Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : estresse

Mulheres com doença de pele são mais infelizes que os homens no Brasil
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Jairo Bouer

Relatório sobre psoríase e felicidade mostra que o impacto é maior para as mulheres no Brasil (Reprodução/Happiness Research Institute/Leo Innovation Lab)

Conviver com uma doença crônica de pele, como a psoríase, é algo que interfere na autoestima e até nos relacionamentos. As manchas escamosas que aparecem com maior frequência em partes do corpo como mãos, cotovelos, joelhos e couro cabeludo são difíceis de serem escondidas num país como o nosso. Mas uma grande pesquisa mostra que o impacto dessa condição autoimune é ainda maior para o bem-estar das mulheres, no Brasil: 50% delas são menos felizes do que os homens afetados, segundo o Relatório Mundial sobre Psoríase e Felicidade, divulgado nesta segunda-feira (16).

O levantamento (primeiro desse tipo no mundo) foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa em Felicidade, uma organização  sediada na Dinamarca, em parceria com a empresa LEO Pharma. Eles contaram com a participação de 121.800 pessoas que vivem com psoríase, de 184 países. Do Brasil, participaram mais de 10 mil pessoas, sendo que 50% eram mulheres. Os resultados mostram que 29% delas sentem falta de uma companhia, enquanto apenas 14% deles dizem o mesmo. Na análise, os pesquisadores observam que as brasileiras têm mais que o dobro de propensão a altos níveis de estresse, uma discrepância que é mais comum na América Latina do que em outras regiões, segundo eles.

Quase 70% dos brasileiros afetados, de ambos os sexos, acham que falta conscientização sobre a psoríase. A consequência dessa falta de conhecimento os pacientes conhecem bem: as pessoas olham torto, temem que o problema seja contagioso (o que não é verdade) e isso só gera estigma e sofrimento. “Alguns estudos mostram que o nível de impacto psicossocial da psoríase é comparável ao de doenças como asma e câncer”, conta o dermatologista Marcelo Arnone, coordenador do Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele acrescenta que a depressão, que pode surgir pelo estresse e receio de se expor, só agrava os sintomas da psoríase, num círculo vicioso.

Quarto lugar no ranking

Apesar de todas as dificuldades, o relatório traz um dado positivo sobre o Brasil: ficamos em quarto lugar no Índice Mundial de Psoríase e Felicidade, elaborado com base nos dados da pesquisa. Uma colocação superior a de várias nações desenvolvidas que têm níveis gerais de felicidade mais altos que o nosso. Os três primeiros colocados foram México, Colombia e Espanha. Os temas centrais da pesquisa foram impacto da doença e do tratamento, gravidade dos sintomas, avaliação do sistema e dos profissionais de saúde, preocupações dos pacientes e questões de comportamento.

Uma explicação para os líderes do ranking é de caráter cultural: “Esses países podem ser categorizados como sociedades coletivistas, em que as pessoas se esforçam para desempenhar um papel dentro da família ou de uma organização para alcançar um senso de satisfação com a vida”, diz Meik Wiking, CEO do instituto dinamarquês. “Nossa suposição é que a psoríase tem um impacto emocional menos debilitante em culturas desse tipo, já que laços sociais e familiares contribuem de forma mais significativa para os níveis de felicidade.”

“O ranking condiz com nossa filosofia de que as redes de apoio são uma maneira inestimável de melhorar o bem-estar entre os que vivem com psoríase e artrite psoriática”, afirma a diretora-executiva da Federação Internacional de Associações de Pacientes com Psoríase. Para a entidade, aplicar a metodologia de pesquisa de felicidade é uma forma de chamar a anteção para o impacto que uma doença crônica pode ter na vida das pessoas, independente do país em que elas vivam. Esta, aliás, também é a missão do instituto dinamarquês: incluir a parte subjetiva do bem-estar no debate de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

De qualquer forma, a sensação de isolamento também é realidade para os brasileiros com psoríase: 37% se sentem como as únicas pessoas do mundo com a condição (a média global foi de 40%). E metade sente que suas famílias e amigos não compreendem o que é viver com psoríase. Por outro lado, 64% dos brasileiros consideram que seus médicos sabem qual o impacto da doença para o seu bem-estar mental, enquanto que a média foi de 51%.

