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Jairo Bouer

Fumar nunca faz bem nem vai acalmá-lo: 5 fatos sobre maconha e coronavírus

Jairo Bouer

13/04/2020 04h00

Crédito: iStock

Com o isolamento social e todas as preocupações relacionadas à pandemia, muita gente tem relatado maior desejo por álcool e outras substâncias que alteram a nossa consciência, como a maconha. Todo mundo sabe que beber demais é prejudicial à saúde, mas existem algumas informações mais ambíguas em relação à cannabis, já que seu uso medicinal é aprovado em muitos países. Por isso, é bom deixar claro que:

1. Fumar nunca faz bem As autoridades médicas têm recomendado a todo mundo que reduza ou, se possível, fique sem fumar nesse período. É que o hábito gera uma inflamação nas vias aéreas, o que afeta a capacidade de combater infecções. Estudos já mostraram que os fumantes são mais vulneráveis às complicações do novo coronavírus. O tabaco possui inúmeros componentes prejudiciais à saúde, mas isso não quer dizer que os usuários de narguilê, cigarros eletrônicos ou maconha estejam imunes ao risco. Qualquer tipo de produto inalável que envolva combustão pode causar esse tipo de inflamação.

2. Compartilhar fumo é perigoso Ao dividir um baseado ou narguilê com um amigo, ou mesmo com seu parceiro ou parceira, você pode tanto contrair quanto transmitir o vírus da covid-19 ou de outras doenças. Neste momento, tudo o que ninguém quer é ter de ir ao hospital, por isso evite o comportamento.

3. Isso não vai te acalmar Há alguns estudos sobre as propriedades de alguns compostos canabinoides no combate à ansiedade. Mas a droga que as pessoas compram por aí não passa por qualquer tipo de controle de qualidade. O fumo pode ter altíssimos níveis de THC, um componente da maconha que gera dependência e pode provocar sintomas psicóticos, como alucinações e mania de perseguição.

4. Ser honesto é importante Se você costuma fumar maconha e, por acaso, tiver que ir ao hospital por causa de sintomas respiratórios e febre, não tenha vergonha de se abrir para o profissional de saúde. A informação pode ser importante para o diagnóstico e tratamento.

5. Você pode se arrepender depois O potencial de dependência da maconha é bem menor que o de drogas como a cocaína. Mas isso não quer dizer que você não terá problemas, mais tarde, ao largar a substância. Uma pesquisa que acaba de ser publicada no periódico Jama, aliás, mostra que sintomas de abstinência podem afetar até metade dos usuários regulares ou dependentes de maconha. A análise contou com 47 estudos e um total de 23 mil pessoas.

Se você quiser saber mais sobre o assunto:

 

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.