menu
Topo
Blog do Jairo Bouer

Blog do Jairo Bouer

Padrão de relacionamento pode passar de mãe para filho, sugere estudo

Jairo Bouer

15/11/2018 00h30

Crédito: Fotolia

Sua mãe morou com várias pessoas ao longo da vida? Então é provável que você também tenha vários parceiros ou parceiras. É o que sugere um estudo realizado pela Universidade do Estado de Ohio, recém-publicado no periódico PLOS ONE.

Várias pesquisas já tinham mostrado que filhos de pais separados são mais propensos a se divorciar também. Mas o estudo atual é mais abrangente, e indica que o que acontece depois, como novos casamentos e rompimentos posteriores, também pode virar um padrão a ser perpetuado.

Os pesquisadores utilizaram uma amostra de 7.152 pessoas acompanhadas por pelo menos 24 anos para chegar às conclusões. Foram levantadas não apenas informações sobre casamentos e divórcios, mas também sobre relacionamentos em que os parceiros apenas dividiram o mesmo teto.

Para os autores, quando os filhos veem a mãe morando junto com outra pessoa, sem se casar, eles passam a ver esse tipo de relacionamento como mais atraente. E justamente pelo fato de não ter tanto compromisso em jogo, quanto num casamento, essas relações são mais propensas a terminar.

Uma das hipóteses levantadas é que separações sempre causam alguma dificuldade financeira, uma vez que os parceiros deixam de rachar as despesas. Esse tipo de problema poderia ter um impacto no amadurecimento dos jovens, que passariam a ter parcerias mais instáveis no futuro. Mas, ao controlar fatores econômicos, os resultados não mudaram muito, então a teoria foi descartada.

A equipe acredita que, além do exemplo, certas características de personalidade e habilidades para se relacionar são transmitidas para os filhos, para o bem ou para o mal. Muitas vezes essa tendência a mudar de relacionamento com muita frequência tem a ver com dificuldades para lidar com conflitos ou até problemas psicológicos, e isso pode ser herdado pelos genes ou pela convivência.

Claro que existem exceções. Não é incomum vermos jovens que são mais criteriosos e até demoram mais para juntar os trapos, ou que fazem o possível para preservar o casamento, justamente por ter sofrido na infância com a separação dos pais. Isso prova que nem todo mundo está predestinado a repetir o padrão materno.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.