Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : depressão

Mau humor é contagioso, mas depressão não é
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Jairo Bouer

Você pode se contagiar pelo mau humor dos seus colegas de escola, bem como pelo bom astral deles. Mas você não “pega” depressão de um amigo. Uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, chegou à conclusão após avaliar dados de mais de 2.100 adolescentes de escolas norte-americanas.

Eles criaram um modelo matemático para identificar o quanto componentes específicos do humor, como cansaço, sono e apetite, podem se espalhar nos círculos sociais desses jovens – cada integrante indicava quem eram seus amigos mais próximos. Também foram analisados sintomas típicos de depressão, como desamparo e perda de interesse.

Estudos anteriores já tinham confirmado que amizade e apoio social são fatores importantes para a prevenção de transtornos do humor em adolescentes. Da mesma forma, também já era sabido que o estado emocional de um indivíduo pode ser afetado pela expressão emocional de quem convive com ele.

A equipe constatou que sensações positivas e negativas são, de fato, “contagiosas”. Mas um amigo que esteja deprimido não tem “poder” suficiente para empurrar os colegas para baixo, de acordo com os resultados. Existe uma diferença grande entre estar triste, cansado, irritado ou de mau com o mundo e estar, de fato, com depressão.

Os pesquisadores também notaram que, a partir do momento em que um jovem decide se cuidar, dormir bem, fazer exercícios e buscar formas de gerenciar o estresse, ele não só beneficia a si próprio, como também exerce influência positiva sobre os amigos.

Para os autores do trabalho, publicado na revista Royal Royal Society Open Science, intervenções que estimulem os jovens a fazer mais amizades podem ser eficazes para a prevenção do transtorno, que afeta 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde.


Por que mulher tem mais depressão e alzheimer? Estudo pode dar pista
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Um estudo pode explicar por que certos transtornos mentais, como a depressão e o alzheimer, são bem mais comuns em mulheres do que em homens. Isso talvez se deva ao fato de que elas têm regiões muito mais ativas do que eles no cérebro.

Uma equipe da clínica Amen, na Califórnia (EUA), analisou um tipo específico de exame de imagem, que mostra a atividade em diferentes regiões do cérebro, de 119 homens e mulheres saudáveis, bem como de mais de 26 mil pacientes diagnosticados com transtornos mentais diversos.

Durante atividades que exigem concentração, as mulheres apresentaram atividade aumentada em 48 regiões cerebrais, enquanto, para os homens, isso ocorreu em apenas 22 regiões. Mas, na média do estudo, os pesquisadores encontraram 65 regiões com maior atividade nas mulheres, contra apenas 9 nos homens.

Elas também contaram com atividade aumentada em mais áreas associadas ao controle do impulso e em regiões límbicas, associadas a emoções diversas. Para os pesquisadores, isso também ajuda a explicar por que as mulheres têm maior nível de empatia.

Cerca de dois terços dos pacientes que têm Alzheimer são mulheres. No caso da depressão, a incidência é praticamente o dobro em mulheres. Já doenças do desenvolvimento, como autismo e transtorno do deficit de atenção e hiperatividade costumam ser mais frequentes em homens.

As descobertas foram publicadas no Journal of Alzheimer`s Disease e noticiadas no site Medical News Today. 


Maconha na adolescência pode inibir sensações prazerosas mais tarde
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Adolescentes que aumentam o consumo de maconha com a idade têm risco mais alto de sofrer de depressão, mais dificuldade para sentir prazer e pior desempenho educacional mais tarde, no início da vida adulta. A conclusão é de um estudo da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores avaliaram 158 homens que faziam parte de um estudo sobre nutrição que acompanhou indivíduos de seis meses de idade por toda a adolescência. Aos 20 anos, usuários de maconha foram procurados para relatar a frequência de uso de maconha dos 14 aos 19 anos. Eles também foram submetidos a exames de ressonância magnética para ter suas funções cerebrais testadas.

A maioria dos jovens tinha usado a droga ocasionalmente entre os 15 e 16 anos de idade, mas aumentou o consumo de forma dramática até alcançar os 19. Esses foram os indivíduos que mais apresentaram sintomas depressivos, menor capacidade de experimentar sensações prazerosas e menores ganhos em termos de educação.

São necessários mais estudos para concluir se os resultados, publicados na revista Addiction e noticiados no jornal britânico Daily Mail, são causa ou consequência do uso da droga. Mas eles reforçam a ideia de que a substância pode ser bastante prejudicial para o cérebro em desenvolvimento dos adolescentes.


