Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : bebida alcoólica

Falar pra alguém não beber demais pode incentivar o oposto, segundo estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

Dizer para um jovem não “entornar o caneco” pode fazer com que ele queira beber ainda mais, sugere um estudo realizado por pesquisadores das universidades de Exeter, no Reino Unido, e de Queensland, na Austrália. Falar sobre os perigos de se exagerar no álcool também não adianta muita coisa, segundo eles. Já dizer que a maioria das pessoas não extrapola na bebida quando sai à noite pode ter algum efeito.

A equipe analisou três diferentes estudos, envolvendo um total de 221 participantes. Uma parte dos foi exposta a um cartaz com as seguintes informações: “70% dos jovens são contra encher a cara”, ou então  “65% das pessoas não extrapolam na bebida quando saem à noite”. Depois, todos tinham que responder a um questionário para dar suas impressões sobre as frases.

Ser informado que encher a cara é algo que as pessoas desaprovam aumentou a probabilidade de o leitor beber demais. Já a segunda frase diminuiu a tendência, segundo os resultados. De acordo com os autores, que fazem uma analogia aos termos usados em Direito, a norma descritiva funciona melhor do que a imperativa quando se trata de desestimular o uso do álcool.

As conclusões foram publicadas na revista Addiction Research and Theory, e divulgadas no site britânico Daily Mail. Elas mostram que é preciso ter cuidado na hora de passar uma mensagem sobre o uso abusivo do álcool em campanhas, pois o tiro pode sair pela culatra.

 


Jovens podem consumir até 114 mil calorias a mais por ano só em álcool
Comentários Comente

Jairo Bouer

Você costuma abusar do álcool de vez em quando? E já experimentou contar as calorias que você consumiu só em bebida? Pesquisadores canadenses decidiram fazer as contas, levando em consideração os hábitos de jovens menores de idade, e os resultados são impressionantes.

A equipe, da Universidade de Waterloo, coletou dados de um grande estudo nacional, chamado Compass, para saber quanto e com que frequência os jovens têm consumido qualquer quantidade de álcool, ou bebido grandes quantidades em pouco tempo (prática chamada de “binge drinking” ou “beber pesado periódico”). Para as mulheres, um “binge” significa ingerir seis ou mais copos de cerveja numa única noite. Para os homens, oito ou mais copos. Depois, eles avaliaram os tipos de bebida mais apreciados e suas calorias.

Dos mais de 10 mil adolescentes com 16 ou 17 anos, 27,2% bebiam pesado cerca de uma vez por mês. Para essa parcela, o consumo representou de 6.000 a 13.200 calorias a mais por ano, o que equivale a um acúmulo de 0,78 a 1,71 kg de gordura. Já para os 5% que bebiam grandes quantidades de álcool duas vezes por semana, o total de calorias variou de 52.000 a 114.400 a mais por ano, de 6,74 a 15 kg de gordura a mais.

O relatório com os resultados foi publicado no periódico Promoção de Saúde e Prevenção de Doenças Crônicas. A quantidade de adolescentes com excesso de peso e obesidade tem crescido, mas nem sempre as pessoas associam o consumo de álcool ao problema.

Beber pesado não só traz impacto na balança, como também prejudica o fígado, o estômago e o cérebro, além de aumentar o risco de envolvimento em acidentes, situações de abuso e sexo desprotegido.


Exagerar no álcool de vez em quando pode prejudicar tomada de decisões
Comentários Comente

Jairo Bouer

Processar informações para a tomada de decisão e planejar ou organizar tarefas simples, como uma compra no supermercado, são capacidades ameaçadas pelo abuso eventual de álcool e drogas como maconha, cocaína e tranquilizantes, segundo um estudo da Escola de Saúde Pública e do Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Em um artigo publicado na revista científica Addiction, os pesquisadores revelam que problemas cognitivos como os citados acima não são exclusividade de quem é viciado nessas substâncias. Quem consome de vez em quando também sofre deficits de atenção e prejuízos nas chamadas funções executivas do cérebro, aquelas que permitem o planejamento e a tomada de decisões complexas.

