Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : amizade

Com menos homofobia, garotos podem perder vergonha de ter amigo íntimo
Comentários Comente

Jairo Bouer

Um estudo britânico afirma que o combate ao preconceito contra homossexuais tem permitido que homens mais jovens fiquem mais à vontade para ter relações de amizade mais íntimas. Se para as garotas abraçar as amigas e fofocar enquanto a outra toma banho é algo absolutamente comum, muita gente olhava torto (e ainda olha) quando isso envolve dois garotos.

A conclusão é de uma equipe da Universidade de Winchester, no Reino Unido, e foi publicada no periódico Sex Roles. O termo usado por eles para esse tipo de amizade entre garotos heterossexuais é “bromance”, uma mistura de “brother”(irmão) e “romance”, em inglês, que pode ser traduzido como “amor fraternal”.

Os pesquisadores fizeram entrevistas com 30 estudantes de faculdades ligadas à área do esporte. Todos foram questionados sobre seus relacionamentos com os amigos, e avaliados em relação à intimidade que tinham com eles. Eles também responderam a questões específicas, como o que achavam de dormir na mesma cama, ficar nu na frente do amigo e até beijar no rosto.

Cada um dos 30 participantes tinha pelo menos um amigo íntimo. E todos afirmaram que a relação tinha impacto muito positivo na vida deles. Com esses “brothers”, eles podem falar sobre problemas de saúde ou questões sexuais de uma forma que não conseguem fazer com a família ou as namoradas.

Para os pesquisadores, o fato de amizades mais íntimas entre os jovens serem mais comuns hoje em dia pode resultar em homens mais saudáveis e com maior liberdade de expressar seus sentimentos no futuro. Tudo bem que a amostra do estudo é bem pequena, e que os britânicos têm uma cultura bem diferente da nossa, mas o trabalho indica que as coisas podem estar mudando.


Com o que se parece sua rede de amigos na faculdade?
Comentários Comente

Jairo Bouer

network615

Amigos de faculdade são tão importantes que podem ajudar ou prejudicar o desempenho acadêmico das pessoas, segundo um estudo feito no Dartmouth College, nos Estados Unidos. Tudo depende do tipo de conexões que o aluno cultiva, que podem ter três formatos diferentes, segundo os pesquisadores.

Vários estudos já demonstraram que amigos e colegas exercem influência importante sobre a vida de estudantes. Mas este tem como foco as amizades de faculdade e o desempenho acadêmico. Os pesquisadores analisaram as redes de amigos de 67 alunos. As redes de relacionamentos foram mapeadas e, após a análise, foram divididas em três, de acordo com o perfil predominante.

O primeiro tipo identificado tem um mapa em formato de novelo de lã. São pessoas que mantêm um grupo denso de amigos que também são conectados entre si. As relações são de apoio e ajuda mútua, mas esse também foi o grupo com maior potencial para fazer a pessoa ir mal na faculdade, principalmente quando os outros colegas têm pouca habilidade ou motivação.

O segundo perfil é o compartimentado: o indivíduo tem três ou quatro grupos separados de amigos, formando o desenho de um laço. Em geral, um dos grupos é mais chegado em estudos, enquanto o outro gosta mais de diversão, e a pessoa ora está com um, ora com outro.

Por último, há aqueles que cultivam relacionamentos um a um, com amigos de diferentes lugares que nunca vão se conhecer. O formato desse tipo de rede é o de uma margarida, segundo os pesquisadores. Mais socialmente isolados, esses indivíduos são independentes e costumam ter sucesso acadêmico sem ajuda de ninguém.

Os autores descobriram que, ao contrário do que muitos pais imaginam, os alunos sabem bem quem são os amigos que ajudam ou prejudicam sua vida acadêmica. Eles também concluíram que a maioria das pessoas mantém o mesmo perfil de rede de relacionamento após a faculdade, com exceção dos mais isolados, que tendem a entrar em um “novelo” depois de se formar, a fim de obter apoio.

Ainda segundo a pesquisa, as amizades que resultam em laços acadêmicos ou sociais são as mais duradouras. Mas os “enovelados” tendem a manter um terço dos amigos de faculdade depois de se formar, enquanto o restante mantém apenas um quarto. O trabalho foi publicado no periódico Contexts, e virou tema do livro “How Friendship Networks Matter for Academic and Social Sucess”, da autora do estudo, Janice McCabe (ou “Como redes de amizades importam para o sucesso acadêmico e social”, em tradução livre).

