Blog do Doutor Jairo Bouer

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Cultivar emoções positivas pode ter impacto na saúde de soropositivos
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Jairo Bouer

Um estudo mostra que ensinar técnicas para ajudar indivíduos recém-diagnosticados com o HIV a experimentar mais emoções positivas faz com que a carga viral deles diminua, bem como a necessidade de usar antidepressivos.

Segundo os pesquisadores do centro de medicina integrativa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a conclusão pode ser ampliada para outras pessoas que lidam com doenças crônicas graves, como cuidadores de indivíduos com Alzheimer e pacientes com câncer de mama metastásico.

O trabalho, publicado no Journal of Consulting and Clinical Psychology, contou com 80 soropositivos (principalmente homens), que tiveram cinco sessões semanais para aprender como experimentar emoções positivas. Outros 79 indivíduos do grupo controle não passaram pela intervenção.

A equipe utilizou algumas técnicas baseadas em evidências, como fazer um diário para agradecer pelas coisas boas que se tem, reconhecer um evento positivo que tenha acontecido a cada dia e escrever sobre ele, listar uma demonstração de força interior, definir uma pequena meta e anotar os progressos, praticar um pequeno ato de bondade a cada dia e pelo menos 10 minutos de meditação diariamente, com foco na respiração.

Quinze meses após a intervenção, 91% dos participantes tiveram a carga viral zerada, sendo que no grupo controle apenas 76% alcançaram o mesmo resultado. Os pesquisadores acreditam que o trabalho com as emoções tenha ajudado os pacientes a aderir melhor ao tratamento, o que beneficiou o sistema imunológico dos pacientes. Quem trabalha com saúde pública sabe que essa diferença também tem impacto na prevenção do HIV.

As técnicas ainda resultaram em melhora na saúde mental. No grupo da intervenção, apenas 17% usavam antidepressivos no fim do estudo, enquanto no grupo controle a proporção era de 35%. E os indivíduos que exercitaram as emoções positivas também relataram ter menos pensamentos repetitivos sobre o HIV ao longo do dia.


Eventos estressantes afetam mais as mulheres, diz pesquisa
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Jairo Bouer

Uma pesquisa mostra que as mulheres são mais afetadas por eventos estressantes, como a morte de alguém querido, uma doença, ou mesmo quando perdem seus smartphones. Feito no Reino Unido, o trabalho mostrou que até mesmo o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, teve mais impacto para elas do que para os homens.

Os pesquisadores da Sociedade de Fisiologia daquele país analisaram dados de 2.000 pessoas, que foram convidadas a estipular o nível de estresse provocado por diferentes acontecimentos. Em todos eles, as mulheres apresentaram níveis mais altos que os homens. As únicas situações em que ambos deram notas parecidas foram ao responder sobre a ameaça do terrorismo e a chegada do primeiro filho.

Os resultados variaram um pouco em cada região do Reino Unido. Os mais estressados foram os escoceses, por exemplo, enquanto os mais “relaxados” foram os habitantes do Sudeste da Inglaterra. A idade também influenciou nas respostas, sendo que o estresse aumentou com a idade e com problemas de longo prazo, como doenças ou prisão. A exceção à regra foi em relação à perda do smartphone, que teve notas altas entre os mais jovens e os mais velhos.

A pesquisa faz parte de um projeto da Sociedade de Fisiologia que tem como objetivo chamar atenção para os efeitos do estresse no organismo em uma época em que a internet trouxe uma carga extra de exposição às pessoas. Os hormônios liberados na corrente sanguínea quando estamos tensos afetam o coração, a digestão e o sistema imunológico. Como apontou o estudo, as mulheres devem ficar atentas e buscar formas de lidar com o problema, já que são mais vulneráveis.


Quer ter mais prazer no trabalho? Faça mais sexo, sugere estudo
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Jairo Bouer

Cuidar bem da vida sexual aumenta a satisfação das pessoas com o trabalho e até melhora a produtividade, segundo pesquisadores da Universidade do Estado de Oregon, nos Estados Unidos. Eles chegaram à conclusão depois de acompanhar 159 empregados casados.

Aao longo de duas semanas, os participantes preencheram duas pesquisas a cada dia.  A análise desse material mostrou que, após uma noite de sexo, os empregados acordavam mais bem-humorados e sentiam mais vontade de se engajar nas tarefas. No final das contas, isso gerava uma satisfação maior com o trabalho.

