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Ter mais de uma mulher não faz bem ao coração, sugere estudo

Jairo Bouer

29/04/2015 19h12

CORACAO300Vários estudos já mostraram que ser casado pode aumentar a longevidade de um homem. Mas não pense que ter mais de uma mulher pode trazer vantagem extra. De acordo com um estudo feito por pesquisadores do Hospital King Faisal, na Arábia Saudita, polígamos têm quase cinco vezes mais risco de sofrer doenças cardíacas.

Trabalhos anteriores já tinham mostrado que pessoas casadas tendem a sofrer menos estresse e, portanto, apresentam melhores índices de saúde. Mas quase não havia pesquisa sobre o impacto da poligamia, algo que é praticado em algumas regiões do Norte e Oeste da África, do Oriente Médio e da Ásia.

Os resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade de Cardiologia da Ásia e do Pacífico, a partir de pacientes atendidos com angina (dores no peito) em cinco hospitais da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes. Ao todo, foram avaliados 687 homens, com idade média de 59 anos. Desses, 56% tinham diabetes, 57% tinham hipertensão arterial e 45%, histórico de doença arterial coronariana.

Dois terços dos pacientes tinham apenas uma mulher; 19% tinham duas, 10% tinham três e 3% tinham quatro esposas. Os polígamos eram, em geral, os mais velhos. Eles também tinham melhor renda e viviam principalmente em áreas rurais.

Os pesquisadores observam que homens com mais de uma mulher precisam garantir o sustento das famílias, o que aumenta a pressão para ter um emprego extra e viajar com mais frequência. Tudo isso pode ter impacto na saúde, informaram os autores do estudo em reportagem do jornal britânico Daily Mail.

A pesquisa mostrou que os homens que praticavam a poligamia tinha um 4,6 vezes maior risco de doença arterial coronariana e um risco 3,5 vezes maior de apresentar estreitamento da artéria principal esquerda. Eles também tinham um risco 2,6 vezes mais elevado de sofrer de doença microvascular coronariana, que afeta as paredes dos pequenos vasos sanguíneos no coração.

Os autores do estudo observam que é preciso analisar com mais profundidade outras variáveis, como o nível de atividade física, a dieta e questões genéticas. Mas, a princípio, tudo indica que ter mais de uma mulher não é só alegria.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.