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É preciso falar com o jovem sobre assédio, amor e misoginia, alerta estudo
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Jairo Bouer

Um relatório que acaba de ser divulgado por especialistas em educação da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, alerta para o alto número de adolescentes e jovens adultos que vêm sofrendo preconceito e assédio sexual. O documento faz um alerta para os adultos,  muitas vezes ignoram o problema ou não sabem lidar com ele, por achar que tudo faz parte da cultura do “ficar”.

O trabalho, intitulado “A Conversa: Como os adultos podem promover relacionamentos saudáveis entre os jovens e prevenir a misoginia e o assédio sexual”, envolveu pesquisas com mais de 3.000 estudantes do ensino médio e jovens adultos que vivem naquele país, dezenas de entrevistas formais e conversas informais.

Entre as principais descobertas está o fato de que tanto adultos como adolescentes superestimam a cultura do “ficar” e do sexo casual. E isso tem feito muitos jovens se sentirem pressionados a transar mesmo sem ter  muito interesse.

O estudo também mostrou que os adolescentes sentem muita ansiedade em relação a relacionamentos românticos duradouros, mas os pais, educadores e outros adultos muitas vezes não ajudam com nenhum tipo de orientação sobre isso. Cerca de 70% dos entrevistados de 18 a 25 anos relataram ter desejo de receber mais informações sobre aspectos emocionais dos relacionamentos. E 65% disseram que gostariam de ter esse tipo de orientação no contexto da educação sexual, na escola.

A misoginia (desprezo pelas mulheres) e o assédio sexual são um problema generalizado, bem como o preconceito de gênero, e os pais também não têm falado sobre isso com os jovens, de acordo com o relatório. Nada menos que 87% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter sofrido algum tipo de assédio sexual, e 76% dos entrevistados de ambos os sexos nunca tiveram uma conversa com os pais sobre como é importante não assediar os outros. E um em cada 3 homens disse pensar que os homens devem ser dominantes em relacionamentos românticos.

A questão do consentimento em relação ao sexo é outro tema que carece de discussão, segundo os pesquisadores, que também recomendam que os pais conversem com seus filhos sobre as diferenças entre amor, paixão e atração, e sobre como identificar um relacionamento saudável ou não, um assédio ou uma demonstração de preconceito.

A dica dos especialistas é utilizar exemplos da própria vida ou até da mídia para explorar o assunto. Parece bobagem, mas às vezes é preciso explicar o que é ser respeitoso com os outros, em vez de apenas mandar o jovem fazer isso. Embora o estudo tenha sido feito nos Estados Unidos, os conselhos valem para qualquer cultura.


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