Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : câncer

Será que beber um pouco é mesmo melhor do que não beber?
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Jairo Bouer

Muitos estudos já mostraram que pessoas que consomem pequenas quantidades de álcool todos os dias têm menos risco de doenças do coração quando comparadas às que não bebem nada. Mas, segundo uma revisão de 45 trabalhos sobre o tema, isso não acontece porque a bebida alcoólica tem algum efeito terapêutico.

Os pesquisadores da Universidade de Victoria, no Canadá, responsáveis pela análise, chegaram à conclusão que indivíduos que bebem uma taça de vinho todos os dias muitas vezes mantêm esse hábito conforme envelhecem porque são saudáveis. Mas não são mais saudáveis porque bebem.

Da mesma forma, muitos abstêmios mantêm a condição porque algum problema de saúde ou remédio impede que consumam álcool. O que é bem diferente de achar que não beber pode fazer mal. As conclusões foram descritas no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Uma outra revisão publicada esta semana revela que uma única taça de vinho por dia é capaz de elevar o risco de uma mulher ter câncer de mama antes da menopausa em 5% e, depois da última menstruação, em 9%. O trabalho envolveu 119 estudos, com um total de 12 milhões de mulheres, e foi financiado pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer.

Entender os efeitos isolados do álcool sobre a saúde não é fácil, pois quem é moderado na bebida também costuma ser moderado em outros aspectos da vida que impactam no risco de doenças. De qualquer forma, essas duas grandes revisões mostram que é preciso ser um pouco cético ao ouvir que beber um pouco é melhor do que não beber nada.


Quase metade dos adultos tem HPV causador de verruga genital
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Jairo Bouer

Quase metade dos adultos norte-americanos, 42%, tem o papilomavírus humano (HPV) causador de verrugas genitais, segundo um relatório que acaba de ser divulgado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). O levantamento ainda revela que 23%, ou um em cinco adultos, têm o tipo de HPV associado ao câncer. As informações são do jornal Washington Post.

Cerca de 80 milhões de pessoas, naquele país, estão infectadas com um dos diversos tipos de HPV, que são transmitidos pelo sexo vaginal, oral ou anal. Alguns deles causam as verrugas genitais, que podem ser desagradáveis, mas têm baixo risco de evoluir para algo grave. Outros, considerados de alto risco, podem causar câncer na garganta e nos genitais, incluindo o de colo de útero.

Não existe um tratamento para combater o vírus – em alguns casos o próprio organismo acaba com eles ao longo dos anos. Mas há como tratar os problemas causados por ele, como verrugas e lesões que podem virar câncer.

De 2013 a 2014, período avaliado na pesquisa, a prevalência de HPV de alto risco entre adultos de 18 e 59 anos era de cerca de 24% para os homens e de 20,5% para as mulheres. Mas os pesquisadores ficaram surpresos com a alta incidência de HPV associado a verrugas genitais – de acordo com o levantamento anterior, 15,2% das mulheres adultas tinham esse tipo de vírus. Já no atual, as taxas foram de 45,2% para os homens e 39,9% para as mulheres.

O CDC recomenda que todas as crianças com idade entre 11 e 12 anos recebam duas doses de vacina contra o HPV com seis a 12 meses de intervalo entre elas, e que as crianças com mais de 14 anos recebam três doses da vacina contra o HPV ao longo de seis meses.

No Brasil, a vacinação de meninos de 12 a 13 anos passou a ser oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) este ano. Os dados sobre incidência não são precisos, por aqui, porque o vírus não é de notificação compulsória. Mas não há motivo para achar que os números sejam muito diferentes.


HPV não é só “assunto de mulher”
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Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que o papilomavírus humano (HPV) ainda é visto como “assunto de mulher”, apesar de a infecção ser responsável pelo câncer em ambos os sexos.

O trabalho foi feito na Virginia, o primeiro estado norte-americano a impor a vacinação contra o HPV às meninas de 11 a 12 anos, em 2008. Desde então, a pesquisadora Maggie Pitts e sua equipe, da Universidade do Arizona, têm avaliado as mensagens sobre o tema que são transmitidas à população.

