Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : neurociência

Se é difícil não ser afetado por tragédias, sem dormir é mais ainda
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Jairo Bouer

Dormir pouco faz com que as tarefas simples do dia a dia virem um verdadeiro sacrifício. Mas em pessoas com ansiedade e depressão, que com frequência têm problemas de sono, o problema é muito pior.

Pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, descobriram o que pode estar por trás disso: é que uma área específica do cérebro, chamada de córtex cingulado anterior dorsal, precisa trabalhar mais para tentar modificar respostas emocionais negativas quando a pessoa não dorme bem.

A pesquisa, publicada na revista Depression and Anxiety, contou com exames de ressonância magnética funcional para medir a atividade em diferentes regiões do cérebro enquanto os participantes eram desafiados com uma tarefa que exigia regulação emocional. Eles eram expostos a imagens perturbadoras, como de guerra ou acidentes, e tinham que fazer um esforço para não se impressionar, ou reavaliar o fato para tentar achar um enfoque positivo. Por exemplo: ao ver uma mulher com o rosto machucado, tinham que tentar imaginar que ela era uma atriz talentosa interpretando um papel.

Os 78 participantes, que tinham 18 a 65 anos de idade, haviam sido diagnosticados com  transtorno de ansiedade, depressão ou ambos. Eles preencheram questionários e usaram um dispositivo, por seis noites, para detectar quanto tempo passavam acordados. A conclusão é que a maioria apresentava insônia.

Pessoas com depressão ou ansiedade costumam ter como característica uma negatividade crônica, também chamada de ruminação negativa. Por isso, tentar achar um lado positivo para imagens de violência demanda um esforço grande, segundo os pesquisadores. Mas, para quem não dorme bem, o trabalho é ainda maior.

Os participantes cujos dispositivos demonstraram baixa qualidade de sono apresentaram maior atividade na região do cérebro analisada. Ou seja: foi preciso um esforço maior para reavaliar as imagens com um prisma positivo. A conclusão é que o sono desempenha um papel importante para regular emoções negativas e, por isso, esse aspecto deve ser tratado com seriedade por quem sofre de ansiedade ou depressão. E dormir bem também ajuda a evitar esses transtornos.


Emoções fortes geram uma espécie de ressaca que interfere na memória
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Jairo Bouer

CEREBRO615

Uma experiência emocional intensa pode induzir estados no cérebro que persistem por algum tempo após o ocorrido. É o que descobriram cientistas da Universidade de Nova York. Segundo a pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, o processo pode ser comparado à ressaca depois de uma bebedeira, e infuencia a forma como lembramos de experiências futuras.

Os neurocientistas envolvidos no trabalho explicam que a maneira como nos lembramos de eventos depende fortemente dos estados internos gerados pelos fatos, e não pelos fatos em si. São essas sensações duradouras que colorem as experiências que ocorrem logo em seguida, de acordo com os autores.

Explicando melhor: todo mundo sabe que experiências que geram emoções ficam mais tempo na memória. O que os pesquisadores descobriram é que as experiências neutras que se seguem às emocionais também são lembradas com mais facilidade.

Para chegar à conclusão, eles convidaram voluntários para visualizar uma série de imagens que continham conteúdo emocional. Cerca de 20 minutos depois, um dos grupos também visualizou uma série de imagens comuns. Já um outro grupo viu as cenas neutras e, em seguida, as que geravam emoções. Todos tiveram a excitação medida com eletrodos na pele e a atividade cerebral mensurada com ressonância magnética.

Seis horas mais tarde, os participantes foram submetidos a um teste de memória para averiguar quais as imagens ficaram na memória. Aqueles expostos ao conteúdo emocional se lembraram melhor das imagens neutras que vieram em seguida em comparação com o grupo que primeiro visualizou o conteúdo neutro.

A atividade cerebral dos voluntários indicou que os estados induzidos por experiências emocionais duraram de 20 a 30 minutos, o que influenciou a forma como eles processaram e registraram na memória as imagens neutras apresentadas em seguida. A descoberta pode resultar em estratégias para melhorar o aprendizado.

 


Prazer sexual é uma espécie de transe, diz pesquisador
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ORGASMOFEM700

Um neurocientista norte-americano decidiu investigar como a atividade sexual interfere nos ritmos cerebrais e concluiu que ela leva as pessoas a uma espécie de transe.  Isso mesmo. Segundo Adam Safron, da Universidade de Northwestern, a estimulação rítmica em busca do orgasmo, quando intensa e prolongada, pode entrar em sincronia com o cérebro e se espalhar por ele. É por isso que as pessoas se desligam do mundo e até de si mesmas ao chegar ao clímax.