Aproximadamente 1,3% da população brasileira tem a condição. Além de afetar a pele, alguns pacientes também ter outros problemas associados, como artrite, doenças cardiometabólicas, gastrointestinais e transtornos de humor. O tratamento varia de acordo com o tipo de psoríase e de sua gravidade, podendo incluir cremes e pomadas, fototerapia, comprimidos ou injeções. Como bem mostra o relatório, em países da América Latina é comum os pacientes interromperem o tratamento devido ao custo – infelizmente, nem todas as terapias consideradas mais eficazes pelos médicos estão disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde).


Escrever antes de eventos importantes pode aliviar o estresse
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Você costuma ficar nervoso ou nervosa demais antes de eventos importantes, como provas, entrevistas ou apresentações? Experimente sentar para escrever sobre seus sentimentos antes de enfrentar a situação. Uma pesquisa feita por psicólogos da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostra que a estratégia ajuda pessoas ansiosas a executar tarefas estressantes com mais eficiência.

O medo e a tensão costumam drenar a nossa capacidade cognitiva, ou seja, de usar o cérebro para fazer o que precisa ser feito. Quem é preocupado demais está sempre fazendo duas coisas ao mesmo tempo: tentando se acalmar e realizar a tarefa em si. A técnica chamada de escrita expressiva tem sido proposta há algum tempo, e o atual estudo mostrou que ela traz benefícios.

Os pesquisadores recrutaram estudantes de faculdade diagnosticados como ansiosos crônicos para passar por um teste no computador que demanda capacidade de processar informações precisas em pouco tempo – tipo da coisa que gera tensão. Antes da tarefa, metade do grupo escreveu sobre os sentimentos associados ao teste durante cerca de oito minutos. A outra parte foi orientada a escrever sobre o que tinha sido feito no dia anterior.

Todos os participantes foram submetidos a exames de eletroencefalografia durante o experimento. Os resultados comprovaram que os estudantes que escreveram sobre seus sentimentos foram mais eficientes, ou seja, utilizaram menos recursos cerebrais para executar o teste com rapidez e precisão. Em outras palavras, os dois grupos tiveram resultados parecidos, mas o da escrita expressiva “gastou menos combustível para chegar lá”, fazendo uma analogia aos automóveis.

O trabalho, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, foi publicado na revista Psychophysiology.


Deixar o estresse transparecer pode ter lá sua utilidade
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Você costuma coçar a cabeça ou outras partes do corpo quando está nervoso ou preocupado? Pois a coceira é um sinal de estresse para muitos primatas, inclusive humanos. E, segundo pesquisadores descobriram, a reação seria útil para evitar conflitos.

Uma pesquisa da Universidade de Portsmouth sugere que comportamentos associados à tensão podem ter evoluído como uma ferramenta de comunicação para ajudar na coesão social.

A equipe realizou observações detalhadas do comportamento de 45 macacos rhesus de um grupo de 200, em uma ilha em Porto Rico, ao longo de oito meses. Os pesquisadores descobriram que a mania de se coçar era frequente em situações de estresse, como diante da presença de um integrante do grupo com mais poder, ou de indivíduos que não eram do círculo social. E o comportamento reduziu significamente a probabilidade de o macaco em questão ser atacado.

De acordo com a equipe, a mania de se coçar seria compreendida pelo intruso como um sinal de estresse, fazendo com que esse desistisse de atacar, ou por achar desnecessário, ou por considerar que o estressado poderia reagir de forma imprevisível pelo excesso de tensão. A transparência, no final das contas, beneficiaria o grupo todo.

Os pesquisadores esperam que as descobertas levem a uma melhor compreensão do estresse e de como ele evoluiu nos seres humanos, além de ajudar no gerenciamento do estresse de animais de cativeiro. Os dados foram publicados no periódico Scientific Reports.


Quem resiste em aceitar as próprias emoções pode sofrer mais com elas
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A pressão imposta pelos outros e por você mesmo para ficar bem quando, na verdade, está mal, pode te deixar pior ainda. É o que afirma um grupo de psicólogos das universidades da Califórnia, nos Estados Unidos, e de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que quem aceita as próprias emoções negativas costuma sofrer menos com elas. A mania de julgar os próprios sentimentos só aumentaria o estresse psicológico e, como consequência, a frustração e a tristeza.

