Blog do Doutor Jairo Bouer

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Salário mínimo um pouco melhor igual a menos gravidez na adolescência
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Jairo Bouer

Um estudo feito nos Estados Unidos mostra a influência do salário mínimo na taxa de gravidez na adolescência. Segundo pesquisadores da Universidade de Indiana, um aumento de apenas 1 dólar (cerca de 3,1 reais) poderia causar uma redução de cerca de 2%, o que representaria 5.000 nascimentos a menos por ano.

Muitas pesquisas analisam o impacto do aumento do salário mínimo para a economia, mas são poucos os que avaliam como isso repercute na saúde pública. Apesar de ter sido feito nos EUA, não há por que achar que uma renda melhor não teria consequência semelhante no Brasil.

De acordo com os pesquisadores, com salários melhores, as adolescentes têm uma razão a mais para continuar trabalhando e adiar a maternidade. Se apenas 1 dólar faria uma diferença dessas, imagine um aumento significativo?

O salário mínimo na maioria dos Estados norte-americanos é de 7,25 dólares a hora (pouco mais de 22 reais), e os EUA são o país com maior número de adolescentes que engravidam entre as nações desenvolvidas.

Outros estudos já mostraram que uma renda melhor interfere positivamente nos índices de massa corporal (IMC), diminui as taxas de abuso infantil e aumenta a longevidade dos trabalhadores. O atual foi publicado no American Journal of Public Health.


Certos homens também sofrem de depressão pré-natal ou pós-parto
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Homens estressados ou com a saúde debilitada podem ficar deprimidos quando as parceiras ficam grávidas, e os sintomas também podem surgir depois do nascimento do filho. É o que mostra um estudo feito na Nova Zelândia, e publicado no periódico Jama Psychiatry.

Hoje, sabe-se que alguns homens também podem ser vítimas da depressão pré-natal ou pós-parto, condições já bem estudadas nas mulheres.  O objetivo do trabalho atual foi identificar os principais fatores de risco para a depressão paterna.

Pesquisadores da Universidade de Auckland analisaram os sintomas de 3.523 homens na faixa dos 33 anos, que foram entrevistados quando suas parceiras estavam no terceiro trimestre de gravidez e nove meses após a chegada do filho.

Os resultados mostraram que 2,3% dos participantes, ou seja, 82 homens, apresentaram sintomas fortes de depressão durante a gravidez das parceiras, e 4,3% (153) relataram os sintomas depois do nascimento da criança.

Os pesquisadores notaram que o problema foi mais frequente nos homens mais estressados e com saúde mais frágil, de um modo geral. No caso da depressão após o nascimento, os sintomas também foram mais presentes nos pais que estavam desempregados, separados da mãe da criança e que já tinham histórico do transtorno.

Os autores observam que o pai exerce uma influência vital para o desenvolvimento da criança, por isso a depressão também pode ter efeitos diretos ou indiretos nos filhos. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda o quanto antes pode evitar que isso aconteça.


Proteína é ligada a depressão na gravidez e bebês com baixo peso
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Estima-se que uma em sete mulheres tenha depressão durante a gravidez e outras tantas sofrem no pós-parto. O problema não só afeta as mães, como também pode interferir no desenvolvimento do bebê. Pesquisadores da Universidade do Estado de Ohio descobriram que uma proteína chamada BDNF (sigla em inglês para “fator neurotrófico derivado do cérebro”) tem sua quantidade alterada durante a gestação e pode estar por trás desses sintomas.

Para chegar ao resultado, a equipe avaliou 139 grávidas. Eles perceberam que a proteína diminui bastante do primeiro ao terceiro trimestre, voltando ao aumentar após o parto. O grupo descobriu, ainda, que o BDNF varia bastante de acordo com a origem étnica da mulher, sendo que o nível tende a ser mais alto nas grávidas negras.