Os resultados, publicados no Journal of Management, valeram tanto para homens quanto para mulheres. Os autores explicam que o sexo faz o organismo liberar dopamina, um neurotransmissor associado ao sistema de recompensa no cérebro, e também oxitocina, um hormônio que facilita interações sociais. Por isso, transar pode ser um remédio contra a falta de motivação para ir ao trabalho.

Por outro lado, o estudo também concluiu o que todo mundo já sabe: trazer o estresse do escritório para casa o prejudica a vida sexual. E o maior culpado disso, hoje em dia, é o smartphone, que estende o horário de trabalho indefinidamente.

Para os pesquisadores, as pessoas devem dar mais prioridade ao sexo, já que isso interfere não só na vida pessoal, como na profissional também. E eles dão um recado aos chefes: encorajar os funcionários a se desligar dos e-mails ao chegar em casa só vai resultar em aumento de produtividade.


Casados têm níveis mais baixos do hormônio do estresse, diz pesquisa
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Jairo Bouer

Um estudo mostra que pessoas casadas apresentam níveis mais baixos de cortisol, o hormônio do estresse, em relação às solteiras, divorciadas ou viúvas. Isso resulta em um risco menor de doenças, já que o cortisol interfere nos níveis de açúcar do sangue, bem como na imunidade e em processos inflamatórios.

Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, chegaram a essa conclusão depois de avaliar o nível de hormônio em amostras de saliva de 500 adultos de 21 a 55 anos, coletadas ao longo de três dias. Os dados foram divulgados no jornal britânico Daily Mail.

O ritmo de liberação do cortisol também foi analisado: em geral as pessoas acordam com níveis mais altos, que vão diminuindo ao longo do dia. E, novamente, os casados sairam ganhando, pois apresentaram um declínio mais acentuado, algo que já foi associado a menor risco cardiovascular e maior sobrevivência ao câncer.

Para os autores, dois fatores podem explicar esses resultados. O primeiro é o fato de que casais costumam ter uma sensação de segurança maior – em tese, um pode contar com o outro numa crise. Outro ponto é que ter alguém por perto pode servir de estímulo para cuidar um pouco mais da alimentação e se exercitar. Mas é bom lembrar que a qualidade do relacionamento também interfere no estresse.


Ficar mal de vez em quando não faz tão mal assim
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Jairo Bouer

estudoestresse615

Para muitos estudantes, dezembro é o mês do estresse e do mau humor, pois coincide com provas finais. Se esse for o seu caso, anime-se: um estudo sugere que experimentar emoções negativas de vez em quando pode resultar em um melhor desempenho acadêmico. Mas só se for de vez em quando.

O trabalho foi conduzido por psicólogos da Universidade Concórdia, no Canadá, e contou com 187 alunos de primeiro ano de uma grande faculdade, acompanhados durante quatro anos. Aqueles que tinham crises ocasionais apresentaram as melhores notas ao término do curso.

Por outro lado, aqueles que relataram níveis altos de ansiedade e depressão com maior frequência foram os que tiveram as piores notas. Os dados foram publicados no periódico Developmental Psychology.

Para os autores, os resultados demonstram que tanto as emoções positivas quanto as negativas têm seu papel no sucesso. Para quem está bem na maior parte do tempo, os momentos críticos podem até melhorar a motivação. Já se o sofrimento for constante, é fundamental buscar ajuda.


Estresse do parceiro pode interferir na sua cintura, diz estudo
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Jairo Bouer

obesidade615

Enquanto para algumas pessoas, excesso de tensão tira a fome, para outras é uma justificativa para exagerar na comida. Segundo um estudo recém-publicado, porém, não apenas o seu próprio nível de estresse pode interferir na sua cintura, como também a da sua cara-metade.

O estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostra que a influência do estado emocional do parceiro nos hábitos alimentares de uma pessoa é real, e afeta principalmente as mulheres.

O trabalho incluiu 2.042 indivíduos casados, com mais de 50 anos, que estavam juntos há 34, em média. Os pesquisadores se concentraram no estresse crônico, aquele que dura no mínimo um ano, e pode ter como causas dificuldades no trabalho ou problemas financeiros, entre outras. Eles foram acompanhados por quatro anos.

