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Blog do Jairo Bouer

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Campanha revela alguns mitos sobre a violência sexual contra a mulher

Jairo Bouer

05/11/2018 22h48

Crédito: Fotolia

Abuso ou assédio sexual não é um tema fácil de ser discutido em público, mas as redes sociais têm exercido um papel importante para, ao menos, mostrar que o problema existe. E muitos pesquisadores têm aproveitado esses movimentos para observar o que as pessoas pensam e identificar alguns mitos que precisam ser combatidos.

No ano passado, na esteira do movimento #MeToo (#EuTambém, no Brasil), o jornalista australiano Benjamin Law decidiu lançar no Twitter a hashtag #HowIWillChange (Como vou mudar, em tradução livre). Ele concluiu que se quase todas as mulheres que ele conhecia já tinham sido assediadas, abusadas ou agredidas, então ele conhecia homens que cometeram esse tipo de violência. Ou talvez até fosse um deles.

De acordo com pesquisadores da Escola de Saúde Pública de Boston, nos Estados Unidos, muitos usuários do Twitter têm utilizado a hashtag para divulgar estratégias potencialmente eficazes de prevenção à violência sexual. Eles analisaram o conteúdo de uma amostra de 1.493 tweets com a menção.

O estudo, publicado no Journal of Interpersonal Violence, mostrou que 52,7% dos tweets discutiam algum tipo de forma de prevenção, desde ensinar crianças sobre respeito e relacionamentos até pensar melhor nas próprias atitudes. Parte considerável, ou 34% dos tweets, sugeria estratégias mais reativas, como desafiar piadas e declarações misóginas ou sexistas, bem como incentivar denúncias.

Mas a análise também trouxe pontos negativos. Os pesquisadores perceberam que a maior parte dos usuários ainda a ideia de violência sexual como algo que é praticado por um estranho, um mito que não procede. A maioria dos casos de assédio e mesmo de estupro é cometida por conhecidos ou até por parceiros das vítimas.

A pesquisa também mostrou que 22,4% dos tweets continham opiniões negativas em relação à hashtag, com colocações como culpar a vítima ou alegar que a cultura do estupro não existe ou é um exagero. Como observam os autores, ainda vamos ver muito retrocesso. Mas enxergar a realidade é importante para se pensar em mudanças.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.