Blog do Doutor Jairo Bouer

Arquivo : gays

Autoafirmação está por trás de piadas sexistas, dizem pesquisadores
Comentários Comente

Jairo Bouer

Fazer piadas machistas ou sobre gays é uma forma de os homens se reafirmarem quando sua masculinidade está sendo ameaçada. Quem diz são pesquisadores norte-americanos, em um estudo publicado na revista científica Sexual Roles.

A equipe, da Universidade Western Carolina, conduziu dois experimentos com 387 homens heterossexuais, que responderam a questionários para identificar sua personalidade, níveis de preconceito, e tipo de humor preferido.

Os pesquisadores concluíram que as piadas preconceituosas geram autoafirmação para homens com crenças mais precárias de masculinidade, especialmente quando essas qualidades tipicamente atribuídas aos homens estão, de alguma forma, sendo desafiadas.

Para os autores, é uma maneira de se distanciar dos traços que não querem que sejam atribuídos a eles de uma forma relativamente segura de se expressar, que é por meio do humor.  Mas os autores lembram que piadas e provocações são as formas mais comuns de assédio sexual no ambiente de trabalho. Entender por que isso acontece pode ser o primeiro passo para evitar o problema.


Legalização do casamento gay fez suicídio entre jovens cair nos EUA
Comentários Comente

Jairo Bouer

A legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo, nos Estados Unidos, foi associada a uma redução significativa nas taxas de suicídio entre alunos do ensino médio, e a diminuição foi ainda mais intensa entre jovens homo e bissexuais. A conclusão é de um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina Johns Hopkins e publicado no periódico Jama Pediatrics.

A equipe analisou dados dos Estados que já tinham aprovado leis até 2015, quando uma decisão da Suprema Corte americana tornou legal a união civil de pessoas do mesmo sexo em todo o país. As taxas de suicídio entre jovens, nesses locais, foram comparadas às taxas registradas nos Estados que ainda resistiam à legalização. O levantamento inclui informações a partir de 1999, cinco anos antes de a primeira lei estadual sobre o tema ser aprovada no país.

O número é impressionante: houve 134 mil tentativas de suicídio a menos por ano nas regiões onde o casamento gay já havia sido legalizado. As taxas de suicídio entre alunos do ensino médio, em geral, foram 7% mais baixas nesses Estados. Já entre gays, lésbicas e bissexuais, a redução foi de 14%. Nos Estados em que a lei não tinha sido promulgada não houve nenhuma diminuição.

Para os pesquisadores, os resultados mostram o quanto políticas públicas podem interferir no comportamento da população. Ainda que a maioria dos adolescentes ainda não pense em casamento, o fato de gays e lésbicas terem os mesmos direitos que os heterossexuais ajuda a diminuir o estigma e faz com que os jovens se sintam mais esperançosos em relação ao futuro. Vários estudos já mostraram que o risco de suicídio é mais alto entre jovens homo ou bissexuais.


Um em 4 gays ou bissexuais nunca fez teste de HIV, diz estudo britânico
Comentários Comente

Jairo Bouer

EXAME615

Um grande estudo realizado no Reino Unido mostra que os homens estão  fazendo o teste de HIV mais do que nunca. Mas, mesmo assim, um em cada quatro homossexuais e bissexuais nunca passou pelo exame.

Os resultados fazem parte da maior pesquisa sobre saúde sexual de homens que fazem sexo com homens naquele país, com mais de 15.300 participantes. Do total, 77% haviam sido testados para o HIV, contra um percentual de 72% registrado em 2010. E mais da metade tinha feito o exame nos 12 meses anteriores à pesquisa . Em 2010, a proporção era de apenas 36%.

Os autores do trabalho, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, alertam que um em quatro ainda é um número muito alto – o diagnóstico precoce do HIV é importante para evitar transmissões e o desenvolvimento da doença.

A pesquisa mostrou que o uso do preservativo continua a ser um problema. Um em cada três homens gays sexualmente ativos tiveram sexo anal desprotegido com pelo menos um parceiro eventual nos 12 meses anteriores ao levantamento.

Embora a maioria dos entrevistados com HIV tenham negado que álcool e drogas tiveram influência para a infecção pelo vírus, 42% afirmaram que houve, sim, essa relação. Do total de participantes, 7% se declararam usuários de drogas pesadas, como GBH, GBL e metanfetamina.

