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Blog do Jairo Bouer

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Jovens querem sexo rápido, mas não têm pressa nenhuma para casar

Jairo Bouer

04/06/2018 20h27

Crédito: Fotolia

Sites e aplicativos de encontros têm facilitado encontros e a possibilidade de conseguir um parceiro sexual ou amoroso. Como é que isso tem interferido nos relacionamentos românticos? Muita gente acha que as relações se tornaram mais superficiais por causa disso. Mas algumas pesquisas norte-americanas sugerem que, apesar de tudo estar acontecendo mais rápido hoje em dia, os jovens têm dedicado mais tempo para conhecer o parceiro antes de se casar. E isso pode ser bom.

De acordo com uma pesquisa divulgada recentemente pelo site eHarmony, jovens de 25 a 34 anos de idade têm levado, em média, seis anos e meio para se decidir pelo casamento. Isso significa que houve um acréscimo de mais ou menos um ano e meio em relação às gerações anteriores. Além disso, essa é a geração que relata maior satisfação com o relacionamento e maior frequência sexual. O levantamento contou com mais de 2.000 pessoas com mais de 18 anos, e foi divulgado no The New York Times.

Se os nossos pais ou avós queriam casar cedo para sair logo de casa e ter mais independência, hoje o casamento virou a última prioridade, digamos assim. Mas isso não significa que a vontade de ter um relacionamento sério foi para o brejo. Outro estudo recente feito nos Estados Unidos, com mais de 5.000 pessoas, mostrou que 70% ainda estão em busca disso. Uma das coordenadoras desse estudo é a antropóloga Helen Fischer, que há anos estuda o assunto e é consultora de outro site de encontros famoso no país, o Match.com.

Para Fischer, a atual geração quer sexo rápido, mas amor lento – ela usa a expressão "slow love" da mesma forma que os ativistas contrários aos lanches rápidos ("fast food"), que trazem prazer instantâneo, mas problemas de saúde a longo prazo. Aparentemente, as pessoas se deram conta de que a paixão e a atração podem acabar rápido, após apenas alguns encontros, enquanto o amor verdadeiro requer anos de amizade e convivência. Seria o fim do romantismo? É cedo para dizer.

Vale lembrar que questões socioeconômicas têm um peso muito grande na vida a dois. Em países em desenvolvimento, por exemplo, casamento ainda é um meio de obtenção de status. Segundo uma pesquisa do Instituto Promundo divulgada em 2016 pela Agência Senado, o Brasil é o 17º país do mundo a ter mais casamentos de meninas com menos de 18 anos. Na maioria das vezes, isso acontece por pressão da família após a gravidez na adolescência.

Já nos EUA, as taxas de adolescentes e mulheres na faixa dos 20 e até dos 30 anos de idade que se tornam mães tem caído progressivamente desde 1980. Segundo um relatório do governo publicado pela agência de notícias Associated Press, as mulheres na faixa dos 40 anos foram o único grupo com taxas de natalidade mais altas no ano passado, 2% a mais que em 2016. Assim como o casamento foi adiado, ter filhos também tende a vir mais tarde. Os jovens só não devem se esquecer que a fertilidade não é eterna.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.