Níveis mais baixos da proteína no segundo e terceiro trimestres foram associados a sintomas depressivos nos três últimos meses de gestação. Além disso, mulheres com a redução tiveram tendência maior a ter filhos com baixo peso ao nascer.

Os pesquisadores explicam que antidepressivos ajudam a aumentar os níveis da proteína, mas seu uso não está totalmente livre de riscos ao feto e possíveis efeitos colaterais. As informações foram publicadas no periódico científico Psychoneuroendocrinology.

Outra forma de aumentar os níveis de BDNF, segundo os autores, é praticar atividade física. Por isso, é recomendável que as gestantes não deixem de se movimentar, desde que não haja qualquer contraindicação para isso, é claro. Os exercícios podem melhorar o humor da mulher, evitar ganho de peso e pressão alta, e até beneficiar o desenvolvimento do bebê.


Incidência de depressão pós-parto no Brasil passa de 25%
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No Brasil, a cada quatro mulheres que têm filho, mais de uma apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. A constatação é de um estudo realizado por pesquisadoras da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz. Os resultados foram publicados no Journal of Affective Disorders.

O trabalho é considerado um dos maiores já feitos no país em relação a partos e nascimentos. Contou com quase 24 mil mulheres no período de 6 a 18 meses após o parto. A prevalência global de depressão pós-parto encontrada foi de 26,3%, mais alta que a estimada pela Organização Mundial da Saúde para países de baixa renda, que é de 19,8%.

Como esperado, foi constatado um número excessivo de cesarianas – 52% no total, sendo 88% só no setor privado. Também foi alto o número de intervenções dolorosas e muitas vezes desnecessárias, como a episiotomia (corte cirúrgico no períneo) e o uso de oxitocina ou manobras para acelerar a expulsão do bebê. As pesquisadoras não encontraram associação entre esses procedimentos e a tendência maior à depressão, o que mostra que eles são aceitos pelas mulheres como “normal”. Para as autoras, isso é preocupante.

O transtorno foi mais comum em mulheres da cor parda, com baixa condição socioeconômica, com antecedentes de transtorno mental, hábitos como o uso de álcool e que não haviam planejado a gravidez.

As mulheres que desenvolveram sintomas de depressão, na pesquisa, também foram aquelas que avaliaram pior seu atendimento na maternidade. Mas as autoras não podem dizer se a avaliação foi ruim porque a paciente já estava deprimida, ou se o atendimento de fato foi inadequado para essas parturientes.

A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, o que afeta o desenvolvimento da criança. As sequelas podem se prolongar até a infância e a adolescência. A mulher deprimida também tende a amamentar pouco.


Em ratos, álcool na gravidez afeta até a terceira geração
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Um estudo feito em ratos sugere que gestantes que bebem, mesmo pequenas quantidades, podem aumentar o risco de que seus filhos e netos tenham problemas com o álcool.

Pesquisadores da Universidade de Binghamton e de South Connecticut, nos Estados Unidos, avaliaram o impacto de uma dose equivalente a uma taça de vinho, em quatro dias seguidos, na fase que nos ratos equivaleria ao segundo trimestre de gravidez.

Depois, foram feitos testes de sensibilidade ao álcool nos animais que nasceram e também nos filhotes desses animais. As duas gerações foram afetadas, segundo a equipe. O comportamento dos ratos diante da substância indicou que eles apresentavam tendência ao alcoolismo.

Os pesquisadores já receberam aval do Instituto Nacional para o Abuso de Álcool para aprofundar os estudos e descobrir exatamente como a bebida afeta os genes dos ratos, a fim de tentar explicar essas consequências.

É muito cedo para achar que os resultados, publicados no periódico Alcoholism: Clinical and Experimental Research, podem valer para seres humanos. De qualquer forma, as conclusões reforçam o argumento de muitos especialistas que defendem a abstinência total do álcool durante a gravidez.


