Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : Aids

HIV pode alterar memória e aprendizado de pacientes sem tratamento
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Jairo Bouer

Um estudo indica que pessoas infectadas com o HIV que não recebem tratamento adequado apresentam alterações cerebrais que podem diminuir o desempenho cognitivo, ou seja, a memória e o aprendizado.

A descoberta foi feita por pesquisadores das universidades de Missouri, Washington, Califórnia do Sul e Brown, nos Estados Unidos, e também da Universidade Cape Town, na África do Sul. Os dados foram publicados no periódico Brain Connectivity.

Com ajuda de exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos, a equipe analisou diferenças entre as conexões cerebrais de 29 jovens adultos soropositivos que nunca tinham sido tratados, ou que tiveram acesso limitado ao tratamento, e de 16 indivíduos sem o HIV, todos sul-africanos.

O trabalho, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, reitera a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dos infectados pelo vírus da Aids. Sem contar que a medida também é fundamental para evitar novas infecções.


Epidemia da Aids não cede no Brasil, e 112 mil desconhecem ter o vírus
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Jairo Bouer

aids615

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (30), véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, mostram que o número de novas infecções por HIV não tem diminuído no país. São mais de 41 mil novos casos por ano, total que se mantém estável há bastante tempo. Para piorar, dos 827 mil brasileiros que hoje convivem com o vírus, 112 mil desconhecem a sua condição.

O país segue a tendência mundial. O relatório da Unaids, o programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, revelou, na semana passada, que em 2015 houve 2,1 milhões de casos novos, total que tem se mantido estável nos últimos cinco anos.

A boa notícia é que a taxa de detecção da Aids em crianças com até 5 anos apresentou uma queda de 36% de 2010 para cá, no Brasil. Isso significa que o cuidado com gestantes soropositivas tem evitado a transmissão vertical (na gravidez ou no momento do parto), o que também vem ocorrendo em outras partes do mundo.

A mortalidade por Aids também vem apresentando queda – se em 1995 havia quase 10 mortos para cada 100 mil habitantes pela doença, em 2015 foram 5,6.

Mas ainda há muito motivo para preocupação. Existem 372 mil soropositivos sem tratamento para controlar o HIV, o que eleva a chance de transmissão para outras pessoas. A maior parte sabe que está infectada, mas não tem coragem de aceitar a condição.

Os dados mostram que garotas e jovens gays de populações mais excluídas continuam os mais vulneráveis à doença, pela falta de acesso às estratégias de diagnóstico e prevenção, algo que deveria ser reforçado nas escolas e nas mídias sociais. Enquanto isso não mudar, a epidemia não vai ceder.


Estudo com mulheres mostra relação entre álcool e sexo desprotegido
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Jairo Bouer

bingedrinking615

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos mostra que mais de dois terços, ou 70%, das universitárias abriram mão da camisinha na  relação sexual mais recente envolvendo álcool.

O levantamento, feito por uma equipe da faculdade de medicina da Universidade de Cincinnati, contou com uma amostra de 287 mulheres de 18 a 24 anos, principalmente caucasianas. Elas descreveram seus comportamentos em relação a sexo e uso de álcool nos 30 dias anteriores à entrevista.

O estudo, publicado no Journal of Behavioral Medicine, revelou que a maioria das jovens havia  consumido álcool em excesso antes do sexo e que isso coincidiu com a ausência do preservativo. Diversas pesquisas comprovam que substâncias como álcool e drogas fazem as pessoas relaxarem na prevenção a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). O comportamento também pode levar à gravidez indesejada.

Nos Estados Unidos, 70% dos jovens de 18 a 24 anos bebem, proporção bem parecida com a encontrada no Brasil. E 40% das mulheres ultrapassam o limite recomendado de consumo de bebida alcoólica, segundo os autores.


Homem de cidade pequena é menos propenso a fazer teste de HIV
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EXAME615

Um estudo feito no Canadá mostra que homens que fazem sexo com homens e que vivem em cidades pequenas tendem a se submeter bem menos a testes de detecção do HIV. Ter conhecimento sobre o vírus é fundamental não apenas para se adiar o desenvolvimento da doença, como também para evitar a transmissão a outras pessoas.

Pesquisadores da Universidade de British Columbia entrevistaram 153 indivíduos, abordados em sites de encontros e eventos da comunidade gay. Eles descobriram que 24% dos homens que viviam em cidades pequenas nunca tinham passado pelo exame para diagnosticar o vírus da Aids. Entre moradores das grandes metrópoles, a proporção foi mais baixa, de aproximadamente 15%, mas ainda assim preocupante.

O trabalho também associou a baixa testagem à resistência dos homens em falar sobre sua orientação sexual aos médicos – provavelmente porque, em cidades menores, “todo mundo conhece todo mundo”.