Chega de machismo: homem também sofre depois de abuso sexual
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Homens são vítimas do machismo, quando o assunto é abuso sexual. Segundo o senso comum e várias pesquisas científicas, passar por esse tipo de situação causa mais trauma emocional para as mulheres, e maior vulnerabilidade à depressão. Mas cientistas das universidades Atlantic Florida e de Sam Houston, nos Estados Unidos, acabam de derrubar esse mito.

Ser abusado sexualmente, o que pode ou não incluir estupro, pode desencadear uma série de consequências negativas, como depressão, transtorno de estresse pós-traumático, medo, ansiedade, dependência de álcool e drogas, suicídio ou ideação suicida. Isso já foi comprovado por inúmeros estudos.

De acordo com uma teoria bastante aceita por sociólogos e criminalistas, enquanto as mulheres são mais propensas a responder a experiências de abuso sexual com sintomas de depressão e tristeza, os homens tendem a reagir com atividades criminosas. Mas a verdade é que, até hoje, praticamente não havia trabalhos sobre os problemas enfrentados por homens adultos abusados sexualmente, com exceção dos encarcerados.

Após analisarem dados de uma grande pesquisa nacional sobre violência, com uma amostra de 5.992 homens e 5.938 mulheres, os pesquisadores descobriram que essa teoria pode estar furada. Para eles, o fato de os trabalhos terem enfatizado mais os abusos ocorridos na infância, ou nas cadeias, pode ter distorcido a visão sobre o tema.

Na nova análise, ficou claro que o abuso sexual é igualmente traumático para homens e mulheres, e causa depressão em ambos – numa frequência bem maior que na população que não enfrentou esse tipo de violência. E mais: muitos homens até sofrem mais com o transtorno porque carecem das redes e sistemas de apoio existentes para o sexo feminino. Os resultados foram publicados na revista científica Woman & Criminal Justice.

Para os pesquisadores, tanto a violência sexual quanto os sintomas depressivos são subestimados na população masculina, e a culpa é de uma noção antiquada de que homens e mulheres experimentam emoções de forma diferente.

O levantamento apontou que em 1980, os homens representavam de 1 a 10% dos registros de estupro em hospitais e ambulatórios. Em 1997, eles compunham de 5 a 10% dos registros. De lá para cá, no entanto, a proporção de relatos de homens abusados sexualmente passou para cerca de 38%, sendo que os militares são os mais vulneráveis a esse tipo de violência e também os menos propensos a denunciar.

Os pesquisadores lembram que toda depressão não tratada aumenta a vulnerabilidade para o uso abusivo de álcool e drogas, o que só piora o problema e alimenta a epidemia de dependência. Por isso, eles defendem que o machismo seja deixado de lado, para que os homens também tenham o direito de receber o suporte necessário para vencer as consequências do abuso sexual.


Ajudar os pais a ajudar os bebês a dormir evitaria casos de depressão
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Pais estressados com a dificuldade em fazer os filhos pequenos dormirem são mais propensos a ter depressão. E ajudá-los nessa tarefa traria um grande benefício para as famílias, segundo um estudo canadense.

A equipe, da Universidade de British Columbia, analisou 253 famílias com crianças de 6 a 8 meses que tinham dificuldade para dormir. Uma parte dos pais participou de um programa com informações para auxiliar o sono dos bebês e suporte de enfermeiras.

Cerca de 30% das mães e 20% dos pais selecionados que tinham sintomas graves depressão, como fadiga e irritabilidade, apresentaram melhora significativa após 24 semanas de intervenção, em relação ao grupo que não participou do programa.

Os resultados, publicados na revista BMC Pregnancy Childbirth, mostram que esse tipo de orientação, a que poucos pais têm acesso, ajudaria a melhorar a saúde mental deles e, por tabela, a dos filhos, que desde cedo teriam uma rotina de sono mais bem estabelecida.


Estudo mostra relação entre doenças crônicas e suicídios
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Um estudo norte-americano mostra como doenças crônicas, como dores nas costas, diabetes, distúrbios do sono e HIV, entre outras, podem aumentar o risco de uma pessoa acabar com a própria vida.

O levantamento incluiu 2.674 indivíduos que morreram por suicídio entre 2000 e 2013, que foram comparados a um grupo-controle de 267 mil pessoas.

