Blog do Doutor Jairo Bouer

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Personalidade muda ao beber, mas nem sempre os outros percebem
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Jairo Bouer

Quando você exagera na bebida, seu comportamento muda, e até alguns traços de personalidade podem se alterar. Mas, para os seus amigos, pode não ser tão fácil assim saber quando você está bêbado ou sóbrio, segundo psicólogos.

Pesquisadores do Instituto de Saúde Mental da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, fizeram um experimento e constataram que existe uma discrepância entre o que uma pessoa acha que muda em si mesma quando bebe e o que os outros percebem.

O trabalho foi baseado no modelo dos “cinco fatores”, bastante usado em psicologia para analisar traços de personalidade. A análise envolve cinco principais aspectos: neuroticismo (se a pessoa é mais ou menos instável emocionalmente), extroversão, amabilidade, abertura a novas experiências e conscienciosidade (que pode ser interpretado como cautela ou disciplina).

O experimento foi feito em laboratório, com 156 pessoas, que responderam a questionários sobre consumo de bebida, características de personalidade e percepções sobre o que muda ao exagerar na bebida. Depois vieram com os amigos, em grupos de 3 ou 4 pessoas, e passaram por uma simulação de encontro num bar.

Todos foram servidos com bebidas, mas uma parte consumia refrigerante de limão, enquanto outra tomava vodca. A ideia era que os amigos não soubessem se o integrante da pesquisa tinha consumido álcool ou não.

Depois de mais ou menos 15 minutos, os grupos eram submetidos a uma série de atividades que tinham o objetivo de fazer transparecer diferentes traços de personalidade e comportamentos. Os participantes, então, fizeram uma nova autoavaliação, e os observadores foram convidados a avaliar o que havia mudado no amigo.

Os participantes que ingeriram álcool relataram diferenças em cada um dos cinco fatores, mas os outros só perceberam de forma consistente as mudanças na extroversão, que é o aspecto de personalidade mais fácil de identificar em alguém. Os resultados foram publicados na revista Clinical Psychological Science.

Os psicólogos admitem que o ideal seria fazer um experimento como esse fora do laboratório para ter um resultado mais fiel. Mas eles acreditam que estudos científicos bem controlados sobre personalidade e álcool podem resultar em intervenções mais bem-sucedidas para evitar o impacto negativo do abuso da substância na vida das pessoas.  Em geral, indivíduos que têm problemas com a bebida tendem a apresentar mudanças claras de comportamento, e  o ideal seria intervir antes disso acontecer.


Quanto você acha que bebeu pode depender de quem está ao seu lado
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Jairo Bouer

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Quando você está bêbado e rodeado por pessoas que também beberam muito, sua autoconsciência se altera, de acordo com um estudo. Isso significa que você passa a se basear nos outros para julgar seu nível de bebedeira, em vez de se dar conta da quantidade de álcool que consumiu.

A conclusão, obtida por pesquisadores da Universidade Cardiff, no Reino Unido, foi divulgada na revista médica de acesso livre BMC Public Health.

A pesquisa contou com 1.862 indivíduos, provenientes de diferentes grupos sociais e com idade média de 27 anos. Eles foram avaliados em bares ou festas, ou seja, em situações reais. Os pesquisadores aplicaram testes para medir a quantidade de álcool consumida entre 8 da noite e 3 da manhã. Cerca de um terço dos participantes também teve que responder a algumas perguntas, como “você bebe muito ou pouco?” e “se você bebesse essa mesma quantidade toda semana você acha que pode ter algum problema de saúde daqui a 15 anos?”.

A equipe percebeu que os amigos ou companheiros de bar têm um papel importante na visão que uma pessoa tem sobre seu próprio consumo de bebida. Quem bebe ao lado de alguém sóbrio tende a ter mais consciência sobre os riscos de exagerar do que quem anda em grupos mais homogêneos, em que todos bebem bastante.

Mesmo assim, a maioria dos bebedores enxergou seu nível de consumo e seus riscos como moderados, apesar de terem ultrapassado os limites.

Os autores sugerem que mais estudos sejam feitos para avaliar a influência do grupo na percepção individual de consumo de álcool. Mas se você está querendo evitar a ressaca, talvez seja bom se cercar de amigos sóbrios neste fim de semana.


Álcool torna as pessoas mais amigáveis, mas só com quem “é da turma”
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Jairo Bouer

BEBER300Beber torna as pessoas mais amigáveis com os conhecidos, só que também mais grossas com quem não faz parte da turma. É o que revela o pesquisador Ian Mitchell, da Universidade de Birmingham, que realizou, recentemente, uma série de experimentos com ajuda de exames de imagem e comprovou os efeitos da bebida no comportamento humano.

O consumo de álcool faz com que muita gente se sinta invencível e mais ousado do que o habitual, pois aumenta a atividade de um neurotransmissor chamado Gaba. O efeito depende da dose e da localização de receptores dessa substância química no cérebro. Além disso, beber aumenta os níveis de dopamina, que gera uma sensação de recompensa e de euforia suave.

Em doses mais elevadas, a bebida inativa um outro circuito cerebral que é ligado ao medo e à ansiedade – é por isso que quem  bebe demais fica meio sem noção do perigo, e passa a confiar mais nos outros, conforme explica Mitchell em um artigo no site The Conversation, que reúne textos de pesquisadores.

Porém, o álcool também estimula a agressividade – em testes, quem bebeu teve mais disposição para administrar choques elétricos nos outros, especialmente quem já tinha uma tendência a ser agressivo.

Uma questão importante é que a substância também afeta a capacidade de ler as intenções dos outros e suas expressões faciais, o que somado à característica anterior pode causar problemas sérios.

Por tudo isso, Mitchell reitera que a bebida pode interferir bastante no funcionamento social, fazendo as pessoas se unirem mais aos amigos ou a quem pertence ao mesmo grupo étnico, e rejeitar quem está de fora.

Por último, o pesquisador avisa que grandes quantidades de álcool podem deixar o funcionamento desses circuitos cerebrais tão comprometidos, no fim de uma balada, quanto os de quem sofre de demência. E o consumo crônico pode levar a perdas irreversíveis, como problemas de memória, depressão e até tendência ao suicídio.


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