Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : tecnologia e comportamento

Smartphone tem gerado problemas de coluna em jovens, alertam médicos
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Jairo Bouer

Médicos especializados em cirurgia de coluna têm notado um aumento no número de pacientes com queixas de dores no pescoço e nas costas, provavelmente devido ao uso prolongado de smartphones. De acordo com os profissionais, jovens que teoricamente ainda não deveriam ter esse tipo de problema têm chegado aos consultórios com hérnias de disco e problemas posturais.

A pesquisa, realizada por cirurgiões do Centro Médico Cedars-Sinai, nos Estados Unidos, foi publicada no periódico The Spine Journal e divulgada pela agência de notícias Reuters.

Os especialistas afirmam que a curva natural do pescoço é para trás, mas isso se modifica nos pacientes que ficam o tempo todo olhando para baixo. O problema é que, se uma pessoa está com a coluna ereta, sua cabeça tem um determinado peso, em torno de 10 a 12 quilos. Mas, ao se curvar para frente, o peso aumenta para o equivalente a 27 quilos, o que eleva significativamente a pressão na coluna.

Os autores do trabalho recomendam que as pessoas procurem deixar o smartphone mais perto da altura dos olhos, e acrescentam que usar as duas mãos e os dois polegares tornaria o uso mais confortável para a coluna. Eles também lembram que usuários de laptop devem sempre utilizar um suporte para elevar o monitor.


Um game contra a depressão – que tal?
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Jairo Bouer

game615

Pesquisadores financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, afirmam que um videogame pode ajudar pacientes com depressão.

Eles avaliaram os efeitos de um aplicativo para celular ou tablet criado para atuar em nível neurológico e melhorar o foco e a atenção. A tecnologia foi desenvolvida por uma empresa e chama-se Projeto: EVO. Importante ressaltar que os pesquisadores, da Universidade de Washington, não têm qualquer relação com o fabricante.

O experimento contou com adultos com mais de 60 anos, divididos em dois grupos: o primeiro utilizava o videogame, enquanto o segundo foi submetido a um tratamento breve conhecido como terapia de solução de problemas. Ambos passaram por consultas semanais. Muitos participantes nunca tinham utilizado um tablet na vida, e mesmo assim aderiram bem ao aplicativo.

Os resultados, publicados no periódico Depression and Anxiety, mostraram que os usuários do game apresentaram uma melhora expressiva no humor. O curioso é que o aplicativo não foi desenvolvido especificamente para pessoas com depressão – o que acontece é que melhorar funções cognitivas, como foco e atenção, acaba tendo um efeito positivo para quem sofre com o transtorno e está sempre distraído pelo excesso de preocupações.

Um segundo experimento, feito em parceria com pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, contou com mais de 600 indivíduos norte-americanos com depressão leve ou moderada.  As conclusões, publicadas no Journal of Medical Internet  Research, indicam que o game trouxe resultados tão positivos quanto a terapia de solução de problemas e um aplicativo com dicas de saúde, uma espécie de placebo. No entanto, só os dois primeiros tratamentos deram resultados para os pacientes com sintomas mais fortes.

A vantagem do videogame é que ele não demanda consultas semanais com um terapeuta, algo que não é acessível para todos os pacientes. Mas os autores ressaltam que o aplicativo só funciona se houver supervisão, ou a pessoa não se sente motivada para jogar com a frequência necessária.

Vários outros estudos têm sido feitos com o Projeto: EVO para avaliar o efeito em outros tipos de doenças, como alzheimer e lesão cerebral. A empresa também já solicitou liberação do FDA (Food and Drug Administration) para utilização do game em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Ainda faltam resultados para comprovar os benefícios desse tipo de tecnologia, mas toda novidade é bem-vinda para ajudar as pessoas a lidar com transtornos mentais.


Entre 10 e 14 anos, há mais morte por suicídio que por acidente nos EUA
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Jairo Bouer

crianca615

Um levantamento divulgado semana passada mostra que, nos Estados Unidos, a taxa de mortes por suicídio na pré-adolescência já superou a de acidentes de trânsito.

