Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : saúde mental

Terapia muda o cérebro de pacientes com psicose, mostra estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

terapia615

Pesquisadores descobriram que a terapia cognitivo-comportamental fortalece certas conexões entre os neurônios de pessoas que sofrem de psicose. Essas mudanças no cérebro são duradouras e ajudam os pacientes a superarem o quadro por um longo período.

Sintomas psicóticos, como a sensação de estar sendo perseguido, são frequentes em pacientes que sofrem de esquizofrenia e diversos outros transtornos mentais. Pesquisadores do King`s College e do hospital Maudsley, de Londres, no Reino Unido, avaliaram os efeitos da terapia em 22 pacientes, que tiveram sua atividade cerebral registrada antes e depois de seis meses de trabalho terapêutico.

A terapia cognitivo-comportamental é baseada na fala, e ajuda as pessoas a modificar certas crenças e reações diante de experiências do dia a dia. Também auxilia no desenvolvimento de estratégias para reduzir o estresse e obter mais bem-estar.

A equipe já tinha observado que o tratamento ajuda a fortalecer conexões no cérebro envolvidas no processamento de ameaças sociais. Agora, eles conseguiram comprovar que essas alterações continuam a ter impacto anos depois e levam a uma melhora de longo prazo – os pacientes foram reavaliados oito anos depois de terem feito terapia.

Os resultados, publicados no periódico Translational Psychiatry, mostram que a terapia pode ser uma parte importante do tratamento contra a psicose. Segundo os autores, a maioria dos pacientes com a condição recebe somente medicamentos.

 


Proteína é ligada a depressão na gravidez e bebês com baixo peso
Comentários Comente

Jairo Bouer

gravidez615

Estima-se que uma em sete mulheres tenha depressão durante a gravidez e outras tantas sofrem no pós-parto. O problema não só afeta as mães, como também pode interferir no desenvolvimento do bebê. Pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio descobriram que uma proteína chamada BDNF (sigla em inglês para “fator neurotrófico derivado do cérebro”) tem sua quantidade alterada durante a gestação e pode estar por trás desses sintomas.

Para chegar ao resultado, a equipe avaliou 139 grávidas. Eles perceberam que a proteína diminui bastante do primeiro ao terceiro trimestre, voltando ao aumentar após o parto. O grupo descobriu, ainda, que o BDNF varia bastante de acordo com a origem étnica da mulher, sendo que o nível tende a ser mais alto nas grávidas negras.

Níveis mais baixos da proteína no segundo e terceiro trimestres foram associados a sintomas depressivos nos três últimos meses de gestação. Além disso, mulheres com a redução tiveram tendência maior a ter filhos com baixo peso ao nascer.

Os pesquisadores explicam que antidepressivos ajudam a aumentar os níveis da proteína, mas seu uso não está totalmente livre de riscos ao feto e possíveis efeitos colaterais. As informações foram publicadas no periódico científico Psychoneuroendocrinology.

Outra forma de aumentar os níveis de BDNF, segundo os autores, é praticar atividade física. Por isso, é recomendável que as gestantes não deixem de se movimentar, desde que não haja qualquer contraindicação para isso, é claro. Os exercícios podem melhorar o humor da mulher, evitar ganho de peso e pressão alta, e até beneficiar o desenvolvimento do bebê.


Um game contra a depressão – que tal?
Comentários Comente

Jairo Bouer

game615

Pesquisadores financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde, nos Estados Unidos, afirmam que um videogame pode ajudar pacientes com depressão.

Eles avaliaram os efeitos de um aplicativo para celular ou tablet criado para atuar em nível neurológico e melhorar o foco e a atenção. A tecnologia foi desenvolvida por uma empresa e chama-se Projeto: EVO. Importante ressaltar que os pesquisadores, da Universidade de Washington, não têm qualquer relação com o fabricante.

O experimento contou com adultos com mais de 60 anos, divididos em dois grupos: o primeiro utilizava o videogame, enquanto o segundo foi submetido a um tratamento breve conhecido como terapia de solução de problemas. Ambos passaram por consultas semanais. Muitos participantes nunca tinham utilizado um tablet na vida, e mesmo assim aderiram bem ao aplicativo.

