Blog do Doutor Jairo Bouer http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre saúde, sexo e comportamento. Thu, 19 Jul 2018 00:19:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Crise econômica pode ter impacto sobre consumo de álcool e cirrose http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/18/crise-economica-pode-ter-impacto-sobre-consumo-de-alcool-e-cirrose/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/18/crise-economica-pode-ter-impacto-sobre-consumo-de-alcool-e-cirrose/#respond Thu, 19 Jul 2018 00:19:56 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2844

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Um grande estudo que acaba de ser divulgado na revista médica BMJ mostra que o número de mortes por cirrose nos Estados Unidos aumentou 65% entre 1999 e 2016. O crescimento foi mais acentuado entre adultos jovens, na faixa dos 25 aos 34 anos de idade, o que chamou a atenção dos pesquisadores. Para eles, essa mudança de cenário pode ter relação com a crise econômica de 2008, que teria feito as pessoas abusarem mais do álcool.

A cirrose é caracterizada pela presença de cicatrizes no fígado e pode levar ao câncer de fígado ou à insuficiência hepática, ambas doenças fatais. As principais causas de cirrose são consumo de álcool, obesidade, hepatite e fígado gorduroso.

Os resultados, divulgados no jornal The New York Times, indicam que a mortalidade pela doença estava estável até 2008, mas, desde então, a taxa sofreu um aumento de 4% ao ano, de acordo com os dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). De 1999 a 2016, as mortes anuais por câncer de fígado dobraram no país, sendo que as maiores elevações também foram registradas a partir de 2008.

Os pesquisadores, da Universidade de Michigan, admitem que são necessários mais estudos para comprovar essa relação. De qualquer forma, essa não é a primeira pesquisa que mostra como a crise econômica interferiu nos padrões de consumo de bebida alcoólica.

Uma equipe da Universidade de Buffalo divulgou, há algum tempo, que a recessão de 2007 a 2009 fez com que os norte-americanos passassem a beber mais após o trabalho. E menos no meio do turno, provavelmente pelo receio mais forte de perder o emprego numa época de crise. O levantamento, publicado no Psychology of Addictive Behaviors, envolveu mais de 5 mil trabalhadores.

A cirrose hepática é apenas uma das consequências do consumo excessivo de álcool. Outros tipos de câncer, bem como problemas mais agudos, como acidentes de trânsito e violência, estão associados à bebida e têm, por sua vez, impacto na economia. Será que o Brasil também vive esse cenário? É bem provável que sim.

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Puberdade precoce pode levar a contato com drogas mais cedo http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/16/puberdade-precoce-pode-levar-a-contato-com-drogas-mais-cedo/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/16/puberdade-precoce-pode-levar-a-contato-com-drogas-mais-cedo/#respond Tue, 17 Jul 2018 01:48:34 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2841

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Garotos que entram cedo na puberdade têm risco mais alto de abusar de álcool e drogas na adolescência do que aqueles que demoram mais para entrar nessa fase, de acordo com um estudo da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

Os resultados, publicados no periódico Child Development, foram baseados no acompanhamento de 534 garotos brancos, norte-americanos, ao longo de 20 anos. Metade dos participantes tinha pais com algum tipo de problema relacionado ao uso de substâncias. Todos eles passaram por exames físicos e dosagens hormonais.

Quanto mais cedo um indivíduo se envolve com álcool, tabaco ou drogas, maior a propensão a desenvolver dependência mais tarde. Por isso a recomendação é sempre adiar o máximo possível o contato dos jovens com essas substâncias – mesmo motivo pelo qual é proibido vender cigarro e bebidas alcoólicas a menores de idade.

Os jovens que entraram na puberdade mais cedo no estudo, por volta dos 11 anos de idade, foram mais propensos a usar álcool e drogas aos 16 anos do que aqueles que entraram mais tarde.

Os níveis de testosterona sofrem uma elevação significativa durante a puberdade. É isso o que deflagra as alterações típicas, como aumento do volume dos testículos, aparecimento de pelos e mudanças na voz.

Alguns estudos sugerem que a substância acelera o comportamento de busca por recompensas. Assim, se isso acontece cedo demais, não haveria maturidade suficiente das áreas do cérebro envolvidas na tomada de decisões e controle de impulsos. Isso explicaria a relação entre puberdade precoce e uso de substâncias.