O neurocientista avaliou diversos estudos publicados ao longo de muitos anos e descobriu que os ritmos do sexo podem estimular os neurônios, mais ou menos como quando empurramos alguém no balanço, um processo conhecido como “arrastamento neural”. Ele explica que isso ocorre porque os neurônios são mais propensos a disparar quando estimulados várias vezes dentro de uma estreita janela de tempo.

Safron encontrou paralelos entre o orgasmo e as convulsões, bem como com a música e a dança. O que, de certa forma, explica por que sons e ritmos sempre fizeram parte dos rituais de acasalamento, de seres humanos a insetos.

Para o pesquisador, os resultados podem ser interpretados como uma dica para que as pessoas se concentrem mais nos aspectos rítmicos do sexo. E podem mudar a forma como as pessoas enxergam as relações sexuais – elas podem ser não apenas uma fonte de sensações prazerosas e conexão emocional, mas também um estado alterado de consciência.


Por que ninguém consegue tomar “só uma”
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Cientistas da Universidade A&M Texas afirmam ter descoberto a razão pela qual as pessoas dificilmente conseguem manter a meta de tomar só um drinque, ou só uma cerveja, quando saem com os amigos.

Segundo eles, o cérebro humano contêm neurônios específicos, chamados de D2, que nos “dizem” quando é hora de parar. A letra “D” refere-se à dopamina, um mensageiro químico envolvido no sistema de recompensa do cérebro.

O estudo mostrou que quando as pessoas bebem mais do que deveriam, esses neurônios são desativados, o que leva a beber ainda mais.

O que é pior, de acordo com os pesquisadores, é que o hábito de beber em binge, ou seja, grandes quantidades em um curto espaço de tempo, só enfraquece esses neurônios.

A descoberta pode levar, no futuro, a algum tratamento que ative os neurônios D2 e ajudem a conter o alcoolismo. Para quem está começando a beber, fica a dica: vá devagar, e intercale as doses de álcool com água e comida.  Pense em você amanhã.


Cientistas dizem ter descoberto onde “mora” a felicidade
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neurociencia300Pesquisadores japoneses afirmam ter descoberto uma região específica do cérebro que, dependendo do tamanho, pode indicar se uma pessoa é feliz. As descobertas foram publicadas na revista Scientific Reports.

As teorias mais aceitas sobre a felicidade afirmam que essa sensação é subjetiva, e consiste em uma mistura de satisfação com a vida e a tendência a experimentar mais emoções positivas do que negativas.

Cientistas liderados por Wataru Sato, da Universidade de Kyoto, decidiram investigar a fundo essa sensação com o mapeamento cerebral de 51 pessoas, que também tiveram que responder a diversos questionários.

Eles descobriram que quanto mais satisfação com a vida e emoções positivas um indivíduo tinha, maior o volume de massa cinzenta de uma região chamada de precuneus, que fica no lobo pariental lateral. Essa área também exerce papel importante em certos aspectos da consciência e da auto-reflexão.

Os pesquisadores também descobriram que esse aumento de volume pode ser impulsionado por emoções positivas, algo que reforça a teoria de que a felicidade é subjetiva. Uma das técnicas que conhecidamente provoca esse aumento é a meditação.

Embora os cientistas avisem que são necessários mais estudos, pode ser que no futuro seja possível desenvolver programas psicológicos capazes de fazer as pessoas mais felizes. As informações são do Medical News Today.


Entenda por que é importante levar uma mulher para jantar
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JANTAR300Você já deve ter ouvido falar que, para conquistar uma garota, você deve levá-la para jantar, não é? Pois a estratégia agora tem fundamentação científica. Pesquisadores descobriram que as mulheres respondem melhor a estímulos românticos quando estão com o estômago cheio.

A equipe, da Universidade de Drexel, nos EUA, avaliou o funcionamento de circuitos cerebrais de mulheres jovens com ou sem fome.  Eles descobriram que as garotas apresentaram maior ativação do sistema de recompensa diante de imagens românticas depois de terem comido.

Os resultados contradizem a hipótese de que as pessoas são mais sensíveis a estímulos de recompensa quando estão famintas. Nesse caso específico, pelo menos, as mulheres bem alimentadas apresentaram sensibilidade maior em comparação com as que estavam com fome.  Os resultados foram publicados na revista Appetite.