Os resultados, publicados no periódico Depression and Anxiety, mostraram que os usuários do game apresentaram uma melhora expressiva no humor. O curioso é que o aplicativo não foi desenvolvido especificamente para pessoas com depressão – o que acontece é que melhorar funções cognitivas, como foco e atenção, acaba tendo um efeito positivo para quem sofre com o transtorno e está sempre distraído pelo excesso de preocupações.

Um segundo experimento, feito em parceria com pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, contou com mais de 600 indivíduos norte-americanos com depressão leve ou moderada.  As conclusões, publicadas no Journal of Medical Internet  Research, indicam que o game trouxe resultados tão positivos quanto a terapia de solução de problemas e um aplicativo com dicas de saúde, uma espécie de placebo. No entanto, só os dois primeiros tratamentos deram resultados para os pacientes com sintomas mais fortes.

A vantagem do videogame é que ele não demanda consultas semanais com um terapeuta, algo que não é acessível para todos os pacientes. Mas os autores ressaltam que o aplicativo só funciona se houver supervisão, ou a pessoa não se sente motivada para jogar com a frequência necessária.

Vários outros estudos têm sido feitos com o Projeto: EVO para avaliar o efeito em outros tipos de doenças, como alzheimer e lesão cerebral. A empresa também já solicitou liberação do FDA (Food and Drug Administration) para utilização do game em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Ainda faltam resultados para comprovar os benefícios desse tipo de tecnologia, mas toda novidade é bem-vinda para ajudar as pessoas a lidar com transtornos mentais.


Usar múltiplas plataformas de mídia social é ligado a ansiedade e depressão
Comentários Comente

Jairo Bouer

adolescenteinternet615

Alguns estudos têm chamado atenção para o impacto que as redes sociais podem ter na saúde de quem passa dia e noite mergulhado nelas. Mas parece que o tempo não é o único termômetro para detectar possíveis problemas – a forma de usar também importa. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos diz que quem costuma usar de sete a onze plataformas de mídia social tem um risco três vezes maior de sofrer de ansiedade e depressão do que usuários mais conservadores, que usam no máximo duas.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, e foi publicada no periódico Computers in Human Behavior. Eles afirmam que o risco é significativo a ponto de justificar que médicos e psicólogos orientem pacientes com esses transtornos a evitar o uso de múltiplas pataformas. Mas eles admitem que é difícil saber se é o comportamento que aumenta a ansiedade ou vice-versa.

A equipe avaliou uma amostra de 1.787 adultos norte-americanos de 19 a 32 anos, que passaram por testes para diagnosticar sintomas depressivos e descreveram a forma como usavam plataformas como Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, Google Plus, Pinterest e Linkedln. Os usuários ativos do maior número de sites foram 3,3 vezes mais propensos a apresentar níveis mais altos de ansiedade e depressão, mesmo quando outros fatores de risco foram isolados, como situação financeira e status de relacionamento.

Os autores têm algumas hipóteses para explicar a associação. Alguns estudos já associaram a tendência a fazer várias coisas ao mesmo tempo a prejuízos na memória e aprendizado, o que, segundo eles, poderia ter algum impacto na saúde mental. Outro ponto levantado é que as particularidades de cada plataforma tornam essa migração constante estressante, o que poderia prejudicar o humor. Por último, eles lembram que, quanto maior o número de perfis, maior a exposição caso ocorra alguma situação embaraçosa.


Autoimagem distorcida leva garotas a beber pesado, diz estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

bingedrinking615

Garotas do ensino médio que têm uma percepção distorcida do próprio corpo são mais propensas a ter episódios de beber pesado em relação a colegas que não têm o problema. A conclusão é de um estudo que será publicado em janeiro no Journal of Studies on Alcohol and Drugs.

Pesquisadores da faculdade de medicina da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, avaliaram 6,579 garotas com idades entre 14 e 18 anos para descobrir se uma autoimagem negativa pode interferir em comportamentos de risco. E a relação foi confirmada.