Converse com um garoto e você pode prever se ele vai morar com o filho
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Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que, ao analisar as opiniões de um adolescente em relação a sexo seguro, contracepção e gravidez, é possível descobrir se ele vai viver, ou não, com os filhos, no futuro.

O trabalho, feito na faculdade de medicina da Universidade Northwestern, é um dos únicos focados em garotos e paternidade. Os pesquisadores analisaram dados de um grande estudo longitudinal que conta com uma amostra representativa dos adolescentes e adultos jovens norte-americanos, em um intervalo de 20 anos.

Os adolescentes tiveram que responder a afirmações do tipo “Se você tiver relações sexuais, será mais respeitado pelos amigos”, e “Métodos de controle de natalidade interferem no prazer sexual”. Os pesquisadores, depois, checavam qual o status dos rapazes – se tinham casado muito cedo e se viviam com um ou mais filhos.

Os jovens que demonstravam pouca preocupação em fazer sexo sem camisinha foram 30% mais propensos a se tornar um pai não residente, ou seja, a viver sem os filhos, uma situação que é muito comum em casos de gravidez indesejada e quando o casal é jovem demais.

Aqueles que, na adolescência, achavam que não seria o fim do mundo engravidar uma garota foram 20% mais propensos a viver sem os filhos mais tarde. Já os garotos que entendiam melhor a eficácia dos métodos de contracepção apresentaram 28% menos risco de ser um pai não residente.  Os resultados foram publicados no periódico Journal of Adolescent Health.

Os resultados sugerem que intervenções, como uma educação sexual mais consistente nas escolas e em casa, podem literalmente mudar o destino de um homem. Além, é claro, de mudar a vida de uma mulher e dos filhos desse casal.


Filhas de mulheres que deram à luz mais tarde tendem a ter mais estresse
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gravidez300As filhas, mas não os filhos, de mulheres que dão à luz com 30 anos ou mais são mais propensas a apresentar sintomas de depressão durante a vida adulta, de acordo com uma pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia.

O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade da Austrália Ocidental, avaliou dados de um grande estudo, que contou com mulheres grávidas recrutadas no período de 1989 a 1991. A equipe contatou  1.200 indivíduos, filhos dessas mulheres, quando eles estavam com aproximadamente 20 anos.

As jovens cujas mães tinham 30 anos ou mais apresentaram significativamente mais sintomas de estresse. No caso em que as gestantes tinham 35 anos ou mais, houve maior frequência de estresse, depressão e ansiedade entre as filhas.

A mesma relação não foi encontrada nos filhos, nem nas filhas cujas mães eram mais jovens. A suspeita dos pesquisadores é que a diferença de idade entre mãe e filha leve a maior tensão no relacionamento de ambas. Eles também comentam que, aos 50 anos, é mais comum surgirem problemas de saúde que causam preocupação nas filhas – em geral as mulheres é que são mais afetadas quando as mães adoecem.


Depressão pré-natal não é incomum em homens, mostra pesquisa
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gravidez300A transição para a paternidade nem sempre é fácil, e não é só a mulher que sofre o impacto. Um estudo mostra que alguns homens apresentam sintomas de depressão pré-natal, ou seja, antes do nascimento do bebê. Os resultados foram publicados no American Journal of Men`s Health.

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, acompanharam 622 homens, em Quebec, por um período de um ano e meio. Eles responderam a perguntas sobre hábitos, sono, humor, qualidade do relacionamento e preocupação com dinheiro, entre outros temas.

A equipe descobriu que 13,3% dos futuros papais apresentaram níveis altos de sintomas depressivos durante a gestação do primeiro filho. Aqueles que dormiam pouco eram os mais propensos a ter o problema.

Neste estudo, os homens não foram acompanhados após o nascimento dos filhos. Mas, uma vez que a depressão pré-natal é um fator de risco para a depressão pós-parto, é de se prever que muitos deles continuaram com os sintomas após vivarem pais de fato.

