Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : drogas

Maconha na adolescência pode inibir sensações prazerosas mais tarde
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Jairo Bouer

Adolescentes que aumentam o consumo de maconha com a idade têm risco mais alto de sofrer de depressão, mais dificuldade para sentir prazer e pior desempenho educacional mais tarde, no início da vida adulta. A conclusão é de um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores avaliaram 158 homens que faziam parte de um estudo sobre nutrição que acompanhou indivíduos de seis meses de idade por toda a adolescência. Aos 20 anos, usuários de maconha foram procurados para relatar a frequência de uso de maconha dos 14 aos 19 anos. Eles também foram submetidos a exames de ressonância magnética para ter suas funções cerebrais testadas.

A maioria dos jovens tinha usado a droga ocasionalmente entre os 15 e 16 anos de idade, mas aumentou o consumo de forma dramática até alcançar os 19. Esses foram os indivíduos que mais apresentaram sintomas depressivos, menor capacidade de experimentar sensações prazerosas e menores ganhos em termos de educação.

São necessários mais estudos para concluir se os resultados, publicados na revista Addiction e noticiados no jornal britânico Daily Mail, são causa ou consequência do uso da droga. Mas eles reforçam a ideia de que a substância pode ser bastante prejudicial para o cérebro em desenvolvimento dos adolescentes.


Chega de machismo: homem também sofre depois de abuso sexual
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Homens são vítimas do machismo, quando o assunto é abuso sexual. Segundo o senso comum e várias pesquisas científicas, passar por esse tipo de situação causa mais trauma emocional para as mulheres, e maior vulnerabilidade à depressão. Mas cientistas das universidades Atlantic Florida e de Sam Houston, nos Estados Unidos, acabam de derrubar esse mito.

Ser abusado sexualmente, o que pode ou não incluir estupro, pode desencadear uma série de consequências negativas, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático, medo, ansiedade, dependência de álcool e drogas, suicídio ou ideação suicida. Isso já foi comprovado por inúmeros estudos.

De acordo com uma teoria bastante aceita por sociólogos e criminalistas, enquanto as mulheres são mais propensas a responder a experiências de abuso sexual com sintomas de depressão e tristeza, os homens tendem a reagir com atividades criminosas. Mas a verdade é que, até hoje, praticamente não havia trabalhos sobre os problemas enfrentados por homens adultos abusados sexualmente, com exceção dos encarcerados.

Após analisarem dados de uma grande pesquisa nacional sobre violência, com uma amostra de 5.992 homens e 5.938 mulheres, os pesquisadores descobriram que essa teoria pode estar furada. Para eles, o fato de os trabalhos terem enfatizado mais os abusos ocorridos na infância, ou nas cadeias, pode ter distorcido a visão sobre o tema.

Na nova análise, ficou claro que o abuso sexual é igualmente traumático para homens e mulheres, e causa depressão em ambos – numa frequência bem maior que na população que não enfrentou esse tipo de violência. E mais: muitos homens até sofrem mais com o transtorno porque carecem das redes e sistemas de apoio existentes para o sexo feminino. Os resultados foram publicados na revista científica Woman & Criminal Justice.

Para os pesquisadores, tanto a violência sexual quanto os sintomas depressivos são subestimados na população masculina, e a culpa é de uma noção antiquada de que homens e mulheres experimentam emoções de forma diferente.

O levantamento apontou que em 1980, os homens representavam de 1 a 10% dos registros de estupro em hospitais e ambulatórios. Em 1997, eles compunham de 5 a 10% dos registros. De lá para cá, no entanto, a proporção de relatos de homens abusados sexualmente passou para cerca de 38%, sendo que os militares são os mais vulneráveis a esse tipo de violência e também os menos propensos a denunciar.

Os pesquisadores lembram que toda depressão não tratada aumenta a vulnerabilidade para o uso abusivo de álcool e drogas, o que só piora o problema e alimenta a epidemia de dependência. Por isso, eles defendem que o machismo seja deixado de lado, para que os homens também tenham o direito de receber o suporte necessário para vencer as consequências do abuso sexual.