Outra teoria é que as características da adolescência levariam esses jovens a ter um tipo de interação social que estimularia o envolvimento com álcool e drogas. Mas este estudo mostrou que a elevação nos níveis de testosterona foram mais importantes que as mudanças físicas observadas nos garotos.

A relação não foi observada entre os participantes de outras etnias, mas os cientistas ressaltam que negros, de forma geral, tendem a entrar na puberdade mais cedo. Pesquisas anteriores com meninas também já trouxeram resultados similares. De qualquer forma, não dá para dizer que os hormônios mandam em tudo. Claro que fatores ambientais também contam para o envolvimento com álcool e drogas.

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Tendência à depressão aumentou 50% entre grávidas jovens http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/13/tendencia-a-depressao-aumentou-50-entre-gravidas-jovens/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/13/tendencia-a-depressao-aumentou-50-entre-gravidas-jovens/#respond Fri, 13 Jul 2018 19:15:50 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2839

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Todo mundo sabe que algumas mulheres ficam mais sujeitas a quadros de tristeza ou depressão após o parto. Mas o transtorno pode ocorrer já durante a gravidez, a chamada depressão pré-natal, colocando mãe e bebê em risco. Segundo grande estudo publicado nesta sexta-feira (13), a probabilidade de sofrer com o transtorno aumentou 50% entre gestantes jovens.

Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, examinaram dados de 2.390 jovens de 19 a 24 anos que engravidaram nos períodos de 1990 a 1992 e de 2012 a 2016. Eles descobriram que a proporção de diagnósticos aumentou de 17%, no primeiro grupo, para 25%. Ou seja, uma em quatro gestantes apresentam sintomas depressivos, de acordo com o levantamento mais recente, publicado na revista Jama, da Associação Médica Americana.

A comparação entre as duas gerações de jovens também trouxe outras descobertas: as gestantes de hoje são menos propensas a fumar, mas as taxas de consumo de álcool durante a gravidez foram semelhante nos dois grupos. Como consequência do achado anterior, as grávidas estão consumido mais antidepressivos.

Muitas mulheres têm receio de tomar remédios na gestação, mas há evidências de que o transtorno não tratado pode trazer riscos importantes para a mulher e a criança. Algumas substâncias foram mais estudadas que outras, e são essas que os médicos preferem usar nesse período. Terapia também é importante, já que muitos dos sintomas podem ter relação com as preocupações associadas à maternidade. Se o álcool já não é bem-vindo numa gravidez, quem toma remédios deve ficar longe da bebida.

Os pesquisadores acreditam que mudanças de estilo de vida e na sociedade podem ter influenciado os resultados. Estresse crônico, falta de sono, hábitos alimentares inadequados e sedentarismo podem estar envolvidos, bem como a internet e as mídias sociais, que podem ter colaborado para mudanças nas relações e sensação de isolamento. Alguns estudos já mostraram que as garotas são as mais vulneráveis às comparações estimuladas pela exposição nas redes.

Outra pista importante para justificar o resultado, segundo os autores, é que a proporção de gestantes que trabalham foi maior no levantamento mais recente. A gente sabe que administrar as pressões do trabalho e o novo status de mãe pode ser desafiador para muitas mulheres.  Contar com ajuda de um terapeuta, do parceiro e da família é fundamental para vencer o medo de não dar conta da nova vida.

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Violência cometida por parceiro deixa cicatrizes duradouras http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/violencia-cometida-por-parceiro-deixa-cicatrizes-duradouras/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/11/violencia-cometida-por-parceiro-deixa-cicatrizes-duradouras/#respond Wed, 11 Jul 2018 21:59:21 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2837

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Infelizmente, não são poucas as mulheres que sofrem violência física e/ou sexual pelos parceiros íntimos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 36,9% e 28,9% das brasileiras residentes em áreas rurais e urbanas, respectivamente, já passaram por isso ao menos uma vez na vida. As consequências podem ser profundas e não terminam depois da separação.

Um estudo conduzido por uma pesquisadora norte-americana, da Universidade de Buffalo, chama a atenção para o fato de que muitas dessas mulheres precisam de ajuda para iniciar novos relacionamentos. Nos Estados Unidos, as estatísticas não são muito diferentes daqui: uma em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência cometida por parceiro íntimo.

