Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : comportamento de risco

Não basta ser pai, tem que investir no relacionamento
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Jairo Bouer

Vários estudos já mostraram que o vínculo entre pais e filhas pode interferir no comportamento sexual dessas garotas. Um estudo da Universidade de Utah, porém, ressalta que a qualidade da relação é mais importante que a presença desses pais em casa. Os dados foram publicados no periódico Developmental Psychology.

Os pesquisadores acompanharam 101 pares de irmãs, de 18 a 36 anos, que passaram quantidades de tempo variadas com seus pais. Ao acompanhar as famílias com pais divorciados, por exemplo, havia diferenças entre a convivência com a filha mais velha e a mais nova, algo que não foi observado nas famílias intactas, que formavam o grupo de controle.

O estudo descobriu que as irmãs mais velhas, que conviveram por mais tempo com seus pais, foram fortemente influenciadas pela qualidade do relacionamento. Quanto melhor era o vínculo, menor era o risco de as garotas adotarem comportamentos sexuais de risco. O resultado foi o oposto, porém, entre as jovens que sempre moraram com os pais, mas tinham um vínculo de má qualidade.

Os dados mostram que não basta ter um pai presente, é preciso que o vínculo com a filha seja de qualidade quando se trata da prevenção de comportamentos de risco, como usar álcool ou drogas e fazer sexo desprotegido. Isso significa que eventuais prejuízos causados pela separação dos pais pode ser compensado por um relacionamento de qualidade.


Cientistas mostram que tendência a assumir riscos é algo contagioso
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jogo615

Por que às vezes a gente decide assumir riscos e, em outras ocasiões, prefere a segurança? Segundo uma hipótese apresentada por neurocientistas, essa variação ocorre por que nossa decisão depende do grupo. Em outras palavras, se alguém do seu lado decidir apostar uma boa quantia em jogos de azar, é possível que você aposte também. Porém, se em outra situação as pessoas em volta forem mais conservadoras, é provável que você seja mais cauteloso. 

O trabalho, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), contou com 24 voluntários, que participaram de três diferentes tipos de teste. No primeiro, eles tinham que escolher entre receber, de forma garantida, 10 dólares, ou investir o dinheiro para, talvez, ganhar mais. No segundo, os participantes podiam ver o que os outros tinham decidido antes de fazer a escolha. E, no último experimento, eles tinham que tentar prever a decisão que o outro ia tomar.

A equipe, liderada pelo professor de psicologia John O`Doherty, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), descobriu que os voluntários foram mais propensos a assumir o risco no primeiro teste, quando não havia a influência dos outros. Já no teste seguinte, a escolha pela decisão mais segura, feita por algumas pessoas, inibiu um comportamento mais ousado na maioria dos participantes.

Durante os testes, os integrantes do estudo foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional, que detecta atividades cerebrais. Os pesquisadores viram que uma região conhecida como núcleo caudado tem relação com a tendência a assumir riscos — quanto maior a atividade observada, maior a propensão a se arriscar. E ao ver outros participantes assumindo o comportamento, a atividade cerebral aumentava naquela área também, o que pode explicar o “efeito manada”.

Uma outra região do cérebro, conhecida como córtex dorsolateral pré-frontal, também se mostrou ativa no terceiro teste, quando os participantes tentavam adivinhar qual atitude seu par tomaria. Os pesquisadores acreditam que a conexão entre essa região e o núcleo caudado pode explicar uma suscetibilidade maior ou menor a tomar decisões de risco por influência do grupo.

Estudos desse tipo são importantes porque ajudam a compreender o que está por trás de comportamentos arriscados de adolescentes, bem como a prever as famosas “bolhas” do mercado financeiro.

 


Transtorno bipolar pode ser confundido com depressão em jovens
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depressao615

Um estudo indica que cerca de 10% dos adultos jovens medicados com remédios contra depressão e ansiedade sofrem, na verdade, de transtorno bipolar. E o uso isolado de antidepressivos, entre esses pacientes, pode trazer consequências graves.

O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância entre períodos de depressão e euforia (mania). A pessoa pode passar longos períodos em um estado depressivo, por isso é comum que médicos prescrevam antidepressivos e nem cheguem a desconfiar de bipolaridade.

