesquisadores acompanharam 14 jovens saudáveis de 18 a 28 anos, que foram obrigados a dormir apenas 5 horas por noite durante uma semana. Duas vezes ao dia, eles tinham a oportunidade de escolher entre ganhar uma quantia específica de dinheiro com uma determinada chance de ficar com ele e receber menos, mas com 100% de certeza. Quanto maior era a aposta, maior era a probabilidade de ganhar mais ou perder tudo.

Após o período de privação de sono, os integrantes apresentaram muito mais tendência a arriscar. Uma noite mal-dormida não fez tanta diferença, mas conforme os dias passaram o risco passou a ganhar contornos preocupantes. Os cientistas ainda descobriram que o sono insuficiente altera uma área do cérebro, o córtex pré-frontal direito, diretamente associada a comportamentos de risco em pesquisas anteriores.

Os autores do trabalho, liderados pelo professor de neurologia Christian Baumann, alertam que líderes políticos e econômicos deveriam ter cuidado redobrado com o sono, devido à grande quantidade de decisões que precisam tomar e que envolvem muita gente. Os dados foram publicados no Annals of Neurology.


Tendência a inclinar a cabeça à direita ao beijar pode ser universal
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Jairo Bouer

Você costuma inclinar sua cabeça à esquerda para dar um beijo de língua no seu parceiro ou parceira? Então saiba que você é uma exceção. A maioria das pessoas tende a iniciar o beijo inclinando-se para a direita, inclusive os canhotos, e quem é beijado faz o mesmo, intuitivamente, segundo um estudo feito por psicólogos e neurocientistas.

Diversas pesquisas realizadas em locais públicos, em países ocidentais, já tinham indicado essa tendência. Mas para isolar o fator cultural, pesquisadores das universidades de Bath, no Reino Unido, e de Dhaka, em Bangladesh, decidiram avaliar o comportamento dos casais deste último país, já que lá o beijo de língua não ocorre em público, e também é vetado na TV e no cinema.

As equipes convidaram 48 casais para participar do experimento. Depois de se beijarem em um ambiente privado, em casa, cada um era levado para uma sala diferente e descrevia detalhes do beijo.  Mais de dois terços dos participantes inclinaram a cabeça para a direita. E os homens foram cerca de 15 vezes mais propensos a iniciar o beijo.

Comparando os resultados com os de trabalhos anteriores, os cientistas concluíram que quem é beijado tende a combinar a inclinação da cabeça com a do parceiro, de modo a evitar o movimento de espelho, algo que gera desconforto. Embora a ação seja intuitiva, existe uma decisão envolvida, pelo menos na hora de receber o beijo. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

Os autores do trabalho sugerem que essa tendência pode ter relação com as funções dos hemisférios cerebrais – o esquerdo, que controla o lado direito, está mais relacionado às emoções. Eles também acreditam que diferentes hormônios, como a testosterona (associada ao desejo) ou a dopamina (ligada a recompensa),  podem ser distribuídos de forma desigual pelos hemisférios, justificando o comportamento.

Os pesquisadores querem descobrir, no futuro, se a preferência pela direita na hora de beijar alguém é inata, já que a inclinação da cabeça para esse lado, de um modo geral, já foi observada até no útero. Apesar de ser um fenômeno cultural, beijar também tem a ver com os nossos neurônios, e pode dar pistas importantes sobre o funcionamento do cérebro.


Genética interfere na capacidade de “ler” a mente dos outros, diz estudo
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Jairo Bouer

Você consegue ler alguns pensamentos ou emoções de uma pessoa só de olhar nos olhos dela? Eu não estou falando de vidência, mas de empatia. Algumas pessoas têm mais talento para isso do que outras, e, segundo pesquisadores, isso pode ser influenciado pelo nosso DNA.

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram, há bastante tempo, um teste chamado “Leitura da Mente pelos Olhos”, que ajuda a detectar o nível de “empatia cognitiva” das pessoas, ou seja, a capacidade de interpretar rapidamente o que um outro indivíduo está pensando ou sentindo só de olhar para os olhos dele.

Em geral, as mulheres têm resultados melhores que os homens, segundo a equipe. E pessoas com autismo e anorexia nervosa tendem a ter pontuação mais baixa no teste de empatia.

Agora, esses mesmos pesquisadores publicaram um novo estudo, em parceria com cientistas da França, da Austrália e da Holanda, bem como a empresa 23andMe, especializada em exames genéticos. Eles concluíram que a genética interfere no resultado do teste de empatia. As informações foram publicadas na revista Molecular Psychiatry.