É comum que algumas adolescentes tenham uma visão distorcida do corpo – em geral sentem-se gordas, quando, na verdade, as medidas estão dentro do normal. Segundo os autores do estudo, comportamentos para perder peso – como fazer jejuns ou dietas malucas – têm sido associados ao abuso de substâncias.

Entre as garotas pesquisadas, 37,5% tinham comportamentos associados à percepção distorcida da imagem corporal; 67,7% já haviam consumido álcool pelo menos uma vez na vida; e 17,8% haviam relatado episódios de beber pesado nos 30 dias anteriores às entrevistas.

Segundo os resultados, a probabilidade de uso abusivo de álcool foi 1,2 vez maior entre as meninas com distorção de autoimagem. E quanto mais velha a garota, maior a propensão a abusar da bebida. Hispânicas e latinas também apresentaram tendência maior que brancas. E ter tido relações sexuais antes dos 13 anos, bem como fumar, também aumentaram a probabilidade.

O trabalho não investigou as causas do uso abusivo de álcool entre essas garotas, mas a hipótese é que elas façam isso para se sentir mais aceitas socialmente e confortáveis com elas mesmas. Ou, ainda, a bebida pode ser utilizada para mascarar a fome.

 


Bullying afeta o salário dos homens e gera absenteísmo entre as mulheres
Comentários Comente

Jairo Bouer

bullying615

Bullying não é só coisa de criança ou adolescente. Um estudo realizado pelas universidades Aarhus e de Copenhague, na Dinamarca, mostra que cerca de 7% dos empregados sofrem intimidações no trabalho.

O problema é uma das principais causas de absenteísmo e uso prolongado de antidepressivos entre as mulheres, e faz com que muitos homens abandonem o mercado, segundo os pesquisadores.

O levantamento contou com 3.182 trabalhadores de organizações públicas e privadas. Entre os que admitiram ser submetidos a humilhações, 43% eram do sexo masculino. Segundo os pesquisadores, a frequência do bullying é praticamente a mesma entre homens e mulheres. A diferença é que eles são um pouco mais propensos a sofrer intimidação física do que elas.

Os resultados ainda mostram que, se o bullying não aumenta o absenteísmo dos homens, o problema tende a afetar negativamente os salários deles, comprometendo oportunidades de promoções. Casos de chefes ou colegas que dificultam a vida do empregado na empresa, deixando as “melhores” tarefas para os outros, são comuns, de acordo com a pesquisa.

Para os autores, é preciso que o problema seja estudado a fundo, porque ainda é pouco reconhecido pelas empresas, apesar dos prejuízos que causa. Alguns estudos indicam que as consequências do bullying para a saúde mental podem ser comparáveis ou até maiores que as do assédio sexual, por exemplo. Os dados foram publicados no periódico Labour Economics.


Ficar mal de vez em quando não faz tão mal assim
Comentários Comente

Jairo Bouer

estudoestresse615

Para muitos estudantes, dezembro é o mês do estresse e do mau humor, pois coincide com provas finais. Se esse for o seu caso, anime-se: um estudo sugere que experimentar emoções negativas de vez em quando pode resultar em um melhor desempenho acadêmico. Mas só se for de vez em quando.

O trabalho foi conduzido por psicólogos da Universidade Concórdia, no Canadá, e contou com 187 alunos de primeiro ano de uma grande faculdade, acompanhados durante quatro anos. Aqueles que tinham crises ocasionais apresentaram as melhores notas ao término do curso.

Por outro lado, aqueles que relataram níveis altos de ansiedade e depressão com maior frequência foram os que tiveram as piores notas. Os dados foram publicados no periódico Developmental Psychology.

Para os autores, os resultados demonstram que tanto as emoções positivas quanto as negativas têm seu papel no sucesso. Para quem está bem na maior parte do tempo, os momentos críticos podem até melhorar a motivação. Já se o sofrimento for constante, é fundamental buscar ajuda.


Transtornos mentais e doenças físicas costumam andar juntas
Comentários Comente

Jairo Bouer

jovemsono615

Certas doenças tendem a ocorrer com mais frequência em crianças e adolescentes com transtornos mentais prévios. Pesquisadores descobriram que, nessa faixa etária, é comum que artrite e doenças do aparelho digestivo apareçam após a depressão, enquanto transtornos de ansiedade tendem a ser seguidos por doenças da pele.