O problema é que esses remédios, quando não acompanhados de estabilizadores de humor, podem deflagrar crises de mania. Os sintomas que costumam aparecer são aumento de energia, autoconfiança, tendência a falar bastante, insônia e, em alguns casos, as pessoas assumem comportamentos de risco, como ter múltiplos parceiros sexuais ou contrair dívidas.

Infelizmente, nem todos os pacientes que tomam antidepressivos são acompanhados de perto pelo psiquiatra. E quem está em mania não percebe que precisa de ajuda – pelo contrário, a pessoa acha que nunca esteve tão bem.

O estudo da Universidade de Leeds, que foi financiado pelo governo britânico, mostrou que o equívoco de prescrever antidepressivos isoladamente para bipolares é mais comum entre pacientes mais jovens e com episódios mais graves de depressão. Os dados foram publicados no British Journal of General Practice.

Além dos prejuízos que as crises de mania podem causar, após a euforia é comum que a depressão venha com mais força, deixando o indivíduo ainda mais vulnerável ao risco de suicídio. Por isso, os autores recomendam aos médicos que sejam mais criteriosos e analisem, também, o passado do paciente antes de prescrever antidepressivos.

É importante que amigos e familiares tenham consciência do problema, já que são as pessoas mais próximas. Elas podem notar algum comportamento diferente ou inadequado e insistir para que a pessoa consulte o médico, por exemplo.

 


Jovem pode assumir menos risco quando tem alguém mais velho na turma
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Adolescentes são conhecidos por sua tendência a assumir riscos, especialmente quando estão em turma. Um estudo norte-americano confirma essa tese, mas traz uma nova informação: quando há uma pessoa um pouco mais velha no grupo, a tendência dos jovens a adotar comportamentos arriscados diminui.

O trabalho, realizados por pesquisadores da Universidade de Temple, foi publicado no periódico Psychological Science. A pesquisa foi financiada pelo Exército dos Estados Unidos, que tem interesse especial no assunto porque conta com soldados bem jovens.

Garotos de 18 a 20 anos foram aleatoriamente recrutados para completar uma tarefa. Eles foram divididos em grupos, e, em alguns deles, integrante um pouco mais velho era incluído. Todo mundo tinha que se apresentar, então todos sabiam a idade um do outro.

O experimento consistia em dirigir um veículo, num jogo de computador, o mais rápido possível, enquanto os outros observavam. Nos cruzamentos, o semáforo indicava luz amarela – nesse caso, o condutor tinha que decidir se seguia em frente ou não, com o risco de bater em outro carro e perder ainda mais tempo. Os motoristas tinham um incentivo em dinheiro para concluir o trajeto o mais rápido possível, o que também gerava bônus para os outros integrantes.

Segundo os pesquisadores, a presença de um integrante mais velho reduziu o efeito dos pares na tendência a tomar decisões arriscadas. Ou seja: eles atravessavam os sinais amarelos com mais cuidado. E embora o trabalho tenha sido projetado para o Exército, os autores que os resultados podem ser úteis para outras profissões em que se emprega gente mais jovem.


Separação dos pais afeta a saúde da criança, principalmente das meninas
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separacaopais300Enfrentar uma ruptura familiar, como a separação dos pais, pode ter consequências negativas a longo prazo para as crianças, como uma tendência maior a fumar, ter problemas de saúde e depressão. Mas, segundo um estudo, esse impacto é ainda maior para as meninas.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, analisaram dados de adolescentes em fases diferentes da vida. De um total de 7.607 garotos e garotas com idade entre 15 e 18, dos quais 4.757 permaneceram na lista quando tinham de 27 a 32 anos. Todos esses jovens tinham pais separados.

Segundo o estudo, as meninas são mais sensíveis a questões ligadas à estrutura familiar. E por isso teriam uma tendência maior a sofrer as consequências de uma separação dos pais e eventual convivência com um padrastro.

Problemas de saúde foram mais frequentes naquelas em que os pais saíram de casa quando elas tinham até 5 anos. Para as que tinham de 6 a 10 anos quando isso ocorreu, houve um risco maior, também, de tabagismo e depressão.

Ainda segundo o trabalho, publicado no periódico Review of Economics of the Household, o resultado é ainda pior quando a mãe se casa novamente ou passa a morar com outro homem.