A pesquisa mostrou que, no final do período,  70% das mulheres que tinham maridos estressados apresentaram risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao sobrepeso. No caso dos homens, a proporção foi de 66%. As conclusões foram publicadas no periódicoJournals of Gerontoloy: Social Sciences.

Segundo a principal autora, Kira Birditt, o casamento tem influências poderosas sobre a saúde.  Ela acredita que os efeitos são semelhantes em casais mais jovens, no entanto, os riscos do sobrepeso tornam-se mais evidentes com o passar da idade.


É preciso lembrar os jovens de que as pessoas mudam, sugere estudo
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Jairo Bouer

TIMIDEZ615

Mostrar aos adolescentes que características sociais e de personalidade podem mudar ajuda os jovens a lidar melhor com o estresse social ou situações como o bullying, segundo um estudo. Os resultados foram publicados na revista Psychological Science.

Em um primeiro experimento, pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, monitoraram as respostas cardiovasculares de 60 jovens de 14 a 17 anos, enquanto eles faziam um breve discurso sobre o que torna as pessoas populares. Em seguida, eles tinham que completar uma série de equações matemáticas mentais.

Antes de cumprir as tarefas, metade do grupo ouviu uma palestra sobre a ideia de que as pessoas e seus traços socialmente relevantes podem mudar. Esses jovens relataram ter se sentido menos ameaçados durante os testes, apresentaram maior eficiência cardíaca e níveis mais baixos de cortisol, o hormônio do estresse. Por consequência,  tiveram uma performance melhor.

O segundo experimento acompanhou 205 alunos com aproximadamente 14 anos durante todo o ano letivo. Todos tinham que preencher um diário sobre fatos estressantes do dia e o quanto se sentiram capazes de enfrentá-los, ou não. Além disso, passaram por testes de saliva para medir o cortisol. Novamente, metade do grupo ouviu palestras sobre a noção de que é possível mudar.  De novo, esses foram os que tiveram mais recursos para lidar com as dificuldades e os que apresentaram menor nível de hormônio do estresse. E o grupo foi o que apresentou melhores notas seis meses depois.

Como afirmam os autores, a transição para o ensino médio costuma ser um momento difícil para os adolescentes, que, nessa fase, estão mais focados em status e relacionamentos. Biologicamente, eles reagem mais ao estresse do que outros grupos etários. Tudo isso muitas vezes faz com que os jovens fiquem sem recursos para lidar com dificuldades na escola, o que os torna mais vulneráveis a sintomas depressivos. Para eles, se é difícil agora, vai ser difícil para sempre. Por isso é importante mostrar que as coisas mudam e que, com o tempo, enfrentar esse tipo de dificuldade fica bem mais fácil.


Desânimo na escola e dependência digital: um pode levar ao outro
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sono615

O uso excessivo da internet ou de videogames contribui para o esgotamento mental dos jovens na escola. E este, por sua vez, pode levar à dependência digital, e ambos podem ser causa ou consequência de sintomas depressivos, segundo uma pesquisa realizada pela Academia da Finlândia, com mais de 3.000 jovens na faixa dos 13 e dos 17 anos de 51 escolas diferentes.

Também chamado de “burnout”, esse tipo de esgotamento é marcado pelo estresse e desânimo em relação ao colégio.  O termo também é utilizado para adultos que têm uma carga excessiva de trabalho e não recebem a devida recompensa, ou não se sentem realizados.

O trabalho mostra que o vício pela internet é mais comum em adolescentes que perderam o interesse e desenvolveram uma espécie de cinismo em relação à escola. Por outro lado, estes também pode ser sintomas de depressão, algo que aumenta à propensão à dependência digital. Ou seja, uma coisa pode levar à outra, segundo os pesquisadores.

A fase mais crítica para se combater esse ciclo vicioso, de acordo com os autores, é entre os 13 e 15 anos. E a ferramenta mais eficaz é incentivar o envolvimento dos alunos com a escola, com atividades que aumentem a motivação para aprender (o que até pode ser feito com ajuda da tecnologia, diga-se). Desafio que parece grande demais para boa parte dos professores brasileiros que, por sua vez, também estão estafados pela longa jornada de trabalho sem a devida recompensa.