Os resultados foram publicados na revista Aids Care. No Canadá, assim como no Brasil e em vários outros países, homens que fazem sexo com homens representam a maior parte dos infectados pelo HIV. E, por aqui, o cenário tende a ser ainda mais grave nas cidades do interior, já que o acesso aos serviços médicos é mais limitado nesses locais.


Vídeo pornô com camisinha incentiva sexo seguro, diz pesquisa
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Jairo Bouer

camisinha615

Um estudo mostra que filmes pornográficos que incluem o uso de camisinha ajudam a incentivar o sexo seguro entre homens que fazem sexo com homens.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e foi publicada na edição online do periódico PLoS ONE.

Eles conduziram uma pesquisa online com 265 homens que fazem sexo com homens e que tinham consumido pornografia nos três meses anteriores à abordagem.  Todos tinham no mínimo 18 anos e moravam nos Estados Unidos.

Os pesquisadores perceberam que os homens que viam mais filmes que envolviam uso do preservativo eram menos propensos a fazer sexo anal sem camisinha. E o inverso também foi constatado: os que assistiam a vídeos em que os atores não se protegiam eram mais predispostos a abrir mão da camisinha.

Do total, 92% relataram assistir a vídeos de sexo explícito em que havia penetração sem preservativo e 48% concordavam que isso havia contribuído para que deixassem de usar camisinha também. Entre os participantes, 70% disseram ter repetido na vida real as coisas que viram nos filmes e 55% comentaram que foram atrás de sexo logo após assistir aos vídeos.

O uso de preservativo tem sido imposto à indústria de pornografia norte-americana para fins de prevenção de transmissão do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Mas hoje em dia, com tanto conteúdo sendo produzido informalmente na internet é muito difícil fazer com que isso seja regra.


Nos EUA, serviço oferece droga anti-HIV em casa, sem consulta presencial
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truvada615

Uma startup norte-americana anunciou que vai passar a levar a terapia de prevenção ao HIV na casa das pessoas, na Califórnia, de táxi, evitando que elas tenham que passar pelo constrangimento de conversar com um médico pessoalmente. As informações são do jornalThe Guardian.

No Brasil, a chamada PrEP (profilaxia pré-exposição) ainda é oferecida de forma experimental – o governo está estudando a viabilidade para sua inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia consiste no uso diário de um produto que combina dois antiretrovirais  (tenofovir e emtricitabina). Nos Estados Unidos, a medicação, chamada de Truvada, já está disponível há alguns anos.

Segundo dados do CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 1,2 milhão de norte-americanos deveriam utilizar a PrEP, por terem relações com soropositivos, serem usuários de drogas, homens que transam com outros homens sem proteção ou profissionais do sexo. No entanto, um levantamento mostra que há apenas 21 mil usuários no país atualmente.

Para a startup, chamada Nurx, um dos motivos para não aderir é o receio de procurar o médico e admitir que não tem usado a camisinha. Outra questão é que nem todos os médicos da atenção primária, ou seja, os clínicos gerais ou ginecologistas que primeiro entram em contato com os pacientes, têm informações suficientes para prescrever o Truvada, ou se sentem à vontade para falar do assunto.

Para se inscrever no programa, os interessados devem responder a um questionário por meio de um aplicativo, que é analisado por um médico. Eles também recebem um pedido para realizar exames de HIV e de função renal, para confirmar se não há restrições para a terapia. Em caráter experimental, a startup está levando um profissional para colher o sangue do paciente em casa, para facilitar ainda mais o processo.

A Nurx já vinha oferecendo um serviço parecido voltado para a prevenção da gravidez indesejada, apelidado de “Uber do controle de natalidade”. O esquema é o mesmo – as interessadas respondem a um questionário, que é avaliado pelo médico e, caso não seja necessário nenhum exame, elas recebem uma remessa para três meses de anticoncepcional em casa.

Ainda é cedo para saber se o serviço vai “pegar” e aumentar a adesão à PrEP, até porque tudo isso depende de marketing. Mas a notícia mostra que, com boas ideias, é possível, ao menos, tentar driblar alguns obstáculos importantes à prevenção do HIV, como o constrangimento de procurar um profissional de saúde para conversar sobre sexo.


Mais de 2 milhões de pessoas com HIV também têm hepatite C
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Jairo Bouer

EXAME615

Uma estimativa mundial indica que 2,3 milhões de pessoas que convivem com o HIV no mundo também estão infectados pelo vírus da hepatite C, o HCV. Desse total, mais da metade são usuários de drogas injetáveis.

Os dados são de um levantamento feito pela Universidade de Bristol e pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, e publicado na revista The Lancet Infectious Diseases.

O estudo também revela que pessoas com o HIV são cerca de seis vezes mais propensas a se infectar também pelo HCV.

Globalmente, há 37 milhões de pessoas infectadas com o HIV, e cerca de 115 milhões de pessoas com infecção crônica de HCV. No entanto, muito pouco se sabia sobre a extensão das infecções conjuntas.

