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Arquivo : maconha sintética

Estudo identifica jovens mais propensos a usar maconha sintética
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Jairo Bouer

Jovens com sintomas depressivos, que usam álcool e maconha natural são os mais propensos a experimentar a maconha sintética, também chamada de Spice ou K2, um tipo de droga que tem causado problemas sérios em diversos países.

A conclusão é de um estudo publicado no periódico Pediatrics, um dos primeiros a analisar os comportamentos de risco que levam os jovens a experimentar a maconha sintética, segundo os autores, da Universidade do Texas.

O trabalho contou com 964 alunos do ensino médio de escolas norte-americanas, que responderam a questionários em duas ocasiões, com  um ano de intervalo entre elas. Na segunda abordagem foi possível identificar adolescentes que experimentaram a maconha sintética e avaliar características em comum entre eles no ano anterior.

Os canabinoides sintéticos são substâncias similares quimicamente ao THC, o componente ativo da maconha. Eles são produzidos em laboratórios de fundo de quintal e aplicados em plantas parecidas com a cannabis. Um produto nunca é igual ao outro,  por isso não dá para prever direito os efeitos que cada lote pode causar.

A maconha sintética pode ser de 40 a 600 vezes mais potente que o THC, chegando, algumas vezes, a ser letal. A opção atrai os jovens pelo efeito turbinado, mas também pela associação com a maconha de verdade, vista como segura (e, em algumas partes dos Estados Unidos, até legal). Além disso, a droga é barata e tem a vantagem de não ser detectada em exames de urina.


Entenda por que a maconha sintética é tão perigosa
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Jairo Bouer

Fonte: Departamento de Justiça dos EUA

Fonte: Departamento de Justiça dos EUA

A maconha sintética, também chamada de K2 ou Spice, tem ganhado popularidade no Brasil e fora do país. Nos Estados Unidos, por exemplo, seu uso é bastante comum entre adolescentes e militares, já que a estrutura química da droga não é identificada em testes padrão para detectar o uso de maconha.

Mas relatos de médicos e estudos científicos têm chamado atenção para os perigos dessa versão produzida em laboratórios de fundo de quintal. Um trabalho que acaba de ser publicado pela Universidade de Arkansas aponta efeitos graves como convulsões, psicose, dependência, AVC, lesões renais, problemas cardíacos e morte.

O principal composto psicoativo da maconha, o THC, é conhecido por ativar dois receptores canabinoides, o CB1 e CB2, que estão espalhados pelo corpo humano. Os pesquisadores descobriram que a versão sintética ativa o primeiro receptor numa intensidade que a erva jamais seria capaz de alcançar. Além disso, ele dizem que, por ser quimicamente diferente do THC, a maconha sintética ativaria outros receptores, além do CB1 e CB2, o que explicaria os efeitos potencialmente fatais.

Em artigo publicado no periódico Trends in Pharmacological Sciences, os pesquisadores alertam que os usuários nunca sabem o que vão consumir, pois a quantidade de composto ativo varia muito não só entre os laboratórios, como também de lote para lote. Eles ainda observam que as pessoas, hoje, tendem a ver tudo o que é rotulado como maconha como mais seguro, o que não é verdade, especialmente no caso das drogas sintéticas.

 


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