Blog do Doutor Jairo Bouer

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Casamento também faz bem à saúde da população LGBTT, conclui estudo
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Jairo Bouer

O casamento faz bem à saúde de casais LGBTT (lésbicas, gays bissexuais, transexuais e transgêneros), mostra um estudo da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Pesquisas anteriores já tinham confirmado os benefícios do matrimônio para heterossexuais, mas este é um dos primeiros a comprovar que a hipótese independe de orientação sexual.

Nos Estados Unidos, uma lei federal passou a impedir qualquer legislação estadual contrária ao casamento de pessoas do mesmo sexo há cerca de dois anos. No Brasil, não há uma lei, mas uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, de 2013.

A equipe descobriu que homo ou bissexuais que trocaram alianças reportaram melhores índices de saúde física e mental, além de maior suporte social e financeiro, em relação aos solteiros.

O trabalho contou com 1.800 indivíduos LGBTT de 50 anos ou mais. Cerca de um quarto eram casados e metade eram solteiros. O casamento foi mais frequente entre mulheres e em brancos não hispânicos.

Os pesquisadores dizem que indivíduos em união estável também apresentaram melhores índices de saúde que os solteiros, mas o benefício foi ainda maior para os casados. Os dados foram publicados num suplemento especial do periódico The Gerontologist.


Jovens GLBT são mais vulneráveis a adversidades, mostra estudo
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depressao300Um estudo norte-americano mostra que jovens GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) tem uma resiliência menor que os adultos com a mesma orientação sexual. Isso significa uma capacidade menor de enfrentar adversidades e situações de estresse, como, por exemplo, episódios de preconceito e homofobia.

O trabalho, realizado na Universidade do Missouri, pode ajudar a explicar por que adolescentes GLBT tendem a ser mais propensos a cometer suicídio que seus pares heterossexuais.

Pesquisadores analisaram dados de mais de 5.000 indivíduos GLBT e descobriram que os jovens eram menos resistentes ao estresse e mais deprimidos que os adultos.

Para os autores, trabalhar a resiliência desses adolescentes seria uma forma de prevenir a depressão e, por consequência, o suicídio. Participar de comunidades e grupos de apoio pode ser ser algo extremamente importante nesse sentido.


Bissexuais relatam ter menos saúde que gays e lésbicas
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BISSEXUAL300Homens e mulheres bissexuais relatam ter menos saúde do que gays, lésbicas e heterossexuais, segundo um estudo feito na Universidade Rice, nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no periódico Demography, avaliou a autopercepção da saúde de mais de 10,1 mil gays, lésbicas e bissexuais e de 405 mil heterossexuais.

Segundo a principal autora, Bridget Gorman, as pesquisas de saúde existentes de modo geral não fazem distinções entre as diferentes minorias sexuais. Por isso, ela e sua equipe decidiram checar não apenas os relatos, como também o estilo de vida e a condição socioeconômica dos participantes.

Os resultados mostram que 19,5% dos homens bissexuais e 18,5% das mulheres bissexuais avaliaram sua saúde como “ruim” ou “regular”. Os mesmos conceitos foram utilizados por apenas 11,9% dos gays e 10,6% das lésbicas. Entre os que se identificam como heterossexuais, 14,5% dos homens avaliaram a própria saúde como “ruim” ou “regular”, contra 15,6% das mulheres.

Entre os grupos pesquisados, os bissexuais também apresentaram desvantagens em relação fatores sociais, econômicos e comportamentais associados a saúde e bem-estar. Eles eram mais propensos a fumar (23,8% dos homens e 21,9% das mulheres, respectivamente), em comparação com 14,9% dos gays, 16,6% das lésbicas, 11,1% dos homens heterossexuais e 8,3% das mulheres heterossexuais.

Os bissexuais também apresentaram tendência a ter um nível mais baixo de escolaridade e renda familiar mais baixa em relação aos outros grupos avaliados.

Os pesquisadores ressaltam a importância de se examinar o estado de saúde de grupos específicos, e não apenas das minorias sexuais em conjunto, já que o perfil dos bissexuais pode ser bem diferente do apresentado por gays e lésbicas.