Segundo o CDC, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças daquele país, o fato é consequência, em parte, de uma redução importante no número de acidentes fatais. Mas não é só isso – o suicídio entre jovens de 10 a 14 anos também cresceu de forma alarmante. Os dados foram divulgados no jornal The New York Times.

Em comparação com 1999, a taxa de mortalidade por acidentes de carro foi cortada pela metade, enquanto a de suicídio quase dobrou, sendo o aumento mais expressivo a partir de 2007.

Em 2014, último ano da série histórica divulgada pelo CDC, 425 crianças nessa faixa etária se mataram, enquanto 384 morreram em acidentes de trânsito. Muito mais meninos, (275) do que meninas (150) se suicidaram, um padrão que se repete em todas as faixas etárias. Mas o aumento foi mais nítido para as meninas, de acordo com o levantamento.

Especialistas norte-americanos acreditam que a expansão das tecnologias móveis explica esse aumento acentuado nos últimos anos. Se as humilhações, antes, estavam restritas aos olhares de uma pequena parte da turma, na escola, hoje a aflição não termina quando a criança chega em casa, já que as redes sociais amplificam e eternizam qualquer situação.

Para agravar o cenário, a puberdade tem chegado cada vez mais cedo, e nem sempre o pré-adolescente já tem maturidade suficiente para lidar com as questões que as alterações hormonais fazem vir à tona.

Assim como nos Estados Unidos, é cada vez mais comum, no Brasil, encontrar meninos e meninas na puberdade com smartphones e perfis ativos nas redes sociais. É importante que pais e educadores estejam atentos, ainda que seja difícil acreditar que alguém tão jovem possa pensar em suicídio.


Estudo mostra como o celular afeta o sono dos adolescentes
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Jairo Bouer

SONOTEEN615

Smartphones e celulares têm causado um enorme estrago nos padrões de sono dos adolescentes, segundo um estudo da Universidade de Montreal, no Canadá.

O trabalho, publicado na revista científica Sleep Health, mostrou que quanto mais os jovens usam o aparelho eletrônicos durante o dia, especialmente antes de dormir, pior a qualidade do sono deles.

Mais de 1.200 estudantes de 14 a 16 anos preencheram diários ao longo de um ano para registrar quantas vezes ao dia eles costumavam passar em frente ao computador, bem como o tempo gasto com outras atividades sedentárias, como ver TV, fazer lição de casa ou falar no telefone. Eles também responderam a questionários sobre sono.

Os adolescentes que usavam computadores ou jogavam videogames por mais de duas horas ao dia dormiam 17 e 11 minutos a menos que os outros jovens, respectivamente.

Um em cada três estudantes tinha o hábito de usar eletrônicos por mais de duas horas diárias, e esses eram mais propensos que os outros a dormir menos de oito horas por noite. Vale lembrar que, na adolescência, é recomendável dormir até mais do que isso.

Os participantes que falavam ao menos duas horas diárias no telefone também tinham uma tendência três vezes maior a descansar menos de oito horas por dia. Eles, assim como os jovens que ficavam mais no computador, relataram mais sonolência durante o dia

Os estudantes que assistiam a duas ou mais horas de TV por dia, por sua vez, apresentavam metade da probabilidade de dormir menos que oito horas em relação aos outros.

Os autores lembrar que dormir bem não só é importante para o crescimento, como também para evitar problemas de atenção, depressão e ganho de peso. As informações são do jornal britânico Daily Mail.


Posts no Facebook podem revelar baixa autoestima ou narcisismo
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Jairo Bouer

narcisismo615

Pessoas que sempre publicam posts sobre seu parceiro romântico no Facebook são mais propensas a ter problemas de autoestima. Já quem vive atualizando seu status com detalhes sobre os exercícios que fez ou a dieta que segue tende a ser narcisista.

As conclusões são de um estudo com 555 usuários da rede social, que responderam a pesquisas on-line e tiveram seus traços de personalidade analisados por psicólogos da Universidade de Brunel, na Inglaterra.

O estudo ainda concluiu que pessoas mais conscienciosas tendem a postar mais sobre os filhos.

Não é nenhuma novidade que as pessoas publicam posts para chamar atenção para si mesmas. A recompensa vem em forma de “likes”, que traz uma sensação agradável de inclusão social.