O trabalho, feito pelo Centro de Pesquisas do Sistema de Saúde Henry Ford, encontrou relação entre 17 diferentes condições e a probabilidade aumentada de acabar com a própria vida, de um total de 19. São elas: asma, dor nas costas, lesões cerebrais, câncer, insuficiência cardíaca congestiva, transtorno pulmonar obstrutivo crônico, diabetes, epilepsia, HIV/Aids, doenças cardíacas, hipertensão, enxaqueca, doença de Parkinson, dor psicogênica, transtorno renal, distúrbios do sono e acidente vascular cerebral (AVC).

Indivíduos com lesão cerebral causada por trauma, por exemplo, demonstraram uma propensão nove vezes maior ao suicídio, enquanto que, entre indivíduos com HIV/Aids, o risco era o dobro. A associação de duas doenças também aumentava consideravelmente a tendência.

Embora as taxas de mortalidade por muitas doenças tenham diminuído nos últimos anos, devido a novas tecnologias e tratamentos, os números do suicídio continuam subindo entre homens e mulheres, e em todas as faixas etárias. Isso é observado mesmo entre pacientes que não têm diagnóstico prévio de transtornos mentais.

Entender e documentar as razões por trás desse problema é cada vez mais importante. Só nos EUA, a mortalidade por suicídio aumentou 24% nos últimos 15 anos.


Metade dos pacientes com ansiedade ou depressão tem dor crônica
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Metade dos adultos que sofrem de ansiedade ou transtornos de humor, como depressão ou transtorno bipolar, também tem dor crônica, segundo um estudo conduzido pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, com pacientes de São Paulo.

A análise, feita pela professora Silvia Martins, brasileira que dá aula na Columbia, contou com 5.037 adultos diagnosticados com transtornos de humor ou ansiedade. Entre pacientes com depressão ou transtorno bipolar, 50% apresentam um quadro de dor crônica. Em seguida, aparecem doenças respiratórias (comuns a 30% deles), doenças do coração (10%), artrite (9%) e diabetes (7%), todas elas condições crônicas, também.

Entre os que sofrem de ansiedade, os resultados foram parecidos. E a hipertensão é comum em 23% dos pacientes com ambos os transtornos psiquiátricos. Indivíduos que convivem com mais de uma doença crônica também apresentaram tendência ainda maior a ter ansiedade ou transtornos de humor.

Os resultados, publicados no Journal of Affective Disorders, mostram que as doenças crônicas representam um fardo ainda maior do que se imagina, já que com frequência envolve transtornos mentais.


Efeito placebo também funciona para coração partido, mostra estudo
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Você está com o coração partido porque acabou de sair de um relacionamento? Faça algo que você acredita ser útil para aliviar sua dor emocional. Qualquer coisa. De acordo com uma pesquisa recém-publicada, o efeito placebo pode influenciar regiões cerebrais associadas à regulação emocional e, como consequência, diminuir a percepção do sofrimento.

Rompimentos amorosos costumam ser experiências extremamente dolorosas, e funcionam como gatilho para problemas psicológicos e até suicídio. Segundo os autores do estudo, da Universidade de Colorado Boulder, nos Estados Unidos, esse tipo de sofrimento está associado a um risco 20 vezes maior de depressão.

Como há evidências de resultados positivos do placebo para diversas doenças físicas, a equipe decidiu avaliar se a crença em algo que pudesse ajudar a superar um rompimento teria efeito também. Para isso, os pesquisadores selecionaram 40 voluntários que tinham sido rejeitados pelos parceiros até seis meses antes da abordagem.

Os participantes foram convidados a ir ao laboratório levando a foto do ex, ou da ex, e também a de um amigo do mesmo sexo. Enquanto passavam por um exame de ressonância magnética funcional, les tinham que olhar a foto e contar como tinha sido a separação. Em seguida, tinham que olhar a foto do amigo. Por último, ainda foram submetidos a um estímulo doloroso, um toque quente no antebraço. Em todos os casos, eles tinham que dizer como se sentiam, numa escala de 1 (muito mal) a 5 (muito bem).

A primeira constatação do estudo é que as regiões do cérebro ativadas pela dor física e pela emocional foram as mesmas. Ou seja: levar um fora causa uma dor real.

Em seguida, todos foram convidados a usar um spray nasal. Para metade do grupo, os pesquisadores disseram que era apenas uma solução salina. Já a outra metade ouviu que aquilo era um analgésico poderoso para combater dores emocionais.