Assim como uma criança que sofre abuso em casa, mulheres agredidas pelos parceiros enfrentam um trauma por terem sido traídas por alguém em quem confiavam. Segundo a professora e pesquisadora Noelle St. Vil, essas cicatrizes passam a afetar os relacionamentos futuros.

Após entrevistar sobreviventes de violência cometida por parceiro íntimo, ela levantou as principais barreiras encontradas por essas mulheres na hora de se relacionar com potenciais novos parceiros. A principal delas é o medo de se ligar emocionalmente à pessoa. Elas passam a acreditar que mesmo um relacionamento que parece saudável pode acabar em violência.

Outra questão importante é que a autoestima dessas mulheres fica comprometida, e isso acaba fazendo com que elas se sabotem. Quando um cara legal tenta se aproximar, por exemplo, elas se afastam por achar que não são capazes de despertar o interesse ou sentimento verdadeiro de alguém que vale a pena.

Por último, é comum que haja um problema de comunicação nos novos relacionamentos – elas têm dificuldade de explicar o que vivenciaram e como isso afeta o comportamento atual. Isso acaba gerando uma falta de conexão, e as chances de a relação ir para frente diminuem. As conclusões foram publicadas no periódico Journal of Interpersonal Violence.

Também é importante lembrar que a violência doméstica, de qualquer tipo, pode ter uma influência para gerações futuras quando presenciada pelos filhos do casal. É o que mostrou um estudo divulgado no ano passado pela ONU Mulheres no Brasil, uma agência da Organização das Nações Unidas, realizado com 10 mil mulheres de capitais nordestinas.

O levantamento mostrou que quatro a cada dez mulheres que cresceram em lar violento voltam a enfrentar a situação ao se tornarem adultas, sendo que boa parte delas viu a mãe sendo agredida. Isso indica que o padrão é perpetuado. Entre os homens que agrediram suas parceiras, 40% tinham presenciado violência em casa, de acordo com o estudo. É um problema de saúde pública complexo, que precisa ser tratado com atenção.

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OMS inclui compulsão sexual em lista de transtornos; o que isso significa? http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/09/oms-inclui-compulsao-sexual-em-lista-de-transtornos-o-que-isso-significa/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/09/oms-inclui-compulsao-sexual-em-lista-de-transtornos-o-que-isso-significa/#respond Mon, 09 Jul 2018 21:42:37 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2834

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no mês passado sua nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, o CID-11, e algumas novidades ganharam destaque na imprensa, como a inclusão do “transtorno do comportamento sexual compulsivo”.

A nova versão só vai ser apresentada no ano que vem, e, na prática, não traz grandes mudanças para os pacientes. Mas as atualizações refletem mudanças de conceitos, e isso sim pode trazer benefícios para as pessoas com o tempo. Uma das novidades do CID-11 é a criação de um capítulo sobre saúde sexual. Entra aí, por exemplo, a incongruência de gênero, que antes era considerado um problema de saúde mental. O objetivo da OMS foi diminuir o estigma enfrentado por quem não se identifica com seu sexo biológico.

Mas o transtorno do comportamento sexual compulsivo não entra na nova categoria. Ele foi adicionado como um transtorno do impulso, da mesma forma que a cleptomania ou a compulsão por jogos de azar. A dependência por jogos eletrônicos, por sinal, foi incluída nesse capítulo também.

Muitos especialistas discordam das novas classificações, por motivos variados. Mas o objetivo da OMS é ajudar centenas de pessoas que têm prejuízos sérios na vida por causa desses comportamentos compulsivos e não buscam auxílio pelo receio de serem estigmatizados.

A compulsão por sexo, de acordo com a classificação, é caracterizada por um padrão persistente de falha para controlar impulsos sexuais repetitivos e intensos, por no mínimo seis meses. A busca constante por atividade sexual tem um foco central na vida dessas pessoas, a ponto de negligenciarem a própria saúde e integridade, outros interesses e responsabilidades, o que resulta em enorme prejuízo para a vida pessoal, profissional, familiar e afetiva. Essas pessoas fazem um esforço enorme para mudar, mas não conseguem, o que só aumenta o sofrimento. No fim das contas, o sexo traz pouco ou mesmo nenhuma satisfação.