A equipe conversou com 84 jovens do sexo masculino e descobriu que, embora a maioria já tivesse ouvido falar no vírus, não sabia da existência da vacina e muito menos fazia ideia de que a imunização era útil para evitar o câncer em ambos os sexos. Os resultados foram apresentados em uma conferência recente da Associação Nacional de Comunicação, na Filadélfia, e também publicados, este ano, no periódico científico Health Communication.

Para os pesquisadores, a maior parte da população ignora o papel masculino nas infecções por HPV, e a própria indústria farmacêutica, bem como a classe médica, não ajudam a modificar a falsa noção de que o problema é só das mulheres.

Como consequência, pesquisas mostram que, naquele país, apesar de a vacina já ser oferecida para ambos os sexos há algum tempo, 40% das meninas tendem a completar as doses, enquanto apenas 22% dos meninos vão até o fim. Vale mencionar que, no Brasil, a imunização só será oferecida gratuitamente para meninos a partir do ano que vem.

Embora as meninas tenham um alto risco de contrair o vírus, elas são infectadas pelos parceiros. Além disso, os homens também correm risco de desenvolver um câncer associado ao papilomavírus em regiões como boca, garganta, ânus e pênis.

Grande parte das infecções também pode ser evitada com o uso da camisinha, inclusive no sexo oral. É importante que as pessoas tenham consciência da responsabilidade que têm não só pela própria saúde, como também do parceiro ou da parceira.


Estudo aponta relação entre câncer anal e HPV em mulheres
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Um estudo realizado com mulheres mostra a conexão entre o câncer de ânus e a infecção pelo HPV, o papilomavírus humano. Os resultados foram publicados na revista Obstetrics & Gynecology.

Pesquisadores do hospital Mulheres & Crianças, do grupo Care New England, nos Estados Unidos, avaliaram 273 mulheres, divididas em pacientes de alto risco (aquelas com histórico de câncer cervical, vaginal e de vulva) e de baixo risco (sem histórico de câncer ou de anormalidades no exame de papanicolau).

Todas elas passaram por exames de rastreamento para câncer anal, que envolviam a análise de células da mucosa (citologia) e presença de HPV, sendo que em alguns casos também foram feitas biópsias.

No grupo de alto risco, 40% apresentaram anormalidades no exame de citologia e 20,8% apresentaram resultado positivo para subtipos de HPV associados ao câncer. Entre as pacientes de baixo risco, 21,7% apresentaram anormalidades e apenas 1,2% tinha algum HPV ligado ao câncer.

De acordo com os pesquisadores, o câncer anal é mais comum entre as mulheres, e cinco vezes mais frequente entre aquelas com histórico de câncer cervical, vaginal ou vulvar, que estão ligados ao HPV. Por isso, eles sugerem que algumas mulheres com resultado positivo para o vírus poderiam se beneficiar de exames periódicos para pesquisa de câncer anal.


HPV pode aumentar 22 vezes a propensão ao câncer de garganta
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Pesquisadores norte-americanos descobriram que a prática de sexo oral sem proteção pode levar à infecção pelo vírus HPV-16 (papilomavírus humano tipo 16),  o que faz as pessoas terem uma propensão 22 vezes maior de ter um câncer de garganta potencialmente fatal.

O HPV é bem conhecido por sua relação com o câncer de colo de útero, mas, nos últimos anos, muitos estudos vinham apontando a ligação entre o vírus e tumores na região do pescoço e da cabeça, o que inclui a boca e a garganta. A porta de entrada para o micro-organismo, nesse caso, é o sexo oral.

O estudo, realizado por pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine, é o primeiro a mostrar de forma conclusiva que a presença do HPV na boca leva ao desenvolvimento do câncer de orofaringe, o mesmo tipo que acometeu o ator Michael Douglas há alguns anos.