Eles analisaram o DNA de indivíduos submetidos ao teste, e descobriram algumas variantes genéticas no cromossomo 3 em mulheres com boa capacidade de “ler” a mente dos outros. Curiosamente, nos homens não houve a associação com esse cromossomo.

A equipe, liderada por Varun Warrier, e pelos professores Simon Baron-Cohen, que estuda autismo na Universidade de Cambridge, além de Thomas Bourgeron, da Universidade Paris Diderot, encontrou os mesmos resultados em uma outra pesquisa com 1.500 pessoas.

O assunto ainda precisa ser mais explorado, mas os cientistas dizem que a descoberta é fundamental para entender melhor o que causa variações no nível de empatia. De qualquer forma, a genética seria apenas parte da história: fatores ambientais, como educação e experiências de vida certamente ajudam moldar essa capacidade.


Risada social faz o corpo liberar endorfinas, mostra estudo
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Jairo Bouer

Dá desânimo ir para uma festa com os amigos depois de um dia puxado no trabalho? Pois um estudo sugere que mesmo aquelas risadas que a gente dá só porque todos estão rindo, em situações sociais, ajudam o cérebro a liberar endorfina, substância que alivia a dor e a tensão, e, por isso mesmo, pode reforçar laços de amizade.

A afirmação é de pesquisadores das universidades de Oxford, no Reino Unido, e de Aalto, na Finlândia.  Eles fizeram um experimento com um grupo de voluntários submetidos a exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET), depois de receberem injeções de contraste para destacar os receptores opioides (substâncias que aliviam a dor) no cérebro de cada um.

Os participantes fizeram o exame duas vezes: primeiro, depois de passar um tempo considerável sozinhos no laboratório e, na segunda vez, depois de assistir a vídeos engraçados com os amigos.

O riso social levou a sensações prazerosas e aumentou significativamente a liberação de endorfinas e de outras substâncias opioides no cérebro. Os pesquisadores também viram que, quanto mais receptores opioides os participantes tinham no cérebro, mais eles riam durante o experimento.

As descobertas foram publicadas na revista científica The Journal of Neuroscience.

Os autores do estudo concluíram que o riso social pode ser fundamental para a formação, reforço e manutenção dos vínculos sociais entre os humanos. Isso aconteceria porque a endorfina gera relaxamento e prazer, o que se traduziria no desejo de se encontrar de novo com aquelas pessoas.

Segundo os autores, os primatas têm algo parecido, mas, como não se comunicam verbalmente, a liberação de endorfina é mais demorada. Por isso, eles acreditam que a comunicação vocal trouxe uma vantagem enorme para os seres humanos. E, como o riso é contagioso, esse efeito se espalha muito mais, gerando redes sociais bem maiores e complexas.

 


Efeito placebo também funciona para coração partido, mostra estudo
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Jairo Bouer

Você está com o coração partido porque acabou de sair de um relacionamento? Faça algo que você acredita ser útil para aliviar sua dor emocional. Qualquer coisa. De acordo com uma pesquisa recém-publicada, o efeito placebo pode influenciar regiões cerebrais associadas à regulação emocional e, como consequência, diminuir a percepção do sofrimento.

Rompimentos amorosos costumam ser experiências extremamente dolorosas, e funcionam como gatilho para problemas psicológicos e até suicídio. Segundo os autores do estudo, da Universidade de Colorado Boulder, nos Estados Unidos, esse tipo de sofrimento está associado a um risco 20 vezes maior de depressão.

Como há evidências de resultados positivos do placebo para diversas doenças físicas, a equipe decidiu avaliar se a crença em algo que pudesse ajudar a superar um rompimento teria efeito também. Para isso, os pesquisadores selecionaram 40 voluntários que tinham sido rejeitados pelos parceiros até seis meses antes da abordagem.

Os participantes foram convidados a ir ao laboratório levando a foto do ex, ou da ex, e também a de um amigo do mesmo sexo. Enquanto passavam por um exame de ressonância magnética funcional, les tinham que olhar a foto e contar como tinha sido a separação. Em seguida, tinham que olhar a foto do amigo. Por último, ainda foram submetidos a um estímulo doloroso, um toque quente no antebraço. Em todos os casos, eles tinham que dizer como se sentiam, numa escala de 1 (muito mal) a 5 (muito bem).

A primeira constatação do estudo é que as regiões do cérebro ativadas pela dor física e pela emocional foram as mesmas. Ou seja: levar um fora causa uma dor real.