O trabalho, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, contou com mais de 1.300 adultos norte-americanos, que tiveram sua personalidade analisada online ou em laboratório. Ao todo, foram conduzidos três experimentos separados, e fatores como status socioeconômico foram isolados para não interferir nos resultados.

Num dos testes, mais de 150 pessoas foram convidadas a fazer um discurso de três minutos em vídeo para um jurado, em que tinham que pedir emprego de uma forma sutil, promovendo suas habilidades e qualificações. Depois, cada um tinha que relatar o que havia sentido ao realizar a tarefa. Aqueles que costumam brigar contra os próprios sentimentos foram os que ficaram mais angustiados ao gravar o vídeo. Em outro experimento parecido, com mais de 200 pessoas, os participantes tiveram que falar sobre suas contas e impostos. E o resultado foi semelhante.

Os pesquisadores perceberam que as pessoas que resistem a suas emoções mais sombrias, e se julgam com dureza pelo que estão sentindo, são as que mais sofrem de maneira geral. Já quem aceita melhor seu “lado obscuro” tende a relatar menos sintomas depressivos, mesmo seis meses depois de uma fase ruim. Talvez o caminho para se incomodar menos com as chatices da vida seja exigir um pouco menos de si mesmo.


Estudo mostra como crimes afetam desempenho de jovens na escola
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Diversos estudos têm mostrado como viver em bairros com altos níveis de criminalidade pode interferir no desempenho das crianças na escola. Um novo trabalho sugere que a elevação do cortisol, o hormônio do estresse, bem como alterações de sono provocadas por incidentes violentos podem explicar essa associação.

Pesquisadores das universidades de Northwestern, Nova York e DePaul, nos Estados Unidos, descobriram que ocorrências violentas alteram os padrões de sono das crianças que vivem nos bairros afetados. Isso tem como consequência o aumento dos níveis de cortisol, hormônio que já demonstrou, em diversas pesquisas anteriores, ser prejudicial à performance acadêmica. Essa seria a explicação biológica para esse fenômeno social observado em cidades com alta incidência de crimes.

Para chegar às conclusões, eles acompanharam 82 jovens de 11 a 18 anos que frequentavam escolas públicas com uma realidade socioeconômica e étnica diversa. Os adolescentes preencheram diários, utilizaram aparelhos para medição dos padrões de sono e tiveram amostras de saliva coletadas três vezes ao dia para aferição do cortisol. Os pesquisadores também foram atrás das ocorrências policiais nos bairros em que os estudantes viviam.

A equipe conseguiu comparar a qualidade do sono dos jovens nas noites após o registro de um crime violento e naquelas em que nenhuma ocorrência era registrada. Após um episódio violento, o total de horas dormidas diminuiu bastante, e os níveis de cortisol aumentaram logo em seguida. O impacto foi alto após casos de homicídio, moderado em episódios de estupro ou ataque e inexistente em casos de roubo.

O estudo, que vai sair no periódico Child Development, faz pensar nos milhares de jovens de bairros violentos no Brasil, em perdem aulas quase todos os dias por causa do conflito entre policiais e traficantes. Sem a chance de se sair bem nos estudos, terão ainda menos oportunidades para deixar o ambiente em que vivem.


Dormir mal faz casal reagir pior às discussões do dia a dia, mostra estudo
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Dormir mal não só aumenta a chance de você brigar com seu parceiro, como também aumenta o risco de você desenvolver processos inflamatórios que predispõem a doenças cardiovasculares, diabetes e artrite. Quem afirma são pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos.

A equipe recrutou 43 casais, que foram examinados e passaram por exames de sangue duas vezes, após preencher questionários sobre como tinham dormido nas noites anteriores. Em seguida, eles foram estimulados a falar sobre algum tema que costumava gerar conflitos entre o casal, para depois repetirem os exames de sangue.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Psychoneuroendocrinology.

Os pesquisadores descobriram que ter dormido mal não fez os participantes apresentassem marcadores de inflamação no primeiro exame. Mas fez com que eles reagissem aos conflitos com mais inflamação. Em outras palavras, a falta de sono aumentou a vulnerabilidade deles ao estresse.