Exagerar no álcool de vez em quando pode prejudicar tomada de decisões
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Processar informações para a tomada de decisão e planejar ou organizar tarefas simples, como uma compra no supermercado, são capacidades ameaçadas pelo abuso eventual de álcool e drogas como maconha, cocaína e tranquilizantes, segundo um estudo da Escola de Saúde Pública e do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Em um artigo publicado na revista científica Addiction, os pesquisadores revelam que problemas cognitivos como os citados acima não são exclusividade de quem é viciado nessas substâncias. Quem consome de vez em quando também sofre deficits de atenção e prejuízos nas chamadas funções executivas do cérebro, aquelas que permitem o planejamento e a tomada de decisões complexas.

A equipe analisou dados de 36.085 entrevistados de um grande estudo epidemiológico, uma amostra representativa da população norte-americana com mais de 18 anos. Metade era do sexo feminino e tinha 45 anos ou mais, e 60% tinham feito faculdade. Ao todo, 1% abusava de cocaína e 33% exagerava na bebida.

Os deficits de atenção mais preocupantes foram associados ao uso frequente e também ao uso eventual, mas em grandes quantidades, de drogas estimulantes. E o nível mais baixo de funcionamento executivo foi encontrado nos usuários de cocaína e nas pessoas que consomem grandes quantidades de álcool em períodos curtos (“binge drinking”, ou beber em binge)  – mais de quatro doses, para as mulheres, e mais de cinco, para os homens.

Os autores dizem que a abstinência e o uso reduzido de substâncias certamente protege o cérebro desses deficits. Mas eles querem descobrir, no futuro, se hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, atividades físicas e intelectuais, também podem evitar perdas cognitivas entre os usuários de álcool e drogas.


Composto da maconha, em dose moderada, pode causar ansiedade
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Quem usa maconha em geral diz que a droga ajuda a relaxar e aliviar o estresse, embora não existam muitos estudos que comprovem esse efeito. Agora, uma pesquisa confirma que uma dose baixa de THC (tetrahidrocanabinol), o principal composto psicoativo da maconha, ajuda a acalmar. Mas uma dose um pouco mais alta, suficiente para causar um “barato” moderado nos usuários, tem o efeito oposto: aumenta a ansiedade.

Os pesquisadores, das universidades norte-americanas de Illinois e de Chicago, recrutaram 42 voluntários saudáveis, de 18 a 40 anos, que já haviam tido experiências com a maconha, mas que não eram usuários diários.

Os participantes foram divididos em três grupos: o primeiro recebeu uma cápsula com 7,5 mg de THC; o segundo, 12,5 mg; e o terceiro recebeu um placebo. Nem os voluntários, nem os pesquisadores sabiam quem havia recebido o quê.

Os integrantes da pesquisa passaram por duas sessões diferentes, com cindo dias de intervalo entre elas. Na primeira, eles foram convidados a se preparar para uma entrevista simulada, de cinco minutos, em que os participantes eram filmados e podiam visualizar seu próprio desempenho. Eles também tiveram que fazer um cálculo matemático utilizado para induzir o estresse.

Nas segunda visita, cada um tinha que falar sobre um livro ou filme favorito por cinco minutos e, depois, fazer um jogo sozinho por mais cinco minutos. Antes, durante e depois das atividades de ambas as sessões, os voluntários tiveram seus níveis de ansiedade avaliados com perguntas. A pressão arterial, a frequência cardíaca e o cortisol (hormônio do estresse) também foram medidos.

Os participantes que receberam 7,5 miligramas de THC relataram menos estresse nos testes do que aqueles que receberam um placebo, e a tensão deles também diminuiu mais rápido. Já os que receberam 12,5 mg de THC antes das duas sessões ficaram com um humor pior, e relataram que as primeiras tarefas eram ameaçadoras antes mesmo de começar os testes. Eles ainda fizeram mais pausas durante a entrevista simulada, em relação ao placebo.

Não houve diferenças significativas na pressão arterial dos três grupos, nem na freqüência cardíaca ou nos níveis de cortisol – antes, durante ou após as tarefas.

Os autores do estudo observam que conseguir aprovação para estudos em humanos com doses controladas de maconha não é fácil, por questões éticas. Mas eles são importantes, uma vez que ainda faltam evidências científicas sobre os efeitos da droga, apesar de o uso recreativo e medicinal serem aprovados em várias localidades.