Em seguida, todos foram convidados a usar um spray nasal. Para metade do grupo, os pesquisadores disseram que era apenas uma solução salina. Já a outra metade ouviu que aquilo era um analgésico poderoso para combater dores emocionais.

De volta à ressonância, os participantes voltaram a ver as fotos dos ex e, de novo, foram submetidos ao estímulo doloroso no braço. O grupo que recebeu o suposto analgésico não apenas sentiu menos dor física, como se sentiu melhor emocionalmente, e a resposta do cérebro se modificou. As áreas envolvidas na modulação de emoções e de substâncias ligadas ao bem-estar tiveram atividade aumentada, enquanto a área associada à dor ficou mais fraca.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano, com apoio adicional da Fundação Nacional de Ciência, na Suíça, e os resultados foram publicados no Journal of Neuroscience.


Se é difícil não ser afetado por tragédias, sem dormir é mais ainda
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Jairo Bouer

Dormir pouco faz com que as tarefas simples do dia a dia virem um verdadeiro sacrifício. Mas em pessoas com ansiedade e depressão, que com frequência têm problemas de sono, o problema é muito pior.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, descobriram o que pode estar por trás disso: é que uma área específica do cérebro, chamada de córtex cingulado anterior dorsal, precisa trabalhar mais para tentar modificar respostas emocionais negativas quando a pessoa não dorme bem.

A pesquisa, publicada na revista Depression and Anxiety, contou com exames de ressonância magnética funcional para medir a atividade em diferentes regiões do cérebro enquanto os participantes eram desafiados com uma tarefa que exigia regulação emocional. Eles eram expostos a imagens perturbadoras, como de guerra ou acidentes, e tinham que fazer um esforço para não se impressionar, ou reavaliar o fato para tentar achar um enfoque positivo. Por exemplo: ao ver uma mulher com o rosto machucado, tinham que tentar imaginar que ela era uma atriz talentosa interpretando um papel.

Os 78 participantes, que tinham 18 a 65 anos de idade, haviam sido diagnosticados com  transtorno de ansiedade, depressão ou ambos. Eles preencheram questionários e usaram um dispositivo, por seis noites, para detectar quanto tempo passavam acordados. A conclusão é que a maioria apresentava insônia.

Pessoas com depressão ou ansiedade costumam ter como característica uma negatividade crônica, também chamada de ruminação negativa. Por isso, tentar achar um lado positivo para imagens de violência demanda um esforço grande, segundo os pesquisadores. Mas, para quem não dorme bem, o trabalho é ainda maior.

Os participantes cujos dispositivos demonstraram baixa qualidade de sono apresentaram maior atividade na região do cérebro analisada. Ou seja: foi preciso um esforço maior para reavaliar as imagens com um prisma positivo. A conclusão é que o sono desempenha um papel importante para regular emoções negativas e, por isso, esse aspecto deve ser tratado com seriedade por quem sofre de ansiedade ou depressão. E dormir bem também ajuda a evitar esses transtornos.


Emoções fortes geram uma espécie de ressaca que interfere na memória
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Jairo Bouer

CEREBRO615

Uma experiência emocional intensa pode induzir estados no cérebro que persistem por algum tempo após o ocorrido. É o que descobriram cientistas da Universidade de Nova York. Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, o processo pode ser comparado à ressaca depois de uma bebedeira, e infuencia a forma como lembramos de experiências futuras.

Os neurocientistas envolvidos no trabalho explicam que a maneira como nos lembramos de eventos depende fortemente dos estados internos gerados pelos fatos, e não pelos fatos em si. São essas sensações duradouras que colorem as experiências que ocorrem logo em seguida, de acordo com os autores.

Explicando melhor: todo mundo sabe que experiências que geram emoções ficam mais tempo na memória. O que os pesquisadores descobriram é que as experiências neutras que se seguem às emocionais também são lembradas com mais facilidade.

Para chegar à conclusão, eles convidaram voluntários para visualizar uma série de imagens que continham conteúdo emocional. Cerca de 20 minutos depois, um dos grupos também visualizou uma série de imagens comuns. Já um outro grupo viu as cenas neutras e, em seguida, as que geravam emoções. Todos tiveram a excitação medida com eletrodos na pele e a atividade cerebral mensurada com ressonância magnética.