A equipe analisou dados de 36.085 entrevistados de um grande estudo epidemiológico, uma amostra representativa da população norte-americana com mais de 18 anos. Metade era do sexo feminino e tinha 45 anos ou mais, e 60% tinham feito faculdade. Ao todo, 1% abusava de cocaína e 33% exagerava na bebida.

Os deficits de atenção mais preocupantes foram associados ao uso frequente e também ao uso eventual, mas em grandes quantidades, de drogas estimulantes. E o nível mais baixo de funcionamento executivo foi encontrado nos usuários de cocaína e nas pessoas que consomem grandes quantidades de álcool em períodos curtos (“binge drinking”, ou beber em binge)  – mais de quatro doses, para as mulheres, e mais de cinco, para os homens.

Os autores dizem que a abstinência e o uso reduzido de substâncias certamente protege o cérebro desses deficits. Mas eles querem descobrir, no futuro, se hábitos saudáveis, como dieta equilibrada, atividades físicas e intelectuais, também podem evitar perdas cognitivas entre os usuários de álcool e drogas.


Será que beber um pouco é mesmo melhor do que não beber?
Comentários Comente

Jairo Bouer

Muitos estudos já mostraram que pessoas que consomem pequenas quantidades de álcool todos os dias têm menos risco de doenças do coração quando comparadas às que não bebem nada. Mas, segundo uma revisão de 45 trabalhos sobre o tema, isso não acontece porque a bebida alcoólica tem algum efeito terapêutico.

Os pesquisadores da Universidade de Victoria, no Canadá, responsáveis pela análise, chegaram à conclusão que indivíduos que bebem uma taça de vinho todos os dias muitas vezes mantêm esse hábito conforme envelhecem porque são saudáveis. Mas não são mais saudáveis porque bebem.

Da mesma forma, muitos abstêmios mantêm a condição porque algum problema de saúde ou remédio impede que consumam álcool. O que é bem diferente de achar que não beber pode fazer mal. As conclusões foram descritas no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Uma outra revisão publicada esta semana revela que uma única taça de vinho por dia é capaz de elevar o risco de uma mulher ter câncer de mama antes da menopausa em 5% e, depois da última menstruação, em 9%. O trabalho envolveu 119 estudos, com um total de 12 milhões de mulheres, e foi financiado pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer.

Entender os efeitos isolados do álcool sobre a saúde não é fácil, pois quem é moderado na bebida também costuma ser moderado em outros aspectos da vida que impactam no risco de doenças. De qualquer forma, essas duas grandes revisões mostram que é preciso ser um pouco cético ao ouvir que beber um pouco é melhor do que não beber nada.


Que tal uma banheira cheia de refrigerante?
Comentários Comente

Jairo Bouer

refri615

Imagine uma banheira cheia de bebidas açucaradas. Um estudo mostra que adolescentes de 11 a 18 anos bebem quase o equivalente a isso por ano. E crianças de 4 a 10 anos consomem metade dessa quantidade, o que também é preocupante. O cálculo foi feito pelo instituto de pesquisa Cancer Research, no Reino Unido.

Segundo o levantamento, que contou com um vasto banco de dados de saúde e nutrição daquele país, crianças pequenas e adultos têm consumido o dobro da quantidade máxima aceitável de açúcar. Já na faixa de 11 a 18, a ingestão chega ao triplo, sendo que as bebidas são a maior fonte de açúcar na dieta desses jovens.

A preocupação dos pesquisadores é com a obesidade, já que uma criança com peso excessivo tem uma probabilidade cinco vezes maior de se tornar um adulto obeso. Com os quilos a mais,  risco de câncer, diabetes e outras doenças aumenta significativamente.

Representantes do Cancer Research também divulgaram um relatório recente mostrando que aumentar imposto sobre bebidas com açúcar adicionado em 20% poderia prevenir 3,7 milhões de casos de obesidade na próxima década. Enquanto políticas públicas como essa não são aprovadas, é preciso contar com informação e consciência.


Quanto você acha que bebeu pode depender de quem está ao seu lado
Comentários Comente

Jairo Bouer

festa615

Quando você está bêbado e rodeado por pessoas que também beberam muito, sua autoconsciência se altera, de acordo com um estudo. Isso significa que você passa a se basear nos outros para julgar seu nível de bebedeira, em vez de se dar conta da quantidade de álcool que consumiu.

