Blog do Jairo Bouer

Quando as fotos do amigo malhado começam a incomodar

Jairo Bouer

23/02/2018 15h23

Crédito: Fotolia

Todo mundo tem um amigo nas redes sociais que publica fotos toda vez que participa de uma corrida de rua ou vai para a academia. Vários são os motivos dessas pessoas: vaidade pura, vontade de inspirar os outros ou simplesmente desejo de compartilhar sua rotina. Para os amigos deles, porém, o efeito dessas postagens pode ser positivo ou devastador: segundo um estudo, quanto mais posts relacionados a exercícios um usuário vê nas redes sociais, maior sua preocupação com o próprio peso, o que pode causar problemas de autoimagem.

De acordo com pesquisadores das universidades do Arizona e a estadual do Texas, o problema é que nossos amigos, de forma geral, são pessoas que têm algumas semelhanças com a gente: estudaram no mesmo colégio, cresceram no mesmo bairro ou têm uma história de vida parecida. Por isso a tendência à comparação é muito grande, diferente de quando a gente vê fotos de modelos ou atletas profissionais, que vivem em função do corpo.

Para fazer o estudo, a equipe usou como base a teoria da comparação social, segundo a qual as pessoas se comparam com as outras para decidir se estão bem ou precisam melhorar muito, seja qual for o aspecto observado. Algumas pessoas têm mais tendência à comparação social ascendente, ou seja, a tomar como referência quem está numa situação melhor que elas. Outras, como num mecanismo de defesa, usam a comparação social descendente, e se comparam a quem está pior para se sentir melhor.

O estudo, publicado na revista Health Communication, contou com 232 usuários de redes sociais, que foram orientados a contar quantas postagens de amigos relacionadas a exercícios tinham visto nos últimos 30 dias. Eles também tiveram que descrever suas semelhanças com cada um desses amigos e o que sentiam em relação aos posts.

Os resultados mostraram que as postagens de amigos sobre exercícios podem servir de motivação para quem costuma se engajar em comparações sociais ascendentes, mas também podem fazer com que essas pessoas se sintam mais preocupadas com o próprio peso, o que gera mal-estar.  Já aqueles que se envolvem em comparações sociais descendentes sofrem menos impacto com esse tipo de post.

O impacto das redes sociais na saúde física e mental é real, e ainda deve ser muito estudado, porque é algo novo nas sociedades. Mas já dá para tirar algumas lições e se proteger dos efeitos negativos. Se você já percebeu que sente uma certa angústia depois de passar um tempo no Instagram ou no Facebook, porque acaba se comparando demais com os amigos, talvez seja o caso de passar mais tempo offline, ou em outros tipos de interação.

Sobre o autor

Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e bacharel em biologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Nos últimos 25 anos tem trabalhado com divulgação científica e comunicação em saúde, sexualidade e comportamento nos principais veículos de mídia impressa, digital, rádios e TVs de todo o país.

Sobre o blog

Neste espaço, Jairo Bouer publica informações atualizadas e opiniões sobre biologia, saúde, sexualidade e comportamento.

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