Para cada hora de sono perdida, os níveis de marcadores inflamatórios aumentaram 6%. Entre os casais que usaram táticas mais agressivas no momento de discutir o tema delicado, o aumento foi de 10%. Já quem tinha dormido pelo menos sete horas reagiu melhor à discussão – o sono ajudou a neutralizar o impacto.

Conflitos fazem parte da vida conjugal, bem como dormir pouco. Agora imagine o estrago que viver brigando e dormir mal toda noite pode causar à saúde?


Composto da maconha, em dose moderada, pode causar ansiedade
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Quem usa maconha em geral diz que a droga ajuda a relaxar e aliviar o estresse, embora não existam muitos estudos que comprovem esse efeito. Agora, uma pesquisa confirma que uma dose baixa de THC (tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da maconha, ajuda a acalmar. Mas uma dose um pouco mais alta, suficiente para causar um “barato” moderado nos usuários, tem o efeito oposto: aumenta a ansiedade.

Os pesquisadores, das universidades norte-americanas de Illinois e de Chicago, recrutaram 42 voluntários saudáveis, de 18 a 40 anos, que já haviam tido experiências com a maconha, mas que não eram usuários diários.

Os participantes foram divididos em três grupos: o primeiro recebeu uma cápsula com 7,5 mg de THC; o segundo, 12,5 mg; e o terceiro recebeu um placebo. Nem os voluntários, nem os pesquisadores sabiam quem havia recebido o quê.

Os integrantes da pesquisa passaram por duas sessões diferentes, com cindo dias de intervalo entre elas. Na primeira, eles foram convidados a se preparar para uma entrevista simulada, de cinco minutos, em que os participantes eram filmados e podiam visualizar seu próprio desempenho. Eles também tiveram que fazer um cálculo matemático utilizado para induzir o estresse.

Nas segunda visita, cada um tinha que falar sobre um livro ou filme favorito por cinco minutos e, depois, fazer um jogo sozinho por mais cinco minutos. Antes, durante e depois das atividades de ambas as sessões, os voluntários tiveram seus níveis de ansiedade avaliados com perguntas. A pressão arterial, a frequência cardíaca e o cortisol (hormônio do estresse) também foram medidos.

Os participantes que receberam 7,5 miligramas de THC relataram menos estresse nos testes do que aqueles que receberam um placebo, e a tensão deles também diminuiu mais rápido. Já os que receberam 12,5 mg de THC antes das duas sessões ficaram com um humor pior, e relataram que as primeiras tarefas eram ameaçadoras antes mesmo de começar os testes. Eles ainda fizeram mais pausas durante a entrevista simulada, em relação ao placebo.

Não houve diferenças significativas na pressão arterial dos três grupos, nem na freqüência cardíaca ou nos níveis de cortisol – antes, durante ou após as tarefas.

Os autores do estudo observam que conseguir aprovação para estudos em humanos com doses controladas de maconha não é fácil, por questões éticas. Mas eles são importantes, uma vez que ainda faltam evidências científicas sobre os efeitos da droga, apesar de o uso recreativo e medicinal serem aprovados em várias localidades.


Suporte dos amigos pela internet pode aliviar ansiedade antes das provas
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Ter comentários de apoio e “likes” nas redes sociais antes de fazer uma prova ajuda estudantes universitários que têm altos níveis de ansiedade nessas situações. E isso pode resultar até em notas melhores. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Estima-se que cerca de 40% dos estudantes sofrem de ansiedade antes de provas, que envolve respostas fisiológicas, como suor frio e aumento dos batimentos cardíacos, e emocionais, como desespero e até o famoso “branco”.

Em geral, esses indivíduos têm muito medo de avaliações negativas, têm baixa auto-estima e são facilmente distraídos por pensamentos irrelevantes durante as provas.

Os pesquisadores fizeram experimentos com estudantes de graduação, a maioria da área de ciências de computação, que consistiam em buscar apoio social dos amigos pela internet antes de realizar um simulado. Sete minutos antes da prova, eles tinham que ler as respostas dos amigos ao pedido de apoio feito no dia anterior. Uma parte do grupo também teve que escrever sobre o que estava sentindo antes de fazer o teste.

