Blog do Doutor Jairo Bouer

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Quase metade dos adultos tem HPV causador de verruga genital
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Jairo Bouer

Quase metade dos adultos norte-americanos, 42%, tem o papilomavírus humano (HPV) causador de verrugas genitais, segundo um relatório que acaba de ser divulgado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). O levantamento ainda revela que 23%, ou um em cinco adultos, têm o tipo de HPV associado ao câncer. As informações são do jornal Washington Post.

Cerca de 80 milhões de pessoas, naquele país, estão infectadas com um dos diversos tipos de HPV, que são transmitidos pelo sexo vaginal, oral ou anal. Alguns deles causam as verrugas genitais, que podem ser desagradáveis, mas têm baixo risco de evoluir para algo grave. Outros, considerados de alto risco, podem causar câncer na garganta e nos genitais, incluindo o de colo de útero.

Não existe um tratamento para combater o vírus – em alguns casos o próprio organismo acaba com eles ao longo dos anos. Mas há como tratar os problemas causados por ele, como verrugas e lesões que podem virar câncer.

De 2013 a 2014, período avaliado na pesquisa, a prevalência de HPV de alto risco entre adultos de 18 e 59 anos era de cerca de 24% para os homens e de 20,5% para as mulheres. Mas os pesquisadores ficaram surpresos com a alta incidência de HPV associado a verrugas genitais – de acordo com o levantamento anterior, 15,2% das mulheres adultas tinham esse tipo de vírus. Já no atual, as taxas foram de 45,2% para os homens e 39,9% para as mulheres.

O CDC recomenda que todas as crianças com idade entre 11 e 12 anos recebam duas doses de vacina contra o HPV com seis a 12 meses de intervalo entre elas, e que as crianças com mais de 14 anos recebam três doses da vacina contra o HPV ao longo de seis meses.

No Brasil, a vacinação de meninos de 12 a 13 anos passou a ser oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde) este ano. Os dados sobre incidência não são precisos, por aqui, porque o vírus não é de notificação compulsória. Mas não há motivo para achar que os números sejam muito diferentes.


HPV não é só “assunto de mulher”
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Jairo Bouer

VACINAHPV615

Um estudo feito nos Estados Unidos mostra que o papilomavírus humano (HPV) ainda é visto como “assunto de mulher”, apesar de a infecção ser responsável pelo câncer em ambos os sexos.

O trabalho foi feito na Virginia, o primeiro estado norte-americano a impor a vacinação contra o HPV às meninas de 11 a 12 anos, em 2008. Desde então, a pesquisadora Maggie Pitts e sua equipe, da Universidade do Arizona, têm avaliado as mensagens sobre o tema que são transmitidas à população.

A equipe conversou com 84 jovens do sexo masculino e descobriu que, embora a maioria já tivesse ouvido falar no vírus, não sabia da existência da vacina e muito menos fazia ideia de que a imunização era útil para evitar o câncer em ambos os sexos. Os resultados foram apresentados em uma conferência recente da Associação Nacional de Comunicação, na Filadélfia, e também publicados, este ano, no periódico científico Health Communication.

Para os pesquisadores, a maior parte da população ignora o papel masculino nas infecções por HPV, e a própria indústria farmacêutica, bem como a classe médica, não ajudam a modificar a falsa noção de que o problema é só das mulheres.

Como consequência, pesquisas mostram que, naquele país, apesar de a vacina já ser oferecida para ambos os sexos há algum tempo, 40% das meninas tendem a completar as doses, enquanto apenas 22% dos meninos vão até o fim. Vale mencionar que, no Brasil, a imunização só será oferecida gratuitamente para meninos a partir do ano que vem.

Embora as meninas tenham um alto risco de contrair o vírus, elas são infectadas pelos parceiros. Além disso, os homens também correm risco de desenvolver um câncer associado ao papilomavírus em regiões como boca, garganta, ânus e pênis.

Grande parte das infecções também pode ser evitada com o uso da camisinha, inclusive no sexo oral. É importante que as pessoas tenham consciência da responsabilidade que têm não só pela própria saúde, como também do parceiro ou da parceira.


Cientistas tentam criar vacina contra os efeitos da nicotina
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CIGARRO615

Fumar já saiu de moda faz tempo, mas, para muita gente, abandonar o cigarro ainda é uma dificuldade enorme. Um estudo, ainda em animais, traz esperança para essas pessoas: cientistas do Instituto Scripps, na Califórnia (EUA), desenvolveram uma vacina que ajudaria a diminuir o efeito da nicotina sobre o cérebro.

O composto aumenta o número de anticorpos que se ligam a moléculas da substância, presente no cigarro, atrasando seus efeitos e, dessa forma, diminuindo a urgência em fumar de novo e as crises de abstinência.

Hoje, os tratamentos tradicionais envolvem uso de adesivos ou gomas de mascar com nicotina, que nem sempre são eficientes, além de drogas que têm como alvo os receptores da substância no cérebro. No entanto, algumas pessoas não toleram os efeitos colaterais desses remédios.

No estudo, feito em ratos, a vacina retardou os efeitos da nicotina nos primeiros dez minutos após a injeção. Eles também apresentaram menor concentração da substância no cérebro. Agora, os cientistas tentam refinar a fórmula para testar o composto em humanos.