Viagens estimulam comportamento sexual de risco entre as mulheres
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FERIAS300Férias relaxantes na praia são perfeitos para a experimentação sexual com um parceiro fixo, enquanto excursões em grupo ou passeios turísticos são melhores para conseguir sexo casual com conhecidos ou estranhos. É o que indica uma pesquisa feita com 850 norte-americanas, na faixa etária de 18 a 50 anos.

O objetivo do estudo era determinar os destinos turísticos mais propícios para a exposição das mulheres ao sexo. Para isso, as entrevistadas foram convidadas a avaliar 23 práticas ou situações de acordo com sua percepção de grau de risco, como, por exemplo, transar sem camisinha com um estranho, ou trocar intimidades com um desconhecido sob influência de álcool ou drogas.

O trabalho, das pesquisadoras Liza Berdychevsky, da Universidade de Illinois, e Heather Gibson, da Universidade da Flórida, foi publicado na revista online Tourism Management.

Segundo elas, certos ambientes ou destinos turísticos geram uma espécie de sensação alterada da realidade, o que pode aumentar a propensão a situações de experimentação sexual sem uma percepção tão clara dos riscos e das consequências a longo prazo.

As entrevistas deixaram claro que o consumo elevado de álcool foi o principal facilitador de práticas sexuais de risco. A bebida, segundo os relatos das mulheres, foi usada como desculpa ou mesmo para tomar coragem de experimentar algo diferente em relação ao sexo. O uso de roupas mais insinuantes, assim como o prazer de estar longe da rotina e das expectativas sociais foram outros fatores apresentados por elas para justificar o risco sexual.

A ideia de nunca mais ver o parceiro de novo, e a possibilidade de manter o anonimato foi outro fator motivador para muitas mulheres, mas algumas até relataram que o risco, em si, era o que mais estimulava a buscar novas experiências durante as viagens de férias.

Para Berdychevsky, todos esses aspectos ajudam as mulheres a se libertarem de barreiras psicológicas e inibições.  Além de fazer com que sintam novas emoções, a experimentação sexual traz uma sensação de empoderamento ao voltar para casa.

A pesquisa também constatou que mulheres que já tinham se envolvido, antes, com algum turista tinham uma noção maior do perigo de certos comportamentos.

O sexo com penetração sem camisinha foi a atitude classificada como a de maior risco pelas entrevistadas. No entanto, muitas mulheres subestimaram os riscos de atividades sexuais sem penetração e superestimaram o grau de proteção oferecido pelas camisinhas. Vale lembrar que o preservativo nem sempre garante 100% de proteção contra algumas infecções, como o HPV.

Para as pesquisadoras, os resultados mostram que é preciso valorizar essas informações em campanhas de prevenção específicas para esse público. Viajar é uma delícia, assim como fazer sexo. Só é preciso ter sempre em mente que as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) não tiram férias.


Estudo associa beber pesado e transtorno alimentar em meninas
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BINGEDRINKING300O chamado “beber pesado episódico”, ou “binge drinking”, tem sido associado a uma série de problemas. Jovens que consomem grandes quantidades de bebida em poucas horas costumam ter pior desempenho na escola, apresentam comportamentos sexuais de risco e propensão maior ao suicídio.

Um novo estudo associa o beber pesado à ocorrência de comportamentos alimentares inadequados, especialmente entre meninas, como abusar de laxantes, remédios para emagrecer e períodos de jejum para compensar o excesso de comida e de bebida.

Segundo o autor do trabalho, Andrew Stickley, da Universidade Södertörn, na Suécia, havia poucos estudos sobre essa associação, e os que existiam eram restritos à população da América do Norte.

Ele e sua equipe utilizaram dados de uma pesquisa feita na Rússia com 2.488 estudantes (sendo 1.485 do sexo feminino) com idades entre 13 e 17 anos.

A relação entre consumo excessivo de álcool e transtornos alimentares também se confirmou, mostrando que o problema não depende tanto de questões culturais ou socioeconômicas. Os resultados serão publicados em março no periódico Alcoholism: Clinical & Experimental Research.

Muitas meninas sabem que a bebida alcoólica engorda, mas percebem que têm menos fome ao beber; por isso trocam uma coisa pela outra ao sair com os amigos. Beber de barriga vazia também faz com que elas fiquem “altas” mais rápido, o que, para muitas, é uma “vantagem”, mas só aumenta os riscos do álcool.