Estudo associa estresse à persistência do HPV nas mulheres
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Jairo Bouer

hpv615

Um estudo mostra que o estresse e a depressão podem desempenhar um papel importante na capacidade de uma jovem com HPV se livrar da infecção. Quando o papilomavírus humano permanece no corpo por muitos anos, a mulher tem mais chances de desenvolver câncer cervical.

A pesquisa, feita por uma equipe da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, foi apresentada em um evento das Sociedades Acadêmicas de Pediatria, e ainda não foi publicada.

A equipe acompanhou um grupo de 333 mulheres, que tinham, em média, 19 anos, no início do estudo. Elas passaram por avaliações médicas e laboratoriais a cada seis meses, para checar como estava a infecção pelo HPV.

Depois de 10 anos, quando as pacientes tinham cerca de 28 anos, elas foram avaliadas, também, em relação aos níveis de estresse e depressão. Aquelas que relataram mais sintomas dessas condições foram justamente as que mais apresentaram um quadro de persistência do vírus. Essas mulheres também eram mais propensas a usar bebida, cigarro ou drogas para obter alívio dos sintomas depressivos.

Estudos anteriores já mostraram que o estresse pode levar a um número maior de surtos de herpes em pessoas infectadas com esse vírus, além de resultados mais modestos no tratamento do câncer. A teoria é que a condição estaria ligada a uma resposta menos eficiente do sistema imunológico.

Para os autores, mulheres com HPV deveriam ser avisadas de que hábitos como o uso de álcool, drogas e tabaco pode prejudicar sua capacidade de vencer a infecção. Apesar de esse vírus ser extremamente frequente na população, alguns casos podem evoluir e se transformar em câncer com o tempo. Por último, vale lembrar que os tipos de HPV mais associados à doença e às verrugas genitais podem ser evitados com a vacinação.


Estudo mostra como o estigma afeta mulheres com excesso de peso
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Jairo Bouer

balanca615

Imagine que você está num jantar ou apresentação e tem cinco minutos para impressionar alguém. A situação deixa qualquer pessoa nervosa, mesmo a mais confiante. Mas, para mulheres com excesso de peso, o receio de ser rejeitado é tão forte que pode até ter consequências negativas para a saúde, a longo prazo, segundo um estudo.

Psicólogos da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, decidiram avaliar se a preocupação em ser rejeitado pode ter impacto nas emoções. Eles descobriram que os resultados dependem do peso e do sexo da pessoa.

Os pesquisadores recrutaram 160 homens e mulheres heterossexuais de diferentes pesos e com idades entre 18 e 29 anos. Cada um foi convidado a fazer um discurso de cinco minutos, dizendo por que seria um bom namorado ou namorada. Metade do grupo foi informada de que o vídeo seria visto por uma pessoa atraente do sexo oposto. À outra metade foi dito que o discurso seria apenas ouvido, por isso a aparência não seria um fator importante.

Para avaliar o medo antecipado da rejeição, cada um tinha que dizer se achava que a outra pessoa iria se interessar por ela ou não. Depois de gravar os discursos, os participantes completaram testes para medir os níveis de autoestima, sensações de autoconsciência, como vergonha, e também de estresse e ansiedade.

As mulheres mais pesadas, ou seja, com um IMC (Índice de Massa Corporal) mais alto, que foram informadas que o vídeo seria assistido (e não só ouvido) foram mais propensas a achar que seriam rejeitadas. Essa preocupação levou a sentimentos de baixa autoestima e estresse.

Para as mulheres magras, o efeito foi exatamente o oposto – elas apresentaram sensações de autoestima elevada e menos estresse, provavelmente porque entendiam que estar em forma seria uma vantagem. Para os autores, isso reflete o quanto magreza e beleza estão entrelaçados na nossa sociedade.

O curioso é que homens mais pesados não tiveram a mesma reação negativa. Para os pesquisadores, ainda que o estudo tenha se limitado ao contexto da paquera, o resultado indica que o sexo masculino não é tão afetado pelo estigma do peso.

Os autores também observam que a simples antecipação da rejeição é suficiente para causar tensão e desconforto às mulheres com excesso de peso. Isso sugere que o estigma pode afetar o bem-estar psicológico delas diariamente, o que, a longo prazo, pode ter implicações sérias. As informações foram publicadas no Journal of Experimental Social Psychology.