Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : HIV

Anel vaginal para evitar o HIV faz sucesso em estudo com jovens
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Jairo Bouer

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que o uso de um anel vaginal para prevenção do HIV teve ótima aceitação entre garotas adolescentes. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, envolvidos no trabalho, apresentaram os resultados na conferência da Sociedade Internacional de Aids realizado na França, esta semana.

Parecido com o anel vaginal contraceptivo, já utilizado há muitos anos, esse dispositivo em fase de pesquisas libera um antirretroviral, uma droga chamada dapivirina, ao longo de um mês. O produto tem se mostrado capaz de reduzir o risco de infecção em 56%.

O experimento envolveu 96 garotas de 15 a 17 anos, e durou seis meses. Os pesquisadores estavam apreensivos, pois é difícil conseguir aderência de adolescentes em programas de saúde. Mas o método tem a vantagem de ter longa duração – o que é bom para quem se esquece de tomar medicamentos todo dia, por exemplo.

Do total de usuárias, 87% apresentavam níveis detectáveis da droga na vagina, comprovando que o dispositivo funcionou. Ao todo, 95% disseram que o anel era fácil de usar, e 74% relataram não ter sentido a presença dele no dia a dia. Havia uma certa preocupação de que os parceiros se incomodariam, mas muitas delas disseram que, no final das contas, eles disseram que o prazer aumentou.

A equipe diz que agora pretende testar o anel em adolescentes africanas, segundo reportagem da agência de notícias BBC. Um método que dê autonomia para mulheres de qualquer idade se protegerem do HIV é mais do que bem-vindo. Vamos torcer para que o produto se mostre eficaz e chegue ao mercado.


HIV pode alterar memória e aprendizado de pacientes sem tratamento
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Jairo Bouer

Um estudo indica que pessoas infectadas com o HIV que não recebem tratamento adequado apresentam alterações cerebrais que podem diminuir o desempenho cognitivo, ou seja, a memória e o aprendizado.

A descoberta foi feita por pesquisadores das universidades de Missouri, Washington, Califórnia do Sul e Brown, nos Estados Unidos, e também da Universidade Cape Town, na África do Sul. Os dados foram publicados no periódico Brain Connectivity.

Com ajuda de exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos, a equipe analisou diferenças entre as conexões cerebrais de 29 jovens adultos soropositivos que nunca tinham sido tratados, ou que tiveram acesso limitado ao tratamento, e de 16 indivíduos sem o HIV, todos sul-africanos.

O trabalho, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, reitera a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dos infectados pelo vírus da Aids. Sem contar que a medida também é fundamental para evitar novas infecções.


Cultivar emoções positivas pode ter impacto na saúde de soropositivos
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Jairo Bouer

Um estudo mostra que ensinar técnicas para ajudar indivíduos recém-diagnosticados com o HIV a experimentar mais emoções positivas faz com que a carga viral deles diminua, bem como a necessidade de usar antidepressivos.

Segundo os pesquisadores do centro de medicina integrativa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a conclusão pode ser ampliada para outras pessoas que lidam com doenças crônicas graves, como cuidadores de indivíduos com Alzheimer e pacientes com câncer de mama metastásico.

O trabalho, publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology, contou com 80 soropositivos (principalmente homens), que tiveram cinco sessões semanais para aprender como experimentar emoções positivas. Outros 79 indivíduos do grupo controle não passaram pela intervenção.

A equipe utilizou algumas técnicas baseadas em evidências, como fazer um diário para agradecer pelas coisas boas que se tem, reconhecer um evento positivo que tenha acontecido a cada dia e escrever sobre ele, listar uma demonstração de força interior, definir uma pequena meta e anotar os progressos, praticar um pequeno ato de bondade a cada dia e pelo menos 10 minutos de meditação diariamente, com foco na respiração.

Quinze meses após a intervenção, 91% dos participantes tiveram a carga viral zerada, sendo que no grupo controle apenas 76% alcançaram o mesmo resultado. Os pesquisadores acreditam que o trabalho com as emoções tenha ajudado os pacientes a aderir melhor ao tratamento, o que beneficiou o sistema imunológico dos pacientes. Quem trabalha com saúde pública sabe que essa diferença também tem impacto na prevenção do HIV.