A conclusão, obtida por pesquisadores da Universidade Cardiff, no Reino Unido, foi divulgada na revista médica de acesso livre BMC Public Health.

A pesquisa contou com 1.862 indivíduos, provenientes de diferentes grupos sociais e com idade média de 27 anos. Eles foram avaliados em bares ou festas, ou seja, em situações reais. Os pesquisadores aplicaram testes para medir a quantidade de álcool consumida entre 8 da noite e 3 da manhã. Cerca de um terço dos participantes também teve que responder a algumas perguntas, como “você bebe muito ou pouco?” e “se você bebesse essa mesma quantidade toda semana você acha que pode ter algum problema de saúde daqui a 15 anos?”.

A equipe percebeu que os amigos ou companheiros de bar têm um papel importante na visão que uma pessoa tem sobre seu próprio consumo de bebida. Quem bebe ao lado de alguém sóbrio tende a ter mais consciência sobre os riscos de exagerar do que quem anda em grupos mais homogêneos, em que todos bebem bastante.

Mesmo assim, a maioria dos bebedores enxergou seu nível de consumo e seus riscos como moderados, apesar de terem ultrapassado os limites.

Os autores sugerem que mais estudos sejam feitos para avaliar a influência do grupo na percepção individual de consumo de álcool. Mas se você está querendo evitar a ressaca, talvez seja bom se cercar de amigos sóbrios neste fim de semana.


“Bebida batizada” não é lenda urbana, alerta estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

bebidabatizada615

Muitos jovens perdem a paciência quando os pais repetem que não se deve aceitar bebidas de estranhos. Mas o fato é que colocar álcool, sedativos ou outras drogas na bebida de alguém para obter vantagem sexual, dinheiro ou por simples diversão é uma realidade, e não uma lenda urbana, como muita gente pensa.

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, decidiram avaliar o fenômeno do “spiked drink” (que pode ser traduzido como “bebida batizada” ou “Boa Noite, Cinderela” por aqui) de perto. No país, uma pesquisa no Google com o termo traz milhares de links com conselhos para se evitar a cilada e até kits para detecção de drogas em drinques.

A equipe avaliou dados de mais de 6.000 estudantes de três universidades diferentes. Ao todo, 462 alunos (ou 7,8% da amostra) reportaram 539 incidentes em que teriam sido drogados ou alcoolizados contra a vontade. Desse total, 83 jovens (ou 1,4%) admitiram que já tinham “batizado” a bebida de alguém ou viram alguém fazendo isso.

As vítimas mais frequentes, segundo o estudo, foram as mulheres, em 89% dos casos. Também foram elas as que amargaram as piores consequências. Elas foram mais propensas a responder que o episódio tinha o abuso sexual como intenção, enquanto eles disseram mais que o objetivo era a simples diversão.

Os resultados foram publicados na revista Psychology of Violence, da Associação Americana de Psicologia. Os autores observam que o estudo tem algumas limitações, como o fato de que não havia como comprovar se a pessoa tinha sido mesmo vítima de uma bebida batizada, ou se ela acreditava nisso, mas, na verdade, tinha consumido um drinque mais forte do que de costume, ou ingerido algum remédio que interage com álcool. Outra questão é que muitas vítimas não se lembram do que aconteceu depois de “apagar”.

Mesmo assim, o estudo mostra que o “spike drinking” não é algo tão raro. Outros trabalhos já resultaram em números semelhantes ou até mais altos – os pesquisadores citam um, feito na Austrália, em que 25% de 805 jovens diziam ter vivenciado uma situação desse tipo. Para eles, não basta orientar possíveis vítimas, mas também possíveis autores, que podem achar a ideia divertida. Assim como ninguém pode ser obrigado a fazer sexo, todo mundo tem o direito de saber o que está consumindo. Gente pode morrer por causa de uma bebida batizada.


O que faz uma criança de 11 anos beber?
Comentários Comente

Jairo Bouer

alcooladolescente615

Um estudo britânico mostra que uma a cada sete crianças de 11 já experimentou bebida alcoólica. O trabalho, feito por  pesquisadores da Universidade College London e London School School of Economics contou com quase 10.500 meninos e meninas dessa faixa etária.