A pesquisa foi publicada no Journal of Medicinal Chemistry e divulgada no jornal britânico Daily Mail.


Estudos podem colaborar para criação de vacina contra o herpes
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herpes300Dois estudos recém-publicados podem ajudar no desenvolvimento de um exame mais preciso para o diagnóstico do herpes e, quem sabe, de uma vacina contra o vírus.

Os trabalhos envolvem pesquisadores das universidades de Harvard e da Johns Hopkins, e também de equipes dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. Os resultados foram publicados no Journal of Virology.

O herpes labial em geral é provocado pelo vírus tipo 1 (HSV1), enquanto o genital, considerado mais grave, é associado ao tipo 2 (HSV2). Estudos mostram, inclusive, que o tipo 2 facilita a contaminação pelo HIV, o vírus da Aids.

Hoje em dia, os testes para detectar a doença são baseados em uma glicoproteína (molécula que contém um hidrato de carbono e uma proteína) presente no vírus. Em países como os EUA e a Europa o diagnóstico é mais preciso, mas há muitas falhas nos testes feitos em grande parte da África, onde as taxas de Aids e de herpes são mais elevadas.  Isso ocorre por que o HSV foi o primeiro vírus geneticamente sequenciado com amostras apenas de pacientes europeus. E os cientistas acreditam que as glicoproteínas presentes em pacientes africanos com HIV positivo são um pouco diferentes.

Os estudos foram feitos com 34 cepas do HSV2 coletadas em Uganda, África do Sul, Japão e Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que o vírus do herpes genital tem menos diversidade genética que o HSV1. Isso pode ajudar bastante para que, no futuro, cientistas desenvolvam uma vacina globalmente eficaz contra a doença.

Em um segundo artigo, os pesquisadores descrevem as variações em uma região da glicoproteína que está presente em todas elas. Isso será crucial para criar uma ferramenta de triagem que funcione no mundo todo, e não apenas em alguns países.

Estima-se que, no Brasil, 80% da população tenha o vírus do herpes, sendo o HSV1 mais prevalente.  A transmissão ocorre com muita facilidade, por isso, qualquer avanço que possa levar a uma vacina eficaz é bem-vindo.


Estudo sugere que financiar vacina anti-HPV para meninos compensa
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HPV300Um estudo mostra que a vacinação de meninos de 12 anos contra o HPV (papilomavírus humano) pode ser uma estratégia de baixo custo para a prevenção do câncer de orofaringe – em especial o carcinoma de células escamosas, que começa na parte de trás da garganta e da boca, envolvendo as amígdalas e a base da língua.

O trabalho foi publicado semana passada no periódico Cancer, da Sociedade Americana contra o Câncer. Muitos países têm estabelecido programas de vacinação contra o HPV para meninas, como é o caso do Brasil. Mas o custo-benefício da imunização para o sexo masculino ainda vem sendo avaliado.

A pesquisa, coordenada por Donna Graham e Lillian Siu, do Centro de Câncer Princess Margaret, da Universidade Health Network, no Canadá, aplicaram um modelo estatístico para uma população de 192.940 meninos que estavam com 12 anos em 2012, naquele país. E concluíram que a imunização evita inúmeros casos de câncer.

Avaliando os custos da vacina, os riscos e os gastos com tratamento da doença, elas descobriram que a vacinação poderia gerar uma economia de 8 a 29 milhões de dólares canadenses (de R$ 20 milhões a R$ 69 milhões, aproximadamente) ao longo da vida desses indivíduos.

Segundo as pesquisadoras, até 2020, o câncer de orofaringe será o mais comum entre os provocados pelo HPV nos Estados Unidos, ultrapassando até mesmo o câncer de colo de útero. Elas esperam que o estudo possa contribuir para que os países reformulem suas estratégias de financiamento de vacinas, já que a questão tem impacto na saúde pública.


Vacina contra HPV não incentiva comportamento de risco, segundo estudo
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Jairo Bouer

HPV300Mais de 100 países já aprovaram o uso da vacina quadrivalente contra o HPV, inclusive o Brasil. Entre as polêmicas envolvendo a imunização, havia o receio de que a medida funcionasse como incentivo ao sexo desprotegido, aumentando o risco de gravidez indesejada e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Um estudo realizado no Canadá teve como objetivo avaliar esse possível efeito indesejado da vacina. E, pelo menos entre as jovens que vivem na província de Ontário, a imunização aparentemente não teve essa consequência.

Os pesquisadores identificaram uma população de mais de 128 mil meninas elegíveis para o programa de vacinação na província. Apenas metade delas recebeu as três doses da vacina entre 8 e 9 anos.

As garotas foram acompanhadas por uma média de 4,5 anos. E, de acordo com os resultados, não houve aumento da incidência de casos gravidez ou DSTs não relacionadas ao HPV em relação à média registrada para a faixa etária.

Para a equipe, que inclui especialistas da Universidade McGill e da Universidade de Queen, os achados sugerem que os temores sobre comportamentos sexuais de risco após a vacinação não procedem.

Os resultados, publicados no periódico CMAJ, reforçam os de um estudo norte-americano sobre o tema, envolvendo 1.398 adolescentes, segundo o site Medical News Today.


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