Estudo sugere que assumir orientação sexual na escola é melhor para o aluno
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Jairo Bouer

LESBIAN300Adolescentes gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT) que “saem do armário” quando estão na escola tendem a ter uma autoestima mais elevada e níveis mais baixos de sintomas depressivos ao chegar à idade adulta, em comparação com jovens que escondem sua orientação sexual. A conclusão é de um estudo conduzido pela Universidade do Arizona, nos Estados Unidos.

O trabalho, publicado no American Journal of Orthopsychiatry, é um dos primeiros a documentar os benefícios de se assumir a orientação sexual na escola, apesar do fato de muitos jovens sofrerem bullying por causa disso.

A equipe, coordenada pelo pesquisador Stephen Russel, analisou dados de uma iniciativa conhecida como Projeto Aceitação Familiar, que inclui pesquisas e intervenções promovidas pela Universidade do Estado de São Francisco para o bem-estar de crianças e adolescentes GLBT.

A pesquisa contou com 245 jovens brancos de 21 a 25 anos do projeto, que relataram ter sofrido bullying na escola por causa de sua orientação sexual, tendo saído ou não do armário. O grupo que assumiu a condição na escola apresentava uma autoestima mais elevada, mais satisfação com a vida e menos índices de depressão.

Russell comenta que adolescentes GLBT com frequência são orientados pelos adultos a manter sua orientação sexual em segredo, até para se protegerem de agressões e constrangimentos. Mas a pesquisa mostra que o conselho pode não ser o melhor para esses jovens a longo prazo, já que esconder algo tão importante sobre a própria identidade pode afetar a saúde mental.

Um dos fatos que incentivou Russell a fazer a pesquisa foi o caso de uma escola, na Flórida, que em 2008 foi processada por vetar a criação de um grupo de gays assumidos. Os diretores argumentaram que isso seria prejudicial aos próprios estudantes, e o pesquisador, na época, viu o quanto faltavam trabalhos para fundamentar a decisão da Justiça.

De qualquer forma, antes que qualquer adolescente tome a decisão de sair do armário, é preciso pesar bem os prós e os contras, pois nem tudo que é bom para a maioria é bom para todo mundo. Também vale a pena levar em consideração que alguns indivíduos demoram mais para definir sua orientação sexual do que outros.


Violência doméstica pode ser mais frequente entre casais do mesmo sexo
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VIOLENCIA300No início desta semana, noticiei aqui uma pesquisa norte-americana mostrando que um em cada cinco homens costuma agredir a mulher ou parceira. Nesta sexta-feira (19), um novo estudo sobre o tema foi divulgado, desta vez em relação a casais do mesmo sexo. E a conclusão é preocupante: a violência doméstica nesse grupo é tão ou mais frequente que a registrada entre heterossexuais.

Cientistas da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, junto com um psicólogo do Hospital Memorial Northwestern, nos Estados Unidos, decidiram fazer uma revisão da literatura sobre o tema.

Eles descobriram que a violência doméstica afeta de 25% a 75% dos gays, lésbicas e bissexuais. Entre heterossexuais, uma em cada quatro mulheres enfrenta o problema, e a proporção é bem menor entre os homens.

Segundo os pesquisadores, a prevalência mais alta entre casais do mesmo sexo pode ser explicada pelo estresse adicional que o grupo sofre, pelo fato de ser minoria e sofrer preconceito.

Os autores ressaltam que nessa população os homens também relutam em se apresentar como vítimas, por isso as denúncias de lésbicas são bem mais frequentes que as de homens gays e bissexuais.

Mas os pesquisadores também chamam a atenção para a falta de dados representativos e para a subnotificação de casos. Muitos homossexuais não denunciam a violência por medo de discriminação, ou mesmo por receio de serem acusados pelo abuso. E ainda há o grande número de pessoas que não quer tornar pública sua orientação sexual.

Os dados, publicados no Journal of Sex & Marital Therapy, mostram que o preconceito torna o combate à violência doméstica ainda mais difícil para esse grupo. E só quando esse primeiro obstáculo for vencido é que será possível lidar realmente com o problema.

 


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