Todos os participantes foram submetidos a questionários para avaliação dos níveis de ansiedade. A pesquisa concluiu que ler as mensagens de apoio dos amigos antes do simulado fez o nervosismo dos alunos diminuir 21%, e isso melhorou o desempenho dos alunos nas provas.

Com base em estudos anteriores, a equipe achava que escrever sobre o que estavam sentindo antes da prova também traria resultados positivos para os alunos. Mas o efeito o oposto do esperado: a ansiedade aumentou 61% entre os alunos que ficam mais tranquilos antes dos testes.

Os autores acreditam que as redes sociais podem ser úteis para aliviar a ansiedade não só em épocas de provas na escola e na faculdade, como também antes de entrevistas de trabalho. Se você está nessa situação, aproveite as redes sociais para se abrir com os amigos.


Cultivar emoções positivas pode ter impacto na saúde de soropositivos
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Um estudo mostra que ensinar técnicas para ajudar indivíduos recém-diagnosticados com o HIV a experimentar mais emoções positivas faz com que a carga viral deles diminua, bem como a necessidade de usar antidepressivos.

Segundo os pesquisadores do centro de medicina integrativa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a conclusão pode ser ampliada para outras pessoas que lidam com doenças crônicas graves, como cuidadores de indivíduos com Alzheimer e pacientes com câncer de mama metastásico.

O trabalho, publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology, contou com 80 soropositivos (principalmente homens), que tiveram cinco sessões semanais para aprender como experimentar emoções positivas. Outros 79 indivíduos do grupo controle não passaram pela intervenção.

A equipe utilizou algumas técnicas baseadas em evidências, como fazer um diário para agradecer pelas coisas boas que se tem, reconhecer um evento positivo que tenha acontecido a cada dia e escrever sobre ele, listar uma demonstração de força interior, definir uma pequena meta e anotar os progressos, praticar um pequeno ato de bondade a cada dia e pelo menos 10 minutos de meditação diariamente, com foco na respiração.

Quinze meses após a intervenção, 91% dos participantes tiveram a carga viral zerada, sendo que no grupo controle apenas 76% alcançaram o mesmo resultado. Os pesquisadores acreditam que o trabalho com as emoções tenha ajudado os pacientes a aderir melhor ao tratamento, o que beneficiou o sistema imunológico dos pacientes. Quem trabalha com saúde pública sabe que essa diferença também tem impacto na prevenção do HIV.

As técnicas ainda resultaram em melhora na saúde mental. No grupo da intervenção, apenas 17% usavam antidepressivos no fim do estudo, enquanto no grupo controle a proporção era de 35%. E os indivíduos que exercitaram as emoções positivas também relataram ter menos pensamentos repetitivos sobre o HIV ao longo do dia.


Eventos estressantes afetam mais as mulheres, diz pesquisa
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Uma pesquisa mostra que as mulheres são mais afetadas por eventos estressantes, como a morte de alguém querido, uma doença, ou mesmo quando perdem seus smartphones. Feito no Reino Unido, o trabalho mostrou que até mesmo o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, teve mais impacto para elas do que para os homens.

Os pesquisadores da Sociedade de Fisiologia daquele país analisaram dados de 2.000 pessoas, que foram convidadas a estipular o nível de estresse provocado por diferentes acontecimentos. Em todos eles, as mulheres apresentaram níveis mais altos que os homens. As únicas situações em que ambos deram notas parecidas foram ao responder sobre a ameaça do terrorismo e a chegada do primeiro filho.

Os resultados variaram um pouco em cada região do Reino Unido. Os mais estressados foram os escoceses, por exemplo, enquanto os mais “relaxados” foram os habitantes do Sudeste da Inglaterra. A idade também influenciou nas respostas, sendo que o estresse aumentou com a idade e com problemas de longo prazo, como doenças ou prisão. A exceção à regra foi em relação à perda do smartphone, que teve notas altas entre os mais jovens e os mais velhos.

A pesquisa faz parte de um projeto da Sociedade de Fisiologia que tem como objetivo chamar atenção para os efeitos do estresse no organismo em uma época em que a internet trouxe uma carga extra de exposição às pessoas. Os hormônios liberados na corrente sanguínea quando estamos tensos afetam o coração, a digestão e o sistema imunológico. Como apontou o estudo, as mulheres devem ficar atentas e buscar formas de lidar com o problema, já que são mais vulneráveis.