O trabalho, publicado no periódico Jama Oncology, avaliou quase 97 mil pessoas que tinham vestígios desse tipo de HPV na boca. Eles foram acompanhados por cerca de quatro anos. No final do período, foram identificados 132 casos de câncer de cabeça e pescoço. O grupo de controle, ou seja, com indivíduos saudáveis, continha quase 400 pessoas.

Para os pesquisadores, liderados por Ilir Agalliu e Robert Burk, os resultados sugerem que exames simples de esfregaço bucal, em que se esfrega um cotonete ou uma lâmina dentro da boca para analisar no microscópio, poderiam ser usados para prever o risco de alguém ter câncer de cabeça ou pescoço.

De qualquer forma, o estudo chama atenção para o fato de que sexo oral também tem de ser feito com proteção. Além do HPV, várias outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) podem ser adquiridas dessa forma.


Estudo explica por que nem todos os fumantes morrem cedo
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CIGARRO300Todo mundo sabe que fumar aumenta o risco de câncer e de morte prematura. Mas por que, então, sempre ouvimos relatos de pessoas que vivem mais de 90 anos e nunca abandonaram o cigarro? Segundo cientistas, a genética pode explicar o fenômeno.

A equipe, da Universidade de Oxford, nos EUA, avaliou um grupo de 90 fumantes idosos e identificou uma variação genética que seria responsável por fazer essas pessoas serem mais resistentes a estressores ambientais, como fumo e poluição.

Segundo os pesquisadores, liderados por Morgan Levine, o organismo desses indivíduos seriam mais eficientes para reparar danos causados nas células. Portanto, além de viver mais, essas pessoas também teriam um risco 11% menor de ter câncer.

A descoberta, publicada no Journals of Gerontology, Series A: Biological Sciences and Medical Sciences, fortalece a noção de que a longevidade não está ligada somente a fatores ambientais. A genética também possui um papel importante nisso.


Exercício na adolescência previne morte por doença na meia-idade
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happyexercise300Mulheres que se exercitaram durante a adolescência têm um risco menor de morrer de câncer ou qualquer outra doença por volta dos 40 anos e na maturidade. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Vanderbilt, nos EUA, e do Instituto de Câncer Shanghai, na China.

Os pesquisadores analisaram dados de uma grande pesquisa chinesa, com quase 75 mil mulheres de 40 a 70 anos. Todas elas foram entrevistadas e revelaram informações sobre a prática de exercícios ao longo da vida. Eles consideraram como “atividade física regular” aquela que ocorria pelo menos uma vez por semana por ao menos três meses consecutivos.

Eles descobriram que, ainda que as mulheres tivessem interrompido a atividade física na vida adulta, o fato de terem praticado algum esporte na adolescência ajudou a diminuir o risco de morte por câncer e outras doenças de forma discreta, mas significativa.

Já aquelas que se exercitaram durante a adolescência e também depois tiveram uma redução de 20% no risco de morte por qualquer causa, de 17% por doença cardiovascular e de 13% por câncer.

O trabalho foi publicado na revista Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, da Associação Americana para a Pesquisa do Câncer.

A equipe diz que o próximo passo é estudar mais a fundo a influência da atividade física na juventude para a prevenção das doenças crônicas, até para entender melhor os mecanismos que fazem com que elas sejam deflagradas. De qualquer forma, fica a dica: se você ainda não começou a se exercitar regularmente, saiba que, quanto antes você começar, maiores serão os benefícios a longo prazo.


Existem cinco tipos de câncer de próstata, descobrem cientistas
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PROSTATA300Cientistas britânicos afirmam, estudo publicado nesta quarta-feira (29), que existem cinco tipos diferentes de câncer de próstata. Eles também descobriram como fazer a distinção entre eles.

A constatação, feita por equipe do Cancer Research UK e do Hospital de Addenbrooke, pode ter impacto sobre os tratamentos desses tumores no futuro, já que ajuda a identificar aqueles mais propensos a crescer e se espalhar pelo corpo. O que pode ser fundamental para evitar terapias e cirurgias desnecessárias.