O estudo contou com garotas que tinham histórico de dietas e também com garotas que nunca haviam feito regime. É que, em um estudo anterior, publicado no ano passado, a mesma equipe havia comprovado que mulheres acostumadas a controlar a alimentação respondiam de forma mais dramática a estímulos alimentares (ou seja, de recompensa) do que aqueles que nunca tinham feito regime.

Os pesquisadores perceberam que o histórico de dietas faz as mulheres desejarem mais os alimentos. No estudo com exposição de imagens românticas, elas também apresentaram  uma ativação mais forte nas regiões de recompensa após terem comido. Se você quer conquistar uma garota, portanto, não deixe de incluir o jantar no seu encontro romântico, especialmente se ela for do tipo que está sempre de dieta.


Imagens cerebrais podem dizer como uma pessoa vai se sentir
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PANICO300Uma equipe de neurocientistas conseguiu descobrir uma maneira de prever emoções humanas com base na atividade cerebral. Isso significa a possibilidade de avaliar como uma pessoa está se sentindo apenas com exames de imagem.

O estudo é considerado relevante devido à sua precisão, de mais de 90%, e também pelo grande número de participantes que refletem a população adulta em geral, e não apenas estudantes universitários.

A equipe, liderada por Luke Chang, professor de ciências psicológicas e do cérebro de Darmouth College, nos Estados Unidos, buscou uma espécie de assinatura capaz de prever a intensidade de respostas emocionais negativas.

Chang e seus colegas avaliaram 182 pessoas enquanto eram expostas a fotos neutras, e também a imagens de lesões corporais, atos de agressão, incitação ao ódio, acidentes de carro e fezes humanas. Trinta outros participantes ainda foram submetidos a sensações dolorosas provocadas por calor durante os testes.

Com ajuda de um software estatístico e dos exames de imagem, os pesquisadores conseguiram identificar um padrão de ativação dos neurônios que é capaz de predizer se uma pessoa vai se sentir mal depois de ver imagens desagradáveis.

Os pesquisadores afirmam que, com o modelo proposto, é possível determinar com precisão como uma pessoa está se sentindo sem saber nada sobre ela. Essa assinatura também pode ser útil, segundo a equipe, para avaliar se um indivíduo está reagindo de modo incomum – muito ou pouco – o que pode ser importante para avaliar sua saúde mental.

As descobertas, publicadas na revista PLoS Biology, podem, no futuro, ajudar no diagnóstico e tratamento de uma variedade enorme de problemas de saúde física e mental.


Cérebro dos solitários muda diante de situações sociais, mostra estudo
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SOLIDAO300Todos nós podemos nos sentir rejeitados ou solitários de vez em quando. Mas o isolamento crônico pode provocar alterações no cérebro que fazem o mecanismo de alerta disparar toda vez que a pessoa entra em contato com um estranho, segundo estudo publicado na revista científicaCortex.

De acordo com a pesquisa, solitários crônicos teriam um cérebro um pouco diferente dos não solitários por causa disto. O isolamento faria o cérebro entrar no “modo de autopreservação”, digamos assim. E isso tornaria a pessoa mais defensiva diante de uma suposta ameaça social. Assim, esses indivíduos se tornam bem mais sensíveis a críticas e tendem a ignorar elogios.

O casal de pesquisadores Stephanie e John Cacioppo, em parceria com Stephen Balogh, da Universidade de Chicago, distribuíram questionários para 38 pessoas que se consideravam muito solitárias, e para 32 que não se sentiam assim.  Todos eles passaram por um exame minucioso de eletroencefalografia, a fim de medir alterações imediatas na atividade cerebral. E, durante o teste, os participantes eram submetidos a palavras positivas, como “pertencer” e “festa”, assim como negativas, como “sozinho” ou “solitário”, e ainda a palavras positivas e negativas sem conotação social, como “alegria” e “tristeza”. A rapidez da exposição impedia que as pessoas parassem para pensar no significado das palavras.

Os pesquisadores analisaram as ondas cerebrais dos voluntários e anotaram as mudanças de padrão. Diante das palavras negativas ligadas ao social, os solitários tinham ativadas áreas cerebrais envolvidas no controle da atenção, ou seja, eles entravam em um estado de vigilância. E conseguiam, inclusive, diferenciar as palavras negativas com conotação social das genéricas, apesar da rapidez do teste.

