Blog do Doutor Jairo Bouer

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Tendência a inclinar a cabeça à direita ao beijar pode ser universal
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Jairo Bouer

Você costuma inclinar sua cabeça à esquerda para dar um beijo de língua no seu parceiro ou parceira? Então saiba que você é uma exceção. A maioria das pessoas tende a iniciar o beijo inclinando-se para a direita, inclusive os canhotos, e quem é beijado faz o mesmo, intuitivamente, segundo um estudo feito por psicólogos e neurocientistas.

Diversas pesquisas realizadas em locais públicos, em países ocidentais, já tinham indicado essa tendência. Mas para isolar o fator cultural, pesquisadores das universidades de Bath, no Reino Unido, e de Dhaka, em Bangladesh, decidiram avaliar o comportamento dos casais deste último país, já que lá o beijo de língua não ocorre em público, e também é vetado na TV e no cinema.

As equipes convidaram 48 casais para participar do experimento. Depois de se beijarem em um ambiente privado, em casa, cada um era levado para uma sala diferente e descrevia detalhes do beijo.  Mais de dois terços dos participantes inclinaram a cabeça para a direita. E os homens foram cerca de 15 vezes mais propensos a iniciar o beijo.

Comparando os resultados com os de trabalhos anteriores, os cientistas concluíram que quem é beijado tende a combinar a inclinação da cabeça com a do parceiro, de modo a evitar o movimento de espelho, algo que gera desconforto. Embora a ação seja intuitiva, existe uma decisão envolvida, pelo menos na hora de receber o beijo. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

Os autores do trabalho sugerem que essa tendência pode ter relação com as funções dos hemisférios cerebrais – o esquerdo, que controla o lado direito, está mais relacionado às emoções. Eles também acreditam que diferentes hormônios, como a testosterona (associada ao desejo) ou a dopamina (ligada a recompensa),  podem ser distribuídos de forma desigual pelos hemisférios, justificando o comportamento.

Os pesquisadores querem descobrir, no futuro, se a preferência pela direita na hora de beijar alguém é inata, já que a inclinação da cabeça para esse lado, de um modo geral, já foi observada até no útero. Apesar de ser um fenômeno cultural, beijar também tem a ver com os nossos neurônios, e pode dar pistas importantes sobre o funcionamento do cérebro.


Experimento explica por que as pessoas beijam de olhos fechados
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Jairo Bouer

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Um experimento ajuda a responder por que é irresistível fechar os olhos durante um beijo apaixonado. Muita gente acredita que isso acontece porque é difícil focar a visão em algo tão próximo, como o rosto da outra pessoa. Mas, para pesquisadores britânicos, a resposta para isso está na incapacidade de processar uma informação visual e outra tátil ao mesmo tempo.

Segundo psicólogos da Universidade Royal Holloway, na Inglaterra, ter de se concentrar em uma tarefa visual reduz a habilidade das pessoas para processar um toque. Para chegar à conclusão, eles conduziram um experimento em que voluntários tinham que encontrar uma letra no meio de várias, ao mesmo tempo em que tinham de responder a uma leve vibração na mão.

Quando o grau de dificuldade da tarefa ficou mais difícil, os participantes não foram capazes de notar a vibração, ou seja: a sensibilidade ao estímulo tátil ficou reduzida diante de uma tarefa visual complexa.

Os pesquisadores dizem que isso já tinha sido comprovado em relação a estímulos visuais e auditivos. Por isso eles decidiram investigar se o mesmo acontecia com o sentido do toque.

O objetivo não foi desvendar a questão do beijo, mas para alertar empresas que têm lançado tecnologias como alarmes táteis para motoristas. Para os autores, esse tipo de aviso pode falhar se o condutor estiver tentando ler uma placa, por exemplo.

Os resultados também podem valer para outras situações que envolvem o toque, como a leitura de braille ou o sexo. E ajudaria a explicar, ainda, por que é comum as pessoas não perceberem o celular vibrando quando estão procurando uma pessoa no meio de uma multidão.

O trabalho foi publicado no Journal of Experimental Psychology: Human Perception and Performance e divulgado no jornal britânico The Telegraph.


Beijo de língua não é unanimidade, mostra estudo com 168 culturas
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BEIJO300Beijos de língua sempre foram considerados um termômetro para os níveis de intimidade e paixão dos casais. Tanto que foram imortalizados pelo cinema e são vistos diariamente nas novelas. Mas uma pesquisa mostra que essa forma de romantismo não prevalece em todas as culturas. Em alguns países, ela é considerada até um pouco nojenta.