Outros dados interessantes levantados pelos pesquisadores: apenas 60% dos entrevistados estavam satisfeitos com sua vida sexual, sendo que os homens com mais de 65 anos eram os que tinham maior probabilidade de relatar que estavam contentes e, os de 40, os menos satisfeitos.


Sair do armário traz bem-estar? A resposta pode envolver questões culturais
Comentários Comente

Jairo Bouer

gays615

Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que dizer “Eu sou gay” para a família e os amigos não tem a mesma consequência, em termos de bem-estar, para todo mundo. Pesquisadores perceberam que questões culturais, associadas a diferentes etnias, podem interferir bastante no sentimento de cada um.

O trabalho, feito por psicólogos das universidades da Califórnia e do Kansas, analisou especificamente as diferenças entre um grupo de 41 gays latinos e 42 brancos, residentes em Nova York, praticamente todos cidadãos norte-americanos. Eles responderam a questionários para avaliar o quanto se identificavam como gays, como isso era demonstrado para a sociedade e como essas questões interferiam em seu bem-estar.

Adrian Villicana, Kevin Delucio e Monica Biernat descobriram que, se para os brancos a proclamação verbal da identidade gay trouxe um aumento significativo do bem-estar, a mesma atitude não foi tão benéfica para os latinos. Os resultados foram publicados no periódico Self and Identity.

Existe uma noção generalizada de que, uma vez que uma pessoa se identifica como gay e não tem qualquer dúvida ou conflito em relação a isso, o natural é que ela anuncie em alto e bom tom a sua orientação sexual. Alguns estudos até indicam que “sair do armário”, como dizem por aí, é algo que contribui para o bem-estar e a saúde.

Os avanços conquistados pelos movimentos LGBT ajudaram muita gente, nesse sentido. Existe até o Dia Nacional de Sair do Armário, celebrado em 11 de outubro em muitos países. Os autores do estudo observam que, hoje em dia, não se declarar abertamente como gay é até encarado como negativo, algo como negar a própria identidade.

Mas os pesquisadores lembram que muitos desses movimentos foram iniciados por brancos, e que ainda hoje, nos Estados Unidos, gays de outras etnias ainda sofrem por não se encaixar nessa identificação cultural. Estudos citados por eles indicam que muitos negros se sentem isolados, porque, ao se associar ao movimento gay, são rejeitados por indivíduos da própria etnia, que encaram a atitude como uma tentativa de abdicar de suas origens negras.

Com a pesquisa, os autores perceberam que latinos gays preferem anunciar sua orientação sexual de maneira mais implícita, como, por exemplo, levar o companheiro para uma festa de família. Se para os mais distantes isso pode parecer apenas uma amizade de longa data, quem convive mais de perto com a pessoa sabe que se trata de um relacionamento amoroso.

Dessa forma, dizem os pesquisadores, gays latinos evitam conflitos familiares e preservam o convívio harmonioso com pessoas da própria etnia, uma vez que, para essa cultura, fazer propaganda excessiva sobre ser gay ou lésbica é algo visto, segundo o estudo, como “falta de respeito” aos pais, que vem de outra geração.

Como eu já comentei aqui em outro post, nem tudo o que é bom para a maioria é bom para todo mundo. A decisão de contar para a família sobre a orientação sexual é individual e cada um deve escolher quando e qual a melhor forma de fazê-lo.


Vídeo pornô com camisinha incentiva sexo seguro, diz pesquisa
Comentários Comente

Jairo Bouer

camisinha615

Um estudo mostra que filmes pornográficos que incluem o uso de camisinha ajudam a incentivar o sexo seguro entre homens que fazem sexo com homens.

A conclusão é de pesquisadores da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e foi publicada na edição online do periódico PLoS ONE.

Eles conduziram uma pesquisa online com 265 homens que fazem sexo com homens e que tinham consumido pornografia nos três meses anteriores à abordagem.  Todos tinham no mínimo 18 anos e moravam nos Estados Unidos.

Os pesquisadores perceberam que os homens que viam mais filmes que envolviam uso do preservativo eram menos propensos a fazer sexo anal sem camisinha. E o inverso também foi constatado: os que assistiam a vídeos em que os atores não se protegiam eram mais predispostos a abrir mão da camisinha.