Segundo os pesquisadores, posts com caráter narcisista costumam receber mais aprovação, o que acaba alimentando novas inserções sobre os esforços feitos para melhorar a própria aparência. Mas não dá para saber se esse apoio é fruto do interesse verdadeiro dos amigos, ou apenas uma forma de ser educado.

Os resultados foram publicados no periódico Personality and Individual Differences.


Usuário de rede social tem receio de bloquear amigo encrenqueiro
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Jairo Bouer

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Encrenqueiros existem em qualquer ambiente e não podia ser diferente nas redes sociais. Segundo um estudo, pessoas desse tipo costumam ser bem relacionadas na internet, porque muita gente tem receio de negar seus convites ou bloqueá-las a fim de evitar problemas.

As conclusões, de uma equipe da Universidade Trent Nottingham, no Reino Unido, foram apresentadas esta semana na conferência anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

Os pesquisadores analisaram as características de relacionamento online de 5.113 contatos de um total de 52 usuários do Facebook com idades entre 13 e 45 anos. Os participantes foram convidados a avaliar 100 “amigos” escolhidos aleatoriamente e dizer com que frequência se comunicavam e se havia desentendimentos entre eles.

A pesquisa mostrou que os encrenqueiros são mantidos, na medida do possível, no âmbito da comunicação offline – os usuários evitam ao máximo o contato online para evitar conflitos. Os desentendimentos foram mais comuns na faixa de 19 a 21 anos.

Os autores perceberam que muita gente abriga essas pessoas desagradáveis em sua rede de contatos por receio de ignorá-las, e também não têm coragem de fazer denúncia para o provedor do serviço. Elas acabam sendo encarados como um “mal necessário” pelos usuários.

Os resultados mostram que bloquear alguém na internet pode ter repercussões na vida real. E fazem a gente se lembrar que as relações virtuais, no fundo, não são muito diferentes das presenciais.


Segundo estudo, adolescentes são mais felizes hoje e adultos, menos
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Jairo Bouer

FACEBOOK300Adultos com 30 e poucos anos não são felizes como eram antigamente. Já os adolescentes estão mais contentes. Pelo menos é o que mostra uma pesquisa realizada nos Estados Unidos com amostras representativas de 1,3 milhão de pessoas de 13 a 96 anos que abrangem o período de 1972 e 2014.

Pesquisadores das universidades de San Diego, Califórnia e Flórida Atlantic constataram que, em 1970, 38% dos adultos na faixa dos 30 anos diziam que eram muito felizes. Já em 2010, esse número encolheu para 32%. Já 28% dos adultos de 18 a 29 se descreveram dessa forma em 1970, número que passou para 30% em 2010. Porém, entre adolescentes com 12 ou 13 anos, o número passou de 19%, em 1970, para 30%, em 2010, um crescimento bastante expressivo.

A aposta dos pesquisadores para esse fenômeno é que a cultura atual, baseada no uso da tecnologia e em relacionamentos mais voláteis, pode ser fascinante para os adolescentes, mas não supre o desejo de estabilidade que os adultos mais maduros têm.

Para a professora de psicologia Jean Twenge, que participou do estudo e também é autora de um livro chamado “Geração do Eu”, a cultura norte-americana (que exerce forte influência no Brasil e em outros países) enfatiza muito a busca do sonho e as altas expectativas em relação ao futuro. E isso é algo que combina com o espírito adolescente. Mas, ao chegar aos 30 e poucos anos e constatar que a vida é mais difícil que imaginavam, a frustração vem à tona.

Em artigo publicado no periódico Social Psychological and Personality Science, Twenge comenta que, em 2008, uma pesquisa semelhante chamou atenção por mostrar que o nível de felicidade das mulheres havia diminuído em relação aos anos de 1970. Agora, o que ela vê é que tanto homens quanto mulheres dessa geração de 30 estão menos contentes. Vale a pena refletir um pouco nesses resultados.


Mensagens de texto ajudam jovens a aprender sobre saúde sexual
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Jairo Bouer

SMARTPHONE300Mensagens de texto são um instrumento eficaz para transmitir informações sobre saúde sexual para adolescentes. É o que revela um estudo da Universidade Estadual de Washington, publicado na revista Health Education and Behavior.