Sentir uma certa ansiedade devido à chegada do primeiro filho é natural, já que a paternidade envolve uma série de novas responsabilidades. Mas é importante que os casais procurem ajuda caso os sintomas se intensifiquem, já que a depressão dos pais pode ter impacto no desenvolvimento da criança.


Pesquisa mostra que 10% das gestantes consomem bebida alcoólica
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GRAVIDEZ300Uma pesquisa publicada nos Estados Unidos mostra que 10% das mulheres grávidas consomem álcool, e 3% bebem grandes quantidades em um curto espaço de tempo.

Os números são baseados em um levantamento nacional do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que contou com gestantes de 18 a 44 anos.

Entre mulheres não grávidas na mesma faixa etária, 53,6% relataram consumo de álcool e 18,2% o consumo excessivo.

Outro resultado preocupante do levantamento é que, enquanto as não grávidas relataram uma média de 3 episódios de consumo excessivo em um mês, as gestantes citaram 4.

Entre as grávidas, as mulheres que apresentaram maior probabilidade de beber foram as mais maduras (com idades entre 35 e 44 anos), com curso universitário (13%) e solteiras (12.9%).

Os autores do estudo alertam que os resultados podem estar subestimados, pois há muitas mulheres consomem grandes quantidades de álcool antes de descobrir que estão grávidas. Além disso, a pesquisa foi feita com base em entrevistas, e nem todas as gestantes podem ter sido sinceras ou precisas em relação à ingestão de bebida alcoólica.

Beber durante a gravidez, especialmente grandes quantidades de álcool, pode levar a defeitos congênitos e problemas de desenvolvimento na criança. Também pode causar abortos e partos prematuros.

Enquanto alguns médicos deixam suas pacientes tomarem uma taça de vinho em ocasiões especiais, outros recomendam que as gestantes fiquem longe do álcool, para evitar qualquer risco.

Mulheres grávidas que não conseguem ficar sem beber devem buscar ajuda – um especialista pode ajudá-las a seguir metas e, pelo menos, reduzir o consumo ao máximo.


Estudo avalia riscos do uso de antidepressivo na gravidez
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Jairo Bouer

gravidez300O uso de antidepressivos durante a gravidez não causa problemas comportamentais ou no desenvolvimento das crianças, mas pode aumentar o risco de hemorragia após o parto. As conclusões são de três estudos publicados noInternational Journal of Obstetrics and Gynaecology.

Um dos trabalhos, conduzido pelo Instituto de Saúde Pública da Noruega, avaliou os efeitos da exposição pré-natal a antidepressivos em crianças de 3 anos. Em um banco de dados com mais de 51 mulheres, 159 mães reportaram o uso prolongado de inibidores da recaptação de serotonina (classe que inclui a sertralina, por exemplo) durante a gravidez. Alguns dos filhos dessas pacientes apresentaram um atraso sutil no desenvolvimento da coordenação motora, mas que não chegou a exigir nenhuma intervenção.

Em outro estudo, pesquisadores australianos avaliaram dados um vasto banco de dados, e descobriram que os filhos de mulheres deprimidas que não receberam tratamento na gestação – um total de 231 – apresentaram propensão maior a problemas comportamentais como hiperatividade, déficit de atenção e problemas de relacionamento aos 7 anos. O risco não foi encontrado nas 210 crianças cujas mães tomaram antidepressivos.

A terceira pesquisa, realizada no Hospital Women’s and Children’s, na Austrália, investigou o risco de hemorragia pós parto, perda de sangue que ocorre 24 horas depois de dar à luz, em 28 mil mulheres com doenças psiquiátricas. O risco foi de 11% entre as não usuárias de antidepressivos, e de 16% nas usuárias desse tipo de medicamento.

Para os pesquisadores, o tratamento da depressão é fundamental na gravidez, e os benefícios dos remédios superam os riscos. Mas é importante que a gestante converse com o médico sobre possíveis consequências.