Do total, 92% relataram assistir a vídeos de sexo explícito em que havia penetração sem preservativo e 48% concordavam que isso havia contribuído para que deixassem de usar camisinha também. Entre os participantes, 70% disseram ter repetido na vida real as coisas que viram nos filmes e 55% comentaram que foram atrás de sexo logo após assistir aos vídeos.

O uso de preservativo tem sido imposto à indústria de pornografia norte-americana para fins de prevenção de transmissão do HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. Mas hoje em dia, com tanto conteúdo sendo produzido informalmente na internet é muito difícil fazer com que isso seja regra.


Bissexuais podem ter propensão maior a transtornos de humor e ansiedade
Comentários Comente

Jairo Bouer

bissexual615

Gays, lésbicas e bissexuais tendem a sofrer mais com transtornos como depressão e ansiedade, bem como ser mais propensos a beber muito. Mas, para o último grupo, o risco pode ser maior ainda. As conclusões são de um estudo realizado no Canadá que incluiu 220 mil pessoas.

Os pesquisadores, da Universidade de British Columbia, constataram que, para os bissexuais, as taxas de transtornos de ansiedade e humor foram quatro vezes mais altas que a encontrada entre heterossexuais, e cerca de duas vezes a de gays ou lésbicas. A ocorrência de beber pesado também foi maior nesse grupo.

Embora o objetivo do estudo não tenha sido analisar as causas, vários outros trabalhos já mostraram que o estigma e o preconceito podem ser fontes de estresse crônico, o que explicaria o risco aumentado de transtornos entre bi e homossexuais.

No caso dos bissexuais, no entanto, o preconceito pode vir dos dois lados: tanto dos héteros quanto de gays e lésbicas. Talvez isso explique as diferenças observadas no estudo.


Gays tendem a ter mais amigas do sexo feminino, diz estudo
Comentários Comente

Jairo Bouer

NETWORK300Um estudo com mais de 25 mil norte-americanos confirmou o que muita gente já achava: homens gays tendem a ter mais amigas mulheres do que homens heterossexuais.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Chapman, em Orange, na Califórnia, este é o estudo mais abrangente já feito sobre o papel da amizade para gays, lésbicas e bissexuais masculinos e femininos, ou seja, a população GLB. Os resultados foram publicados na revista PLoS ONE.

Segundo o principal autor, o professor de psicologia David Frederick, havia poucos estudos sobre o assunto. Ele diz que as semelhanças em padrões de amizade observados por gênero e orientação sexual reflete uma maior aceitação social dos indivíduos GLB nos EUA.

O objetivo principal de Frederick e sua equipe era descobrir como a orientação sexual pode interferir em questões sobre amizade, e como ter amigos contribui para o bem-estar de gays, lésbicas e bissexuais.

Mas a pesquisa também tinha interesse em avaliar o que os psicólogos chamam de “homofilia de gênero”, ou seja, a ideia de que as pessoas tendem a gravitar em torno de indivíduos mais parecidos com elas próprias.

Os especialistas sempre consideraram que mulheres heterossexuais costumam ter mais amigas do mesmo sexo, e homens heterossexuais, mais amigos homens, pela ausência de tensão romântica ou sexual. Além disso, isso previne eventuais reações de ciúme por parte dos respectivos parceiros.

A pesquisa contou com 25.185 entrevistados com idade média de 42 anos: 11.924 homens heterossexuais, 387 homens bissexuais, 343 homens gays, 220 mulheres lésbicas, 511 mulheres bissexuais e 11.800 mulheres heterossexuais.

Os resultados indicam que héteros, bi e homossexuais têm um número comparável de amigos. E a homofilia de gênero, como os pesquisadores previam, foi comum na maioria dos grupos, com exceção dos homens gays e bissexuais, que não relataram ter mais amigos homens.

Ao questionar sobre os amigos com os quais os entrevistados se sentiam melhor para discutir sua vida sexual, eles descobriram que os jovens homossexuais dão preferência às mulheres. Os pesquisadores acreditam que isso acontece porque elas são menos propensas a ter preconceito contra os gays.

