Blog do Doutor Jairo Bouer

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Genética interfere na capacidade de “ler” a mente dos outros, diz estudo
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Jairo Bouer

Você consegue ler alguns pensamentos ou emoções de uma pessoa só de olhar nos olhos dela? Eu não estou falando de vidência, mas de empatia. Algumas pessoas têm mais talento para isso do que outras, e, segundo pesquisadores, isso pode ser influenciado pelo nosso DNA.

Cientistas da Universidade de Cambridge desenvolveram, há bastante tempo, um teste chamado “Leitura da Mente pelos Olhos”, que ajuda a detectar o nível de “empatia cognitiva” das pessoas, ou seja, a capacidade de interpretar rapidamente o que um outro indivíduo está pensando ou sentindo só de olhar para os olhos dele.

Em geral, as mulheres têm resultados melhores que os homens, segundo a equipe. E pessoas com autismo e anorexia nervosa tendem a ter pontuação mais baixa no teste de empatia.

Agora, esses mesmos pesquisadores publicaram um novo estudo, em parceria com cientistas da França, da Austrália e da Holanda, bem como a empresa 23andMe, especializada em exames genéticos. Eles concluíram que a genética interfere no resultado do teste de empatia. As informações foram publicadas na revista Molecular Psychiatry.

Eles analisaram o DNA de indivíduos submetidos ao teste, e descobriram algumas variantes genéticas no cromossomo 3 em mulheres com boa capacidade de “ler” a mente dos outros. Curiosamente, nos homens não houve a associação com esse cromossomo.

A equipe, liderada por Varun Warrier, e pelos professores Simon Baron-Cohen, que estuda autismo na Universidade de Cambridge, além de Thomas Bourgeron, da Universidade Paris Diderot, encontrou os mesmos resultados em uma outra pesquisa com 1.500 pessoas.

O assunto ainda precisa ser mais explorado, mas os cientistas dizem que a descoberta é fundamental para entender melhor o que causa variações no nível de empatia. De qualquer forma, a genética seria apenas parte da história: fatores ambientais, como educação e experiências de vida certamente ajudam moldar essa capacidade.


Você sabe quando um cachorro está “sorrindo”?
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Jairo Bouer

cao615

Um estudo revela que pessoas que têm empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos, interpretam mais intensamente as expressões faciais dos cães.

Pesquisadores das universidades de Helsinque e Aalto, na Finlândia, descobriu que essa característica pode influenciar até mais a avaliação das expressões caninas do que experiências anteriores com o animal. Isso porque o rosto é um estímulo biologicamente importante para os seres humanos.

Com base em estudos anteriores, a equipe sabia que pessoas mais empáticas avaliam as expressões dos outros com mais rapidez, precisão, frequência e intensidade. Por isso, eles decidiram checar se isso teria algum impacto na avaliação de fotos de diversos cães.

Os autores, coordenados por Miiamaaria Kujala, comentam, no trabalho, que a comunicação baseada em expressões faciais tem sido estudada em mamíferos sociais há muito tempo. Até Charles Darwin percebia semelhanças nas expressões de certos animais.

Um outro grupo de pesquisa finlandês, da Universidade de Helsinque, já havia demonstrado que os cães reconhecem claramente as expressões ameaçadoras de seres humanos e de outros cães. No trabalho atual, a equipe percebeu que isso também acontece com os humanos, com a diferença que as pessoas acham as expressões caninas até mais intensas, nesse caso.

Só para reconhecer a felicidade dos cães é que  experiência fez diferença. Os treinadores que participaram do estudo foram mais propensos a ver expressões felizes nos bichos do que as outras pessoas.

Os pesquisadores avisam, porém, que muitas dessas pessoas interpretam em excesso as expressões dos bichos. Isso significa que a avaliação não é confiável (lembrando que, no experimento, os participantes só podiam observar o rosto dos cachorros, e não sua expressão corporal). De qualquer forma,  se um conhecido seu achar que o cão da foto acima está sorrindo, você já pode concluir que ele deve ter empatia.

 


Por que o sexo existe, se dá tanto trabalho?
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Jairo Bouer

Pulgas d’água são organismos que se reproduzem com e sem sexo (Wikimedia Commons)

Pulgas d’água são organismos que se reproduzem com e sem sexo (Wikimedia Commons)

Por que o sexo existe se organismos assexuados economizam muito mais tempo e energia para se reproduzir e não precisam de outro ser para gerar descendentes? Essa é uma questão que os pesquisadores tentam responder há muito tempo. Mas uma equipe da Universidade de Stirling, no Reino Unido, pode ter matado a charada: o sexo ajudaria a geração futura a ser mais resistente a infecções.

Algumas espécies animais e vegetais podem se reproduzir sem sexo – é o caso dos dragões-de-komodo e das estrelas-do-mar, entre outros. Mas o sexo ainda é a estratégia dominante para a reprodução na natureza.

Os cientistas sabem que, pelo sexo, genes se misturam, permitindo que as populações evoluam rapidamente e se adaptem a ambientes em constante modificação. Mas só isso não seria suficiente para explicar a supremacia do sexo, já que o processo de acasalamento dispende muito tempo e energia. O pavão tem que exibir a cauda, o veado, os chifres, e há animais que literalmente dançam para conseguir copular.

Para medir o custo-benefício de cada modo de reprodução, os pesquisadores decidiram usar uma abordagem inovadora: investigar animais que se reproduzem pelo sexo e também por clonagem – as pulgas-d’água. Esses bichos e seus parasitas foram cultivados em ambiente controlado para fornecer respostas à equipe.

Os pesquisadores descobriram que a prole produzida sexualmente apresentava mais que o dobro de resistência a doenças infecciosas do que os organismos idênticos gerados pela reprodução assexuada. Os resultados foram publicados no periódico Proceedings of the Royal Society B. Em outras palavras: sexo dá trabalho, mas compensa.

 


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