Estudo associa emergência por álcool e drogas na adolescência e suicídio
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Adolescentes que vão por parar no hospital por causa do uso excessivo de álcool e drogas ou por envolvimento em violência têm risco mais alto de tentar suicídio na década seguinte, segundo um estudo publicado na revista médica The Lancet.

Pesquisadores das universidades College London e de Leeds, no Reino Unido, advertem que, até hoje, a preocupação era voltada apenas para os adolescentes que se automutilam, quando, na verdade, o grupo que merece atenção é muito maior.

A equipe chegou à conclusão após analisar dados de mais de 1 milhão de adolescentes de 10 a 19 anos atendidos nos setores de emergência do país entre 1997 e 2012. Eles checaram o que aconteceu com eles uma década depois.

Entre as garotas, a taxa de mortalidade encontrada foi de 7,3 por 1.000. Para os garotos, de 15,6 por 1.000. Dois terços das mortes foram atribuídas a suicídio, abuso de álcool e drogas ou homicídio.

O número de suicídios foi cinco vezes maior entre os jovens que tinham sido atendidos por causa de ferimentos ligados a violência ou uso de substâncias, em relação aos jovens feridos por acidente.

Os pesquisadores também descobriram que pacientes com histórico de automutilação foram mais propensos a morrer, na década seguinte, tanto por suicídio quanto por abuso de álcool e drogas.

As informações servem de alerta não só para profissionais de saúde, mas também para os pais. Intervir precocemente, oferecendo suporte à saúde mental de jovens que bebem demais ou usam drogas é uma forma de evitar tragédias mais tarde.


Cerca de 36 milhões são alérgicos a maconha nos EUA, diz relatório
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Mais de 36 milhões de norte-americanos podem ter reações alérgicas à maconha, mesmo que não usem a droga. A conclusão é de um relatório publicado recentemente pelo Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia.

De acordo com o levantamento, que analisou os tipos de alergia mais frequentes no país, 73% das pessoas que reagem ao pólen também apresentam problemas com a Cannabis sativa. E a tendência é o número aumentar, segundo reportagem do jornal britânico Daily Mail.

Sintomas típicos de alergia, como espirros, olho inchado, coceira, nariz entupido e escorrendo, bem como asma e conjuntivite, foram observados em certos pacientes não só ao fumar maconha, mas também ao ter contato com a fumaça, ao pólen da planta e até às sementes, que são usadas em certas receitas regionais.

O pólen da maconha costuma ser liberado no final do verão e no início do outono no Hemisfério Norte, e pode ser carregado pelo vento a quilômetros de distância.

Agora que a maconha foi legalizada de alguma forma, em cerca de metade dos Estados Unidos, pesquisas têm revelado algumas consequências da droga que eram pouco conhecidas. Além das alergias, foi noticiado o aumento dos casos de uma síndrome causada pela substância, a hiperemese por canabinoide, que deflagra náuseas, vômitos e fortes dores no estômago.


Estudo identifica jovens mais propensos a usar maconha sintética
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Jovens com sintomas depressivos, que usam álcool e maconha natural são os mais propensos a experimentar a maconha sintética, também chamada de Spice ou K2, um tipo de droga que tem causado problemas sérios em diversos países.

A conclusão é de um estudo publicado no periódico Pediatrics, um dos primeiros a analisar os comportamentos de risco que levam os jovens a experimentar a maconha sintética, segundo os autores, da Universidade do Texas.

O trabalho contou com 964 alunos do ensino médio de escolas norte-americanas, que responderam a questionários em duas ocasiões, com  um ano de intervalo entre elas. Na segunda abordagem foi possível identificar adolescentes que experimentaram a maconha sintética e avaliar características em comum entre eles no ano anterior.

Os canabinoides sintéticos são substâncias similares quimicamente ao THC, o componente ativo da maconha. Eles são produzidos em laboratórios de fundo de quintal e aplicados em plantas parecidas com a cannabis. Um produto nunca é igual ao outro,  por isso não dá para prever direito os efeitos que cada lote pode causar.