Em português claro, um indivíduo com o transtorno não consegue ter uma vida normal e produtiva, muito menos se manter num relacionamento. É bem diferente de pessoas que aproveitam seu tempo livre para ir atrás de aventuras sexuais, simplesmente porque isso lhes dá prazer ou emoção. Em outras palavras, o transtorno não pode ser usado como desculpa para qualquer caso de infidelidade.

O CID considera as parafilias um critério de exclusão para o transtorno de compulsão sexual. Ou seja: pedófilos e pessoas que sentem desejo de se masturbar na frente de outras sem o consentimento delas, por exemplo, entrariam em outra categoria de transtorno mental.

Vale lembrar que o transtorno bipolar e o uso de certas substâncias, como cocaína e ecstasy, também podem provocar interesse aumentado em sexo ou um comportamento de desinibição sexual temporário, e aí o diagnóstico seria outro. Algumas demências ainda podem ter a hipersexualidade como sintoma, e até certos medicamentos, como os utilizados no mal de Parkinson, poderiam ter impacto nos impulsos, de acordo com estudos recentes.

Para quem é dependente de álcool, drogas ou apostas, a abstinência é indicada. No caso do sexo, isso está fora de cogitação. O tratamento envolve psicoterapia e, eventualmente, o uso de certos medicamentos. Grupos de autoajuda também podem ser úteis. Mas é importante lembrar que não existe nenhuma droga ou terapia específica para esse fim.

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Álcool pode incentivar abuso, mas pode não ser o único culpado http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/06/alcool-pode-incentivar-abuso-mas-pode-nao-ser-o-unico-culpado/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/06/alcool-pode-incentivar-abuso-mas-pode-nao-ser-o-unico-culpado/#respond Fri, 06 Jul 2018 23:20:02 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2830

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Um estudo que acaba de ser publicado no periódico Aggressive Behavior decidiu examinar como a bebida pode interferir nas respostas dos homens às recusas sexuais das mulheres. Para isso, pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade de Yale contaram com um jogo de realidade virtual, que simulava o encontro com uma mulher – uma estratégia bem mais segura do que colocar homens alcoolizados para flertar com garotas de verdade.

A equipe selecionou aleatoriamente 62 homens com 20 e poucos anos para consumir bebidas com e sem álcool. Depois, eles tinham que conversar com as figuras femininas como se estivessem num encontro romântico. As personagens tinham sido programadas para aceitar algumas atividades sexuais e recusar outras, e a negar com mais intensidade caso os participantes insistissem em fazer certas coisas.

Como previsto, quanto mais atividades sexuais as personagens topavam, maior era a insistência dos participantes em fazê-las avançar. E quanto mais alcoolizado estava o homem, maior era a insistência, mesmo quando as personagens rejeitavam claramente a investida.

Os pesquisadores notaram que quanto mais recusas sexuais os participantes recebiam, mais hostis eram os comentários que eles faziam à mulher. E o curioso é que isso aconteceu mesmo entre os homens que não consumiram álcool. As frases foram descritas pelos autores no trabalho, e algumas são bem pesadas. Tudo bem que era só uma simulação, mas não deixa de ser um achado preocupante.

Pelo menos metade dos casos de estupro envolve uso de álcool, segundo estudos. Mas ainda existem inúmeras situações em que abusos acontecem porque as vítimas estavam alcoolizadas demais para se defender, e quem se aproveita pode nem se sentir culpado: para certos homens, se uma mulher bebe demais ou dança de maneira mais ousada e sofre abuso, é como se ela tivesse deixado aquilo acontecer.

Em geral, quem exagera na bebida fica com a compreensão prejudicada e pode não perceber os sinais de que uma mulher não está interessada. Além disso, o álcool aumenta a agressividade. Mas esse estudo mostra que a substância pode não ser a única culpada em situações de abuso sexual. A cultura também precisa ser mudada. É preciso que os homens aprendam que as mulheres podem estar a fim de certas coisas, mas não de outras, e isso deve ser respeitado.