Transtornos alimentares, por si só, já trazem consequências graves à saúde dos jovens. Quando o problema está associado ao consumo excessivo de álcool, os danos aumentam exponencialmente.


Consumo de pornografia pode levar a comportamentos de risco?
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PORN300Consumir pornografia com muita frequência pode levar a comportamentos sexuais de risco? Pesquisadores da Universidade de Sydney e de Curtin, na Austrália, decidiram responder a essa pergunta. Para isso, eles fizeram uma revisão de todos os estudos científicos existentes sobre o tema. E a conclusão deles é que, sim, existe essa tendência.

A equipe encontrou 17 trabalhos, dos quais apenas dois eram específicos sobre o consumo de pornografia na internet. A maioria dos trabalhos contava com mais de 1.000 participantes, todos com 18 anos ou mais.

Do total, sete estudos mostraram ligação entre o consumo de pornografia e a prática mais frequente de sexo desprotegido, em especial o sexo anal no grupo de homens que fazem sexo com outros homens (HSH).

A maioria dos trabalhos também uma relação entre o uso de pornografia e o aumento do número de parceiros e da frequência do sexo casual, tanto em homens quanto em mulheres. Os resultados foram publicados na revista Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking.

Os pesquisadores explicam que muitos dos estudos analisados não tinham metodologia adequada, já que essa é uma área de pesquisa muito recente.

Eles sugerem que os programas de prevenção e saúde sexual levem esse público em consideração e que se pense em formas de aproveitar a própria pornografia para incentivar o uso da camisinha.


Lei que restringe venda de álcool pode reduzir violência contra parceiros
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ALCOOL300Comunidades que têm poucos pontos de venda de bebida alcoólica tendem a ter taxas mais baixas de violência praticada por parceiro íntimo, afirma estudo publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.  Os resultados sugerem que as leis que restringem a comercialização de álcool pode ser uma forma de lidar com esse tipo de abuso.

Nos Estados Unidos, há vários tipos de leis adotadas para reduzir o uso excessivo de álcool, como o controle sobre os preços e limites sobre horas e dias de venda, dependendo do Estado ou da cidade. Em paralelo, vários estudos já mostraram a influência da bebida em casos de violência contra parceiros ou parceiras.

O cientista do comportamento Dennis Reidy e sua equipe, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), procuraram estudos na literatura científica para identificar a relação entre políticas públicas de combate ao uso excessivo de álcool e violência contra parceiros.

A análise dos trabalhos – 16, ao todo – fez os pesquisadores concluírem que apenas um fator foi vinculado de forma consistente a menores taxas de violência por parceiro íntimo: a redução na densidade de pontos de venda (número de estabelecimentos que comercializam álcool dividido pela área ou pelo número de pessoas que vivem em determinada área).

A equipe detectou pouca evidência de redução nos casos de violência após a implementação de políticas de tributação e limites nos dias e horários de venda de bebida. Os pesquisadores afirmam que são necessários mais estudos para entender por que só a densidade teve impacto positivo.


Vacina contra HPV não incentiva comportamento de risco, segundo estudo
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HPV300Mais de 100 países já aprovaram o uso da vacina quadrivalente contra o HPV, inclusive o Brasil. Entre as polêmicas envolvendo a imunização, havia o receio de que a medida funcionasse como incentivo ao sexo desprotegido, aumentando o risco de gravidez indesejada e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Um estudo realizado no Canadá teve como objetivo avaliar esse possível efeito indesejado da vacina. E, pelo menos entre as jovens que vivem na província de Ontário, a imunização aparentemente não teve essa consequência.

Os pesquisadores identificaram uma população de mais de 128 mil meninas elegíveis para o programa de vacinação na província. Apenas metade delas recebeu as três doses da vacina entre 8 e 9 anos.

As garotas foram acompanhadas por uma média de 4,5 anos. E, de acordo com os resultados, não houve aumento da incidência de casos gravidez ou DSTs não relacionadas ao HPV em relação à média registrada para a faixa etária.

Para a equipe, que inclui especialistas da Universidade McGill e da Universidade de Queen, os achados sugerem que os temores sobre comportamentos sexuais de risco após a vacinação não procedem.

Os resultados, publicados no periódico CMAJ, reforçam os de um estudo norte-americano sobre o tema, envolvendo 1.398 adolescentes, segundo o site Medical News Today.