O pesquisador Justin Garcia e sua equipe do Instituto Kinsey, da Universidade de Indiana (EUA), avaliou 168 diferentes culturas para compreender melhor como diferentes povos encaram o beijo de língua. Os resultados foram publicados na revista American Anthropologist.

O grupo descobriu que apenas 46% dos povos estudados costumam beijar seus parceiros românticos ou sexuais na boca. Para os pesquisadores, foi uma surpresa descobrir que nem metade das culturas avaliadas tem esse costume, o que serve de alerta contra o nosso etnocentrismo cultural, ou seja, a mania de achar que todo o mundo se comporta como nós, ocidentais.

O beijo romântico foi mais prevalente no Oriente Médio, sendo presente nas dez culturas estudadas pelo grupo. Na América do Sul, a prática foi considerada comum em apenas quatro das 21 culturas analisadas.

Na América do Norte, apenas 55% dos grupos culturais avaliados adotam o costume. Na Ásia, a proporção encontrada foi de 73% e na Europa, de 70% (note que o “beijo francês” também não agrada a todos os europeus).

O mais curioso é que os pesquisadores não encontraram evidências de beijo romântico na América Central, incluindo os povos da Amazônia, nem mesmo na África Subsaariana e na Nova Guiné.

A pesquisa também identificou uma relação entre complexidade social e beijos: quanto mais complexa e estratificada uma sociedade é, maior a frequência do beijo romântico.

Garcia comenta, no artigo, que outros trabalhos já apontaram uma prevalência do beijo romântico de até 90% das sociedades. Mas nenhum deles havia utilizado métodos de adaptação transcultural, como a equipe dele.

O autor também esclarece que a evolução do beijo ainda não é algo muito claro para os pesquisadores. Alguns animais adotam comportamentos semelhantes, como os chimpanzés, por exemplo. Alguns especialistas defendem que beijar com a língua é uma forma de aprender mais sobre o parceiro, sentir se existe “química” com o outro e até avaliar sua saúde por meio do paladar e do olfato.

Trocar saliva – e também bactérias – seria importante para o equilíbrio dos micro-organismos que habitam a boca, como já sugeriram alguns pesquisadores. Mas também pode ser perigoso em sociedades em que não há higiene oral, por exemplo. Por tudo isso, os pesquisadores acreditam que ainda há muito para ser pesquisado para entender por que alguns povos se beijam e outros não.


Cerca de 80 milhões de bactérias podem ser transferidas em um único beijo
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BEIJO300Um único beijo de língua de 10 segundos é capaz de transferir 80 milhões de bactérias de uma boca para outra. É o que mostra um estudo publicado na revista Microbiome. O trabalho também mostrou que parceiros que se beijam ao menos nove vezes ao dia compartilham as mesmas colônias de bactérias.

Nosso corpo é formado por um ecossistema de mais de 100 trilhões de micro-organismos, essenciais para a digestão dos alimentos, a síntese de nutrientes e para nos proteger de doenças. Nossa boca costuma abrigar 700 variedades diferentes de bactérias, que os especialistas chamam de microbiota bucal. A genética, a dieta e a idade interferem nesse equilíbrio, assim como as pessoas com as quais interagimos.

Pesquisadores da organização holandesa TNO avaliaram 21 casais, pedindo que preenchessem questionários sobre o comportamento deles em relação ao beijo. Depois, colheram amostras para analisar a composição da microbiota bucal dos participantes. Os resultados mostraram que, quanto mais os casais afirmam se beijar, mais parecidas são as bactérias de suas bocas.

Em outra experiência, um membro do casal consumia uma bebida probiótica com variedades específicas de bactérias, como Lactobacillus e Bifidobacteria. Depois do beijo de língua, os pesquisadores descobriram que a quantidade de bactérias probióticas na saliva dos receptores havia triplicado. A partir disso, foi possível calcular o número de micro-organismos transferidos pelo beijo.

Um dado curioso relatado pelos autores, mas que não tem a ver exatamente com a pesquisa, é que 74% dos homens relataram frequências de beijo maiores que suas parceiras. Eles disseram que o casal se beijava cerca de dez vezes por dia, enquanto as mulheres relataram uma média de cinco beijos diários. Os pesquisadores tiveram que calcular a média, além de contar com as análises das amostras, para chegar aos números finais.


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