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Ele gosta de carros de luxo? A culpa pode ser da testosterona http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/04/ele-gosta-de-carros-de-luxo-a-culpa-pode-ser-da-testosterona/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/04/ele-gosta-de-carros-de-luxo-a-culpa-pode-ser-da-testosterona/#respond Wed, 04 Jul 2018 22:26:14 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2825

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Já se sabe que níveis mais altos de testosterona podem interferir em diversos aspectos do comportamento masculino, da agressividade à tendência a fazer investimentos de risco. Segundo um novo estudo, publicado na Nature Communications, a quantidade de hormônio ainda pode explicar por que certos homens adoram artigos de luxo e grifes famosas.

A conclusão é de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), do Laboratório ZRT e da Universidade da Pensilvânia e, nos Estados Unidos, com participação da Universidade de Western Ontario, no Canadá.

A pesquisa envolveu 243 voluntários de 18 a 55 anos, selecionados aleatoriamente para receber uma dose de gel de testosterona ou de gel com placebo. Depois de quatro horas, eles foram submetidos a exames para detectar se os níveis de testosterona já tinham atingido o pico, e então passaram por diferentes testes para avaliar mercadorias ou anúncios de diferentes produtos.

Os resultados mostraram que os homens que receberam a dose de testosterona demonstraram uma preferência mais forte por marcas de luxo e artigos que evocam poder do que os participantes que receberam o placebo.

De acordo com cientistas, a testosterona está associada a comportamentos de busca e de manutenção de status. No reino animal, isso é feito por meio da agressividade – um primata ataca o outro para mostrar quem é o dono do pedaço, por exemplo. Já entre os homens, essas manifestações também ocorrem, mas podem ser substituídas por atitudes mais civilizadas, digamos assim, como o consumo.

Um dos autores, o professor de comportamento econômico da Caltech Colin Camerer, chega a comparar o dinheiro gasto em carros e roupas de marcas sofisticadas como o peso da cauda de um pavão macho. Se não fosse pela necessidade de atrair fêmeas, eles teriam muito mais agilidade para correr sem tantas penas para carregar.

O mesmo raciocínio vale para os homens: ninguém precisa gastar 300 mil dólares para andar de automóvel, mas uma máquina com esse preço é um símbolo de status. Enquanto alguns tentam se exibir com penas, armas ou músculos, outros usam logotipos na camisa ou no automóvel.

Embora esse estudo tenha sido feito só com homens e a testosterona, alguns trabalhos já associaram as variações hormonais do ciclo menstrual a certos comportamentos femininos. Um deles, publicado no periódico Psychoneuroendocrinology, constatou que, no período fértil, quando o estrogênio está alto e a progesterona, baixa, elas são mais assertivas e propensas a comprar artigos voltados para o sexo, como roupas ou lingeries sensuais.

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É mais satisfeito quem está em relacionamento aberto ou monogâmico? http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/02/e-mais-satisfeito-quem-esta-em-relacionamento-aberto-ou-monogamico/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/02/e-mais-satisfeito-quem-esta-em-relacionamento-aberto-ou-monogamico/#respond Mon, 02 Jul 2018 21:45:18 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2821

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Numa sociedade que tem a monogamia como tradição, é natural que casais que assumem um relacionamento aberto sejam vistos com olhares meio tortos. Para os mais críticos, essas pessoas seriam instáveis e incapazes de “sossegar o facho”. Para outros, mais simpáticos à ideia, são pessoas maduras que sabem o que é viver. Afinal de contas, será que eles seriam menos ou mais felizes sexualmente?

De acordo com um estudo publicado recentemente, nem mais, nem menos: casais em relacionamento aberto e monogâmicos teriam níveis semelhantes de satisfação emocional e sexual. A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Guelph, no Canadá, com participação da Universidade de Nova York.

O artigo com os resultados, publicado no periódico Journal of Social and Personal Relationships, derruba tanto o mito de que a monogamia seria o regime ideal, quanto a ideia de que ficar com uma pessoa só é tentar viver uma mentira. De qualquer forma, a amostra não é tão ampla assim: o trabalho contou com 142 indivíduos que afirmaram estar em relacionamentos não monogâmicos consensuais, ou seja, abertos, e 206 adeptos da monogamia.

Todos os entrevistados responderam a questões sobre satisfação com o relacionamento (emocional e sexual), e sobre a confiança no parceiro. Os resultados não trouxeram diferenças significativas entre os grupos.