As técnicas ainda resultaram em melhora na saúde mental. No grupo da intervenção, apenas 17% usavam antidepressivos no fim do estudo, enquanto no grupo controle a proporção era de 35%. E os indivíduos que exercitaram as emoções positivas também relataram ter menos pensamentos repetitivos sobre o HIV ao longo do dia.


Epidemia da Aids não cede no Brasil, e 112 mil desconhecem ter o vírus
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aids615

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (30), véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, mostram que o número de novas infecções por HIV não tem diminuído no país. São mais de 41 mil novos casos por ano, total que se mantém estável há bastante tempo. Para piorar, dos 827 mil brasileiros que hoje convivem com o vírus, 112 mil desconhecem a sua condição.

O país segue a tendência mundial. O relatório da Unaids, o programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, revelou, na semana passada, que em 2015 houve 2,1 milhões de casos novos, total que tem se mantido estável nos últimos cinco anos.

A boa notícia é que a taxa de detecção da Aids em crianças com até 5 anos apresentou uma queda de 36% de 2010 para cá, no Brasil. Isso significa que o cuidado com gestantes soropositivas tem evitado a transmissão vertical (na gravidez ou no momento do parto), o que também vem ocorrendo em outras partes do mundo.

A mortalidade por Aids também vem apresentando queda – se em 1995 havia quase 10 mortos para cada 100 mil habitantes pela doença, em 2015 foram 5,6.

Mas ainda há muito motivo para preocupação. Existem 372 mil soropositivos sem tratamento para controlar o HIV, o que eleva a chance de transmissão para outras pessoas. A maior parte sabe que está infectada, mas não tem coragem de aceitar a condição.

Os dados mostram que garotas e jovens gays de populações mais excluídas continuam os mais vulneráveis à doença, pela falta de acesso às estratégias de diagnóstico e prevenção, algo que deveria ser reforçado nas escolas e nas mídias sociais. Enquanto isso não mudar, a epidemia não vai ceder.


Um em 4 gays ou bissexuais nunca fez teste de HIV, diz estudo britânico
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Jairo Bouer

EXAME615

Um grande estudo realizado no Reino Unido mostra que os homens estão  fazendo o teste de HIV mais do que nunca. Mas, mesmo assim, um em cada quatro homossexuais e bissexuais nunca passou pelo exame.

Os resultados fazem parte da maior pesquisa sobre saúde sexual de homens que fazem sexo com homens naquele país, com mais de 15.300 participantes. Do total, 77% haviam sido testados para o HIV, contra um percentual de 72% registrado em 2010. E mais da metade tinha feito o exame nos 12 meses anteriores à pesquisa . Em 2010, a proporção era de apenas 36%.

Os autores do trabalho, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, alertam que um em quatro ainda é um número muito alto – o diagnóstico precoce do HIV é importante para evitar transmissões e o desenvolvimento da doença.

A pesquisa mostrou que o uso do preservativo continua a ser um problema. Um em cada três homens gays sexualmente ativos tiveram sexo anal desprotegido com pelo menos um parceiro eventual nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Embora a maioria dos entrevistados com HIV tenham negado que álcool e drogas tiveram influência para a infecção pelo vírus, 42% afirmaram que houve, sim, essa relação. Do total de participantes, 7% se declararam usuários de drogas pesadas, como GBH, GBL e metanfetamina.

Outros dados interessantes levantados pelos pesquisadores: apenas 60% dos entrevistados estavam satisfeitos com sua vida sexual, sendo que os homens com mais de 65 anos eram os que tinham maior probabilidade de relatar que estavam contentes e, os de 40, os menos satisfeitos.


Homem de cidade pequena é menos propenso a fazer teste de HIV
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Jairo Bouer

EXAME615

Um estudo feito no Canadá mostra que homens que fazem sexo com homens e que vivem em cidades pequenas tendem a se submeter bem menos a testes de detecção do HIV. Ter conhecimento sobre o vírus é fundamental não apenas para se adiar o desenvolvimento da doença, como também para evitar a transmissão a outras pessoas.