As conclusões fazem parte de um trabalho financiado pela Fundação Nacional de Ciência, da Suíça, que contou com pesquisadores da Universidade da Basileia, e também da Universidade Ruhr de Bochum, na Alemanha.

Os resultados, publicados na revista PLoS ONE, foram obtidos a partir de uma amostra representativa de 6.500 jovens dos Estados Unidos, com idades entre 13 e 18 anos.

Assim como um transtorno mental pode preceder uma doença física, o oposto também pode ocorrer. Os pesquisadores verificaram que é comum que o jovem desenvolva um transtorno de ansiedade depois de apresentar problemas cardíacos.

Outra descoberta da equipe é associação entre a epilepsia e o posterior surgimento de transtornos alimentares como a bulimia e a anorexia. Esse fenômeno já tinha sido descrito em relatos isolados, mas agora foi confirmado em um número maior de adolescentes.

Conhecer as doenças que mais costumam andar de mãos dadas pode abrir caminho para abordagens de prevenção e tratamento mais eficazes no futuro.


Machismo pode ser prejudicial à saúde mental dos homens
Comentários Comente

Jairo Bouer

narcisismo615

Homens que se enxergam como garanhões, ou que sentem ter poder sobre as mulheres são mais propensos a ter problemas de saúde mental do que os colegas que não são assim, de acordo com uma pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia.

Pesquisadores da Universidade Indiana Bloomington revisaram um total de 78 estudos científicos, envolvendo mais de 19.400 participantes, sobre os temas. Eles analisaram a relação entre uma saúde mental mais frágil e a conformidade com certos traços associados a masculinidade e machismo, como desejo de controle emocional, sensação de poder sobre as mulheres, prioridade no trabalho, desejo de vencer, atração por violência e risco, promiscuidade sexual e desprezo por homossexuais.

Os traços mais associados a problemas psicológicos ou psiquiátricos, segundo os pesquisadores, foram: autoconfiança, poder sobre as mulheres e comportamento de garanhão. Além de ter uma saúde mental mais frágil, eles também são menos propensos a buscar tratamento, o que tende a agravar os quadros. Os resultados foram publicados no Journal of Counseling Psychology.

Se o machismo pode causar ou ser causa de problemas psicológicos no homem, isso certamente tem algum impacto na saúde mental das mulheres que convivem com ele.

A equipe também fez outras duas descobertas interessantes: a característica masculina de priorizar o trabalho acima de tudo não foi significativamente associada a problemas de saúde mental. Já a atração por risco trouxe resultados bons e também ruins, mostrando que essa característica pode ter tanto consequências psicológicas positivas quanto negativas.

 

 


Estudo mostra uma em cada seis meninas já teve depressão
Comentários Comente

Jairo Bouer

adolescenteinternet615

A taxa de adolescentes que relatam ter sido diagnosticadas com depressão aumentou 37% em uma década, segundo um levantamento feito nos Estados Unidos, pela Universidade de Johns Hopkins.

A taxa de episódios depressivos em adolescentes era de 8,7%, em 2005, e a proporção subiu para 11,3%, em 2014. Ao levar em conta apenas as meninas, a taxa passou de 13,1% para 17,3%.  Ao se analisar o gráfico, a linha permanece estável até 2011, quando houve um aumento expressivo. Os pesquisadores admitem que houve um leve aumento no número de visitas a especialistas, mas nada que justifique essa elevação.

O estudo analisou dados de 2005 a 2014 em relação à chamada “depressão maior”, que envolve, entre outros sintomas, a perda de interesse ou prazer nas atividades diárias por no mínimo duas semanas. No total, o estudo contou com 176 mil adolescentes, de 12 a 17 anos, e 180 mil jovens adultos, de 18 a 25 anos.

Os resultados, publicados na revista Pediatrics, destaca a necessidade de se dar atenção à saúde mental dos jovens. As taxas de suicídio na adolescência têm aumentado, tanto que um estudo recente mostra que elas já superam a de mortes por acidente de carro na faixa de 10 a 14 anos.