O que teve mais importância como indicador de satisfação, segundo a pesquisa, não foi a estrutura do relacionamento, mas sim a motivação para o sexo. Em ambos os grupos, os mais felizes eram aqueles que transavam para se sentir mais próximos do parceiro ou para concretizar os próprios desejos. Os mais insatisfeitos eram aqueles que topavam sexo para evitar conflitos.

Não dá para dizer que relacionamento aberto é para todo mundo. Afinal, muita gente que se acha madura e moderna pode acabar se machucando ou sofrer de ciúme. Seja qual for a escolha, é preciso que a honestidade com o parceiro prevaleça. E que, ao ter relações com pessoas  fora do relacionamento, todos os cuidados sejam tomados para evitar infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs.

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Benefícios das férias se evaporam em poucos dias, mostra estudo http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/29/beneficios-das-ferias-se-evaporam-em-poucos-dias-mostra-estudo/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/29/beneficios-das-ferias-se-evaporam-em-poucos-dias-mostra-estudo/#respond Sat, 30 Jun 2018 02:08:01 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2813

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Não existe nada melhor do que tirar férias para se livrar do estresse relacionado ao trabalho. O problema é que o bem-estar dura pouco. Segundo um estudo norte-americano, para dois terços dos trabalhadores, os benefícios do período de descanso vão embora em poucos dias.

O levantamento foi feito pela internet por pesquisadores da Associação Americana de Psicologia, analisando mais de 1.500 pessoas com empregos de período integral e de meio período.

A maioria dos trabalhadores relatou bons efeitos das férias, como voltar ao trabalho com humor mais positivo (68%), mais energia (66%) e motivação (57%), e menos estresse ​​(57% ). Além disso, consideraram que a qualidade do trabalho melhorou (55%), bem como a produtividade (58%).

Os autores do estudo observam que tirar férias regularmente pode ajudar a evitar o “burnout”, a síndrome de esgotamento associada ao trabalho, mas quando o problema já existe, a medida só funciona como paliativo.

No geral, mais de um terço dos americanos que trabalham (35%) relatou sentir estresse crônico durante o expediente, e apenas 41% afirmaram que o empregador fornece recursos suficientes para ajudar os funcionários a administrar o estresse. Metade dos participantes também entende que seus empregadores fornecem recursos para ajudá-los a entender suas necessidades de saúde mental.

Além disso, cerca de 20% disseram ter sentido tensão durante as férias, 28% admitiram que acabaram trabalhando mais do que o planejado durante o descanso, e 42%, que temiam voltar ao trabalho.

Muitos sites oferecem dicas de como aproveitar melhor o tempo fora do escritório, mas isso não depende exclusivamente do empregado. A empresa deve ter políticas e práticas eficazes que permitam aos funcionários se ausentar com tranquilidade e sem serem acessados por e-mail ou telefone.

Apenas 41% dos entrevistados relataram que a cultura de sua organização encoraja a folga, e 38% avaliaram que seu supervisor incentiva o descanso. Os resultados não chegam a surpreender, mas mostram que falta bom senso. O estresse não prejudica apenas os funcionários, como também as próprias empresas.

A pesquisa demonstrou que nas organizações que incentivam a folga, os funcionários sentem os benefícios do descanso por mais tempo. Nessas empresas, 71% relataram voltar com maior motivação, quando comparados com os funcionários sem incentivo (45%). As proporções foram semelhantes, em ambos os lados, nos critérios de produtividade. E mais de 80% disseram se sentir mais valorizados pelo empregador e satisfeitos com o emprego, contra 37% e 50%, respectivamente.

Entre os funcionários das empresas que estimulam as folgas, 81% foram mais propensos a responder que recomendariam a organização como um bom lugar para se trabalhar, contra 39% das que não incentivam o descanso de suas equipes. Vale lembrar que isso é importante para uma companhia atrair talentos.

Ainda nas organizações onde o tempo livre é incentivado, 64% dos funcionários disseram que seu empregador fornece recursos suficientes para ajudá-los a administrar seu estresse. Apenas 18% dos funcionários disseram o mesmo nos locais de trabalho em que o tempo livre não é incentivado.