Os pesquisadores revisaram 783 estudos médicos com pacientes de diferentes partes do mundo para chegar à conclusão. Mesmo assim, eles dizem que poucos países tem controle adequado dos casos de coinfecção.

Resultados positivos para os dois vírus foram encontrados principalmente na Europa Oriental e na Ásia Central, que concentram 27% de todos os casos.


60% dos homens gays infectados pelo HIV usam aplicativos de encontros
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Jairo Bouer

APPCAMISINHA615

Mais de 60% dos homens gays e bissexuais diagnosticados com HIV declaram marcam encontros por aplicativos para celular. É o que mostra um estudo realizado pelo departamento de saúde do Estado norte-americano de Rhode Island, em parceria com a Universidade de Brown.

O levantamento se concentrou nos residentes do Estado, durante um ano todo (2013). Nesse período, foram registrados 74 novos casos de infecção por HIV. Três a cada cinco desses casos referiam-se a gays e bissexuais que fazem sexo com outros homens. Entre eles, 22 afirmaram aos pesquisadores que acreditavam ter se infectado por parceiros que conheceram on-line. As ferramentas mais citadas foram Grindr, Manhunt, Scruff, Adam4Adam e Craiglist.

Os autores alertam para a importância de aplicativos e sites de encontros começarem a incluir alertas sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). A epidemia de HIV tem se concentrado de forma desproporcional em homens que fazem sexo com outros homens, e alguns estudos já apontaram os serviços como principal culpado desses números.

Os pesquisadores concordam que a internet não pode ser a única culpada pelo comportamento de risco, e que os serviços que facilitam encontros também estimulam relacionamentos saudáveis e de longo prazo. Alguns dos sites foram, inclusive, elogiados por eles por terem incluído o status de HIV no perfil.

Como fazem parte da cultura de jovens gays e bissexuais, essas tecnologias podem ser uma forma valiosa de comunicação com esse público. Só que as agências de saúde em geral não têm dinheiro para pagar pelos anúncios, então essa iniciativa teria que partir dos próprios provedores dos serviços.


Droga para evitar HIV é tão segura quanto aspirina, dizem pesquisadores
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Jairo Bouer

truvada615

Pesquisadores norte-americanos afirmam que o uso de remédios para prevenir a infecção pelo HIV é tão seguro quanto a administração de aspirina para pacientes com risco cardíaco.

A equipe, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, revisou os principais estudos sobre a profilaxia pré-exposição (PrEP), que consiste no uso diário do medicamento Truvada, um tipo de antirretroviral, por pacientes que têm comportamento sexual de risco e usuários de drogas injetáveis.

Os pesquisadores concluíram que a ocorrência de problemas renais ou ósseos graves entre quem toma o Truvada é tão frequente quanto os sangramentos e mortes causados pelo uso diário de aspirina. Os resultados foram publicados no periódico Open Forum Infectious Diseases. A equipe espera que os dados sirvam de estímulo para médicos e pacientes que temem a terapia pelos efeitos colaterais possíveis.

No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a mensagem de que todo indivíduo com risco de se expor ao vírus deveria fazer o tratamento profilático. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças americano também divulgou que um entre quatro gays ou bissexuais, bem como um em cada cinco usuários de drogas injetáveis e um em cada 200 heterossexuais deveriam considerar a PrEP. No Brasil, a profilaxia pré-exposição ainda possui caráter experimental.


Você vai usar camisinha em 2016?
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Jairo Bouer

camisinha600

Segundo uma revisão de estudos feitos nos últimos 40 anos, questionar é muito mais eficaz para gerar mudanças de comportamento do que afirmar ou impor. Isso significa que perguntar a si próprio ou para os outros algo como: “Você vai se exercitar em 2016?” é mais poderoso do que dizer “Eu vou voltar para a academia este ano”.

De acordo com pesquisadores das universidades da Califórnia, de Albany, do Estado de Nova York, de Idaho e do Estado de Washington, nos EUA, o efeito de uma pergunta sobre o comportamento pode durar até seis meses. Eles chegaram à conclusão após analisar mais de 100 estudos. Os resultados foram publicados no Journal of Consumer Psychology.

A ideia é que, ao responder (ainda que só mentalmente) à questões como “Você vai reciclar?”, que exige “sim” ou “não” como resposta, as pessoas lembram que a atitude é importante para preservar ao meio ambiente, e ainda se sentem desconfortáveis com a possibilidade de não adotar o comportamento.

A dica pode valer para outras ações, como estudar mais para as provas, colar menos e – por que não? – fazer sexo com proteção. Os pesquisadores afirmam que a ferramenta é ainda mais útil se a resposta for escrita no papel ou no computador, e se não houver um prazo específico para cumprir a determinação. Mas eles avisam que o efeito pode ser mais fraco se a questão for relativa a vícios, como beber ou fumar.