Pesquisadores da Universidade de British Columbia entrevistaram 153 indivíduos, abordados em sites de encontros e eventos da comunidade gay. Eles descobriram que 24% dos homens que viviam em cidades pequenas nunca tinham passado pelo exame para diagnosticar o vírus da Aids. Entre moradores das grandes metrópoles, a proporção foi mais baixa, de aproximadamente 15%, mas ainda assim preocupante.

O trabalho também associou a baixa testagem à resistência dos homens em falar sobre sua orientação sexual aos médicos – provavelmente porque, em cidades menores, “todo mundo conhece todo mundo”.

Os resultados foram publicados na revista Aids Care. No Canadá, assim como no Brasil e em vários outros países, homens que fazem sexo com homens representam a maior parte dos infectados pelo HIV. E, por aqui, o cenário tende a ser ainda mais grave nas cidades do interior, já que o acesso aos serviços médicos é mais limitado nesses locais.


Nos EUA, serviço oferece droga anti-HIV em casa, sem consulta presencial
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Jairo Bouer

truvada615

Uma startup norte-americana anunciou que vai passar a levar a terapia de prevenção ao HIV na casa das pessoas, na Califórnia, de táxi, evitando que elas tenham que passar pelo constrangimento de conversar com um médico pessoalmente. As informações são do jornalThe Guardian.

No Brasil, a chamada PrEP (profilaxia pré-exposição) ainda é oferecida de forma experimental – o governo está estudando a viabilidade para sua inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia consiste no uso diário de um produto que combina dois antiretrovirais  (tenofovir e emtricitabina). Nos Estados Unidos, a medicação, chamada de Truvada, já está disponível há alguns anos.

Segundo dados do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 1,2 milhão de norte-americanos deveriam utilizar a PrEP, por terem relações com soropositivos, serem usuários de drogas, homens que transam com outros homens sem proteção ou profissionais do sexo. No entanto, um levantamento mostra que há apenas 21 mil usuários no país atualmente.

Para a startup, chamada Nurx, um dos motivos para não aderir é o receio de procurar o médico e admitir que não tem usado a camisinha. Outra questão é que nem todos os médicos da atenção primária, ou seja, os clínicos gerais ou ginecologistas que primeiro entram em contato com os pacientes, têm informações suficientes para prescrever o Truvada, ou se sentem à vontade para falar do assunto.

Para se inscrever no programa, os interessados devem responder a um questionário por meio de um aplicativo, que é analisado por um médico. Eles também recebem um pedido para realizar exames de HIV e de função renal, para confirmar se não há restrições para a terapia. Em caráter experimental, a startup está levando um profissional para colher o sangue do paciente em casa, para facilitar ainda mais o processo.

A Nurx já vinha oferecendo um serviço parecido voltado para a prevenção da gravidez indesejada, apelidado de “Uber do controle de natalidade”. O esquema é o mesmo – as interessadas respondem a um questionário, que é avaliado pelo médico e, caso não seja necessário nenhum exame, elas recebem uma remessa para três meses de anticoncepcional em casa.

Ainda é cedo para saber se o serviço vai “pegar” e aumentar a adesão à PrEP, até porque tudo isso depende de marketing. Mas a notícia mostra que, com boas ideias, é possível, ao menos, tentar driblar alguns obstáculos importantes à prevenção do HIV, como o constrangimento de procurar um profissional de saúde para conversar sobre sexo.


Droga para evitar HIV é tão segura quanto aspirina, dizem pesquisadores
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Jairo Bouer

truvada615

Pesquisadores norte-americanos afirmam que o uso de remédios para prevenir a infecção pelo HIV é tão seguro quanto a administração de aspirina para pacientes com risco cardíaco.

A equipe, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revisou os principais estudos sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP), que consiste no uso diário do medicamento Truvada, um tipo de antirretroviral, por pacientes que têm comportamento sexual de risco e usuários de drogas injetáveis.

