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Blog do Jairo Bouer

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Manter um relacionamento insatisfatório é egoísmo ou altruísmo?

Jairo Bouer

29/10/2018 19h26

Crédito: iStock

Por que é tão difícil terminar um relacionamento insatisfatório? Receio do desconhecido ou medo de ficar sozinho podem ser algumas justificativas que vêm à mente. Mas um estudo indica que, em alguns casos, o motivo para se prolongar a infelicidade não é tão egoísta assim.

Pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e da Western Ontario, no Canadá, conduziram duas pesquisas para analisar o que está por trás da resistência em se terminar um relacionamento.

No primeiro experimento, 1.384 indivíduos comprometidos foram acompanhados por dez semanas. O segundo foi uma extensão do primeiro, e acompanhou 500 pessoas que realmente consideravam a separação, ao longo de dois meses.

A conclusão da equipe é que o fator chave para manter a relação era a preocupação com o parceiro ou com a parceira. Quanto mais os participantes acreditavam no comprometimento do outro com a relação, mais dificuldade eles tinham para terminar.

Os autores perceberam que a percepção de que o parceiro estava envolvido gerava uma certa esperança de que, quem sabe um dia, o romance poderia ser reavivado.

Os resultados, publicados no Journal of Personality e Social Psychology, sugerem um certo altruísmo, ao contrário de trabalhos anteriores, que destacavam mais o medo de ficar sozinho. Mas será que faz bem para o parceiro estar no relacionamento sem querer estar?

A mesma equipe publicou outro estudo, no ano passado, comparando motivos para terminar ou permanecer num relacionamento. Eles entrevistaram estudantes que namoravam há dois anos e também indivíduos casados há mais ou menos nove anos.

Os motivos apontados para romper, nos dois grupos, foram os mesmos: perda de confiança, alguma característica da personalidade do outro considerada desagradável ou o distanciamento do parceiro. A favor da relação, os pontos mais citados foram intimidade, compromisso com a família do outro e questões práticas, como os custos para mudar de casa, por exemplo.

Os pesquisadores perceberam que, tanto num namoro quanto num casamento, o número de razões para ficar ou para terminar é mais ou menos o mesmo. A diferença é que, enquanto os namorados tinham uma tendência maior a citar coisas que eles apreciavam no outro como razão para não terminar, os casados estavam mais focados nas dificuldades envolvidas numa separação, como responsabilidades já assumidas e questões logísticas, o que é natural.

Terminar um relacionamento nunca é fácil, mesmo quando se tem certeza de que é o melhor a se fazer. Fazer uma lista de motivos pode ajudar, mas é importante que essa decisão seja baseada em sentimentos, não em medos.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.