Para chegar à conclusão, a equipe analisou amostras de tecido de próstatas saudáveis e com câncer de mais de 250 homens. Ao se concentrarem em cromossomos anormais e medir a atividade de 100 genes diferentes ligados à doença, os pesquisadores conseguiram determinar a “impressão digital” genética de cada um dos cinco tipos de tumores.

Os resultados, segundo os autores dizem no artigo do periódico EBioMedicine, ainda devem ser confirmados em estudos clínicos com número maior de participantes. Mas eles comentam que esse tipo de análise é mais eficaz para prever quais cânceres são mais agressivos do que os disponíveis atualmente.

Outro passo importante, de agora em diante, será detalhar melhor os mecanismos moleculares de cada tipo específico de tumor de próstata. Esse é o tipo de câncer masculino mais comum.  Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, há cerca de 70 mil novos casos da doença a cada ano.


Gastar o tempo livre sentado pode elevar risco de certos tipos de câncer
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GOOGLE300O que você faz quando tem tempo livre? Aproveita para ler, se inteirar das notícias ou ver o que os amigos estão fazendo nas redes sociais? Talvez seja melhor levantar da cadeira e dar uma volta. Um estudo mostra que ficar sentando durante o período de lazer aumenta o risco de câncer, pelo menos para as mulheres.

O trabalho, publicado no periódico Cancer Epidemiology, Biomarkers and Prevention, descobriu que o hábito aumenta o risco de mieloma múltiplo (câncer na medula óssea), câncer de mama e de ovário mesmo quando fatores como obesidade e prática de atividade física são isolados.

Avanços tecnológicos têm feito muita gente deixar de fazer atividades ao ar livre quando não estão na escola ou no trabalho. E foi isso que incentivou os autores do estudo, da Sociedade Americana para o Câncer.

A equipe, liderada pelo pesquisador Alpa Patel, avaliou dados de 146 mil homens e mulheres saudáveis. Desse total, 18.555 homens e 12.236 mulheres foram diagnosticados com câncer. Passar o tempo de lazer sentado foi associado a um risco 10% maior para as mulheres. Já entre homens não foi encontrada ligação evidente. Os autores esperam que estudos futuros ajudem a entender melhor as diferenças de resultado encontradas entre os gêneros.


Estudo sugere que financiar vacina anti-HPV para meninos compensa
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HPV300Um estudo mostra que a vacinação de meninos de 12 anos contra o HPV (papilomavírus humano) pode ser uma estratégia de baixo custo para a prevenção do câncer de orofaringe – em especial o carcinoma de células escamosas, que começa na parte de trás da garganta e da boca, envolvendo as amígdalas e a base da língua.

O trabalho foi publicado semana passada no periódico Cancer, da Sociedade Americana contra o Câncer. Muitos países têm estabelecido programas de vacinação contra o HPV para meninas, como é o caso do Brasil. Mas o custo-benefício da imunização para o sexo masculino ainda vem sendo avaliado.

A pesquisa, coordenada por Donna Graham e Lillian Siu, do Centro de Câncer Princess Margaret, da Universidade Health Network, no Canadá, aplicaram um modelo estatístico para uma população de 192.940 meninos que estavam com 12 anos em 2012, naquele país. E concluíram que a imunização evita inúmeros casos de câncer.

Avaliando os custos da vacina, os riscos e os gastos com tratamento da doença, elas descobriram que a vacinação poderia gerar uma economia de 8 a 29 milhões de dólares canadenses (de R$ 20 milhões a R$ 69 milhões, aproximadamente) ao longo da vida desses indivíduos.

Segundo as pesquisadoras, até 2020, o câncer de orofaringe será o mais comum entre os provocados pelo HPV nos Estados Unidos, ultrapassando até mesmo o câncer de colo de útero. Elas esperam que o estudo possa contribuir para que os países reformulem suas estratégias de financiamento de vacinas, já que a questão tem impacto na saúde pública.