Os pesquisadores concluíram que a ocorrência de problemas renais ou ósseos graves entre quem toma o Truvada é tão frequente quanto os sangramentos e mortes causados pelo uso diário de aspirina. Os resultados foram publicados no periódico Open Forum Infectious Diseases. A equipe espera que os dados sirvam de estímulo para médicos e pacientes que temem a terapia pelos efeitos colaterais possíveis.

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a mensagem de que todo indivíduo com risco de se expor ao vírus deveria fazer o tratamento profilático. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano também divulgou que um entre quatro gays ou bissexuais, bem como um em cada cinco usuários de drogas injetáveis e um em cada 200 heterossexuais deveriam considerar a PrEP. No Brasil, a profilaxia pré-exposição ainda possui caráter experimental.


Homens com nível detectável de HIV têm mais comportamento de risco
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Jairo Bouer

camisinha300Homens jovens que fazem sexo com outros homens e têm níveis detectáveis de HIV são mais propensos a admitir que não usam preservativo do que aqueles que têm carga viral indetectável. A conclusão, preocupante, foi publicada no periódico Jama Pediatrics.

O HIV tem afetado de forma desproporcional os homens que fazem sexo com outros homens e os mais novos são os mais vulneráveis. No Brasil, por exemplo, a taxa de garotos de 15 a 19 anos infectados triplicou nos últimos dez anos. Nos EUA, jovens de 13 a 29 anos representam um quarto dos novos casos de infecção, segundo o artigo no Jama.

Os pesquisadores da Universidade de Columbia analisaram fatores demográficos e psicossociais de 991 jovens soropositivos atendidos em clínicas norte-americanas. Do total, 69% tinham carga viral detectável.

Desse total, 55% admitiram ter feito sexo anal sem preservativo nos três meses anteriores à pesquisa e 35% relataram que, muitas vezes, o parceiro era HIV negativo. Entre os jovens com vírus indetectável, 44% afirmaram ter feito sexo anal sem preservativo e 25%, com parceiros de diferentes estados sorológicos.

Os pesquisadores também concluíram que, nos garotos com carga detectável, aqueles que abusavam de álcool ou drogas foram os mais propensos a não usar camisinha nas relações sexuais.

Pesquisas desse tipo mostram que a estratégia de combate ao HIV não pode ficar restrita ao uso do preservativo, e que é preciso levar em consideração questões como o uso de substâncias e também aspectos psicológicos envolvidos em comportamentos de risco.


Diagnóstico precoce é importante para frear infecção pelo HIV entre jovens
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Jairo Bouer

EXAME300O Ministério da Saúde atualizou, neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os números de infecção por HIV no Brasil e, assim como nos últimos anos, a incidência do vírus na população jovem é um dos principais focos de preocupação.

A taxa de infecção entre brasileiros do sexo masculino de 20 a 24 anos passou de 16 casos para 100 mil habitantes, em 2005, para mais de 30, em 2014. Na faixa anterior, de 15 a 19, a taxa saltou de 2,1 para 6,7.

Entre as garotas, a expansão foi mais lenta – de 3,4 por 100 mil habitantes, em 2005, para 4,2, em 2014. Já entre 20 e 24, a taxa apresentou redução de 15,3 para 12.

Um dos primeiros passos para frear a contaminação é estimular o diagnóstico. Quem se descobre soropositivo cedo tem mais chances de evitar o desenvolvimento da doença e a transmissão para os parceiros. Para facilitar o acesso da população, o Ministério da Saúde anunciou que, a partir do ano que vem, o autoteste para detecção do vírus estará à disposição nas farmácias.

Estudos mostram que a falta de acesso ao exame e o receio de ser identificado em um laboratório ou centro de referência são fatores que fazem os jovens adiar a checagem. Portanto, quanto mais privacidade, melhor.  Mas vale lembrar que o resultado do teste caseiro deverá ser confirmado em um serviço de saúde, mais ou menos como já acontece com a gravidez. E os “negativos” terão que ser vistos com cautela, já que pode levar alguns meses até que haja anticorpos suficientes para a infecção ser confirmada.