A maconha sintética pode ser de 40 a 600 vezes mais potente que o THC, chegando, algumas vezes, a ser letal. A opção atrai os jovens pelo efeito turbinado, mas também pela associação com a maconha de verdade, vista como segura (e, em algumas partes dos Estados Unidos, até legal). Além disso, a droga é barata e tem a vantagem de não ser detectada em exames de urina.


Filhos de usuários de cocaína podem ter problemas de memória
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Todo mundo sabe que o consumo de drogas durante a gravidez pode afetar o desenvolvimento da criança. Mas um estudo feito com animais sugere que homens usuários de cocaína podem ter filhos com risco grave de problemas de memória.

Os dados, publicados no periódico Molecular Psychiatry, foram obtidos por pesquisadores da Faculdade de Medicina Perelman, da Universidade da Pensilvânia. A equipe descobriu que filhotes de machos que receberam cocaína perto do momento em que fecundaram as fêmeas tinham muita dificuldade em formar novas memórias. Mas o problema ocorreu apenas nos filhotes do mesmo sexo.

Os ratos afetados não conseguiam se lembrar de itens deixados ao seu lado, e apresentavam alterações na comunicação entre os neurônios em uma região do cérebro que, para roedores e humanos, é essencial para o aprendizado e a localização espacial. Os pesquisadores afirmam que o uso de cocaína alterou a expressão dos genes dos filhotes, que não tiveram qualquer contato com a droga.

Seriam necessários estudos em humanos para saber se o efeito seria o mesmo. De qualquer forma, os resultados reforçam a noção cada vez mais clara, no meio científico, de que os pais também podem prejudicar seus descendentes ao abusar de álcool e drogas.


Falta de concentração e o risco de se tornar dependente de drogas
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Muita gente usa álcool e drogas na adolescência, mas só uma parte continua a abusar dessas substâncias na vida adulta. Segundo pesquisadores, uma combinação de dois fatores o que determina a propensão a se tornar dependente:  problemas de memória e de impulso.

Uma equipe da Universidade do Oregon e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avalisou 387 jovens de 18 a 20 anos que participavam de um estudo de longo prazo iniciado em 2004, quando eles tinham de 10 a 12 anos.

Eles perceberam que, além de dificuldades para controlar seus impulsos, os adolescentes que continuavam usando álcool, cigarro e maconha aos 20 anos também apresentavam problemas com a chamada memória de trabalho, ou seja, eles se distraíam com muita facilidade. Os resultados foram publicados na revista Addiction.

Para os pesquisadores, os programas de prevenção ao uso de drogas também deveriam incluir intervenções para melhorar a memória, o aprendizado e o controle do impulso.


Entenda por que a maconha sintética é tão perigosa
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Jairo Bouer

Fonte: Departamento de Justiça dos EUA

Fonte: Departamento de Justiça dos EUA

A maconha sintética, também chamada de K2 ou Spice, tem ganhado popularidade no Brasil e fora do país. Nos Estados Unidos, por exemplo, seu uso é bastante comum entre adolescentes e militares, já que a estrutura química da droga não é identificada em testes padrão para detectar o uso de maconha.

Mas relatos de médicos e estudos científicos têm chamado atenção para os perigos dessa versão produzida em laboratórios de fundo de quintal. Um trabalho que acaba de ser publicado pela Universidade de Arkansas aponta efeitos graves como convulsões, psicose, dependência, AVC, lesões renais, problemas cardíacos e morte.

O principal composto psicoativo da maconha, o THC, é conhecido por ativar dois receptores canabinoides, o CB1 e CB2, que estão espalhados pelo corpo humano. Os pesquisadores descobriram que a versão sintética ativa o primeiro receptor numa intensidade que a erva jamais seria capaz de alcançar. Além disso, ele dizem que, por ser quimicamente diferente do THC, a maconha sintética ativaria outros receptores, além do CB1 e CB2, o que explicaria os efeitos potencialmente fatais.

Em artigo publicado no periódico Trends in Pharmacological Sciences, os pesquisadores alertam que os usuários nunca sabem o que vão consumir, pois a quantidade de composto ativo varia muito não só entre os laboratórios, como também de lote para lote. Eles ainda observam que as pessoas, hoje, tendem a ver tudo o que é rotulado como maconha como mais seguro, o que não é verdade, especialmente no caso das drogas sintéticas.