Rede em formato de novelo: a pessoa tem muitos amigos e todos são conectados entre si (Janice McCabe/Darmouth College)

Rede em formato de novelo: a pessoa tem muitos amigos e todos são conectados entre si (Janice McCabe/Darmouth College)


Garoto que quer ter mais amigas deve se colocar no lugar dos outros
Comentários Comente

Jairo Bouer

SELFIE615

Um estudo australiano traz uma dica preciosa para adolescentes que gostariam de atrair mais garotas para seu círculo de amizade: exercite a empatia, ou seja, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Isso mesmo: pesquisadores descobriram que garotos com essa característica conquistam quase duas vezes mais amizades do sexo oposto.

A equipe, da Universidade Católica Australiana, avaliou 1.970 estudantes com 15 ou 16 anos para chegar à conclusão.

O curioso é que o critério não valeu para ambos os sexos. Para as meninas, ter mais empatia não atraiu mais amigos – aparentemente porque os garotos não valorizam tanto essa qualidade.

De qualquer forma, tanto meninos quanto meninas que apresentavam mais empatia foram mais propensos a ter amigos mais solidários, que estavam ao lado eles quando mais precisavam. Isso significa que quando as pessoas têm consideração pelo que os amigos sentem, eles acabam recebendo a mesma atenção em troca.

Os autores observam que ter amigos é fundamental em qualquer idade, mas especialmente importante na adolescência, pois ajuda no desenvolvimento de habilidades interpessoais e no aprendizado. Além disso, está associado a menores taxas de depressão.

Se os resultados podem ser úteis para os jovens, eles também podem servir de recado para os pais. Estimular a empatia das crianças é algo que pode ter impacto positivo para o resto da vida delas.


Família e amigos são preventivo contra depressão em jovem
Comentários Comente

Jairo Bouer

bullying615

Adolescentes que cresceram em um ambiente familiar difícil são mais propensos a ser intimidados na escola. É o que mostra um estudo feito na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que ainda destacou a importância dos amigos e do apoio dos parentes na prevenção da depressão entre os jovens.

A adolescência é um período chave no desenvolvimento de um indivíduo, e também uma época em que muita gente começa a apresentar sinais de depressão. Um dos principais fatores de risco para o transtorno é a vivência de adversidades na infância, especialmente no ambiente familiar, como falta de afeto, perda de algum membro, dificuldades financeiras, abuso emocional, físico ou sexual.

Outro fator que tem sido associado à depressão em jovens é o bullying – o assédio moral enfrentado pelos pares. Este fator, quando associado a problemas na infância, torna os sintomas da depressão ainda mais graves, segundo os pesquisadores. Os resultados foram publicados na revista PLoS ONE.

A equipe, do departamento de psiquiatria, avaliou cerca de 800 adolescentes (322 garotos e 449 garotas). Modelos matemáticos foram utilizados para analisar o impacto que amizades e apoio familiar aos 14 anos podem ter aos 17 anos, especificamente nos jovens que enfrentaram um ambiente adverso na infância e também foram intimidados na escola.

Os pesquisadores descobriram que os jovens que haviam enfrentado problemas familiares na infância foram os mais propensos a sofrer bullying. E estas, por sua vez, foram menos propensos a ter uma boa rede de amigos na adolescência – associação que foi mais forte para os garotos.

O trabalho também concluiu que o apoio da família e dos amigos no início da adolescência ajuda a reduzir os sintomas depressivos posteriores, provavelmente porque melhoram a autoestima, trazem alívio ao estresse e ajudam a desenvolver habilidades interpessoais.


Estudo mostra que somos ruins para julgar as verdadeiras amizades
Comentários Comente

Jairo Bouer

AMIZADE615

Muita gente acredita que a amizade é uma via de mão dupla, mas isso, infelizmente, nem sempre é verdade. Segundo um estudo, apenas metade daqueles que você julga seus amigos considera você da mesma forma.

O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, e do Instituto Massachusetts, nos Estados Unidos, foi publicado no periódico PLoS One.

Os pesquisadores conduziram diversos experimentos sociais e analisaram informações de outros estudos para determinar o percentual de amizades recíprocas e o impacto delas no comportamento humano. Eles também avaliaram seis pesquisas feitas com 600 estudantes israelenses, europeus e norte-americanos para, então, desenvolver um algoritmo que analisa diversos critérios objetivos para determinar quais relacionamentos são recíprocos e quais não são.

De acordo com os resultados, 95% dos participantes acham que suas amizades são recíprocas, sendo que apenas 50% poderiam ser definidas dessa forma.

A equipe concluiu que as pessoas são muito ruins na hora de julgar quem são seus verdadeiros amigos. Pelo menos nesse aspecto, usar a intuição ou confiar nos próprios instintos não dá certo. Segundo eles, é preciso ser mais objetivo na hora de avaliar os impactos que você exerce na vida do seu amigo e vice-versa.

Você pode achar que esse tipo de estudo só serve para deixar as pessoas frustradas e desconfiadas, mas os autores lembram que entender essas questões pode ser fundamental para elaborar estratégias mais eficazes de promoção. Vários trabalhos já mostraram que amizades podem ser valiosas para incentivar as pessoas a se exercitar mais, por exemplo. Se o relacionamento for uma “via de mão dupla”, a influência positiva pode ser bem maior.


Sabe qual a idade em que as pessoas tendem a ter mais amigos?
Comentários Comente

Jairo Bouer

NETWORK615

Em tempos de redes sociais, a tendência  é as pessoas fazerem cada vez mais contatos. Mas quando se trata de amigos de verdade, o mais comum é que o número diminua com a idade, segundo um estudo britânico.

Após analisar registros telefônicos de mais de 3,2 milhões de usuários de celular na Europa, pesquisadores concluíram que nossas redes sociais de verdade, digamos assim, têm seu pico aos 25 anos. A partir dessa idade, o número começa a declinar.

A equipe, das universidades de Oxford e de Aalto, analisaram não apenas a frequência de ligações feitas, mas também a duração de cada chamada. Os resultados mostraram que, quanto mais velhas, mais as pessoas utilizam seu tempo livre para se relacionar com um círculo cada vez menor de amigos ou familiares. As informações foram publicadas no Royal Society Open Science e divulgadas no jornal The Telegraph.

Os pesquisadores contam que, além da idade, o gênero também é um fator importante nessa medição. E, por mais estranho que pareça, os homens tendem a ter contato com um número maior de pessoas do que as mulheres, de acordo com o levantamento. Os dados ainda mostram que, por volta dos 45 anos, há uma certa estabilidade, e, então, a partir dos 55, o declínio volta a aparecer.

Os autores observam que a redução pode ser consequência de casamentos, separações, crescimento dos filhos, questões de saúde, aposentadoria ou morte de amigos e parentes. No entanto, não significa que isso não possa ser mudado. Cada vez mais estudos mostram que se relacionar é importante para a saúde e o bem-estar, por isso, não deixe de ir atrás de novos amigos.


Opostos não se atraem, dizem pesquisadores
Comentários Comente

Jairo Bouer

paquera615

Um estudo realizado por psicólogos derruba o mito de que os opostos se atraem. Segundo os pesquisadores, as pessoas tendem a se sentir atraídos por quem possui pontos de vista e valores parecidos com os seus.

A equipe, da Universidade do Kansas, nos Estados Unidos, avaliou mais de 1.500 pares escolhidos aleatoriamente. Havia casais, mas também havia amigos e pessoas que tinham acabado de se conhecer no experimento. Cada um dos indivíduos respondeu a questionários sobre valores, preconceitos, atitudes e traços de personalidade.

As informações foram comparadas e os pesquisadores perceberam que, mesmo entre aqueles que tinham acabado de se conhecer, havia muitas características em comum, especialmente em aspectos considerados muito importantes para cada um deles.

Em um segundo experimento, foram entrevistados pares que tinham acabado de se conhecer em uma sala de aula de faculdade. Mais tarde, eles foram procurados de novo, e as crenças em comum eram as mesmas.

Para os pesquisadores, entrar num relacionamento com a esperança de mudar as opiniões do outro é perda de tempo.  Eles acrescentam que a procura por semelhantes é algo tão automático nas pessoas que pode ser considerado um padrão psicológico.

A pesquisa foi publicada no Journal of Personality and Social Pschology e noticiada no jornal britânico The Telegraph.


Bom humor pode ser contagioso; já a depressão não é
Comentários Comente

Jairo Bouer

DEPRESSAO300Ter um amigo que sofra de depressão não o torna mais propenso a ficar “baixo astral”. E o motivo é simples: a alegria é contagiante, enquanto o humor deprimido não é. A afirmação é de pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido.

Em um estudo publicado no periódico Proceedings of the Royal Society B, eles explicam que ter amigos saudáveis é fundamental para quem sofre de depressão ou tem maior propensão ao transtorno.

Os pesquisadores analisaram dados de um estudo longitudinal com 2.000 adolescentes do ensino médio norte-americano.

Eles utilizaram um modelo matemático parecido com o que é adotado para controlar doenças infecciosas para descobrir se a depressão pode passar de uma pessoa para outra, e a resposta foi negativa.

O que ocorre, na verdade, é o oposto: o bom humor é que passa de amigo para amigo. Jovens que têm cinco ou mais amigos mentalmente saudáveis têm 50% menos risco de ficar deprimido em um período de seis a 12 meses. E aqueles que têm dez amigos saudáveis têm o dobro de chance de se recuperar de sintomas depressivos em comparação com aqueles que têm apenas três amigos saudáveis.

A equipe sugere que outros estudos sejam feitos, mas também defende que estimular a participação dos adolescentes em grupos seja uma forma barata e eficaz de reduzir a prevalência da depressão.


Vida social aos 20 e aos 30 são determinantes para o bem-estar aos 50 anos
Comentários Comente

Jairo Bouer

SELFIE300Um estudo norte-americano mostra que a quantidade de interações sociais que uma pessoa tem aos 20 anos e a qualidade das relações aos 30 são determinantes para a saúde e o bem-estar na vida adulta.

Pesquisadores da Universidade de Rochester  entrevistaram 222 pessoas e conseguiram acompanhar 133 delas ao longo de 30 anos para chegar às conclusões, publicadas no periódicoPsychology and Aging. Os participantes foram entrevistados até os 50 anos, e então avaliados em relação a saúde, humor e solidão.

As análises mostraram que pessoas com poucas interações sociais na juventude apresentaram risco mais alto de morrer precocemente. De acordo com o principal autora, Cheryl Carmichael, ter poucas conexões pode ser tão prejudicial à saúde quanto fumar e é até pior do que ser obeso.

O trabalho mostra que as interações sociais que ocorrem aos 20 anos ajudam as pessoas a se conhecer melhor, além de adquirir ferramentas que são úteis para desenhar a vida adulta. Nessa fase, é comum encontrar gente de diversas origens, com opiniões e valores diferentes, e isso é importante para aprender a gerenciar diferenças.

O interessante é que, aos 30 anos, é mais importante ter relações de qualidade do que um grande número de interações. Outra descoberta curiosa dos pesquisadores é que nem sempre ter uma vida social agitada aos 20 garante relacionamentos de qualidade aos 30 anos.


Gays tendem a ter mais amigas do sexo feminino, diz estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

NETWORK300Um estudo com mais de 25 mil norte-americanos confirmou o que muita gente já achava: homens gays tendem a ter mais amigas mulheres do que homens heterossexuais.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Chapman, em Orange, na Califórnia, este é o estudo mais abrangente já feito sobre o papel da amizade para gays, lésbicas e bissexuais masculinos e femininos, ou seja, a população GLB. Os resultados foram publicados na revista PLoS ONE.

Segundo o principal autor, o professor de psicologia David Frederick, havia poucos estudos sobre o assunto. Ele diz que as semelhanças em padrões de amizade observados por gênero e orientação sexual reflete uma maior aceitação social dos indivíduos GLB nos EUA.

O objetivo principal de Frederick e sua equipe era descobrir como a orientação sexual pode interferir em questões sobre amizade, e como ter amigos contribui para o bem-estar de gays, lésbicas e bissexuais.

Mas a pesquisa também tinha interesse em avaliar o que os psicólogos chamam de “homofilia de gênero”, ou seja, a ideia de que as pessoas tendem a gravitar em torno de indivíduos mais parecidos com elas próprias.

Os especialistas sempre consideraram que mulheres heterossexuais costumam ter mais amigas do mesmo sexo, e homens heterossexuais, mais amigos homens, pela ausência de tensão romântica ou sexual. Além disso, isso previne eventuais reações de ciúme por parte dos respectivos parceiros.

A pesquisa contou com 25.185 entrevistados com idade média de 42 anos: 11.924 homens heterossexuais, 387 homens bissexuais, 343 homens gays, 220 mulheres lésbicas, 511 mulheres bissexuais e 11.800 mulheres heterossexuais.

Os resultados indicam que héteros, bi e homossexuais têm um número comparável de amigos. E a homofilia de gênero, como os pesquisadores previam, foi comum na maioria dos grupos, com exceção dos homens gays e bissexuais, que não relataram ter mais amigos homens.

Ao questionar sobre os amigos com os quais os entrevistados se sentiam melhor para discutir sua vida sexual, eles descobriram que os jovens homossexuais dão preferência às mulheres. Os pesquisadores acreditam que isso acontece porque elas são menos propensas a ter preconceito contra os gays.

A pesquisa também observou que a qualidade e/ou o número de amizades teve impacto mais forte na satisfação com a vida entre os entrevistados GLB, conforme a reportagem publicada no site MedicalNewsToday.

O estudo constatou, no entanto, que, à medida que as pessoas envelhecem, elas tendem a ter menos amigos. Por isso, o autor reitera o quanto é importante incentivar homens e mulheres a se relacionarem sempre. Amigos ajudam a gente a lidar com a adversidade e a ter mais satisfação na vida.