Os resultados mostram que cerca de 14% das crianças beberam mais do que só alguns goles nessas experimentações. Aquelas cujas mães bebem foram 80% mais propensas a consumir álcool. Quando os amigos bebiam, o risco de que elas bebessem também era cinco vezes maior. O estudo também mostrou que meninos são mais propensos a beber precocemente do que as meninas.

Os pesquisadores encontraram alguns fatores associados à tendência a beber tão cedo, como o início da puberdade, ter um irmão caçula, apresentar comportamentos antissociais e dificuldades emocionais. Ausência de supervisão dos pais e insatisfação com o relacionamento familiar também foram identificados.

A pesquisa mostrou que a maioria das crianças tem crenças positivas em relação ao álcool – elas acham que beber faz as pessoas se sentirem melhor consigo mesmas e também facilita na hora de fazer amizades.

Como se pode ver, a prevenção do uso abusivo de álcool é complexa e deve envolver a família toda, além da escola. Sem contar que oferecer suporte psicológico para que os adolescentes enfrentem melhor seus conflitos pode ser outra estratégia importante.


Em ratos, álcool na gravidez afeta até a terceira geração
Comentários Comente

Jairo Bouer

gravidezalcool615

Um estudo feito em ratos sugere que gestantes que bebem, mesmo pequenas quantidades, podem aumentar o risco de que seus filhos e netos tenham problemas com o álcool.

Pesquisadores da Universidade de Binghamton e de South Connecticut, nos Estados Unidos, avaliaram o impacto de uma dose equivalente a uma taça de vinho, em quatro dias seguidos, na fase que nos ratos equivaleria ao segundo trimestre de gravidez.

Depois, foram feitos testes de sensibilidade ao álcool nos animais que nasceram e também nos filhotes desses animais. As duas gerações foram afetadas, segundo a equipe. O comportamento dos ratos diante da substância indicou que eles apresentavam tendência ao alcoolismo.

Os pesquisadores já receberam aval do Instituto Nacional para o Abuso de Álcool para aprofundar os estudos e descobrir exatamente como a bebida afeta os genes dos ratos, a fim de tentar explicar essas consequências.

É muito cedo para achar que os resultados, publicados no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, podem valer para seres humanos. De qualquer forma, as conclusões reforçam o argumento de muitos especialistas que defendem a abstinência total do álcool durante a gravidez.


Jovem que bebe muito no fim de semana pode ter pressão alta mais tarde
Comentários Comente

Jairo Bouer

alcool615

Jovens adultos que costumam beber grandes quantidades de álcool nos fins de semana tendem a ter uma pressão arterial mais elevada, o que, com o tempo, aumenta as chances de ser hipertenso, alerta um estudo realizado na Universidade do Montreal, no Canadá.

O chamado “beber em binge”, ou “beber pesado periódico”, é o nome que se dá para quem, com certa frequência, costuma consumir cinco ou mais doses de bebida em menos de duas horas. Esse hábito é bastante comum entre os jovens, quando saem no fim de semana, e cada vez mais estudos têm alertado para os riscos desse comportamento a curto e longo prazo.

Nos Estados Unidos e no Canadá, cerca de quatro em cada dez indivíduos de 18 a 24 anos têm esse hábito, e os números não são muito diferentes no Brasil. Em qualquer festa ou churrasco, sempre há alguém que bebe uma latinha atrás da outra.

O estudo atual contou com dados de 765 jovens na faixa dos 20 anos de diversas classes sociais de Montreal . Quatro anos depois, esses participantes tiveram sua pressão arterial medida.

Os pesquisadores descobriram que mais de um a cada quatro participantes preenchia os critérios para pré-hipertensão, ou seja, eles estavam a um passo da doença crônica, um dos principais fatores de risco para infartos e derrames.

Os autores também alertam que 85% dos participantes continuavam a beber pesado aos 24 anos. Isso mostra que o padrão é incorporado, aumentando os riscos não só de hipertensão, como também de vários outros problemas de saúde física e mental.  Os resultados foram publicados no Journal of Adolescent Health.