A pesquisa avaliou mais de 2.000 alunos de seis escolas públicas norte-americanas, que promoveram um serviço para conectar educadores sexuais e jovens via mensagens de texto.

Os adolescentes identificados como “de risco”, ou seja, mais propensos a ter relações sexuais desprotegidas e também de nível socioeconômico mais baixo, foram os que mais utilizaram o serviço, segundo os pesquisadores.

Para a coordenadora do estudo, a professora Jessica Willoughby, era fundamental avaliar o uso das novas tecnologias como meio para transmitir informações sobre saúde sexual.

De acordo com ela, o fato de jovens mais vulneráveis terem sido os que mais se interessaram pelo serviço mostra que mensagens de texto podem, e devem, ser usados por programas de prevenção para atingir esses adolescentes.


Estudo associa consumo de suplementos e câncer de testículo
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Jairo Bouer

O uso de testosterona quadruplicou nos EUA nos últimos 14 anos

Um estudo associou o consumo de suplementos para fortalecimento muscular ao risco de câncer de testículo. E a propensão foi maior para homens que tinham iniciado o uso antes dos 25 anos.

O trabalho, publicado no British Journal of Cancer, avaliou suplementos em pílulas e em pó com creatina ou adrostenediona, um hormônio esteroide.

Segundo o autor sênior do estudo, Tongzhang Zheng, a relação entre câncer e o uso de suplementos foi forte, especialmente para quem utilizava os produtos por muito tempo.

A incidência de câncer testicular aumentou de 3,7 casos por 100.000 homens, em 1975, para 5,9 casos por 100.000 homens, em 2011. Os cientistas não sabem explicar esse crescimento.

Este é o primeiro estudo epidemiológico a analisar a possível ligação entre suplementos e câncer testicular, segundo os autores. O trabalho foi inspirado pela suspeita de que certos componentes desses suplementos pudessem interferir nas células testiculares.

Para comprovar a hipótese, os pesquisadores entrevistaram 900 homens de dois Estados americanos – 356 diagnosticados com câncer de testículo e 513 sem a doença. Além do uso dos suplementos, foi avaliado outros possíveis fatores de risco, como tabagismo, consumo de bebida, sedentarismo e histórico familiar.

Isolados esses fatores, os usuários de suplementos apresentaram um risco 65% maior de câncer testicular em comparação com homens que não usam. A taxa aumentou para 2,77 entre homens que usaram mais de um tipo de suplemento, e para 2,56 entre quem usou os produtos por três anos ou mais.

Os autores ressaltam que estudos mais amplos e análises laboratoriais são necessários para estabelecer uma relação entre os suplementos e o câncer. Mas os resultados servem de alerta para quem usa esses produtos, especialmente para quem consome sem acompanhamento médico ou nutricional.


Todo mundo acha que sabe mais quando está conectado, segundo pesquisa
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Jairo Bouer

computador300Ficar on-line tem um efeito surpreendente sobre a mente das pessoas: elas se sentem muito mais inteligente do que realmente são, de acordo com um estudo publicado no Journal of Experimental Psychology.

Em nove experimentos feitos com um total de 1.000 participantes, psicólogos da Universidade de Yale, nos EUA, descobriram que, depois de se informar com pesquisas na internet, as pessoas avaliam sua própria base de conhecimento como sendo muito maior do que ao assimilar informações por outros meios.

Segundo Mattheu Fisher, principal autor do estudo, o efeito foi muito expressivo. Para ele, as pessoas tendem a confundir o conhecimento que está acessível, na tela, com seu próprio conhecimento pessoal.

Em um dos experimentos, os participantes tinham que buscar em sites a resposta para a pergunta “como um zíper funciona”. O grupo controle recebia a mesma explicação obtida na internet, com a diferença que a resposta não era buscada pela pessoa na web. Os participantes do primeiro grupo, mais tarde, avaliaram muito melhor seu conhecimento sobre o tema que os outros.

O “modo de busca” parece causar um efeito cognitivo tão poderoso nas pessoas, que elas se acham mais sabidas mesmo quando as pesquisas on-line não revelam nada, de acordo com os pesquisadores. Não é à toa que, na falta de bateria ou de uma rede que funcione, muita gente chega a se sentir burra.