Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : doença crônica

Lady Gaga, Selena Gomez e a dor de conviver com doenças crônicas
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Jairo Bouer

Lady Gaga (à esq) e Selena Gomez (à dir) expõem seu drama (Reprodução/Instagram e Twitter)

Duas doenças crônicas que envolvem dor ganharam destaque nos últimos dias por causa de duas celebridades: a fibromialgia, que fez a cantora Lady Gaga cancelar a participação no Rock in Rio, e o lúpus, a doença autoimune que levou a atriz e cantora Selena Gomez a fazer um transplante renal. Figuras públicas, elas aproveitaram a oportunidade para chamar a atenção das pessoas para essas condições, que são pouco conhecidas e podem afetar indivíduos de todas as idades e de ambos os gêneros, apesar de mais comuns em mulheres.

Num documentário que estreia nesta sexta-feira (22) sobre Lady Gaga, a popstar aparece com dores no corpo, o sintoma mais característico dessa síndrome, que está presente em cerca de 2 a 3% da população brasileira e costuma surgir entre os 30 a 35 anos. Os pacientes têm a sensação de que tudo dói: os músculos, as articulações, a cabeça e às vezes até a pele. Além disso, há muita fadiga, que não melhora com descanso, e metade das pessoas desenvolve depressão ou ansiedade. Além de tomar os remédios prescritos pelo reumatologista, fazer exercícios de baixo impacto é fundamental para aliviar a dor, por mais difícil que seja a princípio.

A questão é que não existe um exame que determine o diagnóstico – ele depende apenas da queixa do paciente, como esclarece o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia Georges Christopoulos: “Não há nenhum teste positivo”. Por isso, quem sofre de fibromialgia pode ouvir dos outros o velho clichê “está tudo na sua cabeça”. A própria cantora diz, na sua página no Twitter, que espera aumentar a consciência sobre a síndrome com o documentário, e quem sabe um pouco desse estigma diminua daqui pra frente.

Já no caso do lúpus, doença autoimune que afeta cerca de 65 mil brasileiros, algumas alterações características nos exames de sangue e urina ajudam a definir o diagnóstico, junto com os sintomas, que podem incluir cansaço, falta de apetite, febre baixa, dores fortes nas articulações, alterações neuropsiquiátricas e nas células do sangue, inflamação nas membranas que recobrem o pulmão e o coração, e também nos rins. Esse último é um dos sintomas que mais preocupa, pois pode ser assintomático no início, e acabar levando à insuficiência renal. O órgão deixa de funcionar e o paciente precisa fazer diálise ou receber um transplante, como foi o caso de Selena Gomez. A doadora foi uma amiga, a também atriz Francia Raisa – a foto de ambas, no hospital, foi publicada no Twitter.

Se enfrentar essas doenças é penoso para qualquer paciente, independente de sua condição socioeconômica, o desafio pode ser maior para quem depende de recursos do governo. Existem tratamentos medicamentosos eficazes para o lúpus disponíveis no SUS (Sistema Único de Saúde) e alguns, poucos, para fibromialgia, mas não sem obstáculos. Recentemente, muitos pacientes com lúpus ficaram sem um imunossupressor, o micofenolato, segundo a SBR. “Essa substância só é entregue em alguns locais; o Ministério ainda não distribui para todo o país”, comenta Georges Christopoulos. “Seria importante que os pacientes cobrassem do governo atualizações nos protocolos de tratamento e atualização das medicações fornecidas”, defende o reumatologista. Quem sabe a repercussão estimulada pelas celebridades sirva de ajuda.


Metade dos pacientes com ansiedade ou depressão tem dor crônica
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Metade dos adultos que sofrem de ansiedade ou transtornos de humor, como depressão ou transtorno bipolar, também tem dor crônica, segundo um estudo conduzido pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, com pacientes de São Paulo.

A análise, feita pela professora Silvia Martins, brasileira que dá aula na Columbia, contou com 5.037 adultos diagnosticados com transtornos de humor ou ansiedade. Entre pacientes com depressão ou transtorno bipolar, 50% apresentam um quadro de dor crônica. Em seguida, aparecem doenças respiratórias (comuns a 30% deles), doenças do coração (10%), artrite (9%) e diabetes (7%), todas elas condições crônicas, também.

Entre os que sofrem de ansiedade, os resultados foram parecidos. E a hipertensão é comum em 23% dos pacientes com ambos os transtornos psiquiátricos. Indivíduos que convivem com mais de uma doença crônica também apresentaram tendência ainda maior a ter ansiedade ou transtornos de humor.

Os resultados, publicados no Journal of Affective Disorders, mostram que as doenças crônicas representam um fardo ainda maior do que se imagina, já que com frequência envolve transtornos mentais.


Médicos em breve podem receitar plano de exercícios para pacientes com HIV
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Jairo Bouer

GINASTICA300Além da prescrição de antirretrovirais, pacientes com Aids em breve poderão receber planos específicos de exercícios junto com a receita médica. É o que sugere um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Case Western Reserve, nos EUA.

A evolução das terapias transformou a Aids em uma doença crônica, mas os efeitos colaterais das drogas não podem ser ignorados. Pessoas em tratamento contra o HIV tendem a desenvolver doenças crônicas secundárias mais cedo e com maior frequência, em especial as do coração.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 700 mil brasileiros vivem com o vírus. Nos EUA, a estimativa é de 1,2 milhão, segundo os Centros para Controle e Prevenção de Doenças – dado destacado no estudo norte-americano.

Estudos têm demonstrado que a atividade física traz uma série de benefícios para os pacientes, como redução de colesterol, alívio da depressão e melhor condição cognitiva.

Mas os pesquisadores observam que há poucos estudos na literatura com programas projetados especificamente para pessoas com HIV, e que possam ser seguidos em casa, sem necessidade de frequentar um local específico.

A equipe da Case Western pretende fazer isso, a longo prazo, mas, inicialmente, quis verificar se os pacientes fazem, mesmo, exercícios por conta própria. Para isso, eles entrevistaram 102 pacientes com HIV.

Os resultados mostram que a maioria faz exercício, mas não com intensidade suficiente. De acordo com o artigo, publicado no The Journal of the Association of Nurses in Aids Care, as mulheres entrevistadas se exercitam cerca de 2,4 horas por semana, e os homens, 3,5 horas. Eles dedicam mais tempo, mas uma intensidade menor que elas.

A atividade predominante entre os pacientes, segundo o levantamento, é a caminhada. Ao se excluir a modalidade, o tempo médio de exercício dos participantes cai para 1,1 hora por semana.

A recomendação da Associação Americana para o Coração é que as pessoas pratiquem 30 minutos de exercícios de intensidade moderada cinco vezes por semana, ou, então, 25 minutos de exercícios vigorosos três dias por semana com mais dois dias de atividade muscular moderada.

Os participantes do estudo usavam antirretrovirais havia nove anos, em média, e 80% deles tinham alguma doença crônica concomitante, principalmente pressão alta e depressão.

O próximo passo dos pesquisadores é elaborar um plano flexível, capaz de ser seguido pela maioria dos pacientes, e também progressivo. Dessa forma, eles acreditam que é possível prevenir problemas e melhorar bastante a qualidade de vida de quem sofre com o HIV.


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