Os resultados condizem com os obtidos em estudos anteriores. Em um deles, feito em 2009, com escaneamento cerebral, mostrou que os solitários apresentam maior atividade diante de imagens de pessoas estressadas.

Os pesquisadores reforçam que, ainda que uma pessoa tenha milhares de seguidores no Facebook, ela pode se sentir solitária e se isolar socialmente, o que quase sempre traz consequências negativas. Somos seres sociais, e precisamos de relacionamentos para ter bem-estar e até saúde.


Estudo mostra o que acontece quando cultivamos emoções positivas
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FACEBOOK300Saber curtir as coisas simples da vida e cultivar emoções positivas é algo que faz bem à saúde, de acordo com diversas pesquisas. A questão é que nem todo mundo consegue fazer essas sensações durarem muito tempo.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Miami, nos EUA, decidiu investigar de perto por que, para algumas pessoas, essas emoções positivas são mais fugazes.

A equipe descobriu que a duração da atividade em circuitos específicos do cérebro pode prever quanto tempo o bem-estar associado a um jantar agradável, por exemplo, pode durar para cada indivíduo. Os resultados foram publicados no The Journal of Neuroscience.

Descobertas desse tipo são importantes para entender melhor transtornos como a depressão, que afeta mais de 350 milhões em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No experimento, que durou dez dias, cerca de 100 adultos tinham que concluir um jogo de adivinhação rápido pelo smartphone e, cerca de 15 minutos depois, responder a perguntas sobre suas emoções também pelo celular.

Aqueles que acertavam o jogo ganhavam certa quantia em dinheiro, o que gerava uma rajada de bem-estar. Perder, obviamente, gerava a sensação oposta.

Os mesmos participantes, depois, tinham que completar o jogo enquanto cientistas coletavam exames de ressonância magnética cerebral. Aqueles que apresentaram maior atividade em uma região associada a recompensa – o chamado  “estriado ventral” – relatou uma emoção positiva mais duradoura.

De acordo com o autor principal do trabalho, Richard Davidson, outros estudos também já tinham esse padrão a níveis mais elevados de bem-estar. Ele acrescenta que práticas como cultivar a bondade e a compaixão também podem aumentar o “saborear” das emoções positivas, segundo esses mesmos trabalhos. Ou seja, essa capacidade pode ser treinada, digamos assim.

Para ele, a pesquisa atual pode abrir caminho para formas de fazer com que as pessoas obtenham sensações agradáveis pelo smartphone ao longo do dia, o que pode ajudar a criar mudanças em redes de neurônios e, quem sabe, melhorar o humor a longo prazo.


Álcool torna as pessoas mais amigáveis, mas só com quem “é da turma”
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BEBER300Beber torna as pessoas mais amigáveis com os conhecidos, só que também mais grossas com quem não faz parte da turma. É o que revela o pesquisador Ian Mitchell, da Universidade de Birmingham, que realizou, recentemente, uma série de experimentos com ajuda de exames de imagem e comprovou os efeitos da bebida no comportamento humano.

O consumo de álcool faz com que muita gente se sinta invencível e mais ousado do que o habitual, pois aumenta a atividade de um neurotransmissor chamado Gaba. O efeito depende da dose e da localização de receptores dessa substância química no cérebro. Além disso, beber aumenta os níveis de dopamina, que gera uma sensação de recompensa e de euforia suave.

Em doses mais elevadas, a bebida inativa um outro circuito cerebral que é ligado ao medo e à ansiedade – é por isso que quem  bebe demais fica meio sem noção do perigo, e passa a confiar mais nos outros, conforme explica Mitchell em um artigo no site The Conversation, que reúne textos de pesquisadores.

Porém, o álcool também estimula a agressividade – em testes, quem bebeu teve mais disposição para administrar choques elétricos nos outros, especialmente quem já tinha uma tendência a ser agressivo.

Uma questão importante é que a substância também afeta a capacidade de ler as intenções dos outros e suas expressões faciais, o que somado à característica anterior pode causar problemas sérios.

Por tudo isso, Mitchell reitera que a bebida pode interferir bastante no funcionamento social, fazendo as pessoas se unirem mais aos amigos ou a quem pertence ao mesmo grupo étnico, e rejeitar quem está de fora.

Por último, o pesquisador avisa que grandes quantidades de álcool podem deixar o funcionamento desses circuitos cerebrais tão comprometidos, no fim de uma balada, quanto os de quem sofre de demência. E o consumo crônico pode levar a perdas irreversíveis, como problemas de memória, depressão e até tendência ao suicídio.