A pesquisa também observou que a qualidade e/ou o número de amizades teve impacto mais forte na satisfação com a vida entre os entrevistados GLB, conforme a reportagem publicada no site MedicalNewsToday.

O estudo constatou, no entanto, que, à medida que as pessoas envelhecem, elas tendem a ter menos amigos. Por isso, o autor reitera o quanto é importante incentivar homens e mulheres a se relacionarem sempre. Amigos ajudam a gente a lidar com a adversidade e a ter mais satisfação na vida.


Bissexuais relatam ter menos saúde que gays e lésbicas
Comentários Comente

Jairo Bouer

BISSEXUAL300Homens e mulheres bissexuais relatam ter menos saúde do que gays, lésbicas e heterossexuais, segundo um estudo feito na Universidade Rice, nos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada no periódico Demography, avaliou a autopercepção da saúde de mais de 10,1 mil gays, lésbicas e bissexuais e de 405 mil heterossexuais.

Segundo a principal autora, Bridget Gorman, as pesquisas de saúde existentes de modo geral não fazem distinções entre as diferentes minorias sexuais. Por isso, ela e sua equipe decidiram checar não apenas os relatos, como também o estilo de vida e a condição socioeconômica dos participantes.

Os resultados mostram que 19,5% dos homens bissexuais e 18,5% das mulheres bissexuais avaliaram sua saúde como “ruim” ou “regular”. Os mesmos conceitos foram utilizados por apenas 11,9% dos gays e 10,6% das lésbicas. Entre os que se identificam como heterossexuais, 14,5% dos homens avaliaram a própria saúde como “ruim” ou “regular”, contra 15,6% das mulheres.

Entre os grupos pesquisados, os bissexuais também apresentaram desvantagens em relação fatores sociais, econômicos e comportamentais associados a saúde e bem-estar. Eles eram mais propensos a fumar (23,8% dos homens e 21,9% das mulheres, respectivamente), em comparação com 14,9% dos gays, 16,6% das lésbicas, 11,1% dos homens heterossexuais e 8,3% das mulheres heterossexuais.

Os bissexuais também apresentaram tendência a ter um nível mais baixo de escolaridade e renda familiar mais baixa em relação aos outros grupos avaliados.

Os pesquisadores ressaltam a importância de se examinar o estado de saúde de grupos específicos, e não apenas das minorias sexuais em conjunto, já que o perfil dos bissexuais pode ser bem diferente do apresentado por gays e lésbicas.


Violência doméstica pode ser mais frequente entre casais do mesmo sexo
Comentários Comente

Jairo Bouer

VIOLENCIA300No início desta semana, noticiei aqui uma pesquisa norte-americana mostrando que um em cada cinco homens costuma agredir a mulher ou parceira. Nesta sexta-feira (19), um novo estudo sobre o tema foi divulgado, desta vez em relação a casais do mesmo sexo. E a conclusão é preocupante: a violência doméstica nesse grupo é tão ou mais frequente que a registrada entre heterossexuais.

Cientistas da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, junto com um psicólogo do Hospital Memorial Northwestern, nos Estados Unidos, decidiram fazer uma revisão da literatura sobre o tema.

Eles descobriram que a violência doméstica afeta de 25% a 75% dos gays, lésbicas e bissexuais. Entre heterossexuais, uma em cada quatro mulheres enfrenta o problema, e a proporção é bem menor entre os homens.

Segundo os pesquisadores, a prevalência mais alta entre casais do mesmo sexo pode ser explicada pelo estresse adicional que o grupo sofre, pelo fato de ser minoria e sofrer preconceito.

Os autores ressaltam que nessa população os homens também relutam em se apresentar como vítimas, por isso as denúncias de lésbicas são bem mais frequentes que as de homens gays e bissexuais.

Mas os pesquisadores também chamam a atenção para a falta de dados representativos e para a subnotificação de casos. Muitos homossexuais não denunciam a violência por medo de discriminação, ou mesmo por receio de serem acusados pelo abuso. E ainda há o grande número de pessoas que não quer tornar pública sua orientação sexual.

Os dados, publicados no Journal of Sex & Marital Therapy, mostram que o preconceito torna o combate à violência doméstica ainda mais difícil para esse grupo. E só quando esse primeiro obstáculo for vencido é que será possível lidar realmente com o problema.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>