De volta à ressonância, os participantes voltaram a ver as fotos dos ex e, de novo, foram submetidos ao estímulo doloroso no braço. O grupo que recebeu o suposto analgésico não apenas sentiu menos dor física, como se sentiu melhor emocionalmente, e a resposta do cérebro se modificou. As áreas envolvidas na modulação de emoções e de substâncias ligadas ao bem-estar tiveram atividade aumentada, enquanto a área associada à dor ficou mais fraca.

O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano, com apoio adicional da Fundação Nacional de Ciência, na Suíça, e os resultados foram publicados no Journal of Neuroscience.


Se é difícil não ser afetado por tragédias, sem dormir é mais ainda
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Jairo Bouer

Dormir pouco faz com que as tarefas simples do dia a dia virem um verdadeiro sacrifício. Mas em pessoas com ansiedade e depressão, que com frequência têm problemas de sono, o problema é muito pior.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, descobriram o que pode estar por trás disso: é que uma área específica do cérebro, chamada de córtex cingulado anterior dorsal, precisa trabalhar mais para tentar modificar respostas emocionais negativas quando a pessoa não dorme bem.

A pesquisa, publicada na revista Depression and Anxiety, contou com exames de ressonância magnética funcional para medir a atividade em diferentes regiões do cérebro enquanto os participantes eram desafiados com uma tarefa que exigia regulação emocional. Eles eram expostos a imagens perturbadoras, como de guerra ou acidentes, e tinham que fazer um esforço para não se impressionar, ou reavaliar o fato para tentar achar um enfoque positivo. Por exemplo: ao ver uma mulher com o rosto machucado, tinham que tentar imaginar que ela era uma atriz talentosa interpretando um papel.

Os 78 participantes, que tinham 18 a 65 anos de idade, haviam sido diagnosticados com  transtorno de ansiedade, depressão ou ambos. Eles preencheram questionários e usaram um dispositivo, por seis noites, para detectar quanto tempo passavam acordados. A conclusão é que a maioria apresentava insônia.

Pessoas com depressão ou ansiedade costumam ter como característica uma negatividade crônica, também chamada de ruminação negativa. Por isso, tentar achar um lado positivo para imagens de violência demanda um esforço grande, segundo os pesquisadores. Mas, para quem não dorme bem, o trabalho é ainda maior.

Os participantes cujos dispositivos demonstraram baixa qualidade de sono apresentaram maior atividade na região do cérebro analisada. Ou seja: foi preciso um esforço maior para reavaliar as imagens com um prisma positivo. A conclusão é que o sono desempenha um papel importante para regular emoções negativas e, por isso, esse aspecto deve ser tratado com seriedade por quem sofre de ansiedade ou depressão. E dormir bem também ajuda a evitar esses transtornos.


Bullying pode levar a doenças crônicas na vida adulta, dizem pesquisadores
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Ser alvo frequente de bullying na infância pode tornar um adulto mais propenso a enfermidades crônicas como diabetes e doenças do coração, alertam pesquisadores da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, em artigo publicado no periódico Harvard Review of Psychiatry.

Diversos estudos já apontaram uma relação clara entre o bullying e transtornos mentais, como depressão, ansiedade e até risco mais alto de suicídio. A equipe, no entanto, acrescenta que é preciso prestar atenção, também, na saúde física de indivíduos que passaram por isso. Muitas crianças apresentam sintomas sem causa aparente, e isso pode até ser um alerta para os pais de que algo não vai bem na escola.

Sofrer intimidações ou ser isolado da turma é uma enorme fonte estresse para a criança. Se acontece uma vez ou outra, as consequências podem ser superadas. Mas quando o problema é frequente, a criança entra em um estado de estresse crônico, como se o organismo estivesse sempre pronto para lutar ou fugir.

O impacto desse estado é cumulativo, de acordo com os pesquisadores, e se traduz em alterações nas respostas inflamatórias, hormonais e metabólicas. Isso é o que tornaria a vítima mais propensa a depressão, diabetes e doenças do coração.

Enfrentar situações difíceis na infância também pode afetar a maneira como o corpo responde a futuros estressores, o que tem enorme impacto na vida de um indivíduo.

Os pesquisadores afirmam que são necessários mais estudos para comprovar esta relação de causa-efeito. Com isso, eles acreditam que será possível desenvolver estratégias para prevenir as consequências de longo prazo do bullying. Enquanto isso não acontece, é importante que os pais e as escolas fiquem atentos ao problema e interfiram quando necessário.