Por último, o levantamento também avaliou as principais fontes de estresse relacionadas ao trabalho: baixos salários (49%), falta de oportunidade de crescimento (46%), carga excessiva (42%), horas demais e expectativas irrealistas (39% cada). Seriam necessárias diversas semanas extras de férias para compensar esses aspectos negativos.

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Todo mundo diz que as crianças não sabem mais esperar; será que é verdade? http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/27/todo-mundo-diz-que-as-criancas-nao-sabem-mais-esperar-sera-que-e-verdade/ http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/2018/06/27/todo-mundo-diz-que-as-criancas-nao-sabem-mais-esperar-sera-que-e-verdade/#respond Thu, 28 Jun 2018 01:24:06 +0000 http://doutorjairo.blogosfera.uol.com.br/?p=2805

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Vivemos em uma época de recompensas instantâneas, como informações em tempo real, videogames, likes nas redes sociais. Ninguém mais suporta ficar em algum lugar parado, sem usar o smartphone, e muita gente fica irritada quando alguém demora para responder seu e-mail ou mensagem de texto. Essa mudança radical de comportamento dos últimos anos causa preocupação, e não faltam especialistas para alertar sobre as consequências graves que isso pode trazer para as crianças no futuro.

Um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Stanford nos anos de 1960 foi uma das pedras fundamentais da teoria de que saber esperar por uma recompensa é uma virtude que aumenta as chances de uma criança ser bem-sucedida no futuro. O chamado “teste do marshmallow” era muito simples: crianças norte-americanas de 3 a 5 anos eram expostas a um marshmallow e ouviam que, se vencessem a tentação de comer o doce na hora e esperassem dez minutos, poderiam ter dois marshmallows em vez de apenas um.

Os pesquisadores, na época, associaram a capacidade de adiar uma gratificação na infância a resultados positivos na adolescência e mais tarde, como melhor desempenho acadêmico, peso mais saudável, habilidade de lidar com estresse e frustração, responsabilidade social e bom relacionamento com pares. Isso foi confirmado nos estudos de acompanhamento realizados anos depois. Faz todo sentido: quem consegue vencer o impulso de comer a guloseima preferida pode ter mais força de vontade para seguir uma dieta, ou até economizar mais dinheiro para o futuro.

Mas dois estudos recentes trazem novos dados que podem colocar em xeque muitas das crenças geradas pelo “teste do marshmallow”. Um deles foi divulgado esta semana pela Associação Americana de Psicologia e traz uma informação bombástica: as crianças de hoje podem ter mais autocontrole do que as de gerações anteriores.

Pesquisadores das universidades de Minnessota e de Washington compararam os resultados do “teste do marshmallow” original e as réplicas realizadas nos anos de 1980 e no início do ano 2000. Contrariando todas as expectativas, as crianças do experimento mais recente conseguiram esperar dois minutos a mais que as do primeiro.

Para os pesquisadores, o fato de os norte-americanos entrarem na escola muito mais cedo hoje em dia pode estar por trás dos resultados. A mesma equipe realizou uma pesquisa online com 358 adultos e 72% achavam que as crianças de hoje esperariam muito menos. Como os autores ressaltam, é preciso tomar cuidado com conclusões precipitadas que não têm embasamento científico.

Outra pesquisa, publicada no início do mês por uma equipe das universidades de Nova York e da Califórnia, foi uma versão mais ampla do estudo antigo do marshmallow e contou com 900 crianças de diferentes realidades socioeconômicas. O trabalho original, da Universidade de Stanford, tinha menos de 50, e as crianças eram parentes dos funcionários da faculdade, ou seja, não era uma população variada.

A nova versão do teste, publicada no periódico Psychological Science, mostrou que adiar a gratificação trouxe benefício, mas ele não foi tão grande assim. E mais: o efeito diminuiu quando os jovens atingiram 15 anos. Nesse ponto, o que pareceu ter mais importância foi o nível de educação das mães dos participantes. Quando a mãe tinha pouco estudo, o filho não se saía melhor se tivesse esperado mais na infância.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal The Atlantic, isso sugere que algumas crianças podem não conseguir esperar por um doce maior porque vêm de um contexto com menos recursos. Para eles, condições socioeconômicas mais favoráveis podem interferir no autocontrole. E esses mesmos fatores podem ter mais relação com o sucesso futuro do que a capacidade de esperar por uma recompensa maior.

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