Seis horas mais tarde, os participantes foram submetidos a um teste de memória para averiguar quais as imagens ficaram na memória. Aqueles expostos ao conteúdo emocional se lembraram melhor das imagens neutras que vieram em seguida em comparação com o grupo que primeiro visualizou o conteúdo neutro.

A atividade cerebral dos voluntários indicou que os estados induzidos por experiências emocionais duraram de 20 a 30 minutos, o que influenciou a forma como eles processaram e registraram na memória as imagens neutras apresentadas em seguida. A descoberta pode resultar em estratégias para melhorar o aprendizado.

 


Prazer sexual é uma espécie de transe, diz pesquisador
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Jairo Bouer

ORGASMOFEM700

Um neurocientista norte-americano decidiu investigar como a atividade sexual interfere nos ritmos cerebrais e concluiu que ela leva as pessoas a uma espécie de transe.  Isso mesmo. Segundo Adam Safron, da Universidade de Northwestern, a estimulação rítmica em busca do orgasmo, quando intensa e prolongada, pode entrar em sincronia com o cérebro e se espalhar por ele. É por isso que as pessoas se desligam do mundo e até de si mesmas ao chegar ao clímax.

O neurocientista avaliou diversos estudos publicados ao longo de muitos anos e descobriu que os ritmos do sexo podem estimular os neurônios, mais ou menos como quando empurramos alguém no balanço, um processo conhecido como “arrastamento neural”. Ele explica que isso ocorre porque os neurônios são mais propensos a disparar quando estimulados várias vezes dentro de uma estreita janela de tempo.

Safron encontrou paralelos entre o orgasmo e as convulsões, bem como com a música e a dança. O que, de certa forma, explica por que sons e ritmos sempre fizeram parte dos rituais de acasalamento, de seres humanos a insetos.

Para o pesquisador, os resultados podem ser interpretados como uma dica para que as pessoas se concentrem mais nos aspectos rítmicos do sexo. E podem mudar a forma como as pessoas enxergam as relações sexuais – elas podem ser não apenas uma fonte de sensações prazerosas e conexão emocional, mas também um estado alterado de consciência.


Por que ninguém consegue tomar “só uma”
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Jairo Bouer

bingedrinking615

Cientistas da Universidade A&M Texas afirmam ter descoberto a razão pela qual as pessoas dificilmente conseguem manter a meta de tomar só um drinque, ou só uma cerveja, quando saem com os amigos.

Segundo eles, o cérebro humano contêm neurônios específicos, chamados de D2, que nos “dizem” quando é hora de parar. A letra “D” refere-se à dopamina, um mensageiro químico envolvido no sistema de recompensa do cérebro.

O estudo mostrou que quando as pessoas bebem mais do que deveriam, esses neurônios são desativados, o que leva a beber ainda mais.

O que é pior, de acordo com os pesquisadores, é que o hábito de beber em binge, ou seja, grandes quantidades em um curto espaço de tempo, só enfraquece esses neurônios.

A descoberta pode levar, no futuro, a algum tratamento que ative os neurônios D2 e ajudem a conter o alcoolismo. Para quem está começando a beber, fica a dica: vá devagar, e intercale as doses de álcool com água e comida.  Pense em você amanhã.


Cientistas dizem ter descoberto onde “mora” a felicidade
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neurociencia300Pesquisadores japoneses afirmam ter descoberto uma região específica do cérebro que, dependendo do tamanho, pode indicar se uma pessoa é feliz. As descobertas foram publicadas na revista Scientific Reports.

As teorias mais aceitas sobre a felicidade afirmam que essa sensação é subjetiva, e consiste em uma mistura de satisfação com a vida e a tendência a experimentar mais emoções positivas do que negativas.

Cientistas liderados por Wataru Sato, da Universidade de Kyoto, decidiram investigar a fundo essa sensação com o mapeamento cerebral de 51 pessoas, que também tiveram que responder a diversos questionários.

Eles descobriram que quanto mais satisfação com a vida e emoções positivas um indivíduo tinha, maior o volume de massa cinzenta de uma região chamada de precuneus, que fica no lobo pariental lateral. Essa área também exerce papel importante em certos aspectos da consciência e da auto-reflexão.

Os pesquisadores também descobriram que esse aumento de volume pode ser impulsionado por emoções positivas, algo que reforça a teoria de que a felicidade é subjetiva. Uma das técnicas que conhecidamente provoca esse aumento é a meditação.

Embora os cientistas avisem que são necessários mais estudos, pode ser que no futuro seja possível desenvolver programas psicológicos capazes de fazer as pessoas mais felizes. As informações são do Medical News Today.