Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : alcoolismo

Abuso de álcool dispara nos EUA, em especial entre mulheres e mais velhos
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Jairo Bouer

Um grande estudo divulgado nesta quarta-feira (9) mostra que o consumo de álcool aumentou bastante nos Estados Unidos, especialmente entre as mulheres e as minorias. De acordo com os resultados, 72,7% da população bebe atualmente, contra 65,4% registrados no início do milênio. E a parcela de indivíduos que preenchem todos os critérios diagnósticos para abuso ou dependência de álcool subiu de 8,5% para 13%.

O levantamento foi realizado pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo, e publicado no Journal of the American Medical Association Psychiatry. Segundo os autores mencionaram na imprensa local, os números mostram que o problema é mais grave do que as polêmicas que envolvem opioides e maconha, em destaque na mídia.

Os pesquisadores analisaram os hábitos de consumo de 40 mil pessoas com mais de 18 anos. Eles englobam um período de 11 anos. As entrevistas foram presenciais, por isso os autores avisam que os resultados podem ser subestimados, já que nem todo mundo é sincero ao dizer o quanto bebe numa pesquisa.

De modo geral, o consumo abusivo de álcool aumentou 50%, de 17,9 milhões em 2001-2002 para 29,9 milhões em 2012-2013. Considerando-se apenas as mulheres, a elevação foi de 83,7%. Entre adultos com 45 e 64 anos de idade, foi de 81,5% e 106,7%, respectivamente. Entre afro-americanos, de 92,8%. E entre pessoas que ganham menos de 20 mil dólares por ano, de 65,9%.

Os autores perceberam que a recessão de 2008 foi o fator que mais contribuiu para o crescimento das taxas de abuso, na maioria dos grupos. A mensagem deve ser levada em consideração pelas autoridades de saúde no Brasil. É provável que a crise atual, no país, também deixe marcas parecidas.


Abstinência funciona melhor que controle do álcool, sugere estudo
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CIGARROBEBIDA615

Pessoas que buscam tratamento para a dependência do álcool e que têm o objetivo de parar completamente de beber são mais propensos a conseguir quando atendidos por um profissional que defende a abstinência total. Indivíduos que desejam aprender a beber com moderação têm menos probabilidade de sucesso, mesmo quando orientados por alguém que defende o consumo controlado.

Os resultados do estudo, realizado na Universidade de Gottemburgo, na Suécia, são relevantes para um debate que é comum naquele e em outros países, sobre a validade de tratamentos que pregam a redução do consumo em detrimento à abstinência, encarada por alguns como uma solução radical ou inviável.

A pesquisa acompanhou 201 adultos por 2,5 anos após o início dos tratamentos. De forma geral, os pacientes que optaram pela abstinência completa foram os mais bem sucedidos, especialmente quando essa também era a visão do profissional de saúde que os atendeu – nesse caso, a taxa de sucesso foi de 90%.

Já entre aqueles que tentaram apenas controlar o consumo, a proporção foi de apenas 50%, mesmo quando essa era a orientação do profissional. Os resultados foram publicados no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research.


Por que ninguém consegue tomar “só uma”
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Jairo Bouer

bingedrinking615

Cientistas da Universidade A&M Texas afirmam ter descoberto a razão pela qual as pessoas dificilmente conseguem manter a meta de tomar só um drinque, ou só uma cerveja, quando saem com os amigos.

Segundo eles, o cérebro humano contêm neurônios específicos, chamados de D2, que nos “dizem” quando é hora de parar. A letra “D” refere-se à dopamina, um mensageiro químico envolvido no sistema de recompensa do cérebro.

O estudo mostrou que quando as pessoas bebem mais do que deveriam, esses neurônios são desativados, o que leva a beber ainda mais.

O que é pior, de acordo com os pesquisadores, é que o hábito de beber em binge, ou seja, grandes quantidades em um curto espaço de tempo, só enfraquece esses neurônios.

A descoberta pode levar, no futuro, a algum tratamento que ative os neurônios D2 e ajudem a conter o alcoolismo. Para quem está começando a beber, fica a dica: vá devagar, e intercale as doses de álcool com água e comida.  Pense em você amanhã.


Estudo mapeia cérebro de membros antigos dos Alcoólicos Anônimos
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Terapiagrupo615

Um estudo mostrou, com exames de imagem, como as preces recitadas por integrantes dos Alcoólicos Anônimos (AA) ajudam a vencer o desejo de beber após a exposição a imagens relacionadas ao hábito.  Os resultados foram publicados no American Journal of Drug and Alcohol Abuse.

O desejo forte pela bebida é algo que pode voltar surgir mesmo em pessoas que estão em abstinência há muito tempo, e os membros do AA costumam recitar orações nesses momentos para vencer a tentação. A entidade não segue nenhuma religião ou seita, mas estabelece a ideia de um ser superior.

No experimento, os pesquisadores, da Universidade de Nova York, submeteram 20 integrantes antigos do AA a imagens relacionadas à bebida. Todos eles disseram ter sentido algum grau de desejo após a experiência, como era esperado. Na primeira vez que isso foi feito, o grupo foi orientado ler um jornal logo depois de ver as imagens. Na segunda, fizeram a oração. Todos disseram que a prece tinha feito a vontade passar, o que não havia acontecido ao ler o jornal.

Com exames de ressonância magnética, os pesquisadores constataram que as preces levaram a um aumento de atividade em regiões do córtex pré-frontal no cérebro responsáveis pela atenção e pelo controle da emoção.

Segundo os autores, os resultados mostram que ver alguém bebendo ou fotos de bebida parece gerar um gatilho emocional nos dependentes, mas a experiência obtida no AA faz com que consigam administrar a situação.

O coordenador do estudo, o professor de psiquiatria Marc Galanter, estuda o papel da espiritualidade entre os membros do AA de longo prazo. Ele e seus colegas descobriram que os integrantes, depois de um tempo, passam a ter pouco ou nenhum desejo por álcool.

Outros estudos já mostraram que dependentes de álcool que relatam uma espécie de despertar espiritual passaram a beber menos após o tratamento do alcoolismo em relação a quem não teve essa experiência.

Apesar de o estudo ter contado com poucos participantes, os autores acreditam que o tempo de convivência no AA gera mudanças fisiológicas no cérebro dos dependentes, facilitando a manutenção da abstinência.


Em ratos, álcool na gravidez afeta até a terceira geração
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gravidezalcool615

Um estudo feito em ratos sugere que gestantes que bebem, mesmo pequenas quantidades, podem aumentar o risco de que seus filhos e netos tenham problemas com o álcool.

Pesquisadores da Universidade de Binghamton e de South Connecticut, nos Estados Unidos, avaliaram o impacto de uma dose equivalente a uma taça de vinho, em quatro dias seguidos, na fase que nos ratos equivaleria ao segundo trimestre de gravidez.

Depois, foram feitos testes de sensibilidade ao álcool nos animais que nasceram e também nos filhotes desses animais. As duas gerações foram afetadas, segundo a equipe. O comportamento dos ratos diante da substância indicou que eles apresentavam tendência ao alcoolismo.

Os pesquisadores já receberam aval do Instituto Nacional para o Abuso de Álcool para aprofundar os estudos e descobrir exatamente como a bebida afeta os genes dos ratos, a fim de tentar explicar essas consequências.

É muito cedo para achar que os resultados, publicados no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, podem valer para seres humanos. De qualquer forma, as conclusões reforçam o argumento de muitos especialistas que defendem a abstinência total do álcool durante a gravidez.


Usuários de maconha são mais propensos a ter problemas com álcool
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Adultos que usam maconha são cinco vezes mais propensos a desenvolver dependência por álcool, em comparação com indivíduos que não consomem a droga. É o que mostra um estudo realizado na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Drug and Alcohol Dependence.

Segundo os pesquisadores, liderados pelo professor de epidemiologia Renee Goodwin, a vulnerabilidade aumenta mesmo entre os usuários sem histórico de uso de álcool. Além disso, a maconha também aumenta a probabilidade de que a dependência pela bebida persista.

A equipe analisou dados de 27.461 adultos de um levantamento norte-americano focado em álcool e drogas. O foco dos pesquisadores foi nos usuários que começaram a fumar maconha antes de apresentar problemas com uso do álcool. Depois de três anos, esses indivíduos foram cinco vezes mais propensos a desenvolver algum grau de alcoolismo em relação a não usuários de cannabis. E a dependência foi mais difícil de ser tratada entre eles.

É importante que mais estudos sobre essa relação entre álcool e maconha sejam feitos, e que eles também incluam populações mais jovens, que são mais vulneráveis.


Instabilidade econômica muda o padrão de consumo de álcool
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alcooltrabalho615

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, avaliou o impacto da recessão de 2007 a 2009 no consumo de álcool da população, e concluiu que crises econômicas fazem as pessoas beberem mais após o trabalho. Por outro lado, o clima de instabilidade também faz com que elas bebam menos durante o turno.

Vários estudos já demonstraram que períodos de recessão exercem forte influência sobre o consumo de bebida alcoólica. Mas a maioria se concentra nos indivíduos que perdem o emprego – eles passam a beber mais por causa do estresse que a situação envolve ou por que têm mais tempo livre. Desta vez, os pesquisadores decidiram verificar o impacto em quem continua na ativa.

O trabalho, publicado no periódico Psychology of Addictive Behaviors, envolveu mais de 5.000 trabalhadores norte-americanos. Apesar do estresse elevado no ambiente de trabalho, quem tinha o costume de beber durante o turno passou a se controlar mais, para não colocar seu emprego em risco. Mas, para compensar, consumia ainda mais álcool ao deixar o posto.

Os resultados indicam que, em relação aos períodos sem crise, mais trabalhadores de meia-idade passaram a beber. Porém, isso não foi observado entre os empregados mais jovens. Para o principal autor, Michael Frone, isso se deve às responsabilidades financeiras e familiares, que costumam ser maiores para os mais maduros.

Beber menos durante a jornada de trabalho não é necessariamente bom para as empresas. A ressaca também afeta a produtividade, e chegar em casa bêbado todos os dias gera problemas familiares que acabam prejudicando, mais cedo ou mais tarde, o desempenho profissional.


Se você quer ficar longe da bebida, largue o cigarro também
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CIGARROBEBIDA300Indivíduos que têm problemas com o álcool e continuam a fumar após um programa de reabilitação têm um risco maior de sofrer recaídas do que aqueles que não fumam. Os resultados são de uma pesquisa conduzida na Universidade de Columbia e publicada no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research.

A maioria das pessoas que têm problemas com a bebida também fuma. E largar o cigarro geralmente é algo que não faz parte do tratamento contra o alcoolismo, até porque abandonar dois vícios ao mesmo tempo não é fácil.

Mas, segundo equipe liderada pelo professor Renee Goodwin, abandonar o fumo pode ajudar os dependentes de álcool a se manterem sóbrios.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores acompanharam mais de 34.600 adultos com história de abuso de álcool. Quem fumava todos os dias ou mesmo ocasionalmente apresentou uma probabilidade duas vezes maior de voltar a beber em comparação com os não fumantes. A associação foi forte mesmo quando a equipe isolou fatores como transtornos de humor, ansiedade e dependência de nicotina.

Não está claro por que uma coisa leva a outra, mas os pesquisadores acreditam que isso se deve à relação neuroquímica e comportamental que existe entre beber e fumar. Se você está tentando parar de beber, portanto, talvez seja uma boa ideia largar o cigarro ao mesmo tempo. Pode ser mais difícil no começo, mas, a longo prazo, a chance de permanecer sóbrio é mais alta.

 


Casamento pode inibir o consumo exagerado de álcool, diz estudo
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Jairo Bouer

CASAMENTO300Pesquisadores das universidades do Missouri e do Estado da Arizona, nos Estados Unidos, revelam que o casamento faz adultos jovens reduzirem bastante o consumo de álcool, inclusive aqueles que desenvolveram problemas com a bebida.

Segundo os pesquisadores, o casamento traz novas responsabilidades para as pessoas. Beber exageradamente quase sempre impede um jovem de se dedicar ao trabalho e garantir dinheiro para o aluguel e a comida, por exemplo. Como o padrão existente passa a ser conflitante com as demandas do novo papel, uma maneira de resolver a incompatibilidade é mudar o comportamento.

A equipe usou dados de um estudo de longo prazo com mais de 800 pessoas. Cerca de 50% dos participantes eram filhos de alcoólatras. Os pesquisadores examinaram como as taxas de consumo de álcool mudou dos 18 anos aos 40 anos, e como essa mudança foi afetada pelo casamento.

Os resultados mostraram que o casamento não só levou a reduções no consumo, como esse efeito foi muito mais forte para aqueles que tinham problemas graves com a bebida antes de se casar.

Os pesquisadores sugerem mais estudos são necessários para uma melhor compreensão do assunto. Mas eles acreditam que as descobertas podem levar a intervenções mais bem-sucedidas no combate ao uso abusivo do álcool.


O ciúme pode transformar você em um alcoólatra, segundo pesquisa
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Jairo Bouer

BINGEDRINKING300Quem sente muito ciúmes do parceiro ou da parceira pode ser mais propenso a afogar as mágoas na bebida, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.

Pesquisadores da Universidade de Houston explicam que este é um dos poucos trabalhos que analisam como o ciúme e baixa autoestima  podem levar uma pessoa a ter problemas com o álcool. E os especialistas já sabem que indivíduos que bebem com o objetivo de lidar com emoções negativas têm um risco maior de se tornar alcoólatras.

A equipe, liderada pelo médico Angelo DiBello, entrevistou 277 estudantes universitários – 87% do sexo feminino.  O estudo foi publicado na revista Addictive Behaviors e divulgado no jornal britânico Daily Mail.

O grupo descobriu que, quando a autoestima da pessoa está vinculada ao relacionamento, a tendência a usar o álcool para lidar com o ciúme é mais forte. E isso é ainda mais frequente entre os menos satisfeitos ou menos comprometidos com o relacionamento.

Como sentir ciúme e ter problemas de autoestima é algo extremamente comum, dá para ter uma ideia no impacto que isso pode ter no consumo de bebida alcoólica. Da próxima vez que você decidir encher a cara para deixar de pensar tanto no que seu parceiro ou parceira está fazendo longe de você, lembre-se que existem formas mais saudáveis de lidar com emoções negativas, como conversar com os amigos